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Mostrando postagens de dezembro, 2014

DE ASSU A MACAU

Conta-se os observadores que na cidade de Assu, no Rio Grande do Norte acontece de tudo, o que é uma verdade. Pois bem, no começo dos anos noventa, chegou naquela terra assuense, um exigente e ultrapassado Juiz de Direito. Aquela autoridade começou logo a dizer que não casava moça que vestisse calça comprida e com rapaz cabeludo, entre outras exigências. Foi o bastante para o poeta João Fonseca escreveu essa décima: Nasceu no tempo da valsa Cueca samba canção; Eu não sei por qual razão Não casa moça com calça Vestido tem que ter alça E terá que cobrir tudo. Do contrário fica mudo Em tudo bota defeito Não quer ver bico de peito E nem rapaz cabeludo. Certa vez chegou na cidade litorânea de Macau (RN), certo representante comercial (cacheiro viajante). Na hora de fazer o pedido numa certa drogaria da cidade, escreveu Macau com a letra "L", no final. O dono do estabelecimento reclamou: "Moço, Macau se escreve com "U"., no final da palavra. O vendedor ...

PURUECA, UM BOÊMIO AUTÊNTICO

José Tarcísio Tavares e sua irmã Evangelina Tavares de Sá Leitão. José Tarcísio Tavares, ou simplesmente Purueca como era mais conhecido na sua cidade de Assu, era tipo magro, baixa estatura, bom de copo, boêmio inveterado. Teve a infelicidade de ter perdido na morte, seus pais Fernando Tavares e Maria Celeste Tavares num desastre aviatório do Rio do Sal, em 12 de julho de 1951, fato este que deixou a sua família atordoada. Estudou no Colégio Diocesano de Caicó e no 7 de Setembro, de Natal. Isso, na década de cinquenta. No Assu frequentou todos os bares e botequins daquela cidade de tantos boêmios como ele próprio. Purueca foi proprietário em parceria com Tarcísio Tavares da famosa Sorveteria denominada Ponto Chic, estabelecida na esquina com o antigo Banco do Brasil, em frente a praça Getúlio Vargas. Era o ponto de encontro da juventude assuense nos anos sessenta.  Dele, em razão do seu temperamento explosivo, ignorante (no bom sentido), qualquer coisa que lh...
POESIA PIRASSUENSE: FACES SEM SORRISO Menino qual o teu nome, Que tens uma angústia louca? Foi o cabresto da fome Que amordaçou minha boca, Pois no meu nome senhor Só há desespero e dor, Tristeza e desolação, O meu nome nada importa Fico a soleira da porta Pedindo a esmola de um pão. E aquele rapaz, quem é Que está ao pé do serrote? É o meu irmão José Que foi dar água ao garrote; Chega José paciente, Senta-se ao mesmo batente, Vago olhar amortecido, Na palidez do seu rosto Tinha a força do desgosto De um jovem desiludido. O André chega também, Antônio, Ambrózia e Tereza Cada rosto uma tristeza, Só alegria não vem A pobre mãe numa rede Embala o pé na parede O filho mais pequenino, Dois ou três meses de idade Mais é na realidade Vítima do mesmo destino. Esse pequeno inocente Sem brilho nos olhos seus Sofre por culpa de Deus? Não. Culpa dos homens somente, Os homens sim, são culpados Que aos filhos ...

UM POUCO SOBRE O GINÁSIO PEDRO AMORIM - ASSU

Antiga Carteira de estudante pertencente ao editor deste blog. O Ginásio Pedro Amorim, de Assu/RN, pertencia a CNEG - Campanha Nacional de Educandários Gratuitos, atual CNEC. Na cidade de Assu, aquela escola fora instalado ainda no início dos anos sessenta. Padre Hélio foi seu primeiro diretor. Aquele educandário funcionou no Instituto Padre Ibiapina, no Colégio Jk e, por último, onde hoje está assentado o Campus Avançado do Assu, da UERN. Foi seu primeiro diretor Padre Hélio. Foram professores do GPA do meu tempo, Padre Canindé, Auri Sales, Waldeir Oliveira e Nair Fernandes, dentre outros. Outros que dirigiram aquele colégio, recordo de João Marcolino de Vasconcelos, Adonias Bezerra de Araújo e Noé Rogério da Costa.     A carteira de estudante (imagem acima) é uma relíquia (peça de museu), data de 1971. Era seu diretor naquele tempo (1971), Noé Rogério da Costa e o presidente do Grêmio era o Sr. Francisco de Medeiros Dias (Chico Dias). Há informações que em 1961 foi pr...

