sexta-feira, 31 de maio de 2013

Assu antigo

  • Casa do Sr. Manuel Soares Filgueira, da Rua Senador João Câmara. Tomei muito leite de gado tirado do peito da vaca na hora, naquela casa, onde eu ia casa toda a tardinha com um copo de alumínio com tody e açúcar, nos meus tempos de criança e adolescência. Seu Manuel era pecuarista e criava ali, nos fundos daquela casa que tinha um terreno enorme que ia de uma rua a outra, umas vascas boas de leite. Ou velho tempo bom. Aquela casa fora demolida no início da década de setenta para dá lugar a casa Bancária do Banco do Brasil.

POESIA

Agruras da Lata D'água

      Poeta: Jessier Quirino

...E eu que fui enjeitada
Só porque era furada.
Me botaram um pau na boca,
Sabão grudaram no furo,
Me obrigaram a levar água
Muitas vezes pendurada,
Muitas vezes num jumento.

Era aquele sofrimento,
As juntas enferrujadas.
Fiquei com o fundo comido.
Quando pensei que tivesse
Minha batalha cumprido,
Um remendo me fizeram:
Tome madeira no fundo
E tome água e leva água,
E tome água e leva água.

Daí nasceu minha mágua:
O pau da boca caía,
Os beiços não resistiam.
Me fizeram um troca-troca:
Lá vem o fundo pra boca,
Lá vai o pau para o fundo.
Que trocado mais sem graça
Na frente de todo mundo.
E tome água e leva água
E tome água e leva água.

Já quase toda enfadada,
Provei lavagem de porco,
Ai mexeram de novo:
Botaram o pau na beirada.
E assim desconchavada,
Medi areia e cimento,
Carreguei muito concreto
Molhado duro e friento,
Sofri de peitos aberto,
Levei baque dei peitada.

Me amassaram as beiradas,
Cortaram minhas entranhas.
Lá fui eu assar castanha,
Fui por fim escancarada.
Servi de cocho de porco
Servi também de latada.

Se a coisa não complica,
Talvez eu seja uma bica
Pela próxima invernada.
E inverno é chuva, é água,
E eu encherei outras latas
Cumprindo minha jornada.

CULTURA

A Feira de Artes de Petrópolis chega a sua terceira edição, com a temática “O são João começa na Praça”. O evento, realizado pela Organização Potiguar para o Desenvolvimento Sustentável (OPDS), com produção do jornalista de Toinho Silveira, acontece sempre no último fim de semana do mês, na Praça das Flores, expondo o trabalho de artistas plásticos, artesãos, antiquários e produtores de flores e plantas ornamentais. Este mês, o evento começa já nessa sexta (31) e segue até o sábado (1), das 10h às 20h.

Assim como nas edições anteriores, a partir das 19h, terão início as apresentações culturais. Para dá início ao clima junino, haverá apresentação de quadrilhas nos dois dias de evento. E uma atração já confirmada no primeiro dia, é o grupo Arquivo Vivo, que se apresenta tocando samba de raiz.

A coordenadora do evento, Graça Queiroga, fala sobre a importância da Feira está sendo incluída no calendário turístico do evento, fator que tem atraído mais de 1.200 pessoas em cada edição. “Dando continuidade ao evento no último final de semana de cada mês, o natalense e os turistas terão a oportunidade de conhecer as exposições artísticas dos artistas natalenses”, afirma Graça. E acrescenta, “com o apoio dos nossos parceiros (Governo do Estado, Prefeitura de Natal, Sesc e Sesi), conseguimos realizar edição ainda melhor”, afirma.
... Como uma flor a seu perfume,                                


estou atado à tua lembrança imprecisa.

Estou perto da dor como uma ferida,

se me tocas me maltratarás irremediavelmente.

Tuas carícias me envolvem

como as trepadeiras aos muros sombrios.

