sábado, 31 de dezembro de 2016

Aos Olhos Dele
Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o 
As minhas doces crenças de criança.
Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!
Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:
Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Fiz moradia
no teu apreço
No teu sorriso
eu amoleço
Em teu olhar
me reconheço
Amar você
é um recomeço
Se estás sumida
me entristeço
E quando queres
eu apareço.

Cartão postal com vista de parte da rua Ferreira Chaves na primeira década do século XX.
Aqui a rua Ferreira Chaves, que até 22 de março de 1899 chamava-se rua Formosa, era ainda constituída por construção simples como essas que aparecem nessa fotografia de 1906.
A mudança do nome representou uma homenagem feita ao então presidente do Estado do Rio Grande do Norte, Joaquim Ferreira Chaves. Esse foi o nosso primeiro governador eleito, no regime republicano, pelo voto popular e direto.
Sem nada que identifique aqui a rua Ferreira Chaves de 110 anos atrás, é quase impossível saber em que ponto a foto foi tomada.
É quase certo do fotógrafo ter se posicionado na esquina com a avenida Sachet(atual Duque de Caxias) e olhando para a rua Almino Afonso.
Outro detalhe que pode se notar aqui é a ausência de qualquer tipo de iluminação pública nessa rua.
Apesar de Natal já possuir iluminação a Gás Acetileno desde 29 de junho de 1905, esse trecho não estava no projeto das ruas que primeiro ganharam o banho de luz.
Fotógrafo: Não informado
Ano: 1906