JOÃO MOACYR DE MEDEIROS, O POETA

João Moacyr de Medeiros era natural de Assu, interior norte-rio-grandense, e carioca por adoção e escolha. Poeta, intelectual. Passou quase toda a sua vida no Rio de Janeiro, convivendo com grandes nomes das letras brasileira. Na capital fluminense, conviveu com grandes figuras dos meios empresarias e das letras brasileiras, como o potiguar Antônio Bento, um dos maiores conhecedores e críticos de arte moderna no Brasil. A sua vida fora recheada de privilégios que Deus lhe deu por merecimento. Moacyr estudou o primário no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, da sua terra natal. Filho de José Lúcio de Medeiros e Maria Francisca Caldas de Medeiros. Seu pai fora chefe dos Correios do lugar então denominado Sacramento, que depois veio a ser município de Ipanguaçu/RN, Na década de trinta, Moacyr passou a morar na cidade de Natal,, estudando no velho Atehenei, da rua Junqueira Ayres, da capital natalense. Foi contemporâneo do brilhante advogado Raimundo Nonato Fernandes. Em fins de 1...

SAIBA COMO ABRIR UMA GARRAFA DE VINHO SEM SACARROLHAS

SERVIDORES FEDERAIS USARÃO NOVO TETO PARA PRESSIONAR GOVERNO

Vera Batista Correio Braziliense     -     28/12/2014 Com apoio do alto escalão, categorias iniciarão 2015 reforçando a pauta de isonomia salarial entre os Poderes O alto escalão de servidores dos poderes Legislativo e Judiciário, que já provou ser capaz de atrapalhar planos de cortes de gastos na máquina pública, lançou uma bomba no colo da nova equipe econômica. As categorias desobedeceram a orientação de aplicar reajustes com base no orçamento disponível, ou seja, em não mais do que 15,8%, conforme decidido após a greve de 2012. No apagar das luzes de 2014, porém, os salários foram aumentados levando em conta a inflação dos últimos quatro anos. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do Ministério Público da União (MPU), além de deputados e senadores, passarão a ganhar R$ 33.763 mensais. O mau exemplo de cima se espalhou pela Esplanada e, em 2015, servirá de barganha por lideranças sindicais nas estratégias ...

ROGACIANO LEITE X CEGO ADERALDO

Rogaciano Leite Cego Aderaldo  O poeta-violeiro, jornalista Rogaciano Leite (Itapetim, Pernambuco , 1920 – Rio de Janeiro, 1969) era filho dos agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, iniciou a carreira de poeta-violeiro aos 15 anos de idade quando desafiou na cidade de Patos, Paraíba, o cantador Amaro Bernadino. Rogaciano Leite não foi apenas um poeta popular, não. Escrevia versos eruditos, sonetista da maior grandeza. Conta-se que até mesmo o soneto, ele improvisava. Foi amigo do poeta recifense Manuel Bandeira, morou no Rio Grande do Norte, Ceará e Rio de Janeiro. O músico Silvo Caldas em História da Música Popular Brasileira, 1984 conta que certa feita, Rogaciano cantava com o conhecido e afamado poeta-violeiro chamado Cego Aderaldo, Aderaldo Ferreira de Araújo (Crato, 1878 — Fortaleza, 1967) numa feira livre da cidade do Recife. Rogaciano ao ver aquele cantor seresteiro com quem ele tinha o prazer de gozar da sua amizade,...
CONTO: A OUTRA Maria das Virgens era mais doida do que pedra de funda. Vivia proclamando aos quatro ventos que jamais se casaria. preferia ser  "A Outra"  e espalhar lágrimas ao redor. Seu último caso de amor foi com o marido de Das Dores, aquela que colecionava vidrinhos de lágrimas. Após longos meses de união extra conjugal, João disse à amante: - Maria das Virgens, tenho algo a lhe dizer. - O que? Que fala de mistério! - É isto. Quero lhe comunicar que o nosso caso de amor chegou ao fim... - O que?! Vai me abandonar? - Cansei, querida, mas "enquanto durou foi bom". Não desejo contrariar mais Das Dores. Ela já derramou lágrimas demais por mim. Não quero mais magoá-la. - E eu? - Se vire. Não lhe faltarão amantes com essa fogueira de seu corpo. Aprendi demais com você e cheguei a conclusão de que a meiguice e a doçura valem mais numa mulher, do que a volúpia vertiginosa do sexo... - Está certo, mas eu já me ving...