Esqueci teu amor e não obstante

te adivinho atrás de todas as janelas...

PABLO NERUDA
... Como uma flor a seu perfume, 
estou atado à tua lembrança imprecisa.

Estou perto da dor como uma ferida,

se me tocas me maltratarás irremediavelmente.

Tuas carícias me envolvem

como as trepadeiras aos muros sombrios.

Esqueci teu amor e não obstante

te adivinho atrás de todas as janelas...

PABLO NERUDA

quinta-feira, 30 de maio de 2013

CULTURA


Mais uma vez a Assembleia Legislativa abriu suas portas para receber o talento dos artistas potiguares. Na noite desta quarta-feira (29), o Projeto Assembleia Cultural chegou a sua 84ª edição marcada pelo som eclético dos cantores Ery Carlos e Fádja Lorena. Canções da Música Popular Brasileira, samba, pop rock, além de forró animaram a noite dos convidados da Assembleia Legislativa, que lotaram a Casa para mais um evento de grande sucesso.

A primeira a se apresentar foi Fádja Lorena, que participa da Assembleia Cultural pela segunda vez. Natural do município de Assú, Fádja é cantora profissional há quinze anos, e já gravou dois CDs, sendo um de música popular brasileira e outro de forró. Fádja tem uma banda com oito componentes e um quarteto musical para eventos de menor porte. “Adquiri experiência em vários eventos incluindo shows, casamentos, aniversários, formaturas, festas tradicionais (São João/carnaval) e festivais. Também canto em restaurantes e bares, com um repertório eclético e estilo variado”, disse a cantora.

A segunda atração da noite foi o cantor Ery Carlos, que participa do Projeto Assembleia Cultural pela primeira vez. Com 21 anos de carreira, ele foi vocalista da Banda Magníficos e ao deixar o grupo musical, passou a interpretar outros estilos, cantando pop rock, MPB, internacionais e outros. “Na verdade foram nestes estilos que dei início a minha formação musical em bandas bailes de Natal, mais sem deixar o forró autêntico, romântico e nordestino de lado”, declarou. Na noite desta quarta-feira, Ery trouxe canções da MPB, reggae e músicas da década de 1980. 

Quem acompanha o Projeto Assembleia Cultural já pode se preparar para os shows seguintes. O cantor Zé Barros será a atração do próximo evento, no dia 26 de junho. A Casa também irá abrir portas para quadrilhas juninas. O cantor Fernando Luiz também fará um show na Assembleia Legislativa, previsto para o mês de agosto, onde cantará músicas bregas. Os artistas da terra que desejam se apresentar no Projeto Assembleia Cultural devem entrar em contato através dos números 3232-5364 ou 3232-5761.
Assessoria de Comunicação AL/RN

quarta-feira, 29 de maio de 2013

MARINHO CHAGAS, O `DIABO LOIRO´ DOS GRAMADOS VOLTA A SER HOSPITALIZADO

Francisco das Chagas Marinho, ou simplesmente Marinho, ex-jogador de futebol que atuou como lateral-esquerdo pelo ABC de Natal, Náutico, Botafogo, Fluminense, São Paulo e Seleção Brasileira, sendo considerado o melhor lateral  da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, volta a ser hospitalizado.
Com problemas pulmonar, Marinho está internado na UTI 1 do Hospital São Lucas, em Natal. O seu estado de saúde é delicado. Uma pessoa ligada a ele, segundo se comenta nas redes sociais, disse que além do problema de saúde o ex-craque está enfrentando dificuldades financeiras, pois o único pró-labore que tinha como “Embaixador da Copa em Natal’ a prefeitura cortou.
Uma campanha está sendo feita no twitter para arrecadar dinheiro para ajudar Marinho Chagas. Apelos estão sendo feitos ao prefeito da capital potiguar, Carlos Eduardo Alves, para que a prefeitura volte a pagar Marinho como “Embaixador da Copa”, uma ajuda de apenas R$ 1,2 mil/mês, que certamente não irá fazer falta ao erário público.
Foto reproduzida da internet
Fonte: barbosa@blogdobarbosa.jor.br

CAUSO

TOMAR DE QUEM?
 
