quinta-feira, 19 de junho de 2008

É POTIGUAR DO ASSU, O REALIZADOR DA PRIMEIRA CAMPANHA ELEITORAL MARKETIZADA NO BRASIL

João Moacir de Medeiros era assuense, da família além de Medeiros, Lins Caldas do Assu e Ipanguaçu. Foi agente de publicidade no Rio de Janeiro, para onde regressou nos início da década de quarenta. Realizador da primeira campanha política marketizada no Brasil.
.
Doutor Medeiros como ele era mais conhecido nos meios empresariais do sul, centro-oeste e sudeste do Brasil, muito mais no Rio de Janeiro,  "tem trajetória marcante na propaganda brasileira". Fundou no ano de 1950, a JMM Publicidade (sigla do seu nome) que veio a ser uma das maiores empresas de publicidade do país, nos anos setenta e oitenta.

Tinha escritório à Rua Almirante Barroso, Centro do Rio, próximo ao Largo da Carioca e ao Teatro Municipal. Cid Pacheco figura que eu tive o prazer de conhecer no escritório da JMM, na capital carioca, era seu parceiro, outro gigante da propaganda moderna, do marketing político eleitoral no Brasil.

Anna Ramalho conceituada jornalista e colunista do Jornal do Brasil, escreveu um artigo publicado naquele conceituado jornal, datado de 19 de junho de 2006, dizendo que "Medeiros foi um gênio da propaganda. O Jornal Nacional foi assim batizado por sua sugestão: na época do seu lançamento, era patrocinado pelo Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, principal cliente da agência." Depõe mais mais ainda aquela brilhante jornalista,  ao dizer que Moacyr teve outras invenções como "o tema ponte aérea, criado para a Real Aerovias, ainda na década de sessenta". E aquela ex-funcionária da JMM não dispensa elogios a pessoa do seu ex-patrão, afirmando que Medeiros "é um exemplo de pessoa decente, do brasileiro que soube ganhar muito com o seu trabalho, mas sempre de forma digna, sem cambalachos e maracutaias".

E quem não se lembra da propaganda (do guarda chuva) do Banco Nacional, já referenciado acima, que abriu durante os anos sessenta e setenta, o Jornal Nacional da TV Globo? Era de criatividade da empresa de publicidade daquele ilustre assuense, mistura de potiguar e carioca.

Pois bem, transcrevo o texto  de sua conferência quando da realização do I Seminário "Voto é Marketing?", realizado pela UFRJ, em 1992 conforme adiante:

"Em 1954, dois candidatos polarizavam a disputa pela prefeitura de Belo Horizonte: Amintas de Barros, pelo PSD e Celso Azevedo, pela UDN. Foi o ano do suicídio de Getúlio Vargas, que estava em plena glória, mas também em pleno combate, um ano marcado por grande comoção política.

Juscelino Kubitschek, na época governador de Minas, também estava em plena glória. Amintas de Barros era tido como imbatível por ser o candidato de Juscelino e de Getúlio.
A UDN resolveu lançar outro candidato. Então, fui chamado pelo Magalhães Pinto, que me fez um pedido com ceticismo: "Veja que propaganda você pode fazer para o Celso não perder muito feio... "Celso Azevedo tinha também o apoio de um pequeno partido, o PDC, Partido Democrático Cristão. A eleição ia acontecer em um prazo de cinco semanas.

Restou-me a improvisação. Eu nunca dispensei a pesquisa porque sempre fui um repórter. Procurei alinhar as informações a respeito do Celso Azevedo. Ele era um jovem engenheiro de 40 anos , nunca havia ocupado cargos públicos e era muito tímido. Sabia fazer as coisas, mas não sabia falar em público. Era um homem de bem, o currículo podia ser resumido nisto. Amintas de Barros era um político populista do velho estilo, gostava de tomar uma "cachacinha" como o povo; uma pinga mineira; orador inflamado; brilhante criminalista e uma figura muito conhecida em Belo Horizonte, principalmente por suas participações nos júris populares. Dizia-se então que Amintas não podia perder. Tinha o apoio de JK e de Getúlio, e tinha também o apoio do PSD mineiro. Talvez um dos partidos mais fortes da história brasileira e do PTB de Vargas. O que podia fazer por Celso Azevedo? Eu perguntava às pessoas um pouco "mineiramente": "Escuta aqui, eu sou de fora, estou de passagem, sou um caixeiro viajante. Estou ouvindo falar da eleição, da campanha... Me fala aí, quem você acha que vai ganhar?" Diziam: "Tem o Amintas Barros, esse é o certo. Tem também um outro para fazer páreo." Depois apareceu um outro candidato, mas não teve importância.

