segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Foto de Poeta Jadson Lima.

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A grandeza do Inverno
(Poeta Jadson Lima)
O céu cinza me mostra com clareza
Que o inverno tardou mais ta chegando
Pois é Deus que escolhe o dia e quando
Trás a chuva banhando a natureza
O relâmpago mostra sua beleza
O trovão entoando a canção
O feijão que enrama pelo chão
Enfeitando a terra com magia
Canta rã canta o sapo e canta a gia
No riacho correndo do sertão.
Asa branca regressa em revoada
Com a festa da chuva quando cai
Pingos férteis no chão o verde sai
Vem molhando a terra ressecada
O açude com a terra rachada
Veio a chuva e tirou o seu rachão
O sorriso de Deus brota no chão
Com o verde fiel da natureza
É a chuva mostrando sua grandeza
Com a voz estrondosa do trovão.
Cada pingo pra mim é um diamante
Ao cair pelo chão logo enriquece
Nordestino com fé logo agradece
E se sente o ser mais importante
Quando vê a campina verdejante
E a terra já pronta pra plantar
Não se cansa já pensa em trabalhar
Pois já sabe que não vai ser à toa
E a chuva só trás notícia boa
E o Nordeste começa a aflorar.
O sorriso da mata ilumina
Quando o dia está amanhecendo
As ramagens brilhando água escorrendo
Na galhada de um pau canta um campina
Voz perfeita que nunca desafina
Agradece sorrindo ao subalterno
No seu cantarolar diz é o inverno
Que Jesus permitiu dar um bom dia
Canta a mata sorrindo de alegria
Agradecendo ao nosso pai eterno.
O inverno entoa a melodia
Traz riqueza na musicalidade
Ouço sons que já tava com saudade
A orquestra da linda saparia
O piar das marrecas não ouvia
Hoje ouço e fico emocionado
O trovão sempre perfeito e afinado
Quando eu era menino tinha medo
O inverno trás até meu segredo
Que até hoje eu o tinha bem guardado.
Ouço os pingos pingando no telhado
São agudos e médios bons de ouvir
O grave da biqueira ao chão cair
Faz eu tomar um banho demorado
Fecho os olhos me sinto aliviado
Olho o céu carregado de prazer
Se a chuva falasse ia dizer
Sou parceira fiel da natureza
É a chuva pra mim maior riqueza
É a chuva que trás vida e viver.
Vem a chuva tirando a poeira
E lavando a sujeira dessa terra
Sol e chão já estavam quase em guerra
A caveira de um boi numa porteira
Muge o gado e canta a lavandeira
O vaqueiro aboiando no curral
Diz um verso que não tem outro igual
No seu cantarolar com alegria
Vai rimando amor chuva e poesia
Um herói grandioso e natural.
Um riacho na beira da estrada
Pra dentro de um açude faz sangria
Mergulhão jaçanã de longe pia
Celebrando o inverno em disparada
O sertanejo amola sua enxada
E sai assoviando pro roçado
O sorriso no rosto estampado
Agradecendo a Deus por ta chovendo
Morre a seca e o verde vai nascendo
Olhe aí meu Nordeste abençoado.
Preparei meu anzol de pescaria
E arranquei minhoca no terreiro
Mas com o landuá irei primeiro
Ver se eu pego piaba na sangria
Se eu pudesse era o que eu mais queria
Que o tempo voltasse meu irmão
Pra pescar sem ter preocupação
Com alegria e sem um pingo de medo
Eu papai Olavo e finado Pedo
Nos riachos e rios da emoção.
O inverno traz muita alegria
Traz riqueza e vida pro sertão
Traz fartura e fertiliza o chão
Traz canção aos poetas e poesia
Traz amor paz e muita harmonia
Traz o verde com muita maestreza
O inverno matiza com grandeza
E acorda o sorriso adormecido
Eu termino o poema agradecido
Ao supremo autor da natureza.
Bom Jesus/RN

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