sábado, 19 de setembro de 2026

 CARTA DE RENATO CALDAS A ALUÍZIO ALVES

                                   

Em maio de 1953 o poeta andarilho e boêmio Renato Caldas se encontrava na cidade de São Paulo, aguardando o retorno de uma promessa de Aluísio Alves, então deputado federal, ajudar a publicação da segunda edição do seu já célebre livro Fulô do Mato, pelo jornal Tribuna da Impressa, do Rio de Janeiro, de propriedade de Carlos Lacerda que foi governador da Guanabara (1960-65), atual Rio de Janeiro. Aluísio era o Redator Chefe daquele periódico carioca. Pois bem, no dia 11 de maio de 1953 já desiludido, Renato não suportando mais esperar por aquele político potiguar escreveu uma carta  em forma de versos, conforme adiante:

Aluísio meu amigo
Somente hoje consigo
Assunto pra lhe escrever
Sou um pobre flagelado
Vivo em São Paulo apertado
Trabalhando pra comer.

O meu viver é tirano
Não gosto de Italiano
E sou forçado a gostar
O regime é esquisito
De tanto comer cabrito
Já comecei a berrar.

Aqui o frio é malvado
Estou ficando congelado
E não tenho cobertor
Quero deixar esta peste
Regressar  para o nordeste
Prefiro sentir calor.

Para salvar-me quem há de?
Somente sua vontade
É quem pode me salvar
Tenha pena de Renato
Apresse “Fulô do Mato”
Não posso mais demorar.

Desde já muito obrigado
Disponha do seu criado
Amigo, sincero, exato
Se for possível eu lhe peço
Abaixo tem o endereço
Responda para Renato.

(Não se sabe qual foi a resposta de Aluísio Alves, poré,m, o que se sabe é que em junho de 1953, mas precisamente na casa do jornalista Francisco Góis de Assis, da 'Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro foi realizado o lançamento da 2ª edição do livro Fulô do Mato).

Fernando Caldas

(Tribuna do Norte, Natal, 6 junho de 1953. Coluna “Revista da Cidade”, p. 2). Enviado por Francisco Martins.


 CARTA DE RENATO CALDAS A ALUÍZIO ALVES                                     Em maio de 1953 o poeta andarilho e boêmio Renato Caldas se enco...