quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO FRANCISCO JOSÉ COSTA DOS SANTOS


 
ASSU
O Assú envelhecendo
Com o seu tesouro imerso
Abre a fonte do progresso
Cumpre a ordem de Deus pai,
Teu nome quer dizer grande,
A tua história tem brilho,
Assú de João Celso Filho
Crescei e multiplicai. 
Nas tuas várzeas a brisa
Balança tuas palmeiras,
Das tuas carnaubeiras
Muita riqueza se extrai;
As tuas belas paisagens
Ao longe deslumbra a vista,
Assú de São João Batista
Crescei e multiplicai. 

Francisco Agripino de Alcaniz (Chico Traíra)

        Senhor presidente Ivan Pinheiro Bezerra, em nome de quem saúdo aos ilustres imortais desta Academia Assuense de Letras;
Sra. Waugia Maria Alcaniz, dileta amiga e filha do inigualável Francisco Agripino de Alcaniz, ou simplesmente Chico Traíra em nome de quem saúdo todos os representantes dos patronos aqui presentes;
Professora Francisca Livanete Barreto Ferreira, em nome de quem saúdo todo o público aqui presente, meu cordial boa noite.
         A constituição da Academia Assuense de Letras representa um marco indelével na história da cidade do Assu. Para mim, figurar entre os primeiros sete membros da Academia Assuense de Letras me enche de orgulho, pois suscita-me  o desejo inerente de, junto aos colegas de Academia, resgatar os valores culturais vividos em outrora e contribuir para que o título de Atenas Potiguar possa ser cada vez mais real e verdadeiro em todos os rincões deste estado e quiçá, deste país e deste mundo.
      Quero sequenciar minhas palavras apresentando o meu patrono Francisco Agripino de Alcaniz, ou simplesmente Chico Traíra. Nascido no Sítio Pau do Jucá, comunidade rural de Ipanguaçu em 08 de Janeiro de 1926, segundo o registro oficial. Desde muito cedo despertou dentro de si o gosto pela cultura, em especial a cultura nordestina. Relatos colhidos com familiares informam que ainda menino Chico Traíra era presença obrigatória nas rodas de viola da época. O apelido de Traíra veio por legado de família e acabou se confirmando culturalmente em função de suas tiradas sempre espirituosas. Nas cantorias de viola ninguém jamais conseguiu derrotá-lo na rima e se dizia que ele era escorregadio como uma traíra, daí a confirmação do apelido que lhe acompanhou por toda a vida e pela eternidade literária.
Viveu Chico Traíra da Arte, na Arte e pela Arte. Quando acometido de problemas pulmonares, se viu obrigado a abandonar a viola, dileta companheira, e dedicar-se ao folheto de cordel. Primorosos escritos surgiram dessa fase de meu patrono. Chico transitou com sua arte na política, na educação, na saúde, nas questões ambientais, culturais e principalmente na cidade do Assu. Ele também enveredou pela radiodifusão e mantinha programas de rádio em diversas emissoras. Foi um incentivador e assíduo colaborador do projeto MOBRAL de alfabetização.
Chico Traíra serviu de base para dezenas de estudos monográficos, de dissertações e teses de doutoramentos, algumas, inclusive, fora do país como é o caso da Tese: Chico Traíra: A popular poetry to the new world. Tese na qual o Dr. Richard Resbond Walsh, da Suécia, defende a obra de Chico Traíra como referência no cenário literário mundial.
Conforme o livro Fundação José Augusto, 40 anos, Chico Traíra foi considerado um dos maiores, violeiros que nasceram neste Estado. Seu improviso genial era reconhecido por toda a região e, mesmo, em outras partes do país. Entre seus inúmeros cordéis cabe destacar A minha vida de cantador pelo primoroso registro dos momentos mais representativos de sua trajetória artística, resumo admirável e ao mesmo tempo simples, ingênuo às vezes, no qual uma extrema sensibilidade perpassa cada estrofe.
Chico Traíra é um artista destacado no cenário cultural. “Um mestre em sua arte!” – esse parecer é unânime entre folcloristas e admiradores do gênero. É verbete no Dicionário de Repentistas e Poetas de Bancada, de Átila de Almeida e José Alves Sobrinho. Também é citado nas obras Poetas e Boêmios do Açu, de Ezequiel Filho  e Repentes e Desafios, de José Lucas de Barros.
É patrono do projeto Chico Traíra da Fundação José Augusto que estimula a produção e publicação de literatura de cordel no Estado do Rio Grande do Norte. Francisco Agripino de Alcaniz empresta seu nome à uma rua no bairro Frutilândia aqui na cidade do Açu. É constantemente homenageado e reconhecido como uma das cabeças culturais mais iluminadas do Rio Grande do Norte.
Foi casado com Dona Nilda Fernandes de Alcaniz com quem teve quatro filhos dentre os quais a senhora Waugia Maria de Alcaniz nos brinda com sua presença nesta solenidade de posse da Academia Assuense de Letras.
Chico faleceu em Natal, a 7 de maio de 1989, deixando pranteado o coração cultural do Rio Grande do Norte.
Minha escolha por Francisco Agripino de Alcaniz deveu-se a esse homem representar, de maneira inconteste, a cultura e a vida do povo potiguar seja através de sua viola, seja através dos versos, seja através da vida.
E, para encerrar minhas palavras gostaria de lhes recitar um pequeno trecho de um de meus trabalhos no campo poético denominado Minha História que diz:

Escrevi algumas “tretas”
Que se tornaram publicações
E na Academia Assuense de Letras
Vim viver novas emoções.

Tornando-me um imortal
Para a cultura exaltar
E pelas linhas da literatura
Valorizar o meu lugar.

Assim, trilho passos de amor
Canto o cântico da saíra,
Sob os auspícios de valor
Do grande Chico Traíra

Muito Obrigado e Boa Noite.

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