PREFEITO ELEITO DE ASSÚ, GUSTAVO SOARES, ANUNCIA NOMES DO SECRETARIADO MUNICIPAL E AUXILIARES DIRETOS PARA NOVA GESTÃO

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Em entrevista coletiva concedida a imprensa na tarde desta sexta-feira (30), nas dependências do auditório do Metta Curso Preparatório, o prefeito eleito de Assú, Gustavo Soares anunciou os nomes dos que integrarão seu primeiro time de auxiliares diretos na futura administração municipal.
VEJA OS NOMES:
Consultoria Administrativa – Creso Venâncio
Consultoria Contábil e Financeira – Fabiana Holanda
Consultoria de Projetos e Engenharia – José Sande Germano Martins
Consultoria de Convênios – Mirlene de Paula Batista
Consultoria Legislativa – Alberto Luiz de Lima Trigueiro
Controladoria Geral do Município – Frederico Bernardo
Procurador Geral do Município – Joanelson de Medeiros Galvão
Secretaria Executiva de Gestão – Clebson Corsino
Secretaria Executiva de Desenvolvimento – Brás Barreto
Secretaria de Executiva de Infraestrutura – Nuilson Pinto de Medeiros
Secretaria Executiva de Deenvolvimento Humano – Rizza Montenegro
Secretaria de Gabinete Civil – Flávio Morais
Secretaria de Comunicação e Ouvidoria – Lúcio Flávio
Secretaria de Finanças – Maria da Conceição Barbosa
Secretaria de Tributação – ex-vereador Francisco Xavier de Medeiros
Secretaria de Planejamento, Administração e Recurso Humanos – Clebson Corsino – interino
Secretaria de Agricultura e Pesca – ex-vereadora Sonia Maria de França
Secretaria de Desenvolvimento Econômico Social, Ciência e Tecnologia – Luiz Carlos Gonçalves de Oliveira
Secretaria de Eventos – Arnóbio Abreu Júnior
Secretaria de Obras Públicas – Marcelo Galvão
Secretaria de Serviços Públicos – Samuel Fonseca
Secretaria de Educação Shiley Albano
Secretaria de Saúde – Dr. Luis Eduardo Pimentel Soares 
Secretaria de Assistência Social – Helenora Rocha da Costa
José Regis de Souza
REGIStrando
João Gonçalves Cachina.
- O menino João! Sua história antes de partir para o Brasil!
- A origem do sobrenome Cachina!
Faz hoje, 30 de Dezembro de 2016, 120 anos que foi emitido a João Gonçalves Cachina, então com 12 anos de idade, o passaporte para se poder ausentar de Portugal com destino ao Rio de Janeiro.
João Gonçalves Cachina, veio a ser o patriarca de uma numerosa família de sobrenome Cachina no que é hoje o município Brasileiro de Açu/Assu “Terra dos Poetas”. Hoje tanto em Açu/Assu como na cidade de Natal,capital do estado de Rio Grande do Norte, Brasil, como em outras regiões do RGN e do Brasil existem centenas de pessoas de sobrenome Cachina, todos descendentes de seu João Gonçalves Cachina.
Dedico o texto e cópia dos documentos que vou expor abaixo a todos os Cachina descendentes de seu João! O Português.
João Gonçalves Cachina, nasceu na freguesia de Monserrate na cidade de Viana do Castelo, Portugal em 17 de Junho de 1884, filho de José Gonçalves Pinto (Cachina) e Maria dos Mares Chavarria, ambos naturais da freguesia de Monserrate.
O menino João com 4 anos, muito cedo, na sua infância, ficou órfão! O pai do menino João, passados 4 meses da morte de Maria dos Mares, voltou a casar e foi morar com a nova mulher, Maria da Hora de Lima, e 4 filhos, Filomena, Francisco, João e Jacinto, para a bonita piscatória vila de Caminha, a 25 km a norte da cidade de Viana do Castelo.
Em 1896, seu João então menino com 12 anos, a vida familiar não seria a mais estável. o pai, pescador, ausente algures no Brasil, João faz viagem para o Brasil na companhia de um vizinho, Manuel de Jesus Pereira, de 34 anos, casado, pescador. É a terceira viajem, que Manuel de Jesus Pereira faz ao Brasil. A primeira vez, em 1883 quanto tinha 20 anos, e a segunda em 1889 com 26 anos. Homem com experiência nestas viagens transatlânticas!
O menino João, menor de idade, para poder fazer viagem, necessitou de uma autorização para ausentar-se para o Brasil, conforme o documento "Termo de Consentimento" agregado no processo de passaporte de Manuel de Jesus Pereira. Esse consentimento foi por ordem de Maria da Hora de Lima a 2ª mulher do pai do menino João. Consta no termo de consentimento o seguinte " ... compareceu Maria de Hora de Lima da freguesia de Monserrate do concelho de Viana do Castelo, residente na vila de Caminha, a qual declarou na qualidade de tutora de seu sobrinho, João Gonçalves Cachina, solteiro, de doze anos de idade, filho de José Gonçalves, ausente em parte incerta e de Maria dos Mares, já falecida, que dava consentimento ao referido seu sobrinho para se ausentar para o Rio de Janeiro, como serviçal de Manuel de Jesus Pereira. ... ".
Ora bem, no termo de consentimento está documentado que Maria da Hora de Lima era a tutora e tia do menino João! Diante do foi escrito no referido documento, e após nossa investigação, temos que corrigir e deixar bem claro que na realidade ela era a madrasta e não era tia de João mas sim prima direita do menino João.
Maria da Hora de Lima, nascida em 22 de Setembro de 1866 na freguesia de Monserrate, era filha legítima de António de Lima e Rita Chavarria.
Esta Rita Chavarria é irmã de Maria dos Mares Chavarria, falecida mãe do João Gonçalves Cachina.
Há quatro anos atrás, tive o interesse de saber mais sobre a história do seu João no Brasil e pesquisando na Internet deparei-me que em Rio Grande do Norte havia um grande número de pessoas com o sobrenome Cachina, ao tanto que comecei a ter conhecimento pela internet, de pequenos textos publicados em blogs, referências de que os Cachina de RGN descendiam de um João Gonçalves Cachina, o Português como assim era conhecido na área da sua residência no Vale de Açu, natural de Viana do Castelo. Durante dois anos tentei por vários meios entrar em contacto com algum descendente para conhecer melhores detalhes mas todas as tentativas foram em vão, nunca os meus e-mails tiveram uma resposta, até que um dia, finalmente quando eu menos esperava, em 01 de Fevereiro de 2014 um açuense, Fernando Caldas, historiador e homem de letras, (sem parentesco ao seu João) contactou-me que conheceu seu João, que quando era menino, que a caminho da escola passava pela casa de seu João! Fernando Caldas, passou-me valiosa informação sobre a vida de seu João no RGN e disponibilizou-se de contactar alguns descendentes de seu João para entrarem em contacto comigo, no entanto o primeiro contacto só veria a tornar-se realidade um ano depois em Fevereiro de 2015, Fernando Alves Pinheiro, bisneto de seu João, contactou-me e mais uma vez nova troca de informações complementaram mais ainda os meus conhecimentos sobre seu João. Pouco depois, em Março de 2015, fui contactado por um outro bisneto de seu João, o arquiteto Renato Medeiros, natural da cidade de Assú mas já há vários anos a residir na cidade de Natal. O contacto foi enriquecedor com nova troca de informações, e em Maio desse mesmo ano, conheci pessoalmente o Renato Medeiros, sua irmã e sua tia Madalena Cachina quando visitaram Viana do Castelo. Aproveitando estarem em Viana do Castelo, levei os a conhecer a vila de Caminha, incluindo a rua onde seu João e sua família moraram.
