terça-feira, 27 de junho de 2017

Poema "A Chegada de Suassuna no Céu"

Em 1877, era inaugurada a primeira linha de bonde no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Machado de Assis, em crônica bem humorada, dizia que esse bonde andava tão rápido que "quando um bond sobe, outro desce; não há tempo em caminho para uma pitada de rapé". Isso diferia, segundo o escritor, dos outros bairros da cidade, onde os bondes percorriam os trajetos lentamente, fazendo uma verdadeira "pescaria" de passageiros. Eram ainda os primeiros bondes puxados por burros; e para o importante autor carioca, "Agora é que Santa Teresa vai ficar à moda".

© Bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, c. 1921, fotógrafo desconhecido / Library Of Congress.

domingo, 25 de junho de 2017

"Em busca dos meus amores, irei por entre montes e rios."

S. Juan de La Cruz
DO Facebook de Pablo Vinícius de Oliveira
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”
Leandro Gomes de Barros
Em uma das mais recentes entrevistas, o renomado escritor paraibano traz poemas e referências literárias para apresentar suas ideias para Eric Nepomuceno, no...
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sábado, 24 de junho de 2017

Por João Celso Neto
Quando eu nasci (janeiro de 1945), Getúlio Vargas era o ditador havia pouco mais de 7 anos, embora no poder desde 1930, com o golpe dado por ele em novembro de 1937 criando o chamado Estado Novo e outorgando ao país uma nova Constituição, chamada de Polaca.
Derrubado por um golpe militar (na verdade, renunciou ante a iminência de ser deposto por um golpe militar), comprovou sua popularidade ao voltar à presidência da república pelo voto popular nas eleições realizadas em 1950, com 48,73% dos votos válidos, mas nas eleições que se seguiram à sua derrubada, realizadas em dezembro de 1945, fora eleito senador por São Paulo e Rio Grande do Sul (seu estado natal). E dera seu apoio à candidatura de Dutra como forma de abalar a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes, o mesmo que derrotaria cinco anos depois.
Do Catete, como se sabe, saiu em agosto de 1954 nos braços do povo para ser sepultado na cidade de São Borja, onde nascera, ao se suicidar. Certamente, nem mesmo os enterros de Juscelino e Tancredo superaram a imensa manifestação e comoção verificadas em 1954.
Há consenso quanto a ter sido um governante populista, fundador de um partido trabalhista (PTB) depois de ter sido do PRR (Partido Republicano Rio-grandense). Ou seja, fora um chimango na política gaúcha durante sua vida política anterior.
Passados mais de 60 anos de sua morte, Vargas ainda é considerado um pai da pátria e dos pobres. Tal como se dizia de D. Pedro II, a massa se sente saudosa de Getúlio, mesmo quem ainda nem nascera quando ele governou, computando seu legado de direitos ao trabalhador: criou a Justiça do Trabalho, instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, a carteira profissional, a semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas. E o que talvez haja sido sua maior obra, a criação da Petrobrás, depois da criação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Vale do Rio Doce e da Cia. Hidrelétrica do Vale do São Francisco. O IBGE também foi criado durante seu governo. Dessa forma, inegavelmente, foi nacionalista, mesmo sofrendo influência dos regimes europeus nazista (Hitler) e fascista (Mussolini).
Seu PTB hoje está ideologicamente muito longe de ser aquele criado por ele (e pelo qual Brizola brigou, mas perdeu). Não sei o quanto Getúlio aceitaria nos quadros partidários do PTB alguns que se utilizaram, e ainda se valem, da sigla na tentativa de ganhar eleições louvando seu legado. A meu ver, políticos como Sandra Cavalcante (sabidamente lacerdista até a medula) devem ter feito Vargas se revolver na tumba.
Por que trago isso à memória, sobretudo dos jovens? Para mostrar, sem saber se logro êxito, que o endeusamento de certos políticos que permanecem no imaginário popular é algo perigoso, quem sabe, irracional. A Argentina teve Perón, no rastro de quem teve (ao findar-se o período dos governos militares) como presidentes Héctor Cámpora. María Estela Martínez, Carlos Menem, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e Cristina Kirchner.
O Brasil não pode correr o risco por não aprender com o próprio passado e o que viu aconteceu tão próximo.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

MINHA FUGUERA

Sá dona, o tempo passa,
Mais porém, essa disgraça,
Qui a gente tem, pruquê qué...
Êsse amô, êsse arrespeito,
Qui o cristão guarda no peito,
Essa paixão pru muié...

