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Mostrando postagens de outubro, 2024
LUIZ CARLOS LINS WANDERLEY – 1831/1990, foi um dos primeiros poetas do Assu, primeiro médico e romancista do Rio Grande do Norte. Foi também Governador da província do Rio Grande e deputado provincial em várias legislaturas. Luiz Carlos ganhou várias comendas concedida por D. Pedro II. Ele, Wanderley, empresta o seu nome a uma das ruas da importante cidade de Assu, sua terra natal. Nos deleitamos com o poema A mulher e a rosa, recheado de ternura, deste bardo assuense que engrandece às letras potiguares: Seu donaire, sua cor... No perfume que desprende Só rescende Doces eflúvios de amor. A mulher também formosa, Como a rosa, Tem graça, inocência, odor... E em seus sorrisos de fala Encantada Nos inspira ardente amor... Mas ah! depois que nos prende Nos acende numa paixão fervorosa, Fere a nossa’alma o aguilhão Da traição A mulher é como a Rosa... (Postado por Fernando Caldas)
SINHAZINHA WANDERLEY – Maria Carolina Wanderley Caldas (1876-1954), poetisa sonetista de Assu. Esses dois tercetos transcrito abaixo, do soneto intitulado Alvorada, é de uma beleza rara. Senão vejamos: E quando enfim do coração se evola A pureza da crença, que consola O desalento, a mágoa, o pranto, a dor; Vê-se que d’alma se irradia agora A luz, tão bela como a luz d’aurora. - O sol sem nuvens do primeiro amor. (Postado por Fernando Caldas)
 
 
AMO EM SILÊNCIO Quisera eu encorajar um dia Ante a ti revelar segredos E te falar da minha covardia Quiçá também expulsar os medos Feliz talvez, sei que aliviaria Falar do amor que sempre sentia Ao te ver como meu enredo Mas a timidez o meu ser invade Minhas forças estão no além Doi-me a alma só por piedade Em pensar que tens um outro alguém E a vontade aumenta a vontade De revelar meu amor que na verdade É só teu e de mais ninguém No silêncio sigo imaginando Por dentro o querer corroendo O coração sempre perguntando Até quando vás viver sofrendo? Respondendo deixo soluçando A solidão que segue aumentando De amor vai enfim morrendo Edivan Bezerra
  AUSÊNCIA "Que ausência de tudo tua ausência me traz! São feios os dias assim embassados Através da cortinas dos olhos molhados. Que visão tão triste é a visão da nada! Não há brilho de sol, não há noite de estrelas, Só angustia, angustia vazia de tudo, E a esperança tão linge, num caminhar lento Que envia a saudade nas asas do vento! Que ausência tão triste é ausencia de ti! Que silêncio tão quieto paralisando a vida. Onde aquele incentivo pela luta unida! Que tristeza é o vácuo tão morteo sem alma, As pessoas vazias e as cousas vazias. Vejo tudo tão longe e tão longe eu estou Sem o sol dos teus olhos, sem ouvir tua voz! Sem ter vida, amorr! Porque vida é só nós!... "
  Fernando Caldas o p r S o s t n d e o u h 2 f 5 t t r f h 0 u 1 3 2 c a 2 0 4 c m A m e g 2 7 t f h 9 5 h h m 5 o s 8   8 f 6 1 1 2 c g    ·  Compartilhado com: Seus amigos A vida humana, seja ou não tranquila profunda ou não, - só poderá senti-la quem senti-la apaixonadamente. Virgínia Victorina, poetisa portugesa
  Fernando Caldas    ·  Compartilhado com: Seus amigos No dia Nacional do Poeta, vale a pena postar uma grande poesia de um grande poeta Norte-Riograndense, chamamado João Lins Caldas. Vejamos: A nuvem grande desceu sobre a minha cabeça. A nuvem grande e o vento grande. O céu Despedio todos os raios sobre a minha cabeça. Eu fiz o meu tumulto grande para o céu. Eram nuvens rolando, atrôos, trovôes, relampagos fervendo... E tudo a noite iluminando o céu. ... Quando cansado, sobre a terra, o sangue me levando, Levantado, meu corpo era um gigante arfando... E às mãos o alfange longo, demorado, Decapitei-me na minha dor sangrando Como um grande vulcão esfacelado... E eu era em tudo sufocado Gritando o mundo, a minha dor gritando...
Van Gogh

UM SONETO DE JOÃO LINS CALDAS

Pesquisando o poeta potiguar João Lins Caldas, na Hemeroteca Digital/Bibloteca Nacional, Rio de Janeiro, emcontro numa das edições da revista Fon-Fon (imagem abaixo, do ano de 1924) um belo soneto daquele bardo assuense, intitulado 'Turris Eburnea', palavras que vem do Latim que quer dizer Torre de Marfim, na tradução. Vejamos o citado soneto: A mulher encantada que procuras,  Sombrio coração alucinado, E' uma boca que não teve juras, E' um destino que não tem passado...   Passará as manhas e as noites puras... Toda sem ânsia, sem refrão de brado, Não sabe o que é delícia nas torturas, Seu quente rosto nunca foi olhado...   Essa mulher, essa mulher se existe, Há de ser bela, como é bela e triste... Eu navego um destino a procurá-la...   ... E naufragando, gradativamente, Hei de saber onde ela é bela e ardente, Hei de saber onde lhe encontre a fala...                       ...

O Livro das Velhas Figuras

  Gustavo Sobral  Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte [IHGRN] O jornalismo em artigos quase crônicas, em crônicas quase perfis, foi um pouco do que o historiador Luís da Câmara Cascudo (1898-1986)  riscou nos jornais da cidade e o maior deste apanhado reuniu-se numa coluna que andou pelos jornais com o título de Actas Diurna no jornal A República em 1939, depois Diário de Natal, desaparece, volta a A República e tem fim em 1960, aponta o historiador Itamar de Souza nos fascículos “Câmara Cascudo: vida & Obra”, Diário de Natal, 1999. Cascudo mesmo explica numa Acta Diurna de 1939: “dei-lhe batismo latino porque a intenção cultural é honrar o passado, nas suas lutas, alegrias, tragédias e curiosidades”. E foi neste exercício de jornalismo com fundo histórico e memorialístico que Cascudo desfilou uma enfileiradas de figuras da cidade de todos os tempos, compondo pequenos retratos que revelam não só a ação dos seus perfilados, mas os pequenos...