Até Março de 2015, junto dos descendentes em RGN não havia uma certeza em que ano, João Gonçalves Cachina trocou Portugal pelo Brasil. Não havia um documento que fosse do conhecimento dos Cachina no RGN, que identificasse que seu João foi em x ano para o Brasil.
Era do meu conhecimento através de um livro relacionado com a emigração de Minhotos mais concretamente do distrito de Viana do Castelo para o Brasil, que havia uma referência a um João Gonçalves Cachina que em 1896 tinha lhe sido emitido um passaporte para o Brasil, no entanto quem se deslocasse ao Arquivo Distrital de Viana do Castelo e procurasse nos livros de registros de passaporte pelo registro de um passaporte em nome de seu João, ou como acompanhante de algum familiar, não o iria encontrar! Eu mesmo, virei do avesso um infinito numero de vezes, não sei precisar quantas vezes, mas foram muitas, que consultei os livros referentes aos anos de 1896 e 1897 e não localizei após de muitas tentativas o registro de passaporte do menino João, mas eu como sou de raça nunca dizer não! Lá um dia, após mais uma insistência minha, encontrei uma referência a um nome "João" no passaporte do tal Manuel de Jesus Pereira, casado, pescador, natural de Caminha, mesmo na ultima folha do livro, com a data do penúltimo dia do ano de 1896. Quando deparei com aquele nome, João, eu estava convicto que seria o nosso João, mas seria necessário provar que era mesmo ele! Eu precisaria de provas, e essas provas eu sabia que seriam de extrema dificuldade em conseguir! As provas estariam no processo de passaporte do Manuel de Jesus Pereira, no entanto eu também sabia que para ter acesso aos processos de passaporte emitidos pelo Governo Civil de Viana do Castelo, estes não estavam disponíveis ao público desde que em Setembro de 2011 o Governo de Portugal da época decidiu desmantelar todos os 22 governos civis do pais que funcionaram durante quase 200 anos.
Era até aquela data de 2011 que a maioria do processos emitidos em território nacional ao longo do século XIX e das primeiras décadas do séc. XX, estavam à guarda dos Governos Civis.
Com o encerramento dos edificios dos Governos Civis, o acesso a estes foi vedada completamente, não estando estes em funcionamento.
Ter acesso ao processo seria quase impossível mas na investigação genealógica nunca nos podemos dar por derrotados!!!
Meti mãos à obra e em Março de 2015 entrei em contacto com as autoridades em Lisboa e após troca de muita correspondência, finalmente, em 10 de Dezembro de 2015, recebi no meu escritório todo o processo de passaporte do Manuel de Jesus Pereira onde consta histórica informação sobre o seu João Gonçalves Cachina.
No meio de toda esta história e ao longo deste anos de investigação sobre o seu João, fiquei a saber e está documentado que seu João Gonçalves Cachina era bisneto (por via paterna pelo lado da avó) de José Joaquim Gonçalves Pinto, natural da freguesia de São Miguel da Marinhas, concelho de Esposende, distrito de Braga, Portugal.
José Joaquim Gonçalves Pinto é meu tataravô. Hoje, no meu nome ainda carrego o sobrenome Pinto.
Para concluir deixo a minha opinião sobre a origem do sobrenome CACHINA.
Durante as minhas investigações, logo de inicio, cheguei a uma conlusão rápida que CACHINA era um sobrenome com origem numa alcunha (apelido no Brasil). CACHINA, alcunha/apelido pegou sobrenome em meados do século XIX, cerca de 1850, por aí! Cachina começou aparecer no nome dos filhos do casal João Gonçalves e Victória Gonçalves Pinto (avós paternos do seu João). João e Victória tiveram , 11 filhos e foi a partir dos filhos do sexo masculino que o nome Cachina começou a surgir e destes passou para os filhos e por aí adiante!
João Gonçalves e seus filhos eram homens do mar! Dedicavam-se há pesca, famílias de pescadores. Os pescadores, já naquelas épocas, não só dedicavam-se a pescar nos mares da costa onde moravam como se aventurariam e iam pescar para outras terras onde permaneciam lá temporadas, quando havia maior abundância de peixe, ou o pescador tinha melhores condições, onde lhes pagavam melhor! A 50km a sul de Monserrate, Viana do Castelo, fica a cidade de Vila do Conde, uma cidade que durante muitos séculos viveu virada para o mar! Tal como Viana do Castelo, uma cidade litoral, em que a maioria da população dedicava-se à faina da pesca. Em Vila do Conde ainda hoje existe um lugar, um bairro chamado Caxinas, alguns estudiosos / historiadores também aplicam, usam o nome Caxina, no singular e outros historiadores com conhecimentos profundos sobre a história de Caxinas, escrevem mesmo Cachina e eles de Cachineiros. É muito provável e o meu muito é mesmo um muito a rondar a certeza! Que o sobrenome Cachina teve origem em um ou mais dos antepassados do seu João, terem passado umas épocas a pescar em embarcações de Caxinas e quando regressavam à terrinha, Monserrate, começou a ser alcunhado/apelidado de Cachina, “lá vem o Cachina”, por em Caxina/Caxinas, passar/em parte da sua vida na vida ardua de pescador!
Esta é a minha opinião. Não devo estar errado!
Talvez você que está atento a ler este meu texto, se dispor a perder mais uns minutos, abra a ligação abaixo e o que lerem vai ao encontro da minha opinião como teve a origem do sobrenome Cachina em Monserrate, Viana do Castelo!
http://caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt/186992.html
Uma última nota. Pelo facto de ninguém ao longo das décadas ter tido acesso aos documentos Portugueses do seu João. Sempre
foi falado entre parentes e ter sido publicado em blogs do universo da internet que seu João foi para o Brasil no ano de 1896!
Agora é possível dizer com firmeza que o seu João foi para o Brasil no ano de 1897. Inícios de 1897, Janeiro de 1897, o mais tardar Fevereiro desse ano!
Aproveito para desejar a toda a família Cachina um maravilhoso NOVO ANO de 2017, cheio de amor, paz e saúde! Assim como igualmente desejo a todos meus amigos do FB !