Getúlio Teixeira em seu livro Humor com Gosto de Sal afirma que em plena campanha política para a Prefeitura de Macau, tinha uma chapa formada por Zé Oliveira (prefeito) e Ari Borja (vice). Os dois, para meter a mão no bolso, era uma parada. Para se ver dinheiro daquela dupla, era muito difícil. Era igual à cabeça de bacalhau: para se ver, só indo à Noruega.

Duas horas da tarde, em plena Rua Angicos, o termômetro devia estar na marca dos 40 graus. Os candidatos suavam feito chaleira, Ari Borja olha para Zé Oliveira e diz:

- Vamos tomar uma água mineral?

Zé Oliveira, com medo de meter a mão no bolso respondeu:

- Tomar de quem?

Postado por Ivan Pinheiro.

Do blog Assú na ponta da língua, de Ivan Pinheiro. 

Clotilde Tavares cidadã natalense

terça-feira, 28 de maio de 2013

Explicando o comportamento feminino

Entusiasta da educação | Páginas Azuis | O POVO Online

Entusiasta da educação | Páginas Azuis | O POVO Online
Foto: Surpresa com a dimensão que o projeto tomou, Amália se orgulha dos resultados alcançados. “Me emociona saber que é uma coisa do Ceará. É o nosso saber respeitado”, diz. 

Leia a entrevista completa: http://bit.ly/11lnUTz
Do blog: Maria Amália Simonette é assuense de boa cepa, com quem tive o prazer de tê-la como minha contemporânea, pois estudamos juntos no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, de Assu, em 1962-63. Fico feliz com esse artigo publicado no jornal O Povo, de Fortaleza, sobre o trabalho dela, Maria Amália, pela educação do Ceará. Clique no link acima!

Fernando Caldas
Raimundo de Sá Leitão

Por Liduína Sá Leitão

"Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida"
"Amanhã, dia 29/05 as 17:30 na Igreja Matriz de São João Batista, Missa de 7º dia de Falecimento de nosso irmão Raimundo Bonifácio Borges de Sá Leitão, agradecemos a todos que comparecerem a este ato de Fé e Solidariedade."
SAUDADE!!!!!
Tu És em Mim Profunda PrimaveraO sabor da tua boca e a cor da tua pele, 
pele, boca, fruta minha destes dias velozes, 
diz-me, sempre estiveram contigo 
por anos e viagens e por luas e sóis 
e terra e pranto e chuva e alegria, 
ou só agora, só agora 
brotam das tuas raízes 
como a água que à terra seca traz 
germinações de mim desconhecidas 
ou aos lábios do cântaro esquecido 
na água chega o sabor da terra? 

Não sei, não mo digas, tu não sabes. 
Ninguém sabe estas coisas. 
Mas, aproximando os meus sentidos todos 
da luz da tua pele, desapareces, 
fundes-te como o ácido 
aroma dum fruto 
e o calor dum caminho, 
o cheiro do milho debulhado, 
a madressilva da tarde pura, 
os nomes da terra poeirenta, 
o infinito perfume da pátria: 
magnólia e matagal, sangue e farinha, 
galope de cavalos, 
a lua poeirenta das aldeias, 
o pão recém-nascido: 
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca, 
volta ao meu coração, volta ao meu corpo, 
e volto a ser contigo a terra que tu és: 
tu és em mim profunda primavera: 
volto a saber em ti como germino. 

Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Nota

"Amanhã dará inicio o BAZAR DA CARMEM DÉLIA, com moveis, decorações para casa em cristal, porcelanas, telas e muito mais, será realizado na sua residencia enfrente a UERN em ASSÚ, melhores contatos pelo cel. 91996569. Visitem confirme a beleza."

