FERNANDO CALDAS - SOBRE TUDO

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Rosa - Marisa Monte

A misteriosa Ilha de Manoel Gonçalves

Por João Felipe da Trindade
A misteriosa Ilha de Manoel Gonçalves
Manoel Rodrigues de Melo tinha um sonho de escrever um livro sobre Macau, comemorativo ao 1º centenário desse município. Estava escrevendo, também, um livro sobre a família Rodrigues Ferreira, pois descendia do português Manoel Rodrigues Ferreira, um dos que deixaram a Ilha de Manoel Gonçalves para povoar Macau. Foi juntando informações, mas não sei se deixou alguma coisa pronta desses dois desejos. Mas, aqui e acolá vamos encontrando alguns registros deixados por ele.
Por um artigo na revista Bando, escrito por Manoel Rodrigues, sabe-se que houve um saque por parte dos ingleses, em 1818, na Ilha de Manoel Gonçalves. Nesse mesmo artigo cita o individuo Alexandre José Pereira como Chefe do Degredo da Ilha, revelando um lugar para cumprimento de pena. Há nesse mesmo documento trechos de uma carta escrita pelo Capitão João Martins Ferreira para o Governador José Ignácio Borges.
Não se sabe, exatamente, quando a Ilha de Manoel Gonçalves surgiu. Tampouco se sabe o ano em que ficou totalmente coberta. Se cogita, também, a possibilidade dela ressurgir. Há dúvidas, até hoje, quanto à origem do seu nome. Uns falam que se originou de um sesmeiro que a possuía, mas nunca apresentaram uma Sesmaria concedida a Manoel Gonçalves. Outros dizem que Manoel Gonçalves era um piloto que a descobriu. Como a ilha é de Manoel Gonçalves, poderia seu nome ter se originado de alguém com esse nome que viveu por lá. Talvez algum documento, ainda escondido, possa esclarecer mais adiante essa incógnita.
Acho que era um ponto de muitas atividades, e que muitas pessoas que tinham interesses na Ilha não viviam na mesma, mas sim, em algumas fazendas naquela região. Ali houve muitos casamentos e batismos. Passaram por lá padres, freis, militares, comerciantes, navegadores, degredados e outras pessoas em busca de oportunidades. É, entretanto incrível como poucas informações nos chegaram até hoje, por parte dos que moraram ou tinha algum negócio por lá. Nem os descendentes, dos que viveram ou passaram por lá, trazem informações mais precisas sobre a Ilha.
Encontramos o seguinte trecho no livro “A indústria extrativa do Sal e a sua importância na economia do Brasil” de Dioclécio Duarte
“Deixamos atrás a ilha de Manoel Gonçalves, que as águas arrebataram, há um século, criando a lenda da nova Atlântida nas terras do nordeste brasileiro. Para essa ilha, os antigos piratas, reza a tradição, conduziam o ouro que roubavam dos barcos que singravam o oceano.”
Manoel Rodrigues de Melo escreveu, sobre uma disputa de terras, entre os compadres Francisco Trajano Xavier da Cunha e o Capitão João Martins Ferreira, habitante da Ilha de Manoel Gonçalves, na Revista da Academia Norte-riograndense de Letras, de número 11, o que se segue:
“A Ilha de Manuel Gonçalves já não existia, em 1836, como centro de comércio e porto de pescaria, mas, tão somente como ponto de referência de um mundo velho que desaparecia em face de um novo mundo que surgia
E a prova é que, três anos depois, em 1839, realiza-se na povoação de Macau, em casa de aposentadoria do Capitão André de Sousa Miranda, Juiz de Paz Suplente, uma audiência, em que o Escrivão de Paz do Distrito de Guamaré, Antonio Carneiro da Costa, tomava por termo uma Petição de conciliação em que eram partes como Autores os Capitães Jacinto João da Ora, Francisco Trajano Xavier da Cunha, José Pedro da Silveira, Tenente Coronel João Marques Carvalho, e como Réus o Capitão João Martins Ferreira e sua mulher Dona Josefa Clara Lessa.”
A essa audiência compareciam, como procurador de José Pedro da Silveira, Tomas Vieira de Melo, e como procurador do Tenente Coronel João Marques de Carvalho da Silva Loureiro, o Coronel Jerônimo Cabral Pereira de Macedo.
Este documento, trás, a meu ver, muita luz à história de Macau, pois nele figuram Jacinto João da Ora e João Martins Ferreira, dados como fundadores da nova povoação, além do Coronel Jerônimo Cabral Pereira de Macedo, que teria mais tarde, grande atuação, na elevação à categoria de Vila e depois Cidade de Macau.
Além disso, as terras em questão eram as sobras denominadas Canafístula, da data do Curralinho, e Águas Novas, do mesmo município, ainda hoje conhecidas por estes nomes.”
Para concluir, transcrevo um registro de casamento na Ilha de Manoel Gonçalves, no ano de 1830, e um batismo em 1840. Lembro que Francisco Lopes Galvão casou na Ilha, em 1835, com Felipa Maria da Conceição.
“Aos dezoito dias do mês de Julho de mil oitocentos e trinta pelas nove horas da manhan na Capela de Nossa Senhora da Conceição da Ilha de Manoel Gonçalves, com minha presença e das testemunhas abaixo nomiadas, se receberão por Esposos presentes, Nicolau Vieira de Mello e Maria Francisca da Fonseca meus fregueses, Dispensados os Proclamas pelo Ilustríssimo e Reverendissimo Senhor Doutor Provisor. O Esposo de vinte e seis annos, filho legitimo dos fallecidos Vicente Correa de Mello e Maria Dantas Faria, a Esposa de vinte e dous annos filha legitima de José Antonio da Fonseca e Maria Magalona, naturaes e moradores neste Assu e sem impedimento logo lhes dei as bênçãos matrimoniaes, sendo primeiramente confessados e examinados na Doutrina Christan, presentes por testemunhas o Capitão João Martins Ferreira e o Capitão Silvério Martins de Oliveira, casados, todos deste Assu, e para constar fis este assento em que me assignei, Joaquim José de Santa Anna, Parocho do Assu.”
O último registro que encontrei, até agora, na Ilha de Manoel Gonçalves, foi o batismo de Maria, filha de Francisco de Sousa e Maria Ferreira, na data de 23 de Novembro de 1843, pelo Coadjutor Francisco Urbano de Albuquerque Montenegro. Esse mesmo Coadjutor esteve batizando no dia 25 em Alagamar, no dia 26 na Boca do Rio e em 1 de Dezembro, do mesmo ano, nas Oficinas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

