quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mão Santa fala de sua trajetória e quer desenvolver o estado 40 anos em 4


Créditos: Foto: Gabriel Tôrres/CT

Candidato pelo PSC criticou gastos com marqueteiros e diz que novamente enfrenta as Oligarquias
Autor: Rodrigo Antunes
Candidato ao governo do estado e correndo em raia própria, o ex-senador Mão Santa (PSC) traz o discurso de ‘reconstrução’ do Piauí. Francisco de Assis Moraes Souza, conhecido como Mão Santa, tem como vice o empresário de São Raimundo Nonato, o Mano.
Em uma entrevista em seu apartamento no bairro Ilhotas, em Teresina, o ex-senador falou de sua trajetória política, o contexto de 1994 quando foi eleito a primeira vez governador do estado, o contexto atual e suas propostas de governo.
Foto: Gabriel Tôrres/CT
O ex-governador e ex-senador diz que chegará ao segundo turno nas eleições deste ano. Sempre acompanhado de sua esposa, dona Adalgisa, como ele mesmo chama, a campanha promete ser modesta, na humildade, e intitulada por ele mesmo como um ‘Davi contra Golias’. "Como é que ser pode gastar milhões em campanha político se o povo passa sede?", disse Mão Santa.
Primeiro mandato como governador
Mão Santa foi eleito pela primeira vez como governador do estado no ano de 1994, em uma situação adversa, bem semelhante a que ele encontra hoje. Com candidatos fortíssimos na disputa e sem apoio do governo, Mão Santa conta que conseguiu afastar as oligarquias do poder e cita alguns dos feitos daquela época.
“Hoje, em 2014, vinte anos depois voltei a enfrentar uma situação adversa, eles eram muito fortes naquela época. O PFL era chamado de oligarquia. Eles se consideravam melhores em tudo. Agora eles são piores, mas é o mesmo enfrentamento”, conta o candidato com sua irreverência característica.
 Foto: Gabriel Tôrres/CT
Em 1994 o presidente eleito foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que mantinha um afastamento do governo do Piauí, que havia apoiado outro candidato. Mão Santa pegou o estado com sete meses de salários atrasados de outros governos passados e foi cobrado para pagar. Redução de salário e parcelamento de atrasados foram as alternativas da época, fato que fez o ex-governador ser muito contestado.
“Eu peguei o estado em uma época muito difícil, ninguém escolhe a época que vai governar, esse estado tinha 7 meses de atraso. Doutor Alberto Silva, com os planos dele, não deu certo e atrasou o funcionalismo. O governo seguinte, Freitas Neto, deixou os atrasados do Alberto e pagou o dele. Eu, quando entrei, tive que pagar isso, parcelei, eu resolvi um atraso do Freitas Neto.  Naquele tempo os funcionários reclamavam, mas hoje eles sabem que eu não podia pagar todos de uma vez. Todos receberam”, relembra Mão Santa.
 Foto: Gabriel Tôrres/CT
Mesmo com dificuldades, o candidato cita feitos de suas gestões, como o Projeto Sanear, que possibilitou a verticalização de Teresina após instalação de esgoto subterrâneo na cidade; a expansão da UESPI, a criação do Sopa Na Mão, primeiro restaurante popular do Brasil com custo zero, aquisição de uma das primeiras linhas de energia para a região sul do estado, a vinda da Bunge e da Nassau para o estado, plantação de mais de 20 milhões de mudas de caju e vinda de 27 empresas de beneficiamento de castanhas, programa Nenhum Adulto Analfabeto, construção de creches e outros feitos.
Oposição forte ao sistema atual
Conhecido por bater forte nas gestões petistas enquanto esteve no senado, Mão Santa não ‘perdoa’ a gestão de Wellington Dias (PT) e nem o próprio sobrinho, o Zé Filho (PMDB), que agora ocupa a cadeira de governador. Mão Santa tece duras críticas e diz que está voltando para reconstruir o estado.
 Foto: Gabriel Tôrres/CT
“O governador falou, eu vi, que nesses anos foram feitas 4 hidroelétricas, eu ficava calado. Se aqui não conseguia terminar uma eclusa! Eu ouvi falar na televisão em uma Suzano. Cadê a Suzano? Cadê hidroelétrica? Eu ouvi falar em aeroporto internacional lá da cidade de São Raimundo Nonato e aqui em Parnaíba. Era mentira. O porto? Mentira e corrupção, porque já deveria ter saído. O Centro de Convenções, tá aí. Quando eu fui governador eu modernizei aquilo. Tinha um auditório com 600 lugares eu ampliei pra 900 lugares. Tinha um restaurante lá que retirei e fizemos outro auditório com 80 lugares. Eu sei que funcionava. (...) ”, questiona o ex-gestor.
Perguntado se disputar eleição contra seu sobrinho poderia confundir o eleitor, Mão Santa explica que não, porque sua posição sempre foi de oposição ao sistema que está vigente desde 2003.
“O eleitor sempre me viu como oposição. Sempre fui oposição, sempre, contra essa mesmice que está aí. Foi coincidência (enfrentar o sobrinho). Aí vem o continuísmo, foram-se 12 anos, eu sou contra isso. Se as oposições foram pra lá, eu sou contra isso, porque continuo fiel as minhas convicções. Eu estou me submetendo ao julgamento do povo, dando uma opção a ele. Não estou aberrando. É bom eu ser candidato, porque se os bons se omitem fica aí só esse povo”, explica.