Conseguimos polarizar a eleição entre Amintas de Barros e Celso Azevedo. Descobrimos numa pesquisa, que Belo Horizonte nunca havia tido um prefeito natural da cidade.

Portanto, seria o primeiro filho de Belo Horizonte a governar sua cidade natal. Era o lado que poderia ser explorado do ponto de vista emocional. Nós procuramos tirar partido daí.

Uma pesquisa entre o povo e com os motoristas de táxi e os barbeiros, que eram fontes de informação me levou a seguinte conclusão: a única qualidade do Celso Azevedo que podia ser explorado, era o fato de ele ser um engenheiro. Eu perguntava às pessoas: "Esquecendo o nome, esquecendo o candidato, você escolheria entre um político, que é um advogado brilhante, ou um engenheiro? Quem você acha que pode resolver os problemas da sua rua, do seu bairro, da sua cidade?" A maioria das pessoas respondia que preferia o engenheiro.

Nós chegamos a conclusão que, numa eleição, as pessoas estão interessadas sobretudo na sua rua, no seu bairro, na sua cidade. O aspecto partidário, as ligações ideológicas, nada disso tem importância. Então eu imaginei que as pessoas tinham que decidir entre um engenheiro, que podia resolver os problemas da cidade, os problemas do bairro, e um político. Posso dizer que foi a primeira campanha de posicionamento: o engenheiro de um lado, o político do outro.

A campanha ocorreu em três semanas. Fizemos uma série de anúncios. O primeiro deles dizia: "Os problemas de Belo Horizonte são problemas seus, mas são problemas técnicos.

Confie sua solução a um técnico, a um engenheiro, a um homem capas: Celso Azevedo". Esse era o tema fundamental da campanha. Descobriu-se também que o povo tinha aspirações muito concretas. Então, a nossa proposta ao Celso foi que ele não fizesse promessas muito grandes, que a campanha girasse em torno de algumas propostas, porque elas perdem credibilidade. Ele concentrou sua plataforma em torno de dois itens: o problema de transporte coletivo para os bairros mais distantes e o problema de calçamento de algumas ruas. Com calçamento, o transporte poderia chegar mais longe, mas não era o calçamento de asfalto! Ele ia para os bairros, fazia pequenas reuniões e explicava como calçar aquela rua com pé-de-moleque - um sistema anterior ao paralelepípedo, que os escravos mineiros adotavam no calçamento das velhas cidades. Se o transporte não chegava porque não havia uma ponte, ele fazia uma exposição simples de quantos sacos de cimento, quilos de ferro, vergalhões, e de quanto tempo de trabalho seriam necessários para construir aquela ponte. Ele ganhava credibilidade do eleitor mostrando que sabia fazer as coisas, que sabia resolver os problemas.

O resultado dessa campanha foi realmente inesperado. Ela teve o apoio do rádio com um jingle que se tornou extremamente popular. Ele tinha uma letra criada por mim e musicada pelo Sinval Neto. Dizia assim: "O povo reclama com razão / Minha casa falta água / Minha rua não tem pavimentação / Mas não basta reclamar, meu senhor / É preciso votar no prefeito de valor. Era uma letra simples, mas abordava exatamente uma coisa: que não bastava reclamar, era preciso votar, era preciso fazer uma escolha. Foi feito um programa de informação de rádio, convidamos o povo, não para os grandes comícios, mas para reuniões em que Celso mostrava como resolver os problemas sem discursos. Sem grandes discursos e sem promessas; só aquelas em que o povo pudesse acreditar.

De propósito, nós esquecemos o outro candidato. Achamos que devíamos fazer campanha a favor do Celso Azevedo e não contra o Amintas de Barros. Eu nunca ocupei o nosso tempo e atenção do nosso ouvinte, do nosso eleitor, com histórias sobre o adversário. As histórias sobre o adversário sempre colaboram contra nós. Foi o esquema que deu certo.

Diziam que o Amintas não podia perder porque tinha o apoio de Getúlio Vargas no ano do seu suicídio. A eleição foi em outubro. Em julho, três meses antes da eleição, Vargas foi a Belo Horizonte e foi fotografado abraçado com o Amintas de Barros. Em agosto, o residente se suicidaria. O PSD mineiro e o PTB exploraram esse fato, lançando um folheto que mostrava a foto com a seguinte legenda: "Um voto no Amintas é uma pétala de rosa no túmulo de Getúlio". Isso era uma exploração sentimental enorme. E nós não podíamos combater Getúlio; ele estava morto!

