sexta-feira, 21 de abril de 2017





João Lins Caldas era um poeta Norte-rio-grandense de extrema sensibilidade e criatividade. Desde moço teve uma vida solitária. Os seus escritos retrata a dor, a melancolia, o amor não correspondido. É de sua autoria, o soneto que transcrevo adiante, produzido no Rio de Janeiro em 2 de janeiro de 1913, publicado na importante revista carioca intitulada Fon-Fon,  numa das edições daquele periódico (1924), que diz assim:

Minha’alma anda a chorar... Anda-me ao peito
Uma agonia louca, uma tortura...
Venho da terra do feral despeito...

Mudado sobre mim o teu conceito
Acenadora, pérfida ventura,
A noite vejo, poderosa, escura,
Do meu sonho de amor, sonho desfeito...

Deixa que eu vá... e tu, que és minha vida,
Não te magoes com a dor ferida,
- Mulher, mulher – amor, sonho – de calma...

Eu sou teu sonho e teu sonhar sonhando...
Não me queiras seguir... comigo andando
Há de chegar a noite da tu’alma...



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