domingo, 29 de março de 2015

UM SONETO DE JOÃO LINS CALDAS

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O poeta João Lins Caldas (1888-1967) é considerado por alguns conhecedores de literatura no Brasil como um dos maiores poetas da língua portuguesa.

Na decifração do sociólogo potiguar Gilberto Freire de Melo, Caldas ao dizer (soneto transcrito abaixo intitulado de Alma a Dentro) "eu só temo no fim, é o fim daquela aurora que fez grande Camões  e que é meu o bem supremo", 

não se referia apenas à aurora que anuncia o dia, que espalha a luz. Referia-se especialmente ao temor de não compartilhar com a humanidade a sua produção intelectual. O resultado de uma vida inteira dedicada ao manuseio e amor as letras. Resultado esse que já temia não ver repassado ao mundo literário. 


E vai mais adiante aquele autor entusiasta de Caldas, dizendo que o poeta "não desejava ver a consumação daquela AURORA, o repasse ao universo intelectual daquela trabalho que era o seu BEM SUPREMO.


Vamos conferir o referenciado soneto:


Não creiam ser na vida a morte o que eu mais temo.
A dor não me intimida, o mal não me apavora.
Eu só temo no fim, é o fim daquela aurora
Que fez grande Camões e que é meu bem supremo.

Pela morte eu não tremo e pela vida eu tremo.
Mas, a vida, que é mãe e do pesar senhora.
O sonho que me deu pesadamente escora
Com o gosto de querer da glória o sonho extremo.

Esse sonho me doma, esse sonho me arrasta:
Por ele adoro a vida esse profundo inferno
Por ele odeio a morte, essa miséria casta.

Braços dados com a vida , eu de de seguir-lhe o norte.
Braços dados com a vida, eu de segui-la eterno
Com os olhos para a vida e os braços para a morte.

Pena que João Lins Caldas não conseguiu publicar-se trilíngue: português, inglês e francês conforme desejava, seus mais de dez livros que tinha manuscritos, pois se tivesse publicado todo aquele seu trabalho, teria certamente conseguido a consagração.

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