quarta-feira, 11 de junho de 2014

O BILHETE RIMADO DE RENATO A CARLOS LACERDA


Em 1953, o jornalista Carlos Lacerda lançou uma campanha através do seu jornal Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, que tinha como lema "Ajude o teu irmão". Era uma campanha para angariar recursos em favor dos flagelados da seca no Nordeste brasileiro. Renato Caldas desejoso de publicar a segunda edição do seu já afamado livro intitulado "Fulô do Mato", regressou ao sudeste do Brasil, Rio de janeiro, onde antes havia morado, com o objetivo de conseguir com Lacerda uma ajuda para a publicação da sua antologia de versos em linguagem genuinamente matutos, rude do sertanejo. No Rio chegando procurou falar com Lacerda na redação daquela jornal. Não se sabe ao certo se ele, Renato, conseguiu falar pessoalmente com aquele político carioca, porém, o que se tem certeza é que Renato teria escrito uns versos rimado (sextilha) dirigida a Lacerda, com a seguinte inscrição:

Seu doutor Carlos Lacerda
que inventou essa ‘merda’
de “Ajude o teu irmão”.
Ajude o velho Renato
Publicar “Fulô do Mato”
Poeta lá do sertão!

A sextilha acima logo se tornou notória pelo Brasil inteiro. Pois bem, Renato Caldas ao retornar ao Rio Grande do Norte, um amigo já conhecendo aqueles versinhos, indagou ao irreverente bardo assuense: "Renato. Você não teria outro nome além de 'merda' para colocar naquela sextilha dirigida a Carlos Lacerda?" Renato não se deu por calado: "Amigo. Merda foi a única palavra que encontrei para rimar com Lacerda."

Em tempo: Há vária informações a respeito daqueles versos. Alguns depõem que Renato enviou aquela sextilha do Assu, via Correios e Telégrafos.


Fernando Caldas

Vejamos um artigo publicado na Tribuna do Norte, de Natal, intitulado DE UMA CARTA DE RENATO CALDAS A ALUÍZIO ALVES, edição de 6 de junho de 1953, Coluna "Revista da Cidade", página 2, diz assim:

Em maio de 1953, Renato Caldas estava na cidade do Rio de Janeiro, então Capital  Federal. Trabalhava por lá, mas, sobretudo estava aguardando a promessa que Aluízio Alves o fizera para publicar a 2ª edição de “Fulô do Mato”.

No dia 11 de maio daquele ano, Renato escreve uma carta ao Deputado Aluízio Alves, cujo teor da poesia foi esta:

Aluízio meu amigo
Somente hoje consigo
Assunto pra lhe escrever
Sou um pobre flagelado
Vivo em São Paulo apertado
Trabalhando pra comer.

O meu viver é tirano
Não gosto de Italiano
E sou forçado a gostar
O regime é esquisito
De tanto comer cabrito
Já comecei a berrar.

 Aqui o frio é malvado
 Estou ficando congelado
 E não tenho cobertor
 Quero deixar esta peste
 Regressar  para o nordeste
 Prefiro sentir calor.

 Para salvar-me quem há de?
 Somente sua vontade
 É quem pode me salvar
 Tenha pena de Renato
 Apresse “Fulô do Mato”
 Não posso mais demorar.

 Desde já muito obrigado
 Disponha do seu criado
 amigo, sincero, exato
se for possível eu lhe peço
abaixo tem o endereço
Responda para Renato.

Não sabemos qual foi a resposta de Aluízio Alves, mas o certo é que em junho de 1953, mas precisamente na casa do jornalista Francisco Góis de Assis, da “Tribuna da Imprensa, no Rio de Janeiro, foi feito o lançamento da 2ª edição de “Fulô do Mato”.


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