A inveja - Fio condutor para a destruição humana




A inveja é um sentimento ruim e destrutivo, conduzindo quem a sente ao abismo do cinismo; à hipocrisia aos falsos sorrisos; à sua própria destruição, ainda que não tenha essa consciência.

Viver num ambiente poluído por tais sentimentos desgasta a sanidade mental que habita naqueles que procuram ser puros e leais, mesmo que envenenados pela inveja ou por qualquer outro sentimento torpe e fútil.

Procure limpar a sua alma de tais sentimentos negativos, veja o que de melhor tem o ser humano, busque em cada um o melhor que deles pode tirar, humanizando-os com a sua pureza de sentimentos!



João Gomes Salvador – 01/05/2013
Joaogsalvador.blogspot.com

A eterna essência do meu ser: A inveja - Fio condutor para a destruição humana

A eterna essência do meu ser: A inveja - Fio condutor para a destruição humana: A inveja é um sentimento ruim e destrutivo, conduzindo quem a sente ao abismo do cinismo; à hipocrisia aos falsos sorrisos; à sua pr...

AS ANTIGAS LAVADEIRAS E A LAVAGEM DE ROUPA


Ilustração do blog.

Naquela época algumas mulheres humildes tinham como ofício lavar roupas de outras pessoas, a qual elas diziam que era de casa de família, como se elas próprias não fossem família. Lavavam e quaravam na antiga lavanderia do açude público, no atual bairro São Francisco.

Nada de amaciante ou sabão em pó. O sabão era em barra e não tinha o atual cheiro artificial como tem hoje. A presença certa era a do anil que a lavadeira dissolvia numa bacia para as roupas brancas.

Algumas lavadeiras, depois de passar sabão em roupas grossas, batiam e surravam com força ao encontro de uma pedra enorme, depois esfregavam com as duas mãos e deixavam quarar. Após algumas horas, lavavam e estendiam para secar.

Elas saíam cedo de seus lares e regressavam à tardinha com a roupa enxuta com a trouxa na cabeça protegida por uma rodilha de pano.

Era um trabalho pesado, sendo que muitas delas tinham vários anos de profissão para o sustento familiar. Por outro lado, ainda engomavam com o velho ferro à brasa. No outro dia saíam do antigo Bairro do Açude para entregar a trouxa de roupa no centro da cidade.

Um trabalho árduo, mas feito com muita dedicação. Salve as antigas lavadeiras do nosso torrão.


Marcos Calaça, jornalista (UFRN).

sábado, 25 de maio de 2013

Fotografia quando eu recebia das mãos do Juiz da minha cidade (com aplausos dos circunstantes), o diploma de vereador (que eu não troco pelo de presidente da república), pelo meu querido município do Assu, uma das terras brasileiras da maior importância, nas letras, na economia, na política e muito mais, chegando com muita honra, por unanimidade dos meus pares, a me eleger presidente daquele importante poder legislativa local que, por sinal, é uma das casas legislativas mais antigas da terra brasileiras, que tinha também o poder de administração. 

Fernando Caldas
Duas figuras que fizeram parte da vida social, cultural (ambos eram proprietários de terras agrícolas no Vale do Açu) da terra assuense chamados Nazareno Tavares (Barão) e José Caldas Soares Filgueira, de aristocrática família do Assu. A fotografia é data de 1964, carnal no Clube Municipal.
Duas figuras que fizeram parte da vida social da terra assuense chamados Nazareno Tavares (Barão) e José Caldas Soares Filgueira, de aristocrática família do Assu. A fotografia é data de 1964.
"O rio da minha aldeia".

O Piranhas está inseparável para o Assu, como o Tejo para Lis
boa.

Imagem do blog de Robson Pires.
"O rio da minha aldeia".

