segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ASSU VISTO POR HENRY KOSTER


Plaquete - um breve documentário que publiquei quando o importante município do Assu, minha terra natal querida, completou 150 anos (Sesquicentenário), em 1995, sobre um pouco do Assu de ontem, com a colaboração da prefeitura daquele município, era prefeito Lourinaldo Soares. Neste livrinho transcrevo um importante depoimento sobre Assu visto em 1810 pelo viajante inglês Henrry Koster, do seu livro intitulado "Travels in Brazil" (Viagem ao Nordeste do Brasil), "Publicado originalmente em Londres em 1816, o relato do viajante inglês, que foi proprietário de engenho e terras no Brasil entre 1809 e 1820, contem valiosas descrições da estrutura socioeconômica do Nordeste no início do século XIX, ocupando-se da escravidão, das relações entre as etnias, da família, da religião e das mentalidades. O livro focaliza especialmente Pernambuco, mas se estende a outros estados da região, e inclui mapas e ilustrações de cenas urbanas e rurais, além de apêndices do botânico Manoel Arruda Câmara (1752-1810) sobre espécies vegetais úteis e a criação de jardins." Aquele livro tem tradução do escritor Câmara Cascudo, editado em primeira edição pela Companhia Editora Nacional, 1942, e em segunda edição pela Fundação Joaquim Nabuco, do Recife. Vejamos parte do longo depoