sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

João Gonçalves Cachina.
- O menino João! Sua história antes de partir para o Brasil!
- A origem do sobrenome Cachina!
Faz hoje, 30 de Dezembro de 2016, 120 anos que foi emitido a João Gonçalves Cachina, então com 12 anos de idade, o passaporte para se poder ausentar de Portugal com destino ao Rio de Janeiro.
João Gonçalves Cachina, veio a ser o patriarca de uma numerosa família de sobrenome Cachina no que é hoje o município Brasileiro de Açu/Assu “Terra dos Poetas”. Hoje tanto em Açu/Assu como na cidade de Natal,capital do estado de Rio Grande do Norte, Brasil, como em outras regiões do RGN e do Brasil existem centenas de pessoas de sobrenome Cachina, todos descendentes de seu João Gonçalves Cachina.
Dedico o texto e cópia dos documentos que vou expor abaixo a todos os Cachina descendentes de seu João! O Português.
João Gonçalves Cachina, nasceu na freguesia de Monserrate na cidade de Viana do Castelo, Portugal em 17 de Junho de 1884, filho de José Gonçalves Pinto (Cachina) e Maria dos Mares Chavarria, ambos naturais da freguesia de Monserrate.
O menino João com 4 anos, muito cedo, na sua infância, ficou órfão! O pai do menino João, passados 4 meses da morte de Maria dos Mares, voltou a casar e foi morar com a nova mulher, Maria da Hora de Lima, e 4 filhos, Filomena, Francisco, João e Jacinto, para a bonita piscatória vila de Caminha, a 25 km a norte da cidade de Viana do Castelo.
Em 1896, seu João então menino com 12 anos, a vida familiar não seria a mais estável. o pai, pescador, ausente algures no Brasil, João faz viagem para o Brasil na companhia de um vizinho, Manuel de Jesus Pereira, de 34 anos, casado, pescador. É a terceira viajem, que Manuel de Jesus Pereira faz ao Brasil. A primeira vez, em 1883 quanto tinha 20 anos, e a segunda em 1889 com 26 anos. Homem com experiência nestas viagens transatlânticas!
O menino João, menor de idade, para poder fazer viagem, necessitou de uma autorização para ausentar-se para o Brasil, conforme o documento "Termo de Consentimento" agregado no processo de passaporte de Manuel de Jesus Pereira. Esse consentimento foi por ordem de Maria da Hora de Lima a 2ª mulher do pai do menino João. Consta no termo de consentimento o seguinte " ... compareceu Maria de Hora de Lima da freguesia de Monserrate do concelho de Viana do Castelo, residente na vila de Caminha, a qual declarou na qualidade de tutora de seu sobrinho, João Gonçalves Cachina, solteiro, de doze anos de idade, filho de José Gonçalves, ausente em parte incerta e de Maria dos Mares, já falecida, que dava consentimento ao referido seu sobrinho para se ausentar para o Rio de Janeiro, como serviçal de Manuel de Jesus Pereira. ... ".
Ora bem, no termo de consentimento está documentado que Maria da Hora de Lima era a tutora e tia do menino João! Diante do foi escrito no referido documento, e após nossa investigação, temos que corrigir e deixar bem claro que na realidade ela era a madrasta e não era tia de João mas sim prima direita do menino João.
Maria da Hora de Lima, nascida em 22 de Setembro de 1866 na freguesia de Monserrate, era filha legítima de António de Lima e Rita Chavarria.
Esta Rita Chavarria é irmã de Maria dos Mares Chavarria, falecida mãe do João Gonçalves Cachina.
