EM DELÍRIO Por que é que nós vivemos tão distantes, Si estamos neste sonho todo incerto: - Eu ao teu lado em pulsações vibrantes, E tu, longe de mim, sempre tão perto? E é isso como um lúgubre deserto onde andem as chamas palpitantes Deste amor, deste amor que vive aberto para os teus cem mil beijos escaldantes! Amo-te! E fui-te sempre à eterna esquiva... Mata-me agora esta aflição tão viva Que explode em mim, que no meu seio estua... Que tu não sejas meu, pouco me importa... Mas tira-me esta dor que me transporta A este desejo eterno de ser tua! (Carolina Bertholo) ___________em, revista Fon-Fon, Rio de Janeiro, 1924.