JESUINO BRILHANTE, O FILME

Em 1972 o povo hospitaleiro e generoso do Assu de tantos poetas, de tradições pioneiras, recebeu um grupo de atores (cabeludos) cinematográficos, para que aquela cidade e região, fosse cenário principal do primeiro filme longa metragem produzido no Rio Grande do Norte, intitulado "Jesuíno Brilhante, O Cangaceiro", produzido pelo cineasta potiguar de Ipanguaçu/RN, então radicado no Rio de Janeiro, onde veio a falecer em 1991 chamado artisticamente de William Coobet (Cosme na tradução, seu sobrenome de registro, família tradicional daquela terra ipanguaçuense).


O filme tem fotografia de Carlos Tourinho, música de Mário Pariz e o seu protagonista é Neri Vitor, produção de Eliana Coobet. É uma produção em Eastmancolor. Suas filmagens tem duração de 1h40m., 35mm e o seu produtor associado é Jonas Garret. O enredo é sobre o cangaço e o gênero é de aventura - rodado que foi em reprise com destaque no 15º Festival de Cinema de Natal, realizado no mês de julho de 2006. Fez sucesso no Brasil e foi rodado especialmente a convite no Festival de Moscou, em 1973. Algumas das suas cópias estão espalhadas em diversos países como Russia, Espanha, Romênia, Checoslováquia, Índia e Polônia.