Para concluir, em três semanas de campanha, Celso Azevedo foi eleito por maioria absoluta. Quando Amintas se deu conta e quis reagir, já era tarde. Esta, em resumo, é a primeira de uma campanha de Marketing eleitoral.

Na minha opinião, o voto é Marketing na medida em que você leva a mensagem do candidato ao conhecimento de muitos. Muitas vezes o candidato é desconhecido de muitos; outras, uma de suas faces ou idéias é desconhecida. Então, é preciso projetar o candidato e tentar fazer com que suas idéias sejam focalizadas. O Marketing tem esse valor."

Eis aí o João Moacir de Medeiros, que engrandece o Rio Grande do Norte, especialmente o Assu, sua terra natal. Afinal de contas, não é a toa que o Assu, através dos seus filhos ilustres, tem tradição de pioneirismo. Fico, portanto, nas palavras do jornalista assuense Alderi Dantas:  "O Assu é +".

Um comentário:
Angelo Alexei Castor14 de out de 2009 07:18:00
Valeu Caldas! Como neto do dr Amintas de Barros,se ainda hoje eu pudesse, como vim a saber pelo seu intermédio, era o pescoço deste grande expoente, o senhor Moacyr, que eu deveria apertar! Ora bolas...
   
Um grande abraço!
















domingo, 15 de junho de 2008

A MUTUCA

O título citado acima, é um periódico que circulou nos anos 1967, 68, 69, 70, 71, 72, 73 e 74 e 1978.  Circulava durante os festejos do padroeiro do Assu, São João Batista,  divulgando as acontecências da cidade, satirizando as pessoas, fofocando os relacionamentos amorosos da rapaziada e da moçada daquela época. Através daquele jornalzinho, amores foram concretizados, desfeitos e fracassados. Os poetas da cidade como Maria Eugênia, Renato Caldas, Francisco Amorim, João Fonseca e Boanerges Wanderley, entre outros deram a sua colaboração com suas glosas, seus poemas, suas crônicas. Os jornalistas e os estudantes inteligentes daquela terra assuense publicavam os seus artigos sobre a sua festa maior entre outros assuntos relacionados ao município.

Revendo  meus antigos guardados, o meu pequeno acervo sobre as coisas da minha terra - Assu, deparo-me com uma das edições de A Mutuca, como a edição datada de 17 de junho de 1969 que, na sua página inicial, diz assim: "Bôa noite habitantes dos Bairros Sítios e Capelas, patrocinadores dos festejos hoje consagrados ao glorioso São João Batista.

Elementos integrantes da comunidade açuense, vocês, sabemos, empregar o melhor das suas energias, de seu esforço e da sua dedicação para testemunharem ao Santo, nosso Padroeiro a nossa fé cristã e nosso apelo às coisas de Deus.

Na quietude de seu bairro, nas suas conversas amigas, na vivência de uma cordialidade amistosa o seu pensamento e a sua imaginação, por muito tempo se comoveu na contemplação emotiva e encantadora do rodopiar de um balão sanjoanesco que, na crendice popular, indica de acordo com a sua direção, inverno futuro ou seca calamitosa.

Também vocês, moradores dos sítios distantes, a esta hora, depois de um dia afanoso, cuidando do amanho da terra e da assistência às fruteiras em formação, vocês também estão com a alma e o coração voltados para o Patrono de nossa terra, pedindo bençãos e solicitando favores na esperança fagueira de uma colhêta abundante.

Como tenho muito de cristianismo, tem algo de profano o novenário de São João Batista, vocês habitantes dos Bairros Sítios e Capelas, no saborear das pamonhas, canjicas e milho assado ao calor das fogueiras, no São João disse São Pedro confirmou, prestam também o seu culto de veneração e respeito ao santo que veio abrir os caminhos aplainar as veredas para a vinda do Senhor.

Daí, por tudo que vocês fizerem para homenagear o precursor do Messias, recebam, habitantes dos Bairros Sitios e Capelas o nosso cordial e sincero BÔA NOITE."

Desejo, portanto, um feliz São João aos meus conterrâneos.

POESIA SERTANEJA

A FLOR DO MARACUJÁ

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me como sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhe conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasce branca e roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco do qui caridade,
Mais branco do que o luá.