Natal já esteve sob regime comunista por 4 dias

O povo de Natal topou a revolução de pura farra. Saquearam um depósito militar e passaram a andar fantasiados de soldado. O transporte coletivo virou gratuito. Que dia!
Era 23 de Novembro de 1935 e o dia corrida tranquilo na pequena cidade de Natal de cerca de 40 mil habitantes. Um dia bem diferente dos anteriores, que foram marcados por vários incidentes de rua como assaltos a bondes.
Natal estava prestes a ter o maior levante militar de sua história, que ocorreria no Batalhão do Exército. Logo mais em breve a capital potiguar iria cair nas mãos de rebeldes, que destituíram os governantes locais dos seus cargos.

Eis que no quartel militar do 21º Batalhão de Caçadores (21º BC) chega uma informação chave

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O 21º Batalhão de Caçadores
A de que o general Manuel Rabello, comandante da 7ª Região Militar do Recife, havia autorizado o licenciamento de alguns cabos, soldados e tenentes que estavam com tempo vencido na carreira militar, e a expulsão de outros, acusados de envolvimento em incidentes de rua ocorridos dias antes em Natal, incluindo assaltos a bondes.
Este documento causou um movimento que estava sendo articulado há alguns dias entre lideranças militares e sindicatos locais junto com membros do PCB estadual. O objetivo era apoiar a revolução nacional que estava sendo preparada pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), no Rio de Janeiro.
“Havia uma preparação para o levante sob a direção do Partido Comunista, que atuava no 21º Batalhão de Caçadores e em vários sindicatos locais. Eles apenas aguardavam as orientações do comitê central”, explica Homero de Oliveira Costa, professor de ciências políticas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e estudioso da insurreição de Natal.
Além disso, Homero lembra que a cidade já vivia momentos de tensão política desde o ano anterior: “O Rio Grande do Norte teve uma das mais tumultuadas eleições do país, com diversos conflitos de ruas, assassinatos, prisões e repressão. Isso criou uma situação muito tensa no Estado, e em Natal em particular”, completa.

Mas aconteceu um erro de comunicação

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Luís Carlos Prestes – Bundesarchiv; BArch
Os acontecimentos daquele Sábado foram acontecendo de tal maneira que não houve tempo nem de avisar a ANL, cujos líderes (incluindo Prestes) aguardavam o melhor momento para eclodir a revolução em nível nacional. Em função das expulsões ordenadas pelo comando militar no Recife, o PCB estadual e os integrantes do Batalhão decidiu dar início ao motim naquele mesmo dia.

Aí o caldo entornou

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Por volta das 19:30 um grupo de militares rebeldes, liderados pelo sargento Quintino Clementino de Barros, rendeu os oficiais de plantão no Batalhão e, com fuzis apontados para a cabeça dos soldados, ordenaram que estava todo mundo preso por ordem do capitão Luís Carlos Prestes.
Sem apresentar resistência, revolucionários liderados por Quintino e apoiados por grupos civis organizados [como o sindicato dos estivadores, muito forte na cidade], tomaram o quartel e ocuparam locais estratégicos da cidade, tais como: o palácio do governo, a Vila Cincinato – residência oficial do governador -, a central elétrica de Natal, a estação ferroviária e as centrais telefônica e telegráfica da cidade.
Informado sobre a confusão, o governador e demais autoridades civis e militares fugiram e se esconderam na casa de aliados. No quartel da Força Pública, cuja sede ficava próxima ao batalhão rebelado, ensaiou-se uma resistência legalista com policiais fiéis ao governo, vencida pelos militares rebeldes, no momento mais organizados e bem armados.

O dia amanheceu e Natal estava completamente dominada

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Cais da Tavares de Lira, no bairro da Ribeira, em Natal. Uma provinciana capital do Nordeste do Brasil.
Na residência do governador, sede dos rebelados, formou-se uma junta provisória de governo, autodenominada Comitê Popular Revolucionário, que era formada pelo sapateiro José Praxedes (secretário de Abastecimento); sargento Quintino Barros (Defesa); Lauro Lago (Interior e Justiça); estudante João Galvão (Viação); e José Macedo (Finanças), este último funcionário dos Correios.
Foi então que o Comitê Revolucionário saiu da teoria e começou a tomar medidas práticas. A primeira foi um decreto com a destituição do governador do cargo, e a dissolução da Assembleia Legislativa “por não consultar mais os interesses do povo”. As tarifas de bondes foram extintas e o transporte coletivo tornou-se gratuito.
Na segunda-feira, o comércio e os bancos não abriram. À tarde, foram ordenados saques dos cofres da agência do Banco do Brasil e Recebedoria de Rendas. O dinheiro foi confiscado em nome do governo revolucionário e parte dele distribuído à população, que foi ao delírio com a novidade, e não tinham muita noção do que estava acontecendo na cidade.