Conta a história de um cangaceiro romântico chamado Jesuíno Alves Calado (Jesuíno Brilhante), nome que herdara de seu tio, também cangaceiro. Jesuíno nasceu no sítio "Tuiuú", distante sete quilômetros da cidade de Patu, região oeste do Rio Grande do Norte.

Câmara Cascudo depõe que Jesuíno "é o primeiro cangaceiro na memória do oeste norte-rio-grandense. Deixou funda lembrança de valentia, destemor e fidalguia. Era o aut-low gentlil homem, imperioso, arrebatado, incapaz de insultos por vaidade ou de uma agressão inútil."

Voltando ao filme, participaram da filmagem, artistas de nome nacional como Neri Victor, Rodolfo Arena (como Soares), Vanja Orico (como Maria de Goes - lembro-me que Vanja fora hóspede da escritora Maria Eugênia - além de Waldir Onofre (como Zé), Miltom Vilar (como Francisco Limão), Hilda Melo (como Margarida), Maria Lucia Escócia (Jesuíno´s Mother), Wandick Wandré, Rojerio Tapajós (como Silvestre), Eriel José (como Jojeu), Helio Duda (como Juvenal), Mário Paris (como Cobra Verde, Anteór Barreto (natural de Ipanguaçu), além de Regina Accioli, Clementina de Jesus, Jesiel Figueredo (ator potiguar que fez uma cena no Forte dos Reis Magos como o governador da província), Tony Machado, Rui Marques, Daniel Rosental e Nestor Saboia.

Varias pessoas da sociedade assuense deram a sua colaboração como figurantes. Entre tantos: Pedro Cícero de Oliveira, José Caldas Soares Filgueira Filho (Dedé Caldas), Zélia Amorim, Francisco Evaristo de Oliveira Sales (dr. Sales) que foi médico em Assu durante décadas, José Marcolino de Vasconcelos (Dedé de Aiá), Raimundo Márcio Borges de Sá Leitão (Itinho de Durval), Monte Lacerda, Fernando Montenegro, entre outros.

Além do município do Assu, as filmagens fora produzida em Ipanguaçu, Mossoró, Tibau, Patu e nos cerrados de Lages, bem como na cidade do Natal, onde fora concluída a filmagem.

Voltando a vida de Jesuíno, Sinhazinha Wanderley no livro de Walter Wanderley intitulado Família Wanderley, 1965, conta que no Assu existiu um pequeno museu onde se encontrava exposto um pedaço do osso do braço de Jesuíno Brilhante que fora morto pela polícia da paraíba no lugar denominado Palha, distrito do Estado da Paraibano.

Fica, portanto, esse registro, como um fato cultural de muita relevância para o Assu, pois, esse filme é patrimônio cultural que deve ser relembrando e ficar catalogado nas paginas da historia assuense e do Rio Grande do Norte.

Fernando Caldas



domingo, 25 de agosto de 2019

TROVINHAS DE RENATO CALDAS


Renato Caldas viajando de Assu com destino à Natal, deu uma paradinha num certo restaurante à beira da estrada, para almoçar e tomar ''umas e outras'. Depois de uma dúzia de cerveja, pediu a conta e prosseguiu viajem. Ao chegar no lugar de destino, encontrou entre a sua bagem, uma colher que,.provavelmente, seria do restaurante onde antes teria almoçado e bebido cerveja. Aquele recinto tinha uma garçonete  muito bonitona que carinhosamente era chamada "Chiquinha", mulher que ele, Renato,  muito admirava. Dias depois, de volta ao Assu, sua terra natal, parou naquele mesmo restaurante e, ao adentrar naquele recinto foi logo em direção a Chiquinha, entregando a ela, uma um papel de cigarros com a inscrição que diz assim:

Estou de volta, Chiquinha,
Pra trazer sua colher.
De coisa que não é minha
Eu só aceito mulher.