Êsse veneno danisco,
Essa pedra de curisco,
Essa dô, essa afrição,
Esse estrépe invenenado
Êsse cão amolestado,
Qui mastiga o coração
Essa sodade afitiva
Qui pru mais qui a gente viva,
Cum a gente véve tombém...
Essa lembrança danada,
Essa coisa amalinada,
Essa só sente quem qué bem...
Mecê já sabe o que é...
Pode num sofrê inté,
Mas, sente rescordação...
Daquela noite brejera,
Qui nós casô na fuguera
De nosso sinhô São João.
A sua bôca falava,
Meus ouvidos escutava,
- aí... meus óios chorô -
Jurguei qui mecê num visse,
Aquela minha tolice...
Mais, sinha dona notô.
E dixe pra eu baixinho:
- São João, foi Nosso padrinho...
São Pedro e Nosso Sinhô...
- Eu serei tua querida
- Tu será a minha vida
- Eu serei o teu amô
Outros São João já vieram;
Mais fuguera se fizeram;
E nós dois, sempre a lembrá...
Daquele apêrto de mão,
Do qui juremo a São João
Na fuguera - o nosso artá.
Mais o tempo, êsse mavado,
Qui leva a vida ocupado,
Sem nenhuma ocupação...
Acendeu outra fuguera,
De miôlo de Aruera,
Na minha rescordação: -
"São João dixe,
São Pedro confimô:
Qui nós se cazasse hoje,
Qui Jesus Cristo mandô"

(Renato Caldas, poeta matuto Norte riograndense)
___________in "Fulô do Mato"
Fernando Caldas



São João das antigas. Casamento matuto. Fotografia, data de 1982. Quadrlha da Vovó Zulmira. Assu-RN.

Da Esquerda: Fernando Caldas (o editor deste blog - o padre), Francisco de Medeiros Dias (Chhico Dias) e Isa Caldas (noivos).