O Piranhas está inseparável para o Assu, como o Tejo para Lisboa.
A Vara de Bambu

Por Ivan Pinheiro

O sol ainda não tinha surgido no horizonte, quando Francisca acordou definitivamente. A noite inteira ela não tinha conseguido repousar. As preocupações "martelaram" seus neurônios. No entanto, sua principal inquietação era encontrar uma forma de sustentar seus dois filhos.

Estava separada do seu marido havia uma semana, por desentendimentos e ciumes, por parte dele. Encontrava-se residindo, miseravelmente, em casebre de taipa, coberto de palha de carnaúba, sem água, luz ou qualquer tipo de conforto na comunidade de Juazeiro, na zona rural do Assú.

Francisca era uma mulher de feições modestas: estatura mediana, magra, cabelos lisos descendo sobre seus ombros, andar faceiro demonstrando que em alguma época contou com uma condição social melhor do que a que estava vivendo. Achava-se desesperada sem saber que rumo tomar na busca de angariar recursos para alimentar sua família.

Naquela manhã, um pouco mais de meio quilo de farinha, uma xícara de sal e meio litro de leite, que diariamente conseguia com o vizinho, era tudo que existia naquele mísero recinto. O desespero poderia ser total, se não fosse a personalidade forte daquela mulher.

Surgiram os primeiros raios de sol. Francisca varria o terreiro, com uma vassoura feita artesanalmente por ela de olho da carnaubeira. Inesperadamente avistou, no oitão do casebre, uma velha vara de bambu com linha e anzol, escondida por entre as palhas que protegiam as paredes de barro dos escassos pingos das chuvas. Ela já não lembrava o tempo em que seu ex-marido tinha usado aquela armadilha.

Sua moradia ficava a aproximadamente três quilometros do leito do Rio Açu, que naquela manhã encontrava-se cheio, "de barreira a barreira", como falavam os ribeirinhos.

- Meu Deus, esta pode ser a nossa salvação! - Pensou ela em voz alta.

Rapidamente terminou a faxina, foi ao canto do quintal e encostou a vassoura na cerca construída de talo de carnaúba. Entrou em casa e seguiu até às redes dos meninos que dormiam sossegados. Por algum momento, hesitou em não chamá-los, mas não podia perder tempo, precisava imediatamente ir ao rio em busca de alguma coisa para comer.

- Manoelzinho... Vicentinho... Acordem filhos!

Decorridos alguns minutos, caminhava ela, a passos curtos, em uma estreita estrada carroçável, ladeada por cercas de arames farpados, formando um corredor que dava acesso ao rio. Manoelzinho, o mais velho, com apenas seis anos de idade, era puxado carinhosamente pelo braço, enquanto Vicentinho, de três anos, era conduzido e amparado nos braços da mãe.

Uma cabaça com água fria, a velha vara de anzol e uma bolsa de palha de carnaúba, com uma faca e uma toalha surrada dentro, era tudo que levavam. No caminho ao passarem por um pequeno milharal, Francisca esticou-se sobre a cerca e pegou uma espícula de milho. Seria a isca para a pesca.

Chegando à margem do rio, viu o mundaréu d´água e se assombrou. Tentando manter a calma, foi até uma frondosa oiticica, estendeu a velha toalha no chão e colocou sobre ela, o filho menor.

- Manoelzinho, fique "de olho no seu irmão. Cuidado pra ele não sair daqui! - Disse ela, rumando em direção à barreira.

O sol já estava alto, acima de quarenta e cinco graus, quando ela acabou o milho da espiga tentando pescar algo. O menino menor começou a chorar... O outro cochilava sem ânimo. A fome já atormentava as crianças. Exausta, Francisca veio até elas, deu água da cabaça aos dois e depois tomou um gole. Precisava poupar aquela água potável.

