A vida tem muitas perguntas, mas aqui uma única resposta: a vida vivi-se.
Caldas, poeta e pensador potiguar
FERNANDO CALDAS
GILKA MACHADO (1893-1980)
NONA REFLEXÃO Amei o Amor, ansiei o Amor, sonhei-o uma vez, outra vez (sonhos insanos!)... e desespero haja maior não creio que o da esperança dos primeiros anos. Guardo nas mãos, nos lábios, guardo em meio do meu silêncio, aquém de olhos profanos, carícias virgens, para quem não veio e não virá saber dos meus arcanos. Desilusão tristíssima, de cada momento, infausta e imerecida sorte de ansiar o Amor e nunca ser amada! Meu beijo intenso e meu abraço forte, com que pesar penetrareis o Nada, levando tanta vida para a Morte!...
Aᴍᴏʀ Cᴀɴɪɴᴏ
A imagem do cãozinho Orelha, envolto em um pano e cercado por mãos humanas em despedida, não mostra apenas luto. Ela escancara uma verdade dura sobre a nossa sociedade.
Não é só sobre um cachorro. É sobre falha coletiva.
Quando adolescentes chegam ao ponto de cometer violência contra um ser indefeso, não estamos diante de um “caso isolado”. Estamos vendo o reflexo de uma educação que falha, de valores que não estão sendo formados e de uma sociedade que muitas vezes prefere ignorar sinais graves.
A crueldade contra animais não surge do nada. Ela é um alerta. Um sinal de desumanização precoce, de empatia enfraquecida e de uma violência que vai sendo normalizada aos poucos. E o que assusta ainda mais é o silêncio, a omissão e as tentativas de minimizar o que aconteceu — isso só fortalece a sensação de impunidade.
Orelha não é “apenas um cão”.
Ele se tornou símbolo de algo maior: um sistema que precisa proteger melhor, educar melhor e responsabilizar dentro da lei.
Pedir justiça por Orelha não é exagero. É defender uma sociedade que valoriza a vida, que não aceita a barbárie como normal e que entende uma coisa simples e séria: quem aprende a ferir um ser indefeso pode, no futuro, banalizar qualquer dor.
#JustiçaPorOrelha
Palmério Filho [1874-1958] descendia das famílias Caldas e Soares de Amorim, do Assu. Vocacionado para o jornalismo fundou em 1897, o.jornal A Semana. Pouco tempos depois o periódico A Cidade, em 1901, que circulou durante pouco mais de vinte anos noticiando a literatura e o cotidiano. Cujos jornais eram impressos na tipografia de sua propriedade. Palmério dava-se também o gosto de versejar que começou ainda na sua adolescência. Brilhante orador. Como poeta escreveu sonetos de boa qualidade. Já foi nome de parque infantil e biblioteca. Lembramos mais de Palmério Filho. faleceu aos 84 anos sem nunca ter saído do Assu, sua terra Natal. Vejamos um dos sonetos de sua autoria:
A vida tem muitas perguntas, mas aqui uma única resposta: a vida vivi-se. Caldas, poeta e pensador potiguar