Há quatro anos atrás, tive o interesse de saber mais sobre a história do seu João no Brasil e pesquisando na Internet deparei-me que em Rio Grande do Norte havia um grande número de pessoas com o sobrenome Cachina, ao tanto que comecei a ter conhecimento pela internet, de pequenos textos publicados em blogs, referências de que os Cachina de RGN descendiam de um João Gonçalves Cachina, o Português como assim era conhecido na área da sua residência no Vale de Açu, natural de Viana do Castelo. Durante dois anos tentei por vários meios entrar em contacto com algum descendente para conhecer melhores detalhes mas todas as tentativas foram em vão, nunca os meus e-mails tiveram uma resposta, até que um dia, finalmente quando eu menos esperava, em 01 de Fevereiro de 2014 um açuense, Fernando Caldas, historiador e homem de letras, (sem parentesco ao seu João) contactou-me que conheceu seu João, que quando era menino, que a caminho da escola passava pela casa de seu João! Fernando Caldas, passou-me valiosa informação sobre a vida de seu João no RGN e disponibilizou-se de contactar alguns descendentes de seu João para entrarem em contacto comigo, no entanto o primeiro contacto só veria a tornar-se realidade um ano depois em Fevereiro de 2015, Fernando Alves Pinheiro, bisneto de seu João, contactou-me e mais uma vez nova troca de informações complementaram mais ainda os meus conhecimentos sobre seu João. Pouco depois, em Março de 2015, fui contactado por um outro bisneto de seu João, o arquiteto Renato Medeiros, natural da cidade de Assú mas já há vários anos a residir na cidade de Natal. O contacto foi enriquecedor com nova troca de informações, e em Maio desse mesmo ano, conheci pessoalmente o Renato Medeiros, sua irmã e sua tia Madalena Cachina quando visitaram Viana do Castelo. Aproveitando estarem em Viana do Castelo, levei os a conhecer a vila de Caminha, incluindo a rua onde seu João e sua família moraram.
Até Março de 2015, junto dos descendentes em RGN não havia uma certeza em que ano, João Gonçalves Cachina trocou Portugal pelo Brasil. Não havia um documento que fosse do conhecimento dos Cachina no RGN, que identificasse que seu João foi em x ano para o Brasil.
Era do meu conhecimento através de um livro relacionado com a emigração de Minhotos mais concretamente do distrito de Viana do Castelo para o Brasil, que havia uma referência a um João Gonçalves Cachina que em 1896 tinha lhe sido emitido um passaporte para o Brasil, no entanto quem se deslocasse ao Arquivo Distrital de Viana do Castelo e procurasse nos livros de registros de passaporte pelo registro de um passaporte em nome de seu João, ou como acompanhante de algum familiar, não o iria encontrar! Eu mesmo, virei do avesso um infinito numero de vezes, não sei precisar quantas vezes, mas foram muitas, que consultei os livros referentes aos anos de 1896 e 1897 e não localizei após de muitas tentativas o registro de passaporte do menino João, mas eu como sou de raça nunca dizer não! Lá um dia, após mais uma insistência minha, encontrei uma referência a um nome "João" no passaporte do tal Manuel de Jesus Pereira, casado, pescador, natural de Caminha, mesmo na ultima folha do livro, com a data do penúltimo dia do ano de 1896. Quando deparei com aquele nome, João, eu estava convicto que seria o nosso João, mas seria necessário provar que era mesmo ele! Eu precisaria de provas, e essas provas eu sabia que seriam de extrema dificuldade em conseguir! As provas estariam no processo de passaporte do Manuel de Jesus Pereira, no entanto eu também sabia que para ter acesso aos processos de passaporte emitidos pelo Governo Civil de Viana do Castelo, estes não estavam disponíveis ao público desde que em Setembro de 2011 o Governo de Portugal da época decidiu desmantelar todos os 22 governos civis do pais que funcionaram durante quase 200 anos.
Era até aquela data de 2011 que a maioria do processos emitidos em território nacional ao longo do século XIX e das primeiras décadas do séc. XX, estavam à guarda dos Governos Civis.
Com o encerramento dos edificios dos Governos Civis, o acesso a estes foi vedada completamente, não estando estes em funcionamento.