Quando ia retornando, avistou um fogoso calango comendo restos de frutas deixadas pelas aves. Não pensou duas vezes, apanhou um garrancho seco da oiticica e partiu para o animalzinho indefeso. A perseguição não foi fácil. Minutos depois estava o pequeno réptil dividido em "iscas" fresquinhas, quase pingando sangue. Colocou uma delas no anzol e jogou a "sorte" na água.

Os peixes debicavam incessantemente. Francisca já estava na oitava "isca"... O suor descia sobre seu rosto, sendo enxugado a cada passada do braço pela testa. Ela estava intrigada, não imaginava que pescar fosse tão difícil.

De súbito, a vara quase lhe escapa das mãos. Ela sem nenhuma experiência puxou o bambu em direção ao ombro arqueando-o de forma inacreditável para a idade daquela armadilha de pesca. Não conseguiu puxar o peixe. Sem saber o que fazer, gritando incessantemente, começou a correr de costas, arrastando a vara até o peixe ficar pulando em terra firme.

- É uma piranha... É uma piranha! Chega menino, me ajude pelo amor de Deus! - Gritou ela desesperada.

A luta foi travada para que o peixe que pulava valentemente, não retornasse à água. O contentamento de Francisca pelo feito, quase heróico, era maior que o medo de ser mordida. A piranha tinha coloração cinza-clara, com a região do mento vermelha, pesava aproximadamente dois quilos. Uma paulada certeira na cabeça deu por encerrada a batalha contra o peixe.

Aquele foi um dia de alegria e fartura na pequena família de Francisca... Os dias seguintes constituem outras estórias de lutas de bravas Franciscas nordestinas.

Ainda do livro de Ivan, extraiou uma estória que aconteceu com uma política de Assu, chamada Rosa Maciel, que aquele escritor conta assim:

No dia 26 de fevereiro de 2000, ocorreu na Matriz de São João Batista, o velório do inesquecível Deputado Estadual Arnóbio Abreu. O Assu recebeu no cortejo fúnebre, o maior número de políticos da sua história. Adentrava pesaroso na Matriz, o Deputado Federal Henrique Eduardo Alves - amicíssimo de Arnóbio.

Henrique tinha prometido à Rosa Maciel enviar pelo Deputado Arnóbio Abreu, uma ajuda financeira para sua campanha de vereadora. Ao avistá-lo, Rosa não perdeu tempo e o alcançou antes dele chegar ao caixão. Colocou a mão em seu ombro e, apontando em direção ao corpo, indagou: - Deputado, aquela minha ajuda o senhor já tinha mando por ele?... Tá doido, não!

Postado por Fernando Caldas

Almaiza Cunha, uma bela mulher assuense

Almaíza Pessoa Cunha, nos tempos de sua plena juventude, começo da sua juventude, uma das mais belas mulheres que o Assu já teve. Figura admirável pela sua beleza e simpatia. Era filha do casal "Seu" Pessoa e Dona Glorinha (Maria da Glória Pessoa, a nossa eterna professora!

Fotografia do Face de TC

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sexta-feira, 24 de maio de 2013


Comunidade Pedrinhas, Ipanguaçu-RN.
COMUNIDADE PEDRINHAS IPANGUAÇU RN

O Seridó sob o olhar de Paula Fernandes

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Fotógrafa-arquiteta Paula Fernandes na abertura de sua exposições “Ser-Tão Seridó”, em cartaz na Pinacoteca do Estado (Palácio Potengi).

