sexta-feira, 23 de maio de 2014

Carro para sempre: Ford Galaxie 500

    Quando pensamos nos carros de luxo do passado, um dos primeiros nomes que vêm à mente certamente é o Ford Galaxie 500, carro de origem norte-americana que foi sinônimo de luxo e status. Preferido pelas autoridades, empresários e profissionais liberais, o sedã era o maior automóvel produzido pela Ford, com uma história bem interessante que começa no final dos anos 1950.
DivulgaçãoGalaxie 500: lançado no Brasil em 1966 e vendido a partir de 1967. Primeiros compradores em Natal: Miguel Carrilho e José Nilson de SáGalaxie 500: lançado no Brasil em 1966 e vendido a partir de 1967. Primeiros compradores em Natal: Miguel Carrilho e José Nilson de Sá

Origem

Criado para suceder o tradicional Ford Fairlane, o então Galaxie 500 era lançado em 1959 nos Estados Unidos, trazendo visual típico dos carros daquela década, com faróis acima da grade, para-brisa envolvente e aletas nos para-lamas.

Mas o estilo do sedã mudaria logo. Em 1960, ele recebia uma nova dianteira com faróis alinhados à grade. Os americanos tiveram acesso à uma gama de variações do modelo: Sedan, Sport Sedan, Coupé, Conversível, Pick-Up, Ranchero, Station-Wagon e até uma versão esticada chamada Ambulance.?

A mecânica era destaque com a ampla oferta do motores, começando pelo V6 3.6 litros e chegando às opções mais nervosas como o clássico V8 de 7.0 litros, que fez grande sucesso nas competições da NASCAR.

Apesar do sucesso, o visual  estava datado para os anos 1960, e em 1965 o Galaxie passava pela primeira reestilização. Ganhava visual mais limpo e faróis duplos na vertical. Esta seria a aparência do modelo que viria para o Brasil.

O Ford Galaxie brasileiro
Mostrado no Salão do Automóvel de 1966, o Galaxie 500 chegava ao mercado nacional apenas na variação sedã quatro portas. Disponível à partir de 1967, o carro de luxo representava um marco para a Ford como o primeiro  automóvel de luxo da montadora feito em solo brasileiro.

O Ford Galaxie 500 impressionava pelo tamanho de 5,4 metros de comprimento e 2 metros de largura. Além de imponente, o visual luxuoso e repleto de cromados (frisos, para-choques, calotas) conferiam ainda mais sofisticação.

Inicialmente, ele vinha equipado com motor V8 272 de 164 cv de potência e 33,3 kgfm de torque associado ao câmbio manual de três marchas com alavanca no painel. Pesando mais de 1.700 kg, o desempenho não surpreendia (aceleração de 0 a 100 km/h em 14,9 segundos e velocidade máxima de 140 km/h), mas o nível de conforto e silêncio a bordo era fantástico.

Por dentro, o acabamento em couro ou cetim, painel com escala horizontal, ventilação forçada (item raro na época), bancos dianteiros inteiriços e capacidade para  transportar  até 6 pessoas  confortavelmente. O enorme porta-malas também abrigava o estepe, enquanto o tanque de combustível tinha capacidade para 76 litros.

Com a concorrência reduzida, o primeiro carro da Ford rapidamente ganhava fama no mercado e pouco a pouco trazia novidades e mais equipamentos até a chegada da versão “LTD”, ainda mais luxuosa. Trazia teto de vinil, grades e frisos exclusivos, apliques das portas e painel em jacarandá, apoio de braço no banco traseiro e ajuste interno dos retrovisores externos, ar-condicionado e direção hidráulica.

A nova versão de topo trazia ainda um motor um pouco mais forte: um 4.7 litros de 190 cv e torque máximo de 37 kgfm associado ao câmbio automático de três marchas (foi o primeiro carro nacional automático).

Versão básica 
No sentido oposto, poucos meses depois era lançada a versão “básica” do sedã. O chamado Galaxie Standard tinha acabamento mais pobre, sem ar-condicionado e nem direção assistida, além de perder boa parte dos cromados que caracterizavam o luxo. Lançado ainda em 1970, só ficou no mercado até 72.

Landau
Apostando de novo no requinte, a Ford lançava uma nova versão luxuosa com o nome de “Landau”, que antigamente era usado para designar as carruagens que podiam ter o teto recolhido. Trazia detalhes externos exclusivos para identificar a versão mais refinada, vidro traseiro reduzido, calotas raiadas, capota de vinil e bancos de couro ou cetim.

Para 1973, o modelo ganhava novos capô e grade, além da traseira novamente redesenhada. Novas calotas, frisos e mais opções de cores completavam as mudanças. O sedã seguiria com este visual até 1976. 

Reestilização
Após dez anos de vida no Brasil, o projeto Galaxie passava pela primeira grande mudança. O novo estilo contava com frente de faróis duplos na horizontal e luzes de direção nos extremos. Na traseira, as lanternas eram inéditas e dividas em três segmentos, conferindo um ar mais refinado.

Sob o capô, um motor 4.9 litros de 199 cv e 39,8 kgfm importado do Canadá dava novo fôlego ao sedã. A aceleração de 0 a 100 km/h caía para 13 segundos com câmbio manual e ficava em 15 segundos na versão automática.

A partir daí o modelo sofreria poucas mudanças, ganhando, em 1978, novo volante e ar-condicionado integrado ao painel.

O Galaxie 500 era descontinuado, restando apenas os tops LTD e Landau. Dois anos depois, o motor 302 ganhava versão movida a álcool, que trazia um imenso tanque de 107 litros!

Nos anos seguintes, apenas novidades pontuais como fechadura elétrica do porta-malas e suspensão traseira com estabilizador. Os para-lamas traseiros ganhavam pequenas lanternas e as luzes de ré eram incorporadas ao conjunto óptico. Depois dessas mudanças, o LTD saía de linha em 1982 e o Landau em 1983.

O primeiro carro de luxo da Ford no Brasil encerrava sua história após 77.850 unidades produzidas. 

Tribuna do Norte

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