Ter acesso ao processo seria quase impossível mas na investigação genealógica nunca nos podemos dar por derrotados!!!
Meti mãos à obra e em Março de 2015 entrei em contacto com as autoridades em Lisboa e após troca de muita correspondência, finalmente, em 10 de Dezembro de 2015, recebi no meu escritório todo o processo de passaporte do Manuel de Jesus Pereira onde consta histórica informação sobre o seu João Gonçalves Cachina.
No meio de toda esta história e ao longo deste anos de investigação sobre o seu João, fiquei a saber e está documentado que seu João Gonçalves Cachina era bisneto (por via paterna pelo lado da avó) de José Joaquim Gonçalves Pinto, natural da freguesia de São Miguel da Marinhas, concelho de Esposende, distrito de Braga, Portugal.
José Joaquim Gonçalves Pinto é meu tataravô. Hoje, no meu nome ainda carrego o sobrenome Pinto.
Para concluir deixo a minha opinião sobre a origem do sobrenome CACHINA.
Durante as minhas investigações, logo de inicio, cheguei a uma conlusão rápida que CACHINA era um sobrenome com origem numa alcunha (apelido no Brasil). CACHINA, alcunha/apelido pegou sobrenome em meados do século XIX, cerca de 1850, por aí! Cachina começou aparecer no nome dos filhos do casal João Gonçalves e Victória Gonçalves Pinto (avós paternos do seu João). João e Victória tiveram , 11 filhos e foi a partir dos filhos do sexo masculino que o nome Cachina começou a surgir e destes passou para os filhos e por aí adiante!
João Gonçalves e seus filhos eram homens do mar! Dedicavam-se há pesca, famílias de pescadores. Os pescadores, já naquelas épocas, não só dedicavam-se a pescar nos mares da costa onde moravam como se aventurariam e iam pescar para outras terras onde permaneciam lá temporadas, quando havia maior abundância de peixe, ou o pescador tinha melhores condições, onde lhes pagavam melhor! A 50km a sul de Monserrate, Viana do Castelo, fica a cidade de Vila do Conde, uma cidade que durante muitos séculos viveu virada para o mar! Tal como Viana do Castelo, uma cidade litoral, em que a maioria da população dedicava-se à faina da pesca. Em Vila do Conde ainda hoje existe um lugar, um bairro chamado Caxinas, alguns estudiosos / historiadores também aplicam, usam o nome Caxina, no singular e outros historiadores com conhecimentos profundos sobre a história de Caxinas, escrevem mesmo Cachina e eles de Cachineiros. É muito provável e o meu muito é mesmo um muito a rondar a certeza! Que o sobrenome Cachina teve origem em um ou mais dos antepassados do seu João, terem passado umas épocas a pescar em embarcações de Caxinas e quando regressavam à terrinha, Monserrate, começou a ser alcunhado/apelidado de Cachina, “lá vem o Cachina”, por em Caxina/Caxinas, passar/em parte da sua vida na vida ardua de pescador!
Esta é a minha opinião. Não devo estar errado!
Talvez você que está atento a ler este meu texto, se dispor a perder mais uns minutos, abra a ligação abaixo e o que lerem vai ao encontro da minha opinião como teve a origem do sobrenome Cachina em Monserrate, Viana do Castelo!
http://caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt/186992.html
Uma última nota. Pelo facto de ninguém ao longo das décadas ter tido acesso aos documentos Portugueses do seu João. Sempre
foi falado entre parentes e ter sido publicado em blogs do universo da internet que seu João foi para o Brasil no ano de 1896!
Agora é possível dizer com firmeza que o seu João foi para o Brasil no ano de 1897. Inícios de 1897, Janeiro de 1897, o mais tardar Fevereiro desse ano!
Aproveito para desejar a toda a família Cachina um maravilhoso NOVO ANO de 2017, cheio de amor, paz e saúde! Assim como igualmente desejo a todos meus amigos do FB !

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