Por Alex Gurgel
Quem foi para a abertura da exposição fotográfica “Ser-Tão Seridó”, de Paula Fernandes, esperando ver muitos vaqueiros montados a cavalo, deu viagem perdida. Das 14 imagens em fine-arte com fotos preto e branco impressas em papel algodão, apenas duas mostram os cavaleiros do sertão em suas montarias. As outras imagens apresentam o chão do Seridó com texturas definidas na caatinga. Cada foto, uma a uma, foi assinada delicadamente pela fotógrafa.
Com um olhar apurado de composições sertanejas, a arquiteta-fotógrafa busca formas entre a luz e as pedras de Cerro Corá. Ou conta uma história com narrativas fotográficas cheias de emoção, em São Rafael. Noutro momento, ela retrata, de forma lúdica, as escrituras rupestres de Carnaúba dos Dantas. Em todas as fotos, o Seridó está presente, destacando a textura dos velames, macambiras, juremas, touceiras de cactos e xique-xiques, num sertão cru que encanta a alma.
A maturidade fotográfica de Paula Fernandes aparece em cada detalhe. Seja na produção da exposição com um material de muito bom gosto, no lugar escolhido para a amostra, o velho Palácio Potengi – o local já abrigou o governo do Rio Grande do Norte – e na escolha dos padrinhos como o poeta-processo Moacy Cirne, que escreveu o texto de apresentação, e o premiado fotógrafo Marcelo Buainain, que ajudou na curadoria da exposição.
Se há um pecado na exposição foi a escolha do preto e branco nas fotografias. Mas, devo aceitar que a ausência de cor é uma prática mundial, em exposições fotográficas nas melhores galerias de arte do mundo inteiro. Paula Geórgia Fernandes seguiu a tradição do p&b, com todo o capricho nos tons de cinza, deixando o sertão do Seridó mais dramático em sua essência, onde o espectador esquece a cor por alguns instantes.
A exposição ficará em cartaz até o dia 21 de junho, na Pinacoteca do Estado, e merece ser apreciada sem moderação. O poeta de Jardim do Seridó, Moacy Cirne, tem toda razão quando escreveu na apresentação da amostra “Ser-Tão Seridó” que as fotografias de Paula Geórgia Fernandes são carregadas de emoções sertanejas e vida nordestina que “servem para iluminar a escuridão bíblica do mundo”.
©2013ALEX GURGEL  |  www.alexgurgel.com.br

quinta-feira, 23 de maio de 2013



Vinho

Se o queres seco
para molhar a garganta
eu o quero suave
para reinventar
essa chama
se o queres branco
para velar a virgem
eu o quero
vermelho
do porto
para aportar
as paixões
que me dividem

