domingo, 20 de julho de 2014

SOU MEU TORRÃO SOU SAUDADE

Sou meu torrão sou saudade
Das noites de São João,
Das festas do padroeiro
Dos trens e da estação.

Sou meu torrão sou saudade
Da chuva e do sapo cururu,
Batata doce e carne de sol
Cachaça boa e caju.
Sou meu torrão sou saudade
Do Country Club e muito mais,
Praxedes, Heitor e a banda do 16
Tocando os velhos carnavais.
Sou meu torrão sou saudade
Da missa na matriz,
Do cinema paroquial
Do banho no chafariz.
Sou meu torrão sou saudade
Do velho pé de umbuzeiro,
Brincar de piquenique
Na sombra do juazeiro.
Sou meu torrão sou saudade
De Pedro de Elvira e seu violão,
Tocava para a sociedade
Para o rico e o povão.
Sou meu torrão sou saudade
Com vontade de voltar,
Brincadeiras de infância
Talvez quando me aposentar.
Sou meu torrão sou saudade
Da divulgadora municipal,
Chico Locutor no comando
Grande lembrança sentimental.
Sou meu torrão sou saudade
Da batida nos trilhos,
Era Luís Bambão
Chamando um de seus filhos.
Sou meu torrão sou saudade
Dos campos de futebol,
Acabou-se tudo
Até o canto do rouxinol.
Sou meu torrão sou saudade
Da sede de Antônio Clementino,
Aos sábados, Flamengo, bar e forró
Homem e mulher, só não entrava menino.
Sou meu torrão sou saudade
Do cheiro de marmeleiro,
Brincava com nota de cigarro
E galinha de pereiro.
Sou meu torrão sou saudade
Da riqueza do algodão,
Chegou a praga do bicudo
Empobreceu o nosso sertão.
Sou meu torrão sou saudade
Do grupo escolar,
No Abel Furtado
O negócio era brincar e estudar.
Sou meu torrão sou saudade
Do velho curso ginasial,
Estudava no Paulo VI
Lembrança de valor cultural.
Sou meu torrão sou saudade
Daquele que mais consultou,
Fora Jesus Cristo
Zelito foi o que mais salvou.
Sou meu torrão sou saudade
Dessas lembranças constantes
Assim fazendo cultura
Apelo para os governantes.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN).
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