segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

ROGACIANO LEITE X CEGO ADERALDO

Rogaciano Leite


Cego Aderaldo 

O poeta-violeiro, jornalista Rogaciano Leite (Itapetim, Pernambuco, 1920 – Rio de Janeiro, 1969), poeta-violeiro, jornalista. Era filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, iniciou a carreira de poeta-violeiro aos 15 anos de idade, quando desafiou, na cidade de Patos, Paraíba, o cantador Amaro Bernadino.

Rogaciano Leite não foi apenas um poeta popular, não. Escrevia versos eruditos, sonetista da maior grandeza. Conta-se que até mesmo o soneto, ele improvisava. Foi amigo do poeta recifense Manuel Bandeira, morou no Rio Grande do Norte, Ceará e Rio de Janeiro.

O músico Silvo Caldas, em História da Música Popular Brasileira, 1884, conta que certa feita, Rogaciano cantava com o conhecido e afamado poeta-violeiro chamado Cego Aderaldo [Aderaldo Ferreira de Araújo (Crato, 1878 — Fortaleza, 1967) numa feira livre da cidade do Recife. Rogaciano, ao ver aquele cantor seresteiro com quem ele, Rogaciano tinha o prazer de gozar da sua amizade,  se aproximar,  abriu o verbo, a título de debochar com Aderaldo, dizendo assim: - "Estou cantando com este velho, este velho que não serve pra mais nada, que já devia está numa rede todo enferrujado...”. - Aderaldo não se fez de rogado, improvisou a seguinte sextilha, conforme adiante:

Andei procurando um besta 

Um besta que fosse capaz
E de tanto procurar um besta
Encontrei esse rapaz
Que nem serve pra ser besta 
Porque é besta demais.

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