sábado, 1 de julho de 2017

Lembrando Andière Abreu

Andière Abreu ou “Majó” como era habitualmente chamado, era meu amigo e conterrâneo. Poeta dos bons do Assu, “onde a poesia eterna, mora”. A sua predileção para versejar era a glosa (décimas), porém, escrevia sonetos classicamente metrificados.Bom de copo, de garfo e de prosa também. Eu tive o prazer de gozar da sua amizade e com ele tomar ‘umas e outras’, nos bares de Natal e Assu, nossa terra natal querida. Ele, Andière, "sonhou e amou ao compasso de muitas violas e sob inspiração de muitos sorrisos, imaginou a própria lua enamorada de suas farras e fanfarras." – E escreveu aquele bardo potiguar, no seu romantismo, o soneto que evoco:

Não quero ver tristeza em teu rosto
Nem que alguém pense um dia magoá-la,
Que nem em sonhos sintas um desgosto
Para tê-la feliz quando abraçá-la.

Quero que te sintas bem ao teu gosto
Sempre sorridente quero encontrar-te
Que todo o teu ser viva bem disposto
Para em teu altar poder venerar-te

Eu te darei o mar, céu e uma estrela
Se for ainda pouco para tê-la
Dar-te-ei o sol com todo calor.

Tenho muita coisa para te dar,
Com pouco a exigir sem reclamar
Quero apenas ter só o seu amor.

E ainda, com amor e paixão, implora o poeta nos versos (glosa) adiante:

Eu estou muito sofrido
De mim tenha compaixão
Esqueça a palavra "não"
Ouça bem o meu pedido.
Um coração já transido
Mas que luta com ardor
Não quer se entregar à dor
E implora: "diga-me sim"
Pois um não será meu fim
Dê-me um pouquinho de amor.
Pena que Andère tombou ferido de morte, numa manhã de 26 de junho último, aos 86 anos de idade,deixando a terra Norte-rio-grandense, deserdada da sua arte poética. E nesses versos (glosa) premonitório, escreveu o bardo Andière:

Vou deitado mas, ativo
Olhando bem pra vocês,
Já que só morro uma vez
Quero ouvir música ao vivo.
O momento é emotivo
Mas temos que superar
Cantem sim, quero escutar
Letras lindas de seresta,
Façam pra mim uma festa
Quando forem me enterrar.
Afinal, deixo aqui registrado a minha homenagem póstuma ao amigo Andière, nos versos conforme adiante:

"(..) Poeta imortal!
Tirou “a camisa da vida” e não morreu!
O seu corpo é que ficou no chão...
O espírito voou
Para alcançar
Um mundo diferente...
Nas estrelas ou nos astros."

Fernando Caldas

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