domingo, 15 de fevereiro de 2015

João Lins Caldas e sua Marcha Fúnebre

Corpo do poeta João Lins Caldas no seu caixão, sendo velado na casa do seu primo e amigo Luiz Lucas Lins Caldas Neto (avô paterno do editor deste blog - Fernando Caldas), cidade de Assu/RN, 1967. Na fotografia da esquerda: Domitília Eliete de Medeiros, João Crisóstomo Tavares (?), (?), Ivo Pinheiro, Tibobô, Fernando Caldas (criança), (?), Luiz Robert - Luiz da Carroça, Mário Tavares Dantas, (?), (?), Levi de Oliveira Gomes, dentre outros admiradores do grande poeta Caldas. 

Vamos conferir o seu poema fúnebre intitulado Marcha Fúnebre:

Os cem mil padres do meu negro enterro
Vão agora passar, círios às mãos.
Os cem mil padres, os cem mil irmãos...
Nasci... dou-me por pago do meu erro
Já que dá morte é que me vem o enterro...
Nasci... dou-me por pago do meu erro.

Noite... e dentro da minha solidão...
A solidão é um pássaro da noite...
Quem não te busca, pálido tresnoite,
Alma fria da noite, pelo chão...?
Amo a noite do amor, amo esse açoite,
Os círio rezam morte no clarão...

Vejo o olhar dos mortos pela treva,
Lá passa, vai adiante, o meu caixão...
Quem passa assim, quem com tal força leva
Meu esquife pesado, cor de treva,
Meu caixão,
Quem leva, quem leva?...
Vai meu corpo levado cor de treva...

Vejo os claros da morte pelo chão...
Tudo planeja o negro, a solidão.
Meu corpo, vai-se ver, não se vê fundo...
Entrarei pela terra, cor de terra...
Terra aqui, terra ali, terra... desterra,
A minha boca aterra...

Olhando a morte, quero ver o mundo...
Achar a solidão, quero ver fundo...
Solidão, solidão...
O som de um sino e a voz de um cão...
Meia noite... Solidão...

Agora os quero, do meu enterro,
Todos os padres, de volta irmãos...
Frontes curvadas, círios às mãos,
Hoje de volta do meu enterro...

Todos os padres, para o meu erro,
Hoje de volta são meus irmãos,
Os cem mil padres do meu negro enterro.

Postado por Fernando Caldas



Clênio Falcão Lins Caldas deixou um novo comentário sobre a sua postagem "João Lins Caldas e sua Marcha Fúnebre":

Sinto imenso orgulho por ser sobrinho-neto do insigne poeta e escritor potiguar, João Lins Caldas. Muito embora sem nunca ter tido o privilégio de o ter conhecido pessoalmente, não foram poucas as loas e elogios que tomei conhecimento a respeito de sua ilustre pessoa. Dele, por meio de meu querido e saudoso pai, seu sobrinho - João Moacir Lins Caldas - herdei, como meu genitor, o gosto pelas letras, pelo escrito, pela retórica, sem nunca tê-los ao menos igualado em qualidade e virtudes. Contento-me por ser seu discípulo ardoroso e fã incondicional. Dou todo o crédito e reconhecimento por esta matéria ao meu não menos ilustre primo Fernando Caldas, a quem admiro por sua verve, por sua vida ativa como munícipe exemplar em terras potiguares.

Postado por Clênio Falcão Lins Caldas no blog FERNANDO CALDAS em 18 de fev de 2015 11:44:00

Um comentário:

  1. Clênio Falcão Lins Caldas18 de fev de 2015 11:44:00

    Sinto imenso orgulho por ser sobrinho-neto do insigne poeta e escritor potiguar, João Lins Caldas. Muito embora sem nunca ter tido o privilégio de o ter conhecido pessoalmente, não foram poucas as loas e elogios que tomei conhecimento a respeito de sua ilustre pessoa. Dele, por meio de meu querido e saudoso pai, seu sobrinho - João Moacir Lins Caldas - herdei, como meu genitor, o gosto pelas letras, pelo escrito, pela retórica, sem nunca tê-los ao menos igualado em qualidade e virtudes. Contento-me por ser seu discípulo ardoroso e fã incondicional. Dou todo o crédito e reconhecimento por esta matéria ao meu não menos ilustre primo Fernando Caldas, a quem admiro por sua verve, por sua vida ativa como munícipe exemplar em terras potiguares.

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