Renato, aos seus 70 anos de idade,  já sentia o peso da idade, a tristeza da cegueira (catarata quando não ainda não tinha cura), trovou com aquela irreverência que lhe era peculiar:

Está cegando Renato,
Pois, um objeto qualquer
Só conheço pelo tato...
Principalmente mulher.

E essa outra trova afirma o quanto ele, Renato, era conformado com a cegueira que lhe acometera durante grande parte de sua vida. Vejamos:

Meus olhos estão cegando,
Não maldigo a escuridão!
Pois cinto que vai raiando
A luz da conformação.

Nas eleições municipais de 1988, eu, Fernando Caldas, o editor deste blog, disputei a reeleição para vereador. Passando pelo centro da cidade me deparo com certo vendedor de canjica (iguaria típica da culinária do Nordeste brasileiro). Comprei aquela iguaria e pedi ao vendedor que entregasse a Renato Caldas. Dito e feito. Renato entendeu que eu estava querendo agradá-lo, para conquistar novamente o seu voto. Ele não perdeu a oportunidade, me enviando por aquele vendedor, essa trovinha escrita num pedacinho de papel:

Fernando, você triste fica
A proposta não convém,
Por um prato de canjica
Eu não voto com ninguém.

Chico Dias, Mirranha, Bodinho e JB, são figuras folclóricas da cidade de Assu. Nas eleições municipais de 1976, ambos se candidataram disputando uma cadeira na Câmara Municipal da terra assuense. Amos usavam o mesmo carro de som para falar ao povo da cidade e fazer a propaganda política. Chico era estudante, Mirranha motorista de profissão, Bodinho era funcionário da prefeitura (fiscalizava a carne vendida na pedra do Mercado Público) e JB, funcionário aposentado dos Correios que gostava de tomar 'umas e outras'. Pois bem, ficaram sendo chamados por adversários políticos local, como palhaços. Chico procurou Renato para fazer um versinho em sua defesa e dos demais. Renato trovou:

Dias fala aos estudantes,
Mirranha aos motorista.
Bodinho fala aos marchantes
Aos bêbados fala Batista.

Renato Caldas veraneando na casa de praia de seu cunhado Manoel Soares Filgueira Filho, mais conhecido como Bilé Soares (Bilé era pecuarista no Vale do Açu e fora superintendente da Caixa Econômica Federal/RN, nomeado por Café Filho, quando presidente da república, ambos eram amigos íntimos). Noite alta, acordou e, ao sair de casa para apreciar as belezas do mar, escreveu a trova (Conta-se que Câmara Cascudo muito apreciava esses versos), escreveu no melhor de sua inspiração, irreverência e criatividade poética:

Saí de casa andando,
Com vontade de mijar
E vi a lua cagando
No penico azul do mar.

Num certo Concurso Nacional de Trovas que tinha como tema "A Andorinha", Renato participou e, como não podia ser diferente em razão do seu estilo irreverente de poetar, mandou essa trova, pra sua desclassificação:

Uma andorinha assustada
Por cima dos capteis,
pensa em dar uma cagada
Na cabeça dos fiéis.

O ex-deputado  estadual Nelson Montenegro reunia costumeiramente amigos em sua casa da praça Getúlio Vargas ou praça da Matriz, para um amistoso bate-papo. Renato era um dos seus frequentadores assíduos. Pois bem, Nelson Certa vez fora picado por um potó (inseto de mijo ardente). Renato escreveu:

Sofre o pobre e sofre o rico
Todos tem o mesmo fim.
Porém, eu não sou penico
Pra potó mijar em mim.

Renato andou o Brasil de ponta a ponta, nas suas intermináveis andanças de romântico caminheiro, no dizer de Expedito Silveira. E de ponta a ponta ficou conhecido. Visitando a  cidade de Pedreira, interior do Piaui, alguém lhe pedira para fazer um verso em homenagem aquela terra piauense. Renato Caldas não deixou para depois:

Jardim de pedras imensas
No engate da pedra bruta,
Quem disse que esta merda presta
É um grande filho da puta.