E a festa popular começou

“A população confraternizava com os rebeldes. Era mais uma festa popular ou um carnaval exaltado, do que uma revolução”, explica o historiador Hélio Silva em seu livro 1935 – A Revolta Vermelha. “Casas comerciais foram despojadas de víveres, roupas e utensílios domésticos que aquela gente não podia comprar. Houve populares que, pela primeira vez, comeram presunto”, diz o historiador.
Um dos líderes do movimento, João Galvão, relatou posteriormente o que aconteceu naqueles dias: “O povo de Natal topou a revolução de pura farra. Saquearam o depósito de material do 21º BC e todos passaram a andar fantasiados de soldado. Minha primeira providência como ‘ministro’ foi decretar que o transporte coletivo seria gratuito. O povo se esbaldou de andar de bonde sem pagar.
Para se comunicar com a população, um avião foi confiscado no aeroporto e sobrevoou a cidade despejando milhares de folhetos. No curto período em que se mantiveram no poder, os revolucionários também distribuíram o primeiro e único número do jornal A Liberdade, impresso nas oficinas da Imprensa Oficial do Estado. Nele, foi publicado o expediente do novo governo e um manifesto.

As medidas práticas dos comunistas

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Ainda segundo o professor Homero Costa, os revolucionários fariam muito mais ações práticas na cidade, não fosse o pouco tempo em que permaneceram no poder. “Houve boatos de que na Vila Cincinato estavam distribuindo alimentos à população, o que levou muita gente a se deslocar para lá, mas não era verdade”, diz Costa.
Mesmo assim, algumas algumas medidas foram tomadas naquele começo de semana, como salvo-condutos para circulação nas ruas e ordens para que o comércio e os bancos funcionassem normalmente, o que não aconteceu.
“Os comerciantes foram orientados a negociar como de costume, sem estocarem alimentos para elevar os preços. Caso isso ocorresse, os estoques seriam confiscados pelo governo”, diz Elias Feitosa, professor de história do Brasil do Cursinho da Poli, lembrando que alguns gêneros alimentícios, como o pão, também tiveram o preço reduzido.

O levante não foi só em Natal

Vista panorâmica do Centro de São José de Mipibu na primeira metade do século passado.
Vista panorâmica do Centro de São José de Mipibu na primeira metade do século passado.
Legenda: “Foi bala muita”  Fachada do Quartel da Salgadeira, atingido por disparos efetuados pelos comunistas.
O movimento foi parar no interior do Rio Grande do Norte. “Foram formadas três ‘colunas guerrilheiras’ que ocuparam 17 dos 41 municípios do estado, destituindo prefeitos e nomeando outros”, diz Homero Costa.
Pequenas localidades, como São José de Mipibu, Ceará Mirim e Baixa Verde (atual município de João Câmara) foram ocupados sem resistência e os prefeitos substituídos por simpatizantes da ANL. Agências bancárias e do governo (as coletorias de renda) foram saqueadas e o dinheiro enviado para a capital.

E então, acabou

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Resultado do ataque comunista ao Quartel da Salgadeira, no Centro de Natal.
Ao chegar a terça-feira, ocorreu a movimentação de tropas do Exército da Paraíba e de Pernambuco rumo a Natal, foi quando o “novo governo” começou a perder força.
Em uma localidade chamada Serra do Doutor, um dos grupos da ANL foi preso por tropas leais a Getúlio Vargas. Informados de que tropas federais entrariam em Natal e com a possibilidade de bombardeamento aéreo, os líderes do “governo revolucionário” fugiram cada um por si.
Um deles, Praxedes, viveu foragido durante anos. Os demais foram capturados e enviados para o Rio de Janeiro com outros presos políticos, como o escritor Graciliano Ramos.
O mesmo aconteceu nas cidades do interior. Com a fuga, os militares enviados pelo governo federal não tiveram dificuldades de controlar a situação. O governador Rafael Fernandes foi reconduzido ao cargo e, a partir de quarta-feira, dia 27 de novembro, a vida voltou ao normal na cidade que, durante cerca de 90 horas, abrigou, como escreveu Hélio Silva, “o primeiro, único e fugaz governo soviete na história do Brasil.”
No mesmo dia em que o “governo comunista” era encerrado no Rio Grande do Norte, o movimento tenentista deflagrava, no Rio de Janeiro, uma insurreição para derrubar o presidente Getúlio Vargas e instaurar um regime comunista no Brasil. Liderado por Luís Carlos Prestes, o levante ficou conhecido como Intentona Comunista, ou Revolta Vermelha.
O levante em Natal serviu como justificativa para que Getúlio Vargas instaurasse o Estado Novo, em 1937.
Não deixe de ver também: 30 fotos da 2ª Guerra em Natal com impressionantes explicações
Fonte: Marcos Lopes via TOK de História

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Certa coisa que já fiz
Com uma jovem em segredo,
Revelar, até faz medo
Eu não digo, ela não diz
É que eu quis e ela quis
Só podia acontecer,
Mas, o bom é não dizer
Com que isso aconteceu...
Ela não diz e nem eu
Quem é que pode saber?

Luizinho Caldas, poeta glosador assuense

Imagem: http://dosesdeprosaseversos.blogspot.com.br/

GETÚLIO: DO AUGE AO SUICÍDIO


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Getúlio Dornelles Vargas – Fonte – http://www.diariodoscampos.com.br

Morrer ou suportar a maior humilhação de sua vida. Entenda como o presidente mais adorado de nossa história chegou a esse impasse dramático em reportagem do biógrafo Lira Neto

Fonte – http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/acervo/getulio-auge-ao-suicidio-435272.phtml#.WF_NW_krLIW
Getúlio Vargas chegou ao poder em 1930, depois de liderar uma revolução. Foi eleito em 1934. Em 1937, fechou o Congresso e se transformou em ditador. Mesmo assim, era adorado pelas massas, que acompanhavam, empolgadas, a transformação do Brasil em um país com grandes indústrias e leis trabalhistas justas – foi ele quem criou o salário mínimo, por exemplo. Ao final da Segunda Guerra, em 1945, quando a ditadura dos alemães e dos italianos foi derrotada pelas democracias da Europa e dos Estados Unidos, não fazia mais sentido ter um ditador no poder.

Getúlio Vargas
Vargas no início de sua carreira – Fonte – https://www.resumoescolar.com.br/historia-do-brasil/getulio-vargas-e-o-estado-de-compromisso/
Getúlio convocou eleições e voltou para São Borja, no Rio Grande do Sul. Mas em 1951 ele voltou à capital, o Rio de Janeiro, reeleito, em grande estilo. Em 1954, Getúlio foi pressionado a deixar o poder. Parecia que ele não tinha escolha, a não ser renunciar. Mas ele tinha, sim. Às 8h30 da manhã do dia 24 de agosto, pegou seu Colt calibre 32 com cabo de madrepérola e, sentado na cama, de pijamas, apontou contra o próprio peito e atirou. Como é possível que um ditador tão popular que consegue se eleger de novo termine desse jeito?
A frase mais famosa da carta-testamento explica: “Saio da vida para entrar para a história”. Era isso mesmo. Se vivesse, Getúlio e sua família teriam que enfrentar uma humilhação pública tão grande que acabaria com a imagem que ele demorou a vida toda para construir. Ao se matar, escapou de tudo isso e virou um grande mito. Para entender por que ele estava tão perto da humilhação, basta pensar na madrugada de 5 de agosto, 20 dias antes de ter se matado. Era pouco depois da meia-noite, e o maior inimigo de Getúlio, o empresário e político Carlos Lacerda, entrava em sua casa, na rua Toneleros, em Copacabana. Alguém atirou contra ele, e dois disparos mataram o homem que o acompanhava, o major da Aeronáutica Rubens Vaz. Um projétil acertou o pé de Lacerda.

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Vargas na Revolução de 1930 – Fonte – http://sensoincomum.org/2016/08/31/por-que-esquerdista-getulio-vargas/
Muita gente não estava satisfeita com Getúlio. Um grupo de militares e empresários dizia que, com suas medidas populistas, o presidente queria levar o país para o comunismo. Aliás, essas mesmas pessoas disseram a mesma coisa quando, em 1964, derrubaram o presidente João Goulart. Nenhum adversário pegava tão pesado quanto Carlos Lacerda. Todas as evidências apontavam para o envolvimento de Getúlio e sua turma no atentado.
Evidências concretas
Parecia difícil provar a participação do governo nos tiros que mataram o major Vaz. Mas não era. Assim que as investigações começaram, no dia 6, um motorista de táxi apareceu na polícia dizendo que tinha levado um membro da guarda presidencial, Climério de Almeida, para o local do crime. Em vez de se explicar, Climério desapareceu. No dia 13, o pistoleiro Alcino do Nascimento foi preso e confessou ter atirado em Lacerda por ordem de Climério.

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Fonte – http://nossapolitica.net/2015/12/impeachment-contra-getulio-vargas/
O caldo engrossou de vez quando Alcino disse à polícia que Climério estava agindo sob o comando de Lutero Vargas, filho de Getúlio. No dia 18, Climério foi preso. Com ele estavam 35 mil cruzeiros, e as notas eram da mesma série que já tinham sido encontradas com Alcino e com Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente. No dia 21, o vice-presidente, Café Filho, sugeriu que os dois renunciassem. No dia 22, um grupo de brigadeiros do Exército publicou um manifesto pedindo a mesma coisa. Getúlio disse que jamais faria isso.
À meia-noite do dia 24 de agosto, os comandantes militares mandaram avisar o presidente que não havia mais volta. Se ele não deixasse o cargo por bem, seria deposto pela força. Exausto, Getúlio disse que marcaria uma reunião ministerial no dia seguinte. O general Mascarenhas de Morais, que ainda se mantinha ao lado do presidente, insistiu em fazer o encontro imediatamente. Às 4 da manhã, enquanto os ministros discutiam sem chegar a nenhuma conclusão, Getúlio abriu a agenda pessoal e rabiscou assim: “Determino que os ministros militares mantenham a ordem pública. Se a ordem for mantida, entrarei com um pedido de licença”.

