sábado, 24 de junho de 2017

Por João Celso Neto
Quando eu nasci (janeiro de 1945), Getúlio Vargas era o ditador havia pouco mais de 7 anos, embora no poder desde 1930, com o golpe dado por ele em novembro de 1937 criando o chamado Estado Novo e outorgando ao país uma nova Constituição, chamada de Polaca.
Derrubado por um golpe militar (na verdade, renunciou ante a iminência de ser deposto por um golpe militar), comprovou sua popularidade ao voltar à presidência da república pelo voto popular nas eleições realizadas em 1950, com 48,73% dos votos válidos, mas nas eleições que se seguiram à sua derrubada, realizadas em dezembro de 1945, fora eleito senador por São Paulo e Rio Grande do Sul (seu estado natal). E dera seu apoio à candidatura de Dutra como forma de abalar a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes, o mesmo que derrotaria cinco anos depois.
Do Catete, como se sabe, saiu em agosto de 1954 nos braços do povo para ser sepultado na cidade de São Borja, onde nascera, ao se suicidar. Certamente, nem mesmo os enterros de Juscelino e Tancredo superaram a imensa manifestação e comoção verificadas em 1954.
Há consenso quanto a ter sido um governante populista, fundador de um partido trabalhista (PTB) depois de ter sido do PRR (Partido Republicano Rio-grandense). Ou seja, fora um chimango na política gaúcha durante sua vida política anterior.
Passados mais de 60 anos de sua morte, Vargas ainda é considerado um pai da pátria e dos pobres. Tal como se dizia de D. Pedro II, a massa se sente saudosa de Getúlio, mesmo quem ainda nem nascera quando ele governou, computando seu legado de direitos ao trabalhador: criou a Justiça do Trabalho, instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, a carteira profissional, a semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas. E o que talvez haja sido sua maior obra, a criação da Petrobrás, depois da criação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Vale do Rio Doce e da Cia. Hidrelétrica do Vale do São Francisco. O IBGE também foi criado durante seu governo. Dessa forma, inegavelmente, foi nacionalista, mesmo sofrendo influência dos regimes europeus nazista (Hitler) e fascista (Mussolini).
Seu PTB hoje está ideologicamente muito longe de ser aquele criado por ele (e pelo qual Brizola brigou, mas perdeu). Não sei o quanto Getúlio aceitaria nos quadros partidários do PTB alguns que se utilizaram, e ainda se valem, da sigla na tentativa de ganhar eleições louvando seu legado. A meu ver, políticos como Sandra Cavalcante (sabidamente lacerdista até a medula) devem ter feito Vargas se revolver na tumba.
Por que trago isso à memória, sobretudo dos jovens? Para mostrar, sem saber se logro êxito, que o endeusamento de certos políticos que permanecem no imaginário popular é algo perigoso, quem sabe, irracional. A Argentina teve Perón, no rastro de quem teve (ao findar-se o período dos governos militares) como presidentes Héctor Cámpora. María Estela Martínez, Carlos Menem, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e Cristina Kirchner.
O Brasil não pode correr o risco por não aprender com o próprio passado e o que viu aconteceu tão próximo.

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