Quando a frô brotava nele,
Lá pros confins do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argudão.
Mas um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num me alembro,
Si foi maio, se foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.

Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruz crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro Cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza.

Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjeira,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô
Aos pé de nosso sinhô.

I o sangue de Jesus Cristo,
Sangue pesado de dô,
Nus pé de maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu ouvi contá,
A razão proque nasce roxa,
A frô do maracujá.

Catulo da Paixão Cearense (de quem o poeta Renato Caldas é discípulo).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

LEMBRANDO EPIFÂNIO BARBOSA

Eu era menino quando tive o privilégio de ter conhecido Epifânio Barbosa. Tipo baixo, garboso, esperto, morenão, jeitão sertanejo. Fazendeiro, negociante de gado. Amigo leal de meu avô materno Fernando Tavares (Vemvem) que foi também fazendeiro na região do Assu e amigo de Epifânio. Lembro-me de Epifâneo frequentando assiduamente as reuniões sociais na calçada do rico e antigo casarão do casal Maria Eugênia e Nelson Montenegro. Ele era proprietário da famosa Fazenda Cruzeiro, localizada no caminho do Riacho (distrito do Assu).

Epifânio tinha um mundo de amigos e era admirado por todos daquela região sertaneja. Homem de poucas letras, porém sabido nos negócios de gado, sábio na maneira de viver e ver a vida, espirituoso como ninguém. O governador Dix-sept Rosado de quem ele era amigo íntimo, que o conheceu através de meu avô Vemvem, também com amizade estreita com Dix-sept, deliciava-se com as suas tiradas de espíritos, as suas estórias pitorescas,os seus repentes. Nas festas políticas, não perdia uma oportunidade para discursar. A sua oração com aquele seu linguajar matuto, estapafúrdio, que tinha um sentido filosófico e lhe fazia gracioso, encantava e agradava a leigos e eruditos.

Epifânio não tinha inibição, era despachado, desenrolado, grosseirão (no bom sentido). Certa vez, a deputada federal Ivete Vargas, visitava a cidade de Mossoró (RN). Epifânio, Getulista, resolveu ir até aquela cidade conhecer aquela parlamentar petebista. Ao chegar no aeroporto daquela terra do oeste potiguar, uma multidão incalculável se encontrava presente naquele local, prestigiando a filha do presidente Vargas. Epifânio usando da habilidade que lhe era peculiar, "como um relâmpago inesperado", meteu-se no meio daquele povão e chegou próximo a Ivete, batendo forte com uma das mãos no "bumbum" daquela parlamentar que assustou-se, virou-se e ficou olho no olho com Epifânio que apresentou a si mesmo de forma graciosa, dizendo assim: "Muita prazer, deputada. Epifânio Barbosa do Assu. Nunca bati na bunda de uma mulher, pra ela não olhar pra trás!"

Epifânio imortalizou-se na "pena fulgurante e adestrada", da escritora assuense de Lavras (MG), Maria Eugênia, no romance intitulado "O Sertanejo". do qual é o seu protagonista. Aquela mulher de letras, começa a narrativa do seu belo e original romance dizendo que "na aridez das caatingas, Lourenço viu-se jogado no mundo. De estatura mediana, saudável, inteligente, rosto largo e moreno, era figura popular no Vale do Açu, a rica região onde as carnaubeiras, com seus leques entreabertos, emolduravam de verde os longínquos horizontes, ao abano constante dos ventos.

Herdara dos ancestrais a tenacidade na luta pela vida. Corpo rajido, espírito forte, aceitava com a alegria ou sem amargor, tudo o que a vida lhe oferecia em suas variadas contingências.

Ali nascera e se fizera homem. Integrado à terra, como os verdes juazeiros, que heroicamente resistem a todos os ventos. Lourenço, ali possuía raízes como as agigantadas árvores que não poderiam ser transplantadas. Não se aclimataria jamais em qualquer lugar."

Fica este artigo que tem , sobretudo o sentido de resgatar, relembrar, apresentar aos mais jovens, Epifânio Barbosa, o que ele representou para o folclore regional, a pecuária das  das várzeas e dos sertões do Assu. E, finalmente, nas palavras do poeta cordelista (desconheço o autor), homenageio e reverencio a  memória de Epifânio Barbosa.:

Muito gado na fazenda,
Vacas, bezerros, garrotes.
Diversos reprodutores,
Novilhas e novilhotes,
Muitas cabras e cabritos,
Pulando pelos serrotes.