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Fonte – Museu Joaquim José Felizardo / Fototeca Sioma Breitman – http://forum.outerspace.com.br/index.php?threads/get%C3%BAlio-vargas-3-raz%C3%B5es-para-amar-ou-odiar-o-que-ele-fez-com-o-brasil-que-voc%C3%AA-vive-hoje.429631/
O fim
Depois da reunião, sozinho em seu quarto no Palácio do Catete, Getúlio não conseguiu pregar o olho. Foi procurado pela mulher e os filhos pelo menos três vezes entre o final da madrugada e o começo da manhã. O ministro da Justiça, Tancredo Neves, mandou para ele uma nota oficial em que o presidente se licenciava até que as investigações terminassem. Era só assinar, mas Getúlio nem quis ler. Quando soube que seu filho mais novo, Benjamin, seria preso por participar do atentado, ele se trancou em seu quarto. Às 8h30, um tiro ecoou pelo palácio.
“Getúlio tinha consciência de seu significado histórico. Seu último gesto precisa ser entendido dentro dessa dimensão”, afirma o historiador Jaime Pinsky, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre renunciar e encarar um longo processo na Justiça, ele preferiu virar mártir. Sua última artimanha política deu certo. Menos de um mês depois de sua morte, o caso do atentado foi encerrado e seus dois filhos suspeitos, Benjamin e Lutero, acabaram inocentados..

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Manifestação comemorativa do Dia do Trabalho no estádio São Januário, Rio de Janeiro,1940 (Acervo CPDOC FGV) – Fonte – http://forum.outerspace.com.br/index.php?threads/get%C3%BAlio-vargas-3-raz%C3%B5es-para-amar-ou-odiar-o-que-ele-fez-com-o-brasil-que-voc%C3%AA-vive-hoje.429631/
E assim Getúlio salvou sua imagem para sempre. Assim que souberam da morte, multidões saíram às ruas em todo o país. Enfurecidos, manifestantes destruíram a Tribuna da Imprensa, o jornal de Carlos Lacerda. Uma massa humana de 100 mil pessoas, a maioria chorando compulsivamente, acompanhou o caixão do presidente. Cerca de 3 mil pessoas sofreram desmaios, mal-estares e crises nervosas. Velado no palácio onde vivia, o presidente cumpria, assim, a promessa feita dias antes: “Só morto sairei do Catete”. 

Dia 24 – As últimas horas do presidente

0h – O minidtro da Guerra, general Zenóbio da Costa, chega ao Palácio do Catete. Traz um ultimato assinado por 27 generais, exigindo a renúncia
0h30 – Da sala de despachos, Getúlio manda chamar os ministros. Pega em uma gaveta uma folha datilografada, assina-a a aguarda no bolso. Os demais não sabiam, mas era a carta-testamento. O presidente sobe ao quarto
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1h – Ao redor do Catete, barricadas e soldados armados a postos para evitar uma invasão. Getúlio, fumando seu indefectível charuto, desce à sala de despachos, pega a caneta-tinteiro que estava sobre sua mesa de trabalho e a entrega ao ministro da Justiça, Tancredo Neves, pedindo que ele a guarde como lembrança daqueles dias
3h – Getúlio reúne o ministério. (Dos 12 ministros, um – Vicente Rao, das Relações Exteriores – não compareceu.) Além deles, estavam presentes a filha do presidente, Alzira, a esposa Darcy e os filhos Lureto e Manuel Antônio. Lá fora, aviões da Aeronáutica davam rasantes sobre o Catete
4h – Os ministros não chegam a um consenso. Getúlio anota em sua agenda: “Já que o ministério não chegou em uma conclusão, eu vou decidir: (…) entrarei com um pedido de licença
4h20 – Zenóbio sai com pressa para anunciar a decisão de Getúlio aos militares. O presidente sobe ao quarto para dormir, enquanto Tancredo escreve uma nota para a população.
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4h45 – O ministro Oswaldo Aranha, Alzira e o próprio Tancredo sobem ao quarto para mostrar a nota a Getúlio. O presidente os recebe de pijama de mangas compridas, na ante-sala de seu quarto. O país é comunicado, pelo rádio, da decisão presidencial.
6h – Dois oficiais chegam ao Catete, com uma intimação para Benjamin Vargas, irmão de Getúlio. Ele é acusado de planejar o atentado contra Lacerda. Ele se recusa e deixar o palácio. Sobe ao quarto do irmão, o acorda e conta o que aconteceu.
7h – O telefone toca. É o general Armando de Morais Âncora, que diz a Benjamin que o pedido de licença não era suficiente. Os militares querem o afastamento imediato do presidente.

