quinta-feira, 17 de abril de 2014

AOS CREDORES
Devo e não nego. Mas também não pago.
Não que não queira, mas é que não tenho.
Reúno esforços, não sonego empenho,
Porém meu bolso é o tempo inteiro vago.
Neste sufoco há muito tempo eu venho
Sofrendo o diabo e sem nenhum afago...
Devo a Raimundo e devo a Antônio gago,
E a tanta gente que me desce o lenho.
Não sou velhaco. Devo, sim, não nego.
Devo à bodega, devo a Deus e ao mundo
E até uma esmola que neguei ao cego.
Porém me aguardem mais esta quinzena.
— Tenha paciência por favor, Raimundo,
Que estou contando com a Mega-Sena.

(Marcos Ferreira)

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