JORNAL DO AÇU, 1877



quinta-feira, 22 de junho de 2017

DESCOBRINDO O RIO GRANDE DO NORTE PRÉ-HISTÓRICO

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O jornalista Tomislav R. Femenick percorrendo o terreno recoberto por rochas – Fotografia: Acervo do autor
Pelo menos há dois milhões de anos já existia vida em Baraúnas, conforme pesquisas que o Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte realizou em junho de 1968, na localidade de Olho D’Água da Escada, a 52 quilômetros de Mossoró – Município ao qual Baraúnas então pertencia –, onde foram achados fósseis de animais pré-históricos. 
Fósseis são restos vegetais ou de animais que viveram em épocas pré-históricas e que foram conservados em sedimentos que, com o passar do tempo, se acumularam sobre eles. Esses vestígios, como outros, sinalizam a existência de vida em tempos remotos, como pegadas, conjunto de circunstâncias físicas e geográficas que oferece condições favoráveis à vida e restos de alimentos. A importância de descobertas dessa natureza está no fato de que os estudos da pré-história fundamentam-se quase exclusivamente nos conhecimentos obtidos pela análise de fósseis, a partir do que é possível obter conhecimentos sobre o meio-ambiente, o clima e as migrações da fauna (e da flora), anteriores à evolução do homem.
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As grutas e cavernas potiguares são praticamente desconhecidas, apesar de muitas pesquisas realizadas nestes locais – Foto – Rostand Medeiros
O trabalho do Instituto de Antropologia da UFRN foi uma verdadeira viagem à pré-história, ao período plistocênico (glacial) e evidenciou a existência de gliptodontes (mamíferos gigantescos e desdentados, fósseis no quaternário da América), megatérios (grande mamífero desdentado, fóssil nos terrenos terciários e quaternários da América) e mastodontes (mamíferos de focinho prolongado em forma de tromba, corpulento e de constituição análoga à do elefante, que surgiu no oligoceno e se extinguiu no plistoceno), ao lado de pequenos roedores e tigres de dente de sabre, que integravam a fauna potiguar em uma época que se conta por milhões de anos, em uma terra que, como de resto a Chapada do Apodi, surgiu do fundo do mar, também há milhões de anos. Os ossos de um cliptodonte (um tatu gigante) que foram localizados pelo pesquisador Manuel Dailou Teixeira formam uma peça de indicação quase perfeita. 
ÁREA PESQUISADA
Olho D’Água da Escada apresenta um cenário bruto, inclemente, rude, áspero e agreste. A topologia é um desafio à presença do ser humano, que se sente repelido e quase agredido pelos cactos e outras vegetações características da caatinga nordestina. De espaço a espaço, o afloramento do calcário fere a vista, como em uma paisagem lunar. Completando a cena, cavernas abruptas aumentam o perigo para o passante desprevenido.
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Na época das pesquisas a civilização ainda não havia chegado totalmente ao local. Apenas um ou outro tiro de espingarda, disparado por um caçador ocasional, marcava a presença do homem. Distantes alguns quilômetros uns dos outros, se encontram pequenos roçados de milhos, feijão e algodão. A água era trazida de outras localidades, pois não há registro de riachos ou mesmo um único olho d’água, como era de se esperar pelo nome do lugar. 
EQUIPE
Os trabalhos de exploração foram realizados em Olho D’Água da Escada, distante oito quilômetros do povoado de Boa Sorte, onde ficaram acampados o professor José Nunes Cabral de Carvalho, diretor do Instituto de Antropologia da UFRN e chefe da equipe; o pesquisador Leon Diniz Dantas de Oliveira, do Departamento de Mastozoologia; os pesquisadores Manuel Daiton Teixeira de Vasconcelos, do setor de Geomorfologia; Marilda Fernandes de Carvalho, do setor de Paleontologia; José Crispin, do setor de Antropologia Física; Celma Bezerra, do departamento de Entomologia e o professor Antonio Campos e Silva, do Departamento de Geologia. 
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AS CONDIÇÕES
Trabalhando em condições precárias e em constante risco de vida, os pesquisadores faziam uma jornada de mais de dez horas de trabalho por dia. Andavam quilômetros a pé, em solo formado por pedras cortantes ou em veredas que correm dentro a caatinga, para atingirem as cavernas, onde estava localizado o material pesquisado. A descida às cavernas era feita por escadas de cardas, às vezes por aberturas estritas e abruptas, que mal oferecem condições de passagem para uma pessoa. As acomodações da equipe constavam de duas barracas de lona, sob as quais faziam suas refeições, dormiam, revelam filmes e se reuniam os membros do grupo. 
AS DESCOBERTAS
Ali foi que o Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte realizou alguns dos mais importantes achados fósseis do território nacional, somente comparável aos feitos de Peter Lungan, em Lagoa Santa, no Estado de Minas Gerais. Seis cavernas foram trabalhadas, sendo que a mais importante é a que recebeu a classificação de “F-3”, a qual tem a profundidade de 30 metros, ao pé da escada. Sua largura e seu comprimento são de 20 metros. Do seu salão central surgem dois túneis, um dos quis leva a um sumidouro com 40 metros de profundidade. Na ocasião, mais de vinte e duas toneladas de detritos foram removidas desta caverna, composto principalmente de terra e pedras resultante de assoreamento provocado pelas águas de chuva. 
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PRECIPITAÇÃO
Os pesquisadores estimaram que na época em que aqueles animais – hoje extintos e cujos fósseis foram encontrados – viviam na região de Baraúnas já eram constantes os períodos de estiagem. Em busca da água, os animais caminhavam para os únicos reservatórios que existiam: as cavernas que armazenavam as águas das chuvas. Cavernas essas que tinham (e ainda hoje têm) pequenas entradas nas grandes cavidades internas. Os pesados animais nelas se precipitaram quando o teto de calcário se partia e trazia todos os elementos de superfície. 
MATERIAL COLHIDO
Na ocasião o número de fósseis localizado representou um achado de grande valor. Foram encontrados restos de preguiças gigantes, um tatu de seis metros aproximadamente e um mamute primitivo. Por outro lado, milhares e milhares de pequenos ossos isolados ou componentes de conjuntos também foram encontrados e transportados para a sede do Instituto em Natal.
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Foto – Solón Rodrigues de Almeida Netto
As pesquisas visam a uma análise do passado e sua correlação com o presente. Paralelamente aos achados paleontólogos, foram sendo efetuados estudos sobre a fauna e a flora atual. Vários animais foram capturados ou mesmo abatidos, para comparação entre as faunas presente e a passada. Com vista a realização de estudos sobre a evolução do relevo do terreno, técnicos do setor geomorfologia (ramo da geologia física que estuda as formas atuais do relevo terrestre e investiga a sua origem e evolução) realizaram coleta de elementos atuais e residuais do passado, característicos da região estudada. Os estudos se complementavam com análise e pesquisa de mastozoologia (ramo da zoologia que se ocupa do estudo dos mamíferos), geomorfologia, paleontologia, antropologia física, entomologia e geologia. 
TAMBÉM EM SÃO RAFAEL
O Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte também realizou trabalhos de pesquisas no Município de São Rafael, situado na mesorregião Oeste Potiguar e na microrregião Vale do Açu, onde foram encontrados restos de material lítico (cerâmica). Na data das descobertas, esses objetos não tiveram idade catalogada, vez que não tinha sido encontrado um fóssil guia, nem se dispunha de métodos e equipamentos capazes de determinar a idade do material descoberto. A cerâmica encontrada em São Rafael, no nível dos fósseis, não permitiu aos pesquisadores afirmar se ela é contemporânea dos mastodontes, megatérios e outros animais pré-históricos. As pesquisas do Instituto de Antropologia foram realizadas, em grande parte, graças a ajuda recebida do Conselho Nacional de Pesquisas. 
DO INSTITUTO AO MUSEU
O Instituto de Antropologia foi criado pela Lei estadual nº 2694, de 22.11.1960, com órgão da então Universidade do Rio Grande do Norte, dias antes desta ser federalizada e ser transformada na atual Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sua primeira equipe técnica era composta por Luís da Câmara Cascudo, José Nunes Cabral de Carvalho, Veríssimo de Melo e D. Nivaldo Monte. O Instituto de Antropologia foi o primeiro órgão de pesquisa da instituição de ensino superior, tendo como objetivo “promover e divulgar estudos sobre o homem em seus diversos aspectos físicos e culturais, além de realizar pesquisas relativas às jazidas pré-históricas do território norte-rio-grandense”. Além das atividades de pesquisa direta, o Instituto oferecia cursos de extensão universitária nas áreas de antropologia, arqueologia, etnologia e paleontologia.
Em 1965 passou a ser denominado Instituto de Antropologia Câmara Cascudo, em homenagem ao seu primeiro diretor. Em outubro de 1973, por resolução do Conselho Universitário da UFRN, foi transformado em Museu Câmara Cascudo, tendo como compromisso “preservar os resultados das pesquisas e estruturar as atividades de proteção, utilização e exposição das peças do acervo”. 
Tomislav R. Femenick é jornalista, historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte-IHGRN.