Foto: Gabriel Tôrres/CT
Episódio que marcou a expansão da UESPI
Grande admirador de Fernando Henrique Cardoso, Mão Santa conta um episódio que marcou o desenvolvimento da UESPI no estado. O ex-senador conta que em uma reunião com todos os governadores em Brasília foi anunciado o incentivo a criação e a vinda de universidades particulares para o país, mas não teve apoio do piauiense para o incentivo do governo federal e conta o que iria fazer.
“FHC, que é o maior estadista que existe nesse país, disse que ia junto com Paulo Renato colocar as universidades privadas. Aí eu cheguei pra ele e disse: presidente, quero dizer que eu não tô de acordo não. Eu sou médico, sou meio doido, minha família era de empresários e empresário quer é o lucro. Eu vou pegar e desenvolver a pública do nosso estado. Eu sei o que é empresário, ele não vai botar no Piauí, ele vai botar onde tem retorno, é em São Paulo, em Minas, no Rio de Janeiro. Eu vou botar essa UESPI é pra ser a maior, nós vamos sair na frente, depois empresário vai vir atrás. Com 60 dias de governo nós abrimos um campus avançado em Floriano. Foi o primeiro. Aí depois saí colocando. O ultimo era aqui em Altos. Pegamos 39 cidades polos em todo Piauí. Eu fiz o negócio por amor. A UESPI chegou a ser a 3ª melhor universidade pública do país, era São Paulo, Bahia e UESPI” conta Mão Santa.
O que pensa da atual campanha
Com o contexto já montado para a campanha deste ano, o ex-senador conta o que pensa sobre a estrutura de seus oponentes, o governador Zé Filho (PMDB) e o senador Wellington Dias (PT) e diz de forma objetiva: “Marqueteiro não faz milagre”, e completa:
“É lógico que aquela festa é a custa do povo. Quem paga a conta é o povo. É bonito o espetáculo, ninguém vai dizer que não é. Mas, quantos hospitais estão fechados? É muito. Escolas se fecharam. Hoje nos hospitais não tem nada é por essas coisas. Tem contratos milionários sendo feitos e veja quantas escolas fechadas, creches abandonadas, hospitais fechados. Com o dinheiro disso aí dava pra abrir um monte deles”, critica o candidato.
Foto: Gabriel Tôrres/CT
Propostas de governo
Como o número do PSC é 20, o ex-senador elaborou 20 metas para sua gestão e citou em nossa entrevista. Mão Santa conta que a proposta é fazer semelhantes a Juscelino Kubitschek, que almejava desenvolver o Brasil 50 anos em 5, e quer desenvolver o Piauí 40 anos em 4. As propostas são do tipo reabrir hospitais, escolas, desenvolver a fruticultura no estado, cumprir a meta da ONU de 1 policial para cada 250 habitantes e terminar o porto de Luís Correia, que para ele tem uma solução que passa pela máxima de ‘Tirar lucro dos prejuízos’, e explica:
“Primeiro, vamos fazer um terminal de petróleo, isso não precisa nem ter porto pra ter. Isso barateia o combustível. Teríamos lá um terminal. Qual a importância disso? Eu, por exemplo, dei 80 barcos de pesca motorizada para os pescadores da região. Não tem nenhum lá, porque o óleo é mais barato em Camocim, é mais barato no Pará. Na hora em que você tivesse isso você transformava o porto também em um porto pesqueiro, que é importante. Tem cidades que vivem a custa da pesca. Na hora que o combustível tivesse mais barato no Piauí os barcos ficavam lá, os frigoríficos recebiam mais, que é outra indústria. Isso também ia baratear o combustível pro turismo também. Ainda faríamos a escavação, porque aquela região sofreu o assoreamento, escavaríamos até 14 metros e recebíamos navios de até 14 metros. Nós não receberíamos navios que vão pro Itaqui, mas receberíamos os de 14 metros de calado. E era um grande avanço, impulsionava. Você não vai ficar invejando porque o Maranhão tem e o Ceará tem...”, explica.
 Foto: Gabriel Tôrres/CT
Pra saúde: “A saúde começa com o que eu fiz aqui, o projeto SANEAR, com saneamento básico. Hoje a verticalização de Teresina só existe por causa disso. O engenheiro não ia construir um prédio e colocar 80 fossas no fundo do quintal, não teria shopping, tudo foi nossa visão. A saúde começa daí e também vamos colocar os hospitais pra funcionar. Hoje os hospitais só estão funcionando na televisão”, afirma.
Pra educação: “Ela (educação) tem que vir desde o pequenininho até o grandão. O analfabetismo aqui está uma praga. Só não tem analfabeto na televisão e na mentira deles, mas pode pesquisar. Tem que se fazer novamente aquelas campanhas contra o analfabetismo, as creches precisam ser reabertas, a escola tem que ser de qualidade. Vai ter o reencontro do profissional de educação com a educação, na minha época o secretário de educação era o Ubiracy, que era professor, quem entende de educação é o professor. Primeiro vamos transformar toda escola para que elas tenham qualidade, desde a merenda escolar, o professor até as instalações”, propõe Mão Santa.
 
Foto: Gabriel Tôrres/CT

Fonte:  http://capitalteresina.com.br

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