Postado por Fernando Caldas

CATÔTA, DE MOSSORÓ

Catôta era o apelido de uma figura (soldado de polícia) espirituosa que vivia no "pais de Mossoró", importante cidade do oeste potiguar. . Vamos conhecê-las e revivê-las algumas delas, para o nosso bem estar:

1 - Certa vez, certo cidadão praticava arruaças num dos bares do bairro Alto de São Manuel, em Mossoró. O delegado ao tomar conhecimento do fato, mandou Catôta resolver o problema. Ao chegar naquele botequim, aquele soldado foi logo dizendo: "Olha, meu amigo, eu trago ordem do delegado pra prender você. Vamos logo. "Taqui que você me prende." Disse o arruaceiro estirando o dedo médio. Catota respondeu e gesticular da mesma forma: "Taqui que eu lhe levo!" Botou o rabo entre as perna, no dizer popular, e escafedeu-se.

2 - Certa feita, Catôta foi designado para retirar as pessoas que estavam em cima do muro do Estádio Leonardo Nogueira (Nogueirão), de Mossoró, assistindo ao jogo Baraúnas X Potiguar. Times de futebol daquela terra oestana. Ao chegar naquele campo de futebol, Catôto gritou enfaticamente, cheio de autoridade, dizendo assim: "Ei, vocês aí cambadas, desçam do muro agora. Não pode ficar em cima, não. Ou pra fora ou pra dentro, em cima é que não pode" E todos pularam pra dentro do estádio.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

MAIS UM POETA ASSUENSE

Não é a toa que a cidade de Assu e cognominada de Terra dos Poetas". Portanto, fico feliz em saber que Maria de Lourdes Moura ou "Luluda" como é chamada carinhosamente pelos seus conterrâneos, que além de ter alguns escritos (letras) musicadas e gravadas em CD, pelo seu sobrinho Judson Moura, ela surge agora nos meios literários daquela cidade, publicando um livro de poesias de sua autoria.

Eu convivi com ela, Luluda, nos velhos tempos da Cooperativa Agropecuária do Vale do Assu que meu pai dirigia. Eu sabia que ele era (ainda no tempo da maquina de escrever) boa datilógrafa, além de contadora. Porém, não tinha conhecimento da sua arte de versejar que ela escondeu e somente veio a revelar na sua maturidade. Ela fez igualmente aos poetas Moisés Sesióm e Andière Abreu que veio a produzir e se revelar poeta na sua vida adulta. O trabalho literário de Luluda engrandece as letras assuenses. O soneto transcrito abaixo encontro no Blog de Ana Valquíria. Intitula-se 'Quisera'. Seus versos são amorosos, puros, verdadeiros, de versificação fácil. Senão vejamos o referenciado soneto:

Quisera eu dizer-te que sinto
Mas não posso e jamais o farei.
Por teu amor lutei e ainda resisto,
Não quero perder-te, senão morrerei.

Por mais que procuro te esquecer
Cousa que nunca eu consegui,
Mas sentia o meu amor crescer
Mas hoje sinto o que me iludi.

Iludi-me, sim, porque sempre tentei
Esquecer de um amor, que nunca procurei
Saber se me amava ou se me enganava.

E agora muito sofro a pensar,
Que um dia, não queiras me amar,
E que nunca a me amar procurou.

Em tempo: Querida Luluda: Aumente mais ainda a minha biblioteca e, para que eu possa divulgar mais o seu trabalho, remeta-me um livro de sua estréia. Aguardo ansioso a sua dedicatória.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

