domingo, 30 de março de 2014

Não tentes ver no papel
frases poéticas sobre ti.
Escrevo-as no teu corpo
como se fosses a minha folha branca e nua.
Desenho e escrevo na tua pele
leio e releio na textura do corpo.
as pétalas que te revelam
pintura dum céu ausente
nas curvas da tua alma.
Na linguagem poética da pele
onde os olhos se fecham para ver
sonhei versos de horizontes.
Tatuados na alma com tintas de amor
que matizam as páginas brancas da memória.
Cada ponto de luz, uma lembrança
colorida com as tintas do passado.
Exijo aos meus dedos que dedilhem
argumentos adormecidos e inexperientes traços
em rebeldes paisagens de ficção e realidade.
Murmuro-te sílabas que teu corpo absorve
palavras acordes que resvalam na textura da tua tez.
Sombras dos teus contornos suaves
iluminando a penumbra do sentir.
Agarro a tua melodia
e derramo todos os parágrafos
e pontos da língua tremula e nua
em frenética aventura
pela epiderme dos lábios.
Lanço essências
versejo com imprecisas rimas
o choro contido
o sentido implícito do desejo
a variante volátil da verdade
e sorrio à folha branca e nua.



Cristina Costa, poetisa portuguesa



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