segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

OTHONIEL MENEZES X ELOY DE SOUZA

"Depois da Revolução de 1930, cafeísta (“péla-bucho”), Othoniel Menezes continuou a fustigar os grupos remanescentes, os “decaídos”, os “perrepistas” – e Eloy de Souza era um desses, de carteirinha.
A verdade é que, apesar de todos esses pesares, os dois “contendores”, em
tempo algum se intrigaram, definitivamente. Cumprimentavam-se
educadamente, respeitosamente, quando se encontravam. Mesmo depois
de Eloy ir à forra, solenemente. A história era contada como estória, e
narrada sob boa dose de risadas, inclusive as do próprio Poeta.
Presidente da Caixa Econômica no Rio Grande do Norte, cargo equivalente,
hoje, a superintendente regional do banco estatal, um belo dia, por insis-
tência de Esmeraldo Siqueira, que já havia obtido pleníssimo sucesso num
empréstimo, “Doutor Eloy”, recebe a dupla de poetas. Depois das amenidades,
do animado bate-papo sobre literatura, recordações mil sobre
Henrique Castriciano, Othoniel, desconfiado, pleiteou o papagaio, para a
devida e competente consignação em folha. Foi um desastre: o velho
perrepista Eloy, mandando servir o cafezinho de praxe, negou, sumariamente,
os poucos cruzeiros almejados e, de lambuja, sereno, sentenciou:
“Nada posso fazer, poeta Othoniel. Lembre-se de que, para Vossa Mercê,
sou um mosquito africano, um mero anopheles gambiae da literatura...
potiguar!”. E nada mais disse, nem nada mais lhe foi perguntado..."
(OTHONIEL MENEZES, Obra Reunida, Nota de Laélio Ferreira de Melo)


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