quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

"JUSTIÇA POR ORELHA"

 Aᴍᴏʀ Cᴀɴɪɴᴏ

A imagem do cãozinho Orelha, envolto em um pano e cercado por mãos humanas em despedida, não mostra apenas luto. Ela escancara uma verdade dura sobre a nossa sociedade.

Não é só sobre um cachorro. É sobre falha coletiva.

Quando adolescentes chegam ao ponto de cometer violência contra um ser indefeso, não estamos diante de um “caso isolado”. Estamos vendo o reflexo de uma educação que falha, de valores que não estão sendo formados e de uma sociedade que muitas vezes prefere ignorar sinais graves.

A crueldade contra animais não surge do nada. Ela é um alerta. Um sinal de desumanização precoce, de empatia enfraquecida e de uma violência que vai sendo normalizada aos poucos. E o que assusta ainda mais é o silêncio, a omissão e as tentativas de minimizar o que aconteceu — isso só fortalece a sensação de impunidade.

Orelha não é “apenas um cão”.

Ele se tornou símbolo de algo maior: um sistema que precisa proteger melhor, educar melhor e responsabilizar dentro da lei.

Pedir justiça por Orelha não é exagero. É defender uma sociedade que valoriza a vida, que não aceita a barbárie como normal e que entende uma coisa simples e séria: quem aprende a ferir um ser indefeso pode, no futuro, banalizar qualquer dor.

#JustiçaPorOrelha



quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

RELEMBRANDO PALMÉRIO FILHO

Título de eleitor de Palmério Filho 


Palmério Filho [1874-1958] descendia das famílias Caldas e Soares de Amorim, do Assu. Vocacionado para o jornalismo fundou em 1897, o.jornal A Semana. Pouco tempos depois o periódico A Cidade, em 1901, que circulou durante pouco mais de vinte anos noticiando a literatura e o cotidiano. Cujos jornais eram impressos na tipografia de sua propriedade. Palmério dava-se também o gosto de versejar que começou ainda na sua adolescência. Brilhante orador. Como poeta escreveu sonetos de boa qualidade. Já foi nome de parque infantil e biblioteca. Lembramos mais de Palmério Filho. faleceu aos 84 anos sem nunca ter saído do Assu, sua terra Natal. Vejamos um dos sonetos de sua autoria: 


Quando sozinho contemplei ardente
Estes teus lábios virginais, risonhos,
Minha alma, às juras de amor, descrente
Viu-se enlevada num pomar de sonhos

Uma esperança, uma ilusão fagueira
Que al homem incute natural ardor
Veio hostilmente pela vez primeira
Dentro em meu peito - semear amor.

E desde então um sentimento sério
Uma paixão descomedida e ardente
Veio alterar o meu viver sidéreo

E hoje ausente de teu seio amado
Meu ser tristonho, pesaroso sente
Quando padece um coração magoado.

Postado por Fernando Caldas

 Um soneto do poeta potiguar João Lins Caldas no jornal Arealense, do Rio de Janeiro, 1923. Dê um zoom na imagem.