SÃO JOÃO - ASSU

festas juninas - nordeste
Origem:

O calendário das festas católicas é marcado por diversas comemorações de dias de santos. Na tradição brasileira uma das mais festivas são as comemorações de São João. Esse ciclo passou a ser conhecido como Festas Juninas, englobando as reverencias aos principais santos homenageados no mês de junho: dia 13 Santo Antonio, dia 24 São João e dia 29 São Pedro e São Paulo. 

A origem destas festividades remonta um tempo muito antigo, anterior ao surgimento da era cristã e, portanto, do catolicismo.

De acordo com Sir James George Frazer, em seu livro O Ramo de Ouro, o mês de junho, tempo do solstício de verão na Europa, Oriente Médio e norte da África, ensejou inúmeras expressões rituais de invocação de fertilidade, para promover o crescimento da vegetação, fartura nas colheitas, trazer chuvas.

No Brasil:
 
Quando os portugueses iniciaram o empreendimento colonial no Brasil, a partir de 1.500, as festas de São João eram o centro das comemorações de junho. Alguns cronistas contam que os jesuítas acendiam as fogueiras e tochas em junho, provocando grande atração sobre os indígenas.

Pode-se observar, portanto, que ocorreu certa coincidência entre os propósitos católicos de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João.

Essa época coincide com a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui cultivam as colheitas e preparação dos novos plantios. Os roçados velhos, ainda estão em pleno vigor, repletos de mandioca, inhame, batata doce, abóboras, abacaxis; a colheita de milho e feijões ainda se encontra em período de consumo. 

Uma série ritual, no período, inclui um conjunto variado de festas que congregam as comunidades em danças, cantos, rezas e muita fartura de comida. Deve-se agradecer a abundância, reforçar os laços de parentesco, reverenciar as divindades aliadas e rezar forte para que os espíritos malignos não impeçam a fertilidade. 