Marize Castro, poeta potiguar

AÍNA + CAICÓ = CAICOINA


Publicado em 22/05/2013

DSCF0061 - Cópia (2)
Calma gente!
Não estou aqui incentivando o consumo do pó, nem muito menos afirmando que em Caicó a poderosa droga conhecida como cocaína está deitando e rolando.
Apenas trago uma centenária propaganda, publicada em um extinto jornal seridoense, de um produto certamente a base de xarope de cocaína e produzido por uma farmácia da principal cidade do Seridó Potiguar.
Como se sabe a cocaína é extraído das folhas da planta de coca (Erythroxylon coca), historicamente produzida pelos indígenas dos altiplanos andinos da América do Sul a milênios. Na sua forma extraída e purificada, é um dos mais potentes estimulantes de origem natural.
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Por milhares de anos, os nativos da região andina têm mastigado folhas de coca para aliviar a fadiga. Assim como o chá e o café são fervidos, os nativos andinos criaram um chá a base de folhas de coca. Além disso, grupos andinos, historicamente, queimavam ou fumavam várias partes da planta da coca como parte de suas práticas religiosas e medicinais. No entanto, nenhuma destas outras utilizações teve o mesmo impacto na forma de cloridrato de cocaína purificada.
O químico alemão Albert Niemann reconheceu as propriedades estimulantes da planta cocaína e em meados de 1800 extraiu quimicamente o cloridrato de cocaína.
No início dos anos 1880, as propriedades anestésicas da droga foram descobertas, e logo foram utilizados em cirurgias oculares, de nariz e garganta. Em pouco tempo os médicos tomaram conhecimento das propriedades psicoativas da cocaína e esta foi amplamente distribuída para controle da ansiedade e depressão.
Afirmações extravagantes de seus poderes curativos aumentaram da popularidade da cocaína no início dos anos 1900.
Antiga propaganda americana de cocaína,associada a infãncias
Antiga propaganda americana de cocaína,associada a infãncias
Era o principal ingrediente ativo em uma ampla gama de patentes de medicamentos, tônicos, elixires, e extratos de fluidos. Acredita-se que a fórmula original da Coca-Cola, desenvolvido em 1886 pelo farmacêutico John Pemberton, continha aproximadamente 2,5 mg de cocaína por 100 ml de fluido. Esta fórmula foi vendida como uma cura para a dor de cabeça e um estimulante. Outro farmacêutico comprou os direitos e fundou a Coca-Cola Company em 1892.
Após 1900 foram se tornando frequentes os problemas médicos, psíquicos e sociais associados ao uso excessivo de cocaína e nos Estados Unidos e seu uso foi severamente restringido em 1914.
Desta época até a década de 1960, pelo menos nos Estados Unidos, o consumo de cocaína foi geralmente limitado a pequenos grupos sociais. À medida que as manifestações culturais incentivaram o uso de drogas para fins recreativos, a cocaína entrou novamente em evidência.
Proibições legais e o suprimento da droga foram severamente restringidos. Mas o cultivo das plantas de coca continuou nos países sul-americanos – Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.
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O seu uso cresceu juntamente com o uso de muitas outras substâncias psicoativas. A maioria dos experimentadores eram consumidores ocasionais. Eles experimentaram a euforia da cocaína e, geralmente, voltavam para suas vidas “normais”. Devido a isso, ao uso casual, surgiu uma noção fictícia  de que a cocaína era inofensiva e estimulava os caminhos da mente. As drogas abriam as “Portas da Percepção”, como afirmou o escritor inglês Aldous Huxley (no caso deste escritor, principalmente com o uso de mescalina e LSD).
Apesar dos graves problemas clínicos ligados com o uso de alucinógenos, barbitúricos e as anfetaminas, foi dada pouca atenção para os problemas associados ao uso de cocaína, porque eles eram raramente vistos. Em finais dos anos 1970, muitos especialistas e autoridades de saúde pública nos Estados Unidos acreditavam que a cocaína era uma substância relativamente benigna e principalmente uma droga “recreativa”.
Em resumo, a cocaína é um estimulante do sistema nervoso central, que provoca euforia, bem estar, sociabilidade. Nem sempre as pessoas conseguem ter tais sensações naturalmente, e de forma intensa, uma pessoa que se permite utilizar esta substância tende a querer usar novamente, e mais uma vez, e assim sucessivamente. Atualmente a via preferida de administração é a intranasal em dosagens relativamente pequenas, ou intravenosas em altas doses.
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Como a cocaína tende a perder sua eficácia ao longo do tempo de uso, fato este denominado tolerância à droga, o usuário tende a utilizar progressivamente doses mais altas buscando obter, de forma incessante e cada vez mais inconsequente, os mesmos efeitos agradáveis que conseguia no início de seu uso. Dosagens muito frequentes e excessivas provocam alucinações táteis, visuais e auditivas; ansiedade, delírios, agressividade, paranoia.
Este ciclo torna-o também cada vez mais dependente, fazendo de tudo para conseguir a droga, resultando em problemas sérios não só no que tange à sua saúde, mas também em suas relações interpessoais. Afastamento da família e amigos, e até mesmo comportamentos condenáveis, como participação de furtos ou assaltos para obter a droga são comuns.
Ou seja! Saia de perto que é problema na certa.
Em relação a “Caicoina” do início do século XX, nenhuma outra informação consegui sobre o produto.
Do blog Tok de História

Sei dos teus novos amores  Tudo timtim por timtim;  Dizes, que tal... e que não;  Eu sei, que tal... e que sim.  Sei que déste aos teus...