Fernando Caldas

Capitão Manoel Varella Barca, lá de de Assú (III)


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)

Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Manoel Varella Barca fez seu testamento em 10 de abril de 1844, na Fazenda Sacramento, tendo sido escrito por João Martins de Sá Junior. Nas suas disposições destacou uma sorte de terras, chamada Sítio Caeira ou Mutamba, herdada dos seus pais, para Maria Beatriz e Manoel de Mello Montenegro Pessoa, em atenção a fiel amizade que ambos dedicaram a ele. Fez, também, um destaque especial para a neta e afilhada Lusia Leopoldina, casada com Felis Francisco da Silva, em atenção à pobreza em que se achavam.

O segundo casamento do capitão Manoel Varella Barca foi com Dona Francisca Ferreira Souto, como vimos no primeiro artigo desta série. Vamos, pois, escrever um pouco sobre os filhos desse casal.

Domingos Varella Barca, com a idade de 20 anos, casou, em 9 de abril de 1823, na Fazenda Estreito, com Dona Gertrudes Lins Pimentel, 22 anos, filha de João de Souza Pimentel e Dona Josefa de Mendonça Lins. Houve dispensa pelo parentesco em que estavam ligados. Estavam presentes João Maurício Pimentel e Francisco Varella Barca, ambos casados.

Rosa Francisca Ferreira Souto, outra filha de Manoel e Francisca, com 29 anos de idade, casou, também, na Fazenda Estreito, em 11 de maio de 1833, com José da Fonseca Silva, de 28 anos, filho legítimo de João da Fonseca Silva, falecido, e dona Anna Maria de Jesus. Estavam presentes João Pegado de Sirqueira Cortez, casado, e Gaspar Freire de Carvalho, solteiro.

De Dona Maria Beatriz Paz Barreto não encontrei o registro de casamento. Era casada com Manoel de Mello Montenegro Pessoa, natural de Goianinha. Ovídio, filho desse casal, nasceu aos 16 de novembro de mil oitocentos e trinta e cinco, e foi batizado, pelo Vigário Colado do Seridó, na época visitador, Francisco de Brito Guerra, em 6 de janeiro de 1836, na Matriz de São João Batista do Assú. Teve como padrinhos José Varella Barca, solteiro, e Angela Garcia de Araújo Freire, viúva; Manoel, outro filho de Maria Beatriz e Manoel de Mello, nasceu aos vinte e quatro de outubro de 1836, e foi batizado pelo vigário de Santana do Matos, Padre João Theotonio de Sousa e Silva, na Matriz de Assú, aos trinta do mesmo mês e ano. Foram padrinhos o capitão Manoel Varella Barca, casado, e Maria Hermelinda de Albuquerque Montenegro.

Maria Francisca Silvina Souto tinha 26 anos quando casou, em 22 de Agosto de 1833, no oratório de José Varella Barca, com o português João Rodrigues de Mesquita, 30 anos, filho legítimo de Antonio Rodrigues de Mesquita e Maria Joaquina, ambos falecidos. Estiveram presentes João Pio Lins Pimentel e Francisco Varella Barca, casados.

João Pio Lins Pimentel, citado acima, filho de João de Sousa Pimentel e Josefa de Mendonça Lins, casou, em 30 de janeiro de 1826, na Matriz de Assú, com Francisca Ferreira Souto, outra filha de Manoel e Francisca Ferreira Souto. Foram dispensados por impedimento no terceiro grau de consanguinidade, atingente ao segundo. Estavam presentes José Varella Barca, ainda solteiro, e Francisco de Sousa Caldas, casado. João Pio era irmão de Gertrudes, esposa de Domingos Varella.

Na época do inventário Dona Francisca Ferreira Souto, a esposa de João Pio, já falecida, foi representada pelos filhos João Pio Lins Pimentel Junior, maior de 21 anos, Francisca Victorina casada com Tertuliano de Alustau Lins Caldas, Irene, Maria, Josefa, Manoel, Júlia e Luis, com 11 anos de idade..