PADARIA SANTA CRUZ

Imagens do blog Página R. A Padaria Santa Cruz era de propriedade de Etelvino Caldas, na década de vinte e trinta, depois dos irmãos Solon e Afonso Wanderley. Nos anos quarenta, cinquenta sessenta e até o começo de setenta, produzia o melhor pão e bolacha da cidade de Assu. Hoje aquela panificadora é de propriedade de João Gregório Junior? A bolacha e biscoito denominado Flor do Açu (em formato de UMA flor), é uma delícia, ainda hoje produzida por outra padaria de propriedade de Toinho Albano. Naquelas décadas era o ponto de encontro amistoso para uma  uma boa prosa, dos barões da cera de carnaúba,  influentes políticos da região, intelectuais, poetas da cidade. Eram seus assíduos frequentadores  frequentadores as figuras como Zequinha Pinheiro, João Turco, Minervino Wanderley, Major Montenegro, Fernando Tavares (Vem-Vem), Luizinho Caldas, além dos irmãos Edgard e Nelson Montenegro, Walter Leitão, Edmílson Caldas, Renato Caldas, Francisco Amorim, dentre out...

MAL ENTENDIDO NA FARMÁCIA

A Farmácia Potengi é uma das mais antigas da cidade de Assu/RN. Aquele estabelecimento é mais conhecido como Farmácia de João Branco, seu então proprietário. Pois bem, certa vez chega naque estabelecimento certo senhor todo abusado, com uma crise de hemorroida. "Pirulito" era o apelido do competente balconista que, pela experiência que tinha, indicava o remédio certo para qualquer enfermidade. O fregues solicitou a João Branco: "Seu João, me indique um remédio pra hemorroida. João Branco respondeu ao cliente: "Só com Prirulito!"  - O cliente esbravejou na horinha: - "Soque você, seu filho da mãe!"

O INTELIGENTE E O SABIDO

Há duas categorias de pessoas, que sobretudo no Rio Grande do Norte, merecem um debruçamento maior, uma atenção mais atenta, um enfoque mais aproximado: o inteligente e o sabido. O inteligente é como grão. Se não morrer, será infecundado. A fecundidade do sabido é feita de cotidianidade dos seus sonhos. O inteligente é aritmético. Consegue sobreviver. O sabido  é geométrico. Quase sempre vive sobre. O inteligente é polivalente na ordem do conhecimento. O Sabido, na ordem do aproveitamento. O inteligente é grosseiro às vezes, mais humano, profundamente humano. O sabido se irrita mas é sempre fino. Fino e aderente. Sobretudo ao poder. E quando eu falo em Poder, não me refiro pura e simplesmente ao sistema. Me refiro ao poder podendo. Feito de números. Sobretudo de números. O inteligente pode ser desligado. O sabido nunca. O inteligente gosta de se encontrar com velhos amigos. O sabido prefere localizar novos. Se vão lhe render dividendos. P inteligente é simples. O sabido é c...

Mário Quintana - Ah! O Amor... - Texto Maravilhoso!

Precisamos sempre mudar, renovarmo-nos, rejuvenescer; caso contrário, endurecemos..... Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas. Goethe
CREIO Creio na beleza do teu porte, Na doce floração do teu receio. Creio, feliz, no teu melhor anseio E creio-me feliz por ver-te forte. Creio em teus olhos divisar meu norte Nos teus olhares julgo ler mais forte. Creio na fé de ter nos teus afetos Nos teus sorrisos doces, prediletos, Na luz que vem seus divisar escolhos... Na serena visão dos teus castelos... Na pureza infantil dos teus desvelos Creio na prece muda dos teus olhos.   João Lins Caldas Natal, 1909

