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Mostrando postagens de julho, 2020

Maria Bethânia - "Sábado em Copacabana" (Ao Vivo) – Dentro Do Mar Tem Rio

SONETO Por João Natanael de Macedo Não te rias de mim! ah! não te rias Ah! não te rias de quem verte o pranto! Dá-me a beber em mórbido quebranto De tua voz as doces sinfonias Leva-me ao céu de eternas fantasias Preso ao teu colo, sob denso encanto De teus olhares, cheios de ardentias Não te rias de mim! Deixa que o Fado Creste-me n'alma a última esperança Mate-me n'alma o sonho meu, dourado! Não te rias de mim, de meu destino. Não te rias assim, doce criança, Que este teu riso é gélico, assassino!
MATOLENGO   Matolengo O autor de caçadas De tiros em antas, em onças em garças... Lá vai Matolengo O livro que leva Das selvas, dos bosques Das matas espessas Lagoas nas bordas Tem bichos nas bordas... Tem amplas caçadas   Meu Deus, Matolengo... Amigos que teve Piratas de livros Piratas de cousas Que cousa...   Ouvi Matolengo Seu gosto é desgosto Seu modo é de fardo Que fardo o seu corpo.   Eu sei do seu corpo Que o bom Matolengo Disperso nas águas Disperso nas matas É folha com o vento...   Lá vai Matolengo... um verso nas folhas Um verso nas rochas Estrofes nas nuvens Estrofes nas pedras Seu canto não pára... Dispara...   Um canto na treva Um trilo Sigilo... É ele quem leva O fardo espingarda...   Parado Tranquilo A face de pedra Caminho de rochas E tochas Pesadas As mãos desvairadas Que abraçam nas rochas.   Ouvi Matolengo Sombrio, cansado Fardado de rochas Fardado de pedras Passando os extremos...   Matolengo... Se roça nas pedras Se r...
BELA ESTRELA DE VÊNUS Bela estrela de Vênus fez tua face que fosses, Pois o véu ainda esconde Diana clara e doce, E até perto das tílias, junto ao pé da colina, Luz meu passo secreto na tua trilha divina. Não no intento noturno por milgalha furtiva, Ou a viajantes levar onde a morte os cativa. É o amor: vou trovar sobre mútuos ardores, Uma ninfa adorada, uma flor entre as flores. Como em meio aos fogos, entre quem Diana impera, Brilham puros os teus, a ornar noite e esfera. André Shénier, poeta francês (1762-1794)
AO CORAÇÃO QUE SOFRE Por Olavo Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros Ao coração que sofre, separado Do teu, no exílio em que a chorar me vejo, Não basta o afeto simples e sagrado Com que das desventuras me protejo. Não me basta saber que sou amado, Nem só desejo o teu amor: desejo Ter nos braços teu corpo delicado, Ter na boca a doçura de teu beijo. E as justas ambições que me consomem Não me envergonham: pois maior baixeza Não há que a terra pelo céu trocar; E mais eleva o coração de um homem Ser de homem sempre e, na maior pureza, Ficar na terra e humanamente amar.

LEMBRANDO IVANILTON GALHARDO

Ivanilton, além de médico neurologista formado pela UFRN, era também compositor, escritor, seresteiro da velha guarda, “médico de cérebro e poeta de coração”. Ele teve uma vida recheada de valores e princípios. Ivanilton se não foi médico da primeira turma, foi um dos primeiros médicos neurologistas formados por aquela universidade. É autor, salvo engano, do livro sob o título ‘Propedêutica Neurológica Essencial’. Lembro-me dele, Doutor Ivanilton ou simplesmente Ivanilton, quando médico de profissão, atendendo no seu consultoria que ficava num prédio de primeiro andar, esquina da rua Princesa Isabel com a João Pessoa, Cidade Alta, bairro de centro da capital potiguar. Isso nos idos de sessenta. Naquele tempo, fui por ele consultado quando eu era ainda adolescente e depois na minha vida adulta. Por sinal, Ivanilton era sobrinho de minha avô paterna pelo lado da família Fernandes de Queiroz, do alto oeste do Rio Grande do Norte. Portanto, é Ivanilton, meu primo em segundo ...