Tradições:

Nestas festas, até bem pouco tempo, antes da febre dos grandes grupos musicais, era comum a integração de grupos familiares. Essa confraternização familiar era alicerçada pela prática do compadrio, momento em que eram ampliados os laços entre vizinhos, patrões e empregados. Havia duas maneiras através das quais as pessoas adultas ou jovens tornavam-se compadres e comadres, padrinhos e madrinhas: uma era, e ainda é através do batismo; a outra, através da fogueira nas festas de São João. Até o século dezenove, até mesmo os escravos podiam ser apadrinhados pelos senhores de terra.

No nordeste brasileiro os festejos juninos ocorrem nas comunidades rurais, nas ruas, nos bairros, nas cidades, nas paróquias, transformando-se na festa mais importante do ano. Estas comemorações acabaram por atrair turistas prontos para participarem das efervescentes festas matutas. 

Assu:

Assu é o município do Nordeste pioneiro no São João enquanto Padroeiro. Há 291 anos a Igreja realiza novenas e os paroquianos participam dos festejos sociais (cada época a seu modo) para comemorar o período junino. 

Em 1720 com a chegada do Padre Manoel de Mesquita e Silva o Assu começou a realizar os primeiros trabalhos de evangelização, implantando o hábito religioso ligado à religião Católica Apostólica Romana. Os primeiros atos religiosos ocorreram sob as sombras de frondosas árvores.

Depois de seis anos foi construída uma Casa de Oração e criada, em 24 de junho de 1726, a Freguesia de São João Batista da Ribeira do Assu. A Freguesia foi a segunda da então Capitania do Rio Grande e a quinta do Brasil. O Precursor do Messias, João Batista, foi pela primeira vez, no Brasil, escolhido oficialmente como Padroeiro de uma freguesia (o equivalente a Paróquia, atualmente).

No decorrer destes 291 anos o povo assuense tem mantido esta tradição com muita religiosidade, cultuando neste período a fé, devoção e confraternização. O social acontece em reunião de vizinhos, amigos e familiares para agradecerem por mais um ano de graças e pedem proteção para o ano vindouro. A fogueira é o símbolo maior deste período, tendo sido sempre a maior simbologia dessas manifestações. 

Baseando-se nesses costumes, por Assu não vivenciar somente os Festejos Juninos, e sim, ininterruptamente, a festa do seu Padroeiro, alicerçado nas manifestações folclóricas do nordeste brasileiro (estilo único no mundo) durante quase três séculos, podemos afirmar que a festa de São João, em Assu, quando se unifica as comemorações religiosas com as sociais (profanas) é o mais antigo do mundo.
Foto: Bruno Andrade
Fonte: Marcas que se foram - Ivan Pinheiro (livro inédito)
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_João.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

UM POETA POTIGUAR EM "PARA TODOS", ANTIGA E IMPORTANTE REVISTA CARIOCA

A revista "Para Todos", do Rio de Janeiro, circulou na década de 20 e 30. Era dirigida pelo designer e caricaturista J. Carlos. Periódico que focava o cinema, noticiava as expressões artísticas e culturais. Na edição de 27 de outubro de 1923 podemos conferir um poema (página intitulada "Pequenos Poemas") de autoria do poeta Norte rio-grandense, do Assu, João Lins Caldas (um dos poetas ainda esquecido e injustiçado das letras brasileiras), intitulado "Árvore Irmã". Aquela revista, também, publicava composições dos grandes poetas nacionais daquela época como Álvaro Moreira e o próprio Caldas, que apresentava a sua grande poesia.

(Clique na segunda imagem abaixo, para uma melhor visualizar o referido poema).
Fonte: Biblioteca Nacional.

Resultado de imagem para revista para todos


 


ÁRVORE IRMÃ

Aquela árvore despida,
Verde e irmã da minha vida,
Foi minha vida...
Deu-me seus frutos,
Deu-me seus galhos...
- Eu, entre os brutos,
Tive seus frutos...

Não para mim que a ingratidão brilhasse,
Não para mim que a ingratidão nascesse...
Eu falaria amor, si ela falasse,
Eu morreria amor, si ela morresse...

Árvore desajeitada,
Desconjuntada,
Irmã ou mãe como eu nasci no mundo...
Quando um dia tocarem-se afinados,
Sejamos igualados,
- Eu mergulhado no teu cerne fundo...
Sejamos como bons dois irmãos enterrados...

João Lins Caldas



Antiga chapa eleitoral. Eleições para prefeito e vereadores de Assu, início da década de 90, não me recordo examene o ano das eleições.