PAULINHO MONTENEGRO

Paulo Roberto Macedo Montenegro (Paulinho ou Paulo Catita como é mais conhecido,é gente de boa cepa, membro de família aristocrática e influente na política desde o Rio Grande do Norte província, porém de uma admirável simplicidade, afável, bom de garfo e de copo. Boêmio autêntico, amigo dos descamisados. A sua generosidade também contribuiu para o sucesso da sua eleição para deputado estadual, exercendo o mandato de 1987 a 1990 que o povo do Assu e de todo o seu Estado lhe outorgou. Eu tenho o prazer de com ele gozar além dos laços de parentescos que nos une, pelo lado da família Lins Caldas de Assu e Ipanguaçu, de sermos também amigos, além de duplamente compadre. Eu, padrinho de sua filha Maria Tereza e ele, padrinho da minha filha Mariana. Pois bem. vou contar uma estória que aconteceu com ele, Paulinho. O assuense é cheio de tiradas, de estórias engraçadas. Certa vez, Paulinho (ele tinha se comprometido arranjar um emprego comissionado) para certo amigo seu, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. Naquela época (1987), Vivaldo Costa era o presidente daquela casa legislativa e tinha se comprometido com ele, Paulo, resolver o problema no menor tempo possível. No que demorou, logo que terminou certa reunião de Mesa que se realizava no gabinete daquele presidente, a cobrança de Paulo foi inevitável: "Como é Vivaldo?" Você não vai arranjar um 'grausinho' pra mim, não?" E aquele 'grausinho' que Paulo se referia, era um emprego para acomodar a Fernando Caldas (editor desse blog). Dia seguinte eu já estava nomeado no Diário Oficial do Estado, como Subsecretário de Administração Financeira e Orçamentária naquele parlamento. Afinal de contas, amigo é pra essas coisas!

Fernando Caldas

terça-feira, 3 de junho de 2008

FRANCISCO AMORIM, O POETA DA SERIEMA

Francisco Augusto Caldas de Amorim (Chisquito) como era chamado carinhosamente, foi servidor público federal, poeta, escritor, jornalista, fundador de jornais como "A Cidade", o jornal mais antigo do interior do Estado, que circulou durante 25 anos, sob a organização dele, Francisco Amorim e de seus irmãos Otávio e Palmério Amorim. Ele era membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, da Academia Potiguar de Trovas, entre outras instituições culturais do Estado Norte-rio-grandense entre outros estados do Brasil. Foi prefeito do Assu (1953-1958), presidiu durante muito tempo, o Banco Rural do Assu, que depois veio a ser Cooperativa Agropecuária do Vale do Assu Ltda.

Chisquito publicou diversos livros, e o seu trabalho engrandece as letras potiguares como A Eucaristia e a Questão Social, 1944 (conferência), Discurso de Saudação aos Prefeitos, 1961, Eu Conheci Sesióm, 1961, Seriema e Outros Versos, 1965, Galeria do Lions, 1969, História do Teatro no Assu, 1972, Colégio Nossa Senhora das Vitórias, 1977, As Vantagens da Eletrificação Rural (cordel), 1978, Titulados do Assu, 1982, O Assu No Roteiro das Glosas, 1983, Nos Tempos de Cristo, Assu da Minha Meninice, 1982, Trovas à Toa, 1991, Forrobodó, 1984, História da Imprensa do Assu, 1965, Teu Livro (versos), 1965, O Homem e as Cooperativas, 1965, A Reforma Agrária e o Trabalhador Rural, 1988 e Essências, 1991.

Ele ficou conhecido nos meios culturais como "O Poeta da Seriema". Vejamos o seu célebre soneto:

Na doce evocação do seu ledo passado,
A seriema vê, como num sonho lindo,
O riacho correndo, o Mofumbo ensombrado,
O cipoal a crescer, para o alto subindo.

E belo o panasco, o amplo campo rasgado,
As expansões febris do juremal florindo,
A sombra da oiticica o tresmalho do gado,
A alva flor do cardeiro alvas rosas abrindo.

A lembrança lhe vem dos tempos seus ditosos,
Correrias na mata, os ermos pedregosos,
Verde vegetação desabrochando a terra,

E na concentração ascética de um monge,
A pernalta desperta, olhando e vendo longe,
O panorama azul, belíssimo da terra.


domingo, 1 de junho de 2008

SONETO

O soneto transcrito abaixo, que eu não sei do título, é de autoria do poeta do Assu, chamado João Natanael de Macedo, salvo engano, conhecido popularmente como João de Papai. Estes versos foi publicado no jornal "A Cidade",de Assu quando aquela terra completava 100 anos de elevação da categoria de Vila Nova da Princesa à cidade de Assu. Vamos conferir o ufanismo deste poeta, que engrandece as letras assuenses:

Terra Natal! É belo quando esplende
O azul de tua abobadada infinita
Torrão, no qual tanta beleza habita
Onde o piranhas plácido se estende.

Sertaneja cidade, em ti palpita
Um seio amigo e bom que a todos prende,
Teu campo é um ninho alegre que recende
Aos raios tropicais que o sol vomita

Nordestino rincão, valor genérico
De um povo. a resistir a intensidade
De terrível flagelo climatérico.

Ao vir do inverno, em vez do mal profundo
Pode se comparar tua bondade
A um pedaço do seu dentro do mundo.