AirAsia havia se gabado em abril de que seus aviões 'nunca desapareceriam

Do UOL, em São Paulo Artista Sudarshan Pattnaik finaliza escultura de areia na praia de Golden Sea, na Índia, em homenagem aos voos QZ8501, da AirAsia, e MH370, da Malaysia Airlines, que desapareceram na Ásia Um texto publicado na revista de bordo da companhia aérea AirAsia em abril deste ano afirmava que suas aeronaves "nunca desapareceriam" -- numa referência irônica ao sumiço do voo MH370 da sua concorrente asiática Malaysia Airlines. "O treinamento dos pilotos da AirAsia é contínuo e minucioso", dizia o artigo. "Esteja seguro de que nosso capitão está bem preparado para garantir  que seu avião nunca desapareça. Tenha um bom voo!". Na ocasião, a companhia teve de pedir desculpas publicamente devido à controvérsia gerada pelo texto, meses antes do desaparecimento de seu QZ8501 no último sábado. Datuk Kamarudin Meranun, diretor executivo da AirAsia e editor da revista "Travel 3Sixty" expressou seu "profundo pesar"...
ASSU: PARÓQUIA DE IRMÃ LINDALVA Postado por  Ivan Pinheiro Bezerra  
Se eu pudesse, pegava a dor; colocava a dor   dentro de um envelope e devolvia ao remetente. _____ Mário Quintana Isabel Almeida
Como é bom morar no mato Num ano bom de fartura Dá cangapé no açude Depois comer rapadura Ouvindo o som dos chocalhos Dando pedrada nos galhos Pra tirar manga madura Hélio Crisanto

ESTÓRIAS DE CANTADOR

Deste livrinho (imagem acima) de minha autoria intitulado "Tiradas e Boutades do Povo Assuense", 1996, publicação independente é feito de estórias pitorescas, jocosas, espirituosas do povo da minha terra - o Assu importante interior do Rio Grande do Norte, conhecida como "Terra dos Poetas." . Assu é terra celeiro de figuras espirituosas, folclóricas. É feito também de estórias contadas po r poetas cordelistas/cantadores de viola em forma de versos. Vejamos as estórias contadas abaixo, para o nosso bem estar: : Francisco Agripino de Alcaniz, poeta cantador de viola/cordelista conhecido em todo Nordeste brasileiro pelo apedo de "Chico Traíra (Traíra é um peixe de água doce muito comum nos rios, lagoas e açudes da terra nordestina), viajando em cima da carroceria de um caminhão juntamente com seu colega e igualmente poeta chamado "Patativa" (Patativa é nome de um pássaro de canto melódico e suave), escutou aquele companheiro reclama...
Quisera eu dizer-te que sinto Mas não posso e jamais o farei. Por teu amor lutei e ainda resisto, Não quero perder-te, senão morrerei. Por mais que procuro te esquecer Cousa que nunca eu consegui, Mas sentia o meu amor crescer Mas hoje sinto o que me iludi. Iludí-me, sim, porque sempre tentei Esquecer de um amor, que nunca procurei Saber se me amava ou se me enganava. E agora muito sofro a pensar, Que um dia, não queiras me amar, E que nunca a me amar procurou. Maria Lourdes Moura/Luluda

SAÚDE NO FIOFÓ

O título referenciado acima é o último verso do poema intitulado "Qué vê matuto humilhado, é tá doente das parte", do grande poeta matuto Jessier Quirino. , penso eu, é o poeta matuto mais aperfeiçoado da Literatura Popular Brasileira, além de excelente declamador e apresentador de causos matutos, ou mulher dizendo: É um grande artífice da poesia escrita em linguagem genuinamente sertaneja. Eis o citado poema para o nosso bem estar: No tronco do ser humano Nos finá mais derradêro Tem uma rosquinha enfezada Que quando tá inframada Incomoda o côipo intêro. Se tussí se faz presente Se chorá se faz também O caba não pode nada Cum nada se entretem Eu lhe digo, meu cumpade, Não deseje essa maldade Pra "rosca" de seu ninguém. Não sei o nome da cuja Desta cuja eu tiro o já O que resta é quase nada Bote o nada na parada Quero vê tu aguentá. Eu lhe digo, meu cumpade, Que é grande humilhação Um caba do meu quilate Adoecido da...