COSTUMES ALIMENTARES DO SERTÃO POTIGUAR NO SÉCULO XVIII – Luís da Câmara Cascudo

LUDOVICUS - INSTITUTO CÂMARA CASCUDO · QUARTA-FEIRA, 8 DE JULHO DE 2020 Fundava-se, sobre base do tradicionalismo patriarcal, a sociedade norte-rio-grandense, no trabalho da pecuária e agricultura. O plano de roças de mandioca garantia a farinha indispensável à alimentação histórica. A ribeira do Apodi, na última década do século XVIII (1791-93, a grande seca, “Seca Grande” como ficou conhecida), produzia 56.640 alqueires de farinha nas freguesias do Apodi, Portalegre e Pau dos Ferros. O rebanho bovino é que se desenvolvia normalmente, criando-se, desde longos anos, a indústria das carnes secas em Mossoró e Açu, tornando-se famosos os portos das “Oficinas de Carne”, ou simplesmente Oficinas, à margem do mesmo rio. Somente em 1788 é que o Capitão General de Pernambuco, D. Tomás José de Melo, proibiu a promissora indústria, permitindo-a apenas do Aracati para o norte. Decorrentemente a carne seca ficou conhecida como “carne do Ceará” em data posterior à tão desassisada medida de adm...
Páginas Aleatórias Curtir Página Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta: - Se lembra de mim? E o velho diz: - não. Então o jovem diz que ele era aluno dele. E o professor pergunta : - O que você está fazendo, o que você faz para viver? O jovem responde: - Bem, eu me tornei professor. - Ah, que bom, como eu? (disse o velho) - Pois sim. Na verdade, eu me tornei professor porque você me inspirou a ser como você. O velho, curioso, pergunta ao jovem que momento foi que o inspirou a ser professor. E o jovem conta a seguinte história: - Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou com um relógio novo e bonito, e eu decidi que queria para mim e eu o roubei, tirei do bolso dele. Logo depois, meu amigo notou o roubo e imediatamente reclamou ao nosso professor, que era você. - Então, você parou a aula e disse: “O relógio do seu parceiro foi roubado durante a aula hoje. Quem o roubou, devolva-o”. - Eu não devolvi porque não queria fazê-lo. - Então vo...
Ouvir estrelas "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?" E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas." (Olavo Bilac)
EM DELÍRIO Por que é que nós vivemos tão distantes, Si estamos neste sonho todo incerto: - Eu ao teu lado em pulsações vibrantes, E tu, longe de mim, sempre tão perto? E é isso como um lúgubre deserto onde andem as chamas palpitantes Deste amor, deste amor que vive aberto para os teus cem mil beijos escaldantes! Amo-te! E fui-te sempre à eterna esquiva... Mata-me agora esta aflição tão viva Que explode em mim, que no meu seio estua... Que tu não sejas meu, pouco me importa... Mas tira-me esta dor que me transporta A este desejo eterno de ser tua! Carolina Bertholo ___________em, revista Fon-Fon, Rio de Janeiro, 1924.
Ó vida! Os teus milagres nem sempre são doçura, mas não me dês tanto, tanto! Não me dês tanto, tanto, tanta amargura! Caldas, poeta do Assu
Ditos populares Dinheiro muito é riqueza Dinheiro pouco é lizeira Muit a conversa é besteira E se for pouca é singeleza Tudo o que é bom tá beleza Se num tá, é fuleiragem Troço demais é bagagem Se for pouquinho é “moqueca” Muito disco é discoteca Desgraça pouca é bobagem Fábio Gomes
Amor não se negocia Não se compra, não se vende Sequer, o.amor se entende Ele acontece, se cria Quem tem a mente vazia Briga, faz um escarcéu Nosso par não cai do céu Sou paciente e espero NÃO DISPUTO QUEM EU QUERO PORQUE NÃO QUERO TROFEU Fabio Gomes
Para se erguer um prédio Tem que existir alicerce Um ser humano não cresce Se é crônico o seu tédio O sucesso faz assédio Devagarinho me encaixo Faço o que certo eu acho Sempre na mesma batida PRA VOCÊ SUBIR NA VIDA TEM QUE COMEÇAR DE BAIXO Fabio Gomes
CREIO Creio na beleza do teu porte, Na doce floração do teu receio. Creio, feliz, no teu melhor anseio E creio-me feliz por ver-te forte. Creio em teus olhos divisar meu norte Nos teus olhares julgo ler mais forte. Creio na fé de ter nos teus afetos Nos teus sorrisos doces, prediletos, Na luz que vem seus divisar escolhos... Na serena visão dos teus castelos... Na pureza infantil dos teus desvelos Creio na prece muda dos teus olhos. Caldas (Manuscrito) Da linha do tempo, Face de  Fernando Caldas  