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Fonte – http://forum.outerspace.com.br/index.php?threads/get%C3%BAlio-vargas-3-raz%C3%B5es-para-amar-ou-odiar-o-que-ele-fez-com-o-brasil-que-voc%C3%AA-vive-hoje.429631/

7h30 – Benjamin vai ao quarto e comunica a reação dos militares. Getúlio diz que a situação é grave.
8h05 – Contra seu costume, o presidente sai do quarto de pijama e desce até o gabinete de trabalho. Um assistente percebe que ele volta com algo volumoso no bolso: é um revólver Colt calibre 32.
8h15 – Como fazia todas as manhãs, o barbeiro Barbosa entra no quarto. O presidente o dispensa. O filho Lutero descansa em um sofá da ante-sala do quarto.
8h30 – O presidente senta na cama, põe o revólver na altura do peito e puxa o gatilho. O tiro acorda Lutero, que é o primeiro a entrar no quarto. Depois entram dona Darcy e o médico Flávio Miguez de Mello. Getúlio tem meio corpo para fora da cama e está morrendo.

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Fonte – http://forum.outerspace.com.br/index.php?threads/get%C3%BAlio-vargas-3-raz%C3%B5es-para-amar-ou-odiar-o-que-ele-fez-com-o-brasil-que-voc%C3%AA-vive-hoje.429631/
8h35 – A arma ficou sobre a cama. Na mesinha de cabeceira, a carta-testamento. Ele morreria deitado, minutos depois. 

Um baixinho vaidoso

Quando o gaúcho Getúlio Vargas nasceu, em 1882, dom Pedro II ainda governava o país. Quando morreu, em 1954, o Brasil era uma república industrializada. Em seus 72 anos de vida, Getúlio ainda foi deputado e governador do Rio Grande do Sul. Ninguém ficou tanto tempo na presidência quanto ele, 28 anos. Carismático, ele cuidada muito bem de sua imagem. Os fotógrafos tinham ordem de retratá-lo sempre de baixo para cima, para disfarçar sua altura. Ele só tinha 1,60 m, tinha um rosto redondo e era barrigudo. Mas era vaidoso. Nunca viajava sem uma maleta com cremes, loção de barba e meias de seda. Seu charuto virou marca registrada. Além disso, Getúlio era um grande conquistador. Sua amante mais famosa foi a vedete Virginia Lane, que era conhecida por ter as pernas mais bonitas do Brasil.

Saiba mais

  • O Segundo Governo Vargas: 1951-1954, Maria Celina Soares de Araújo, Zahar, 1982. Ajuda a entender a crise de agosto de 1954.
  • A Era Vargas, José Augusto Ribeiro, Casa Jorge Editorial, 2001. São três volumes que contam a vida do presidente, da chegada ao poder ao suicídio.——————————————————————- Lira Neto nasceu em Fortaleza (CE) em 1963. Jornalista e escritor ganhou o prêmio Jabuti em 2007, na categoria melhor biografia, por O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar, publicado pela Editora Globo. É autor também de Maysa: Só numa multidão de amores (Globo, 2007) e Castello: A marcha para a ditadura (Contexto, 2004).
  •  
  • Do blog:  https://tokdehistoria.com.br

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A imagem pode conter: atividades ao ar livre e água















André Madureira
Nesse outro cartão postal, de mais uma série editada em cerca de 1905, se tem uma visão parcial do "Caes d'Alfandega".
Aqui, por está escondida mais à direita da foto, não é possível ver o edifício de nossa repartição aduaneira. O prédio que se destaca aqui é o da Fábrica Vigilante, do sr. Philadelpho Lyra.
Esse grande armazém era um importante estabelecimento industrial da cidade de Natal, situada à rua do Commercio(atual rua Chile) nº 68, e que tinha como proprietário o sr. Philadelpho Lyra.
A fábrica foi fundada em fins do século XIX e foi a primeira fábrica de cigarros no Rio Grande do Norte. A produção anual do estabelecimento aumentava em 31.392 milhões de cigarros, acondicionados cuidadosamente, cujas principais marcas eram: Vigilante, Amor, Hermes da Fonseca, Excelsos, Goyaz, Celebres, Rio Branco, Alcaçús, Fantazia e Perolas, marcas essas que eram conhecidas e reputadas em todo o estado.
Sua linha de produção, com grandes máquinas à vapor, picava e desfiava o fumo que em seguida eram todos enrolados à mão.
O fumo empregado em sua manufatura era nacional, dos diversos tipos, e também importado, tais como o fumo turco e o fumo da Virginia.
Ai era também manufaturado ótimo sortimento de charutos dos melhores fabricantes. Daí saiam os charutos Dannemam, Jezler & Hoening.
Tinha ainda variado sortimento de piteiras de espuma, ambar, côco e madeira.
A fábrica, que ficava ao lado da Alfândega, era instalada em um grande e cômodo edifício. Tinha suas dependências apropriadas e bem aparelhada para essa indústria.
Nela trabalhavam 110 operários, entre homens, mulheres e crianças. O sr. Philadelpho Lyra foi também agente e representante em Natal das principais casas manufatureiras de charutos do estado da Bahia.
Cerca de 13 anos depois, em um novo prédio, é fundada e instalada nesse mesmo local a firma "Wharton, Pedroza Cia", pertencente aos sócios Clarence Wharton e Fernando Pedroza.
Fotógrafo: Não informado
Ano: Cerca de 1905

Sei dos teus novos amores  Tudo timtim por timtim;  Dizes, que tal... e que não;  Eu sei, que tal... e que sim.  Sei que déste aos teus...