sábado, 14 de janeiro de 2017

A GENIALIDADE DO POETA DO SERTÃO


Poeta repentista (violeiro), gracioso e irreverente, era assim Onésimo Maia, nascido no lugar denominado Chafariz, distrito do importante município de Mossoró, oeste potiguar. Apesar de não ter sido conhecido nos grandes centros do Brasil, Onésimo era reconhecido como um dos melhores da terra norte-rio-grandense. Conta-se que numa das suas apresentações na década de oitenta, Aluizio Alves candidato a governador, assistindo a apresentação dele, Onésimo, colocou no pires a sua colaboração, uma certa quantia em dinheiro. Agradecendo, sem a intenção de querer denegrir a imagem daquele candidato, político de nome nacional, Onésimo versejou com graça, para risos dos circunstantes:

Dr. Aluízio Alves agora compareceu
Vou conferir o meu bolso
Para ver quanto ele me deu
Que Aluízio é muito vivo
Pode ter levado o meu.

Certa vez, a dupla Onézimo e Aldacir de França, fora contratado para se apresentar em certo lugar. Eles, Onézimo e Aldacir solicitou do contratante o dinheiro adiantado, para então poder começar a cantoria. Com muita conversa, conseguiu receber a quantia combinada. No final da apresentação o dono da festa solicitou dos referidos violeiros, uns versos em sua homenagem. E assim, fora atendido. Vejamos:

Quando eu voltar aqui
Seu menino tem crescido
Sua filha tem casado
Já tem deixado o marido
Sua mulher já tá com outro
E o senhor já tem morrido.

De outra feita, Onézimo cantava com Manuel Basílio, que lhe dera o mote: “O homem desempregado” que, por sinal, um tema muito atual, Onézimo pegou na deixa:

O homem desempregado
Só ganha salário fraco.
Quando ele faz uma feira
Vem o diabo e rasga o saco;
Fica com os dedos dentro,
Enlarguecendo o buraco.

O poeta Severino Ferreira depõe que numa cantoria realizada em Natal, na casa de um amigo chamado Francisco Pinto ou Chico Pinto como era mais conhecido. Onézimo cantando com o colega Domingos Tomás, elogiando o dono da casa, soltou estes versos:

Vou fazer um trocadilho
Com o nome deste vivente,
O nome de Chico Pinto:
Pinto atrás, Chico na frente;
Pinto voa, Chico anda;
Pinto é ave, Chico é gente.

Certo repentista cantando com Onézimo, disse a seguinte estrofe:

Lamento muito o sofrer
Da criança abandonada.

Onésimo numa feliz inspiração, viola já afinada, mandou o verbo:

Se na ponta da calçada
Alguém compra um picolé,
Cai uma prata do bolso,
Ela cobre com o pé
E fica com muito medo
Pra quem perdeu não dá fé.

(Por Fernando Caldas)

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