Veja imagens do Açude Gargalheiras

DICIONÁRIO MATUTO; COMO SE FALA(VA) PEDRO-AVELINÊS: 1ª edição: 2012.. 2ª edição: 2018. Um exemplo de cada letra do alfabeto: -Altear: aumentar o volume do som do velho rádio ABC. -Batatão: fogo fátuo em que os animais se assustam à noite. -Caganeira: disenteria, diarreia. -Desfigurado; pálido, doente. -Entojo: enjoo de mulher grávida. -Filepa: graveto pequeno e fino. -Graxa: molho de carne. -Herna: hérnia. -Ingembrado: torto, empenado. -Jararaca: mulher braba, briguenta. -Lambaio: puxa-saco, adulador. -Manquejar:andar mancando. -Nanico; pequeno,de baixa estatura. -Ofender; desvirginar, alimentação que faz mal. -Passatempo; desmaio, turica. -Quixó; armadilha para pegar preá. -Ruma: amontoado de algo, monte de gente. -Sodoro: xique-xique. -Tiquim: pouca coisa. -Usura; vantagem, ambição. -Varapau: indivíduo alto e magro. -Xilindró: quartel, cadeia. -Zanho: zangado, desconfiado. Marcos Calaça é professor, poeta matuto e jornalista cultural. Obs. Esse dicionário sertanejo e matut...

AGNELO ALVES UM VOCACIONADO JORNALISTA E GRANDE POLITICO DO RN

Hoje estaria completando 88 anos de idade se vivo fosse - Agnelo Alves nasceu em 16 de julho de 1932 e faleceu em 15 junho de 2015. Foi jornalista vocacionado fazendo história no Jornal Tribuna do Norte, tendo se autodefinido pelo pseudônimo de Neco com grande destaque de comentários da vida politica do RN. Foi um grande politico potiguar: prefeito de Natal, Parnamirim, senador da república e deputado estadual.  Deixou um legado de trabalho bem expressivo e sendo irmão do ex-governador Aluizio Alves, teve outro irmão deputado estadual, vice governador e senador Garibaldi Alves.   Fazia parte do naipe familiar de enorme prestigio na politica do RN - tio do carismático Garibaldi Alves Filho, ex- deputado federal e ex-ministro Henrique Alves, sendo seu herdeiro direto o ex-prefeito da capital Carlos Eduardo Alves. Atualmente apenas o deputado federal Walter Alves seu sobrinho ostenta representatividade na alta câmara do País. Agnelo deixou no municipio de...

ORIGEM DA FAZENDA SÃO FRANCISCO

Essa fazenda foi fundada por Alexandre Francisco Pereira Pinto, o Capitão Antas. Um homem católico, temente a Deus, é tanto que colocou os nomes da fazenda e de todos os filhos nomes de Santos. Foi de São José dos Angicos para o distrito de Gaspar Lopes, hoje Pedro Avelino, por volta do ano de 1860. Casou-se com Maria dos Milagres, com quem teve dois filhos. Com o falecimento da primeira esposa, teve um segundo matrimônio com Maria Batista da Trindade, outra angicana, sendo pai de cinco filhos. Era um desbravador visionário, vinha sempre à capital fazer negócios e aproveitava para contratar uma professora para transmitir conhecimentos, ensinando o BÊ A BÁ e as quatro operações da aritmética a seus filhos e netos. Construiu a casa grande no pé da Serra Aguda, separada por um açude, que servia de suporte hídrico para fazenda. Essa casa é conjugada, vindo a nela morar o Capitão e seu filho Pedro, casado também com a angicana Cecília Genuína Antas, minha avó, a qual pariu vinte e um filho...
Sandi Grace 22 de junho ha perdido a sua boneca favorita. Ela e Kafka procuraram a boneca sem sucesso. Kafka disse-lhe para se encontrar com ele lá no dia seguinte e eles voltavam para a procurar. No dia seguinte, quando ainda não encontraram a boneca, Kafka deu à menina uma letra ′′ escrita ′′ pela boneca dizendo ′′ por favor não chores. Fiz uma viagem para ver o mundo. Vou escrever-te sobre as minhas aventuras." Assim começou uma história que continuou até o fim da vida de Kafka. Durante as suas reuniões, Kafka leu as letras da boneca cuidadosamente escritas com aventuras e conversas que a menina achou adorável. Finalmente, Kafka trouxe de volta a boneca (ela comprou uma) que tinha regressado a Berlim. ′′ Não se parece nada com a minha boneca," disse a rapariga. Kafka entregou-lhe outra carta em que a boneca escreveu: ′′ as minhas viagens mudaram-me." a menina abraçou a nova boneca e trouxe-a feliz para casa. Um ano depois Kafka morreu. Muitos anos...