domingo, 10 de julho de 2016

RELEMBRANDO AGENOR MARIA, UM COMBATIVO POLÍTICO POTIGUAR

 

 
 
 



Agenor Nunes de Maria era natural de São Vicente, região do Seridó, interior potiguar. Agenor ou simplesmente Nonô foi militar da Marinha, vereador (1956-58, 62) pela sua terra natal onde também foi comerciante/feirante, além de agropecuarista, cooperativista, sindicalista rural, deputado estadual (1962-66), deputado federal em 1968 e 1983. Nas eleições de 1974, a convite do ex-governador Aluízio Alves foi candidato a senador da república. Uma jogada estratégica de Aluízio . Pois bem, conta-se que ele, Agenor, com aquela toda sua fraqueza no modo de falar que lhe era peculiar, teria dito a Alves que não dispunha de recursos financeiros para fazer sua campanha, porém, não tinha nada a perder. No que aceitou o convite, percorreu o estado com seus companheiros de MDB - Movimento Democrático Brasileiro, atual PMDB, apresentou-se na televisão (foi, salvo engano, a primeira campanha política inserida no rádio e televisão no estado norte-rio-grandense  - TV Universitária, da UFRN, de Natal). E com aquele seu linguajar próprio do homem do sertão do Seridó, ganhou a eleição para o grande jurista, deputado federal, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos deputados chamado Djalma Aranha Marinho, do partido da ARENA, - Aliança Renovadora Nacional, por quase 20 mil votos de maioria. Djalma tinha o apoio do presidente da república Ernesto Geisel, além do senador Dinarte Mariz e de Tarcísio Maia que já era governador nomeado do Rio Grande do Norte. José Cortez Pereira de Araújo ainda exercia o cargo de governador da terra norte-rio-grandense..

Senador atuante, combativo. Os pronunciamentos que Agenor fazia no Congresso Nacional encantavam a todos. Publicou pela gráfica do senado, os livros intitulados de 'Os roteiros de uma luta', 1975, 'Rio Grande do Norte do presente", 1977, dentre outros, além de ter recebido várias honrarias.  Um dos seus maiores projetos seria a implantação do Batalhão Rural, pelo Exercito brasileiro que tinha o objetivo de que os filhos do homem do campo permanecesse na terra explorando a agricultura, evitando assim o êxodo rural.



Lembro-me que em 1985 eu era vereador e estive em seu gabinete em companhia do prefeito do Assu Ronaldo Soares quando ele, Maria, exercia o cargo de deputado federal, a ler em voz alta e cheio de emoção,  o discurso que o jurista paraibano Raimundo Asfora e igualmente deputado teria pronunciado em sua alusão, traçando o seu perfil de bom tribuno, considerando aquele parlamentar potiguar como "a mais bela voz rústica do parlamento brasileiro,".

Afinal, se o ex-senador carioca chamado Darcy Ribeiro, certa vez, afirmou que "o senado é melhor do que o céu.”. Agenor Maria pronunciou na tribuna da Câmara Federal: "O céu precisa ser muito bom, pra ser igual ao senado.


Fernando Caldas

 




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