Manoel Varella Barca Junior, outro filho do segundo casamento, tinha o mesmo nome do primogênito de Manoel Varella Barca. Era, também, falecido, na época do inventário do pai. Com vinte e dois anos de idade, casou, em 23 de fevereiro de mil oitocentos e trinta, no sítio (ou fazenda) Estreito, com Ignácia Theodósia de Mendonça, de 22 anos de idade, filha de João de Sousa Pimentel e Dona Josefa Lins de Mendonça, dispensados, também, dos impedimentos que estavam ligados. Estavam presentes, o capitão Manoel Varella Barca e João Maurício Pimentel, casados. Ignácia, como se pode ver dos registros anteriores, era irmã de João Pio Lins Pimentel e Gertrudes.
No inventário, Manoel Varella Barca Junior foi representado por sua filha Francisca Theodósia de Mendonça Caldas, viúva. Não encontrei mais informações sobre essa neta do capitão. Foi seu procurador no inventário, Luiz Gonzaga de Brito Guerra.
José Varella de Sousa Barca, foto enviada por descendente Francisco Varela Barca

Fonte: Hipotenusa
De virilha tem

                       
QUANDO surgiram ovos de granja, foi uma grande novidade. Só adquiria o produto quem tinha condições. Dona Maria Gaxeiro chegou toda faceira na mercearia de Seu Tonico e, adentrando no recinto, ao avistar várias pessoas perguntou em alto e bom tom:
Seu Tunico, o senhor tem ovos de granja?
 Tonico por trás do balcão respondeu:
Tenho não dona Maria...
Ela, saindo toda pedante:
Mas divirilha ter!
Seu Tonico, encarando a desafeta respondeu calmamente:
De virilha tem, vai querer?!...

Fonte: Dez Contos & Cem Causos - Ivan Pinheiro

sábado, 24 de agosto de 2019

Síndrome da fragilidade e risco de queda




Estudos científicos apontam a relação direta com a saúde do idoso e advertem para a necessidade de propostas para a prevenção de riscos.
Com a idade, o organismo passa por alterações sistêmicas nos órgãos e tecidos, com diminuição da sua atividade, redução da flexibilidade, perda de células nervosas, e diminuição do tônus muscular. Este declínio funcional está associado a condições clínicas agravantes, como a síndrome da fragilidade.
Uma questão que pode, à primeira vista, parecer simples, é que a síndrome da fragilidade predispõe o idoso ao maior risco de quedas. A queda leva o idoso a sofrer, primeiramente devido às lesões físicas, podendo também contribuir com alterações psicológicas que podem levá-lo ao isolamento, à hospitalização e à morte. Devido ao aumento da expectativa de vida, o número de quedas vem aumentando consideravelmente. Dados demográficos mundiais apontam que a população com mais de 65 anos, em 2050, deve chegar a quase dois bilhões de pessoas.
Assim, considerando-se a importância do tema, pesquisadores da área iniciaram um estudo para debater o conceito de fragilidade, que foi definida como a “síndrome médica com múltiplas causas, caracterizada pela diminuição da força, resistência e redução da função fisiológica, que aumenta a vulnerabilidade de um indivíduo para o desenvolvimento do aumento da dependência e/ou morte”.
O estudo “Queda e sua associação à síndrome da fragilidade no idoso: revisão sistemática com metanálise”, publicado Revista da Escola de Enfermagem da USP, em 2016, teve como objetivo realizar uma revisão sobre os conhecimentos científicos já publicados sobre esse tema.
Os estudiosos obtiveram um total de 19 estudos.
Dessas 19 pesquisas avaliadas, a maior prevalência de quedas foi no estudo longitudinal prospectivo, realizado com 315 idosos de 11 comunidades de três municípios da Suécia. Os resultados revelaram que 93% sofreram queda e, 58,8%, fragilidade. Os dados ainda mostraram uma população de 40 a 6.724 idosos, com idades acima de 65 anos. A prevalência de queda no idoso frágil variou de 6,7% a 44%. Houve evidência de que a queda está associada à presença de fragilidade do idoso.
Nas 19 pesquisas, a maior ocorrência de quedas foi com o sexo feminino, que variou entre 55,4% e 85,4%, dependendo do tipo de estudo, do local, da população, da amostra, da faixa etária e dos instrumentos de avaliação. Além disso, mostrou que as idosas têm mais tendência a ficar frágeis e a cair mais.
QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a queda como um acontecimento involuntário, com perda do equilíbrio, que leva o corpo ao chão ou a outra superfície. As maiores taxas de mortalidade por queda são de pessoas com mais de 60 anos.
  • Segundo o Ministério da Saúde, em 2015 houve 13.900 mortes de pessoas de 60 anos ou mais devido a quedas, número que subiu para 14.832 em 2016 e 15.667 em 2017.  O idoso que vive na comunidade geralmente sofre menos quedas que idosos institucionalizados e hospitalizados. A queda está associada à fragilidade devido à perda de massa muscular, denominada de sarcopenia. Doenças crônicas, o déficit cognitivo, o delírio e o consumo de diferentes medicamentos, especialmente diuréticos ou betabloqueadores, aumentam o risco de quedas.
  • A queda é a segunda causa de morte por lesões acidentais não intencionais, e, anualmente, 37,3 milhões de pessoas que sofreram queda precisam de atendimento médico.
Quedas, hospitalizações e óbitos
Outro estudo, denominado “Impactos da Fragilidade sobre desfechos negativos em saúde de idosos brasileiros”, realizado por pesquisadores de universidades de Minas Gerais, teve como objetivos verificar a relação entre fragilidade e a ocorrência de quedas, hospitalização e óbito em idosos brasileiros.
Para isso, os pesquisadores selecionaram uma amostra representativa de idosos moradores do município de Juiz de Fora (MG). Foi realizada avaliação quanto à fragilidade, condições sociais, demográficas e de saúde no ano de 2009. Entre os anos de 2014 e 2015, foi realizada uma reavaliação quanto aos desfechos negativos na saúde destes idosos.
Os resultados demonstram uma maior incidência de quedas, hospitalização e óbito entre os frágeis. O grupo frágil também apresentou risco aumentado de morte. Já os pré-frágeis apresentaram risco 58% maior de quedas e 89% maior de morte em relação aos indivíduos não frágeis. A fragilidade, assim como a pré-fragilidade, pode aumentar o risco de eventos negativos na saúde de idosos.
Referencias:
Jack Roberto Silva Fhon, Rosalina Aparecida Partezani Rodrigues1 e Maria Lucia do Carmo Cruz Robazzi1, da Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (SP), Departamento de Enfermagem Fundamental, Brasil.
Wilmer Fuentes Neira, da Universidad de Ciencias y Humanidades, Facultad de Ciencias de la Salud, Lima, Peru.
Violeta Magdalena Rojas Huayta, da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Escuela Académico Profesional de Nutrición, Lima, Peru.
Sergio Ribeiro Barbosa, da Fundação Instituto Mineiro de Estudos e Pesquisas em Nefrologia. Juiz de Fora (MG – Brasil)
Henrique Novais Mansur, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Sudeste de Minas Gerais, Faculdade de Educação Física. Rio Pomba (MG – Brasil).
Fernando Antonio Basile Colugnati, da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG – Brasil), Faculdade de Medicina/Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Saúde.
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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O que foi o Arpege? Prédio está caindo aos pedaços



Argepe foi uma boate/cabaré que existiu até a década de 1990, ficava na Rua Chile, na esquina com a Travessa Venezuela. Assim como o Maria Boa, ele foi o espaço bastante conhecido pela boêmia potiguar. Hoje, o prédio está completamente destruído, os pavimentos superiores foram derrubados com a falta de reparos. Agora, nós vamos contar a história deste patrimônio da cidade.
O prédio foi construído no século XX por um família de alemães, tendo inicialmente funcionando como um armazém para depósito chamado “Secos e Molhados”.  Em 1941, o empresário Nestor Galhardo adquire parte da edificação, tendo o intuito de instalar sua própria gráfica, ocupando apenas o pavimento térreo.
De acordo com a dissertação de mestrado de Gilmar Siqueira, a Segunda Guerra Mundial, Galhardo decidiu abrir um cabaré no pavimento superior, que seria administrado por sua amante e cuja entrada era feita através da Travessa Venezuela. O nome oficial do prédio é Edifício Galhardo. 
Reza a lenda que os presidentes Franklin Roosevelt (EUA) e Getúlio Vargas quando visitaram a capital potiguar, em 1941, teriam passado no cabaré.
Após a morte do seu proprietário, o  Nestor Galhardo Neto assume a administração dos negócios contidos no imóvel. Durante algum tempo, a gráfica permaneceu em atividade e, após alguns problemas ocasionados a gráfica ficou fechada.

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Foto: Fernando Caldas

O local serviu como cenário para dois filmes, o “For All- Trampolim da Vitória” e “O Homem que Desafiou o Diabo”.

Cabaré Arpege quando ainda estava inteiro
Cabaré Arpege quando ainda estava inteiro (Foto: Zé Paulo Cardeal)

No ano de 2005, o imóvel é adquirido pela empresária carioca Paula Homburger, que acreditou no projeto de revitalização da Ribeira. A intenção era construir um restaurante no local onde por muitos anos funcionou o cabaré, porém a ideia não deu certo por diversas razões.
Em 2008, parte da estrutura do cabaré da Arpege é destruída com as fortes chuvas na cidade, chegando a ser interditado pelo Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte . No ano de 2010, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas nenhum plano de revitalização ou reforma existe.

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Encontrei você
No mar revolto da vida
Em que, lentamente afundava,
Num dia inesquecível,
Encontrei você.
Mergulhei em ondas de ternura
E nelas me aprofundei.
Cresci no conceito do amor,
Por você me apaixonei.
Minhas andanças sem rumo,
Finalmente encontraram
Abrigo em seu coração.
Ali encontrei a paz
De que tanto necessitava,
Para escapulir no mar revolto
No qual me afundava.
Meu presente enterrou
O passado nebuloso,
Em que estava perdida,
Transportando-me a seus braços,
De onde, nem em sonhos,
Pretendo me afastar.
O pesadelo acabou,
Encontrei a calmaria
De que tanto necessitava...
Hoje, em águas calmas.
Mergulho, sem risco,
De afogar-me em solidão...
Antonia Nery Vanti (Vyrena)
Direitos autorais reservados®
Imagem pinterest
06-06-2019

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Da linha do tempo/Facebook de Pedro Otávio.
Arquivo Nacional
19 de agosto: Dia do Historiador
“A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos” (Cícero).
“Os historiadores são pessoas que se interessam pelo futuro quando este já é passado (Grahan)”.
Hoje é comemorado no Brasil o Dia Nacional do Historiador. A celebração foi instituída pela Lei n° 12.130, de 17 de dezembro de 2009, e a data foi escolhida para homenagear Joaquim Nabuco. Joaquim Aurélio Barreto Nabuco Araújo nasceu em 19 de agosto de 1849, no Recife. Além de historiador, Joaquim Nabuco foi diplomata, jornalista, jurista e deputado geral pela Província de Pernambuco.
Um dos principais líderes abolicionistas do Brasil, Nabuco escreveu ensaios e livros, além de nos legar cartas e discursos, condenando a escravidão. Nessas obras, que podem ser lidas no portal Domínio Público (https://bit.ly/1l2DUss), ele analisava a escravidão sob diversos aspectos (histórico, jurídico, religioso, social e político).
Joaquim Nabuco escreveu também em jornais e revistas. Compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras (ABL) e foi o fundador da cadeira n° 27.
O Arquivo Nacional parabeniza todas as historiadoras e todos os historiadores!
Na imagem, Joaquim Nabuco, sem data. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_35820_009

  Nas Asas da Vida Poema perdido no jardim Eu só queria mãos que me ajudassem arrumar jardins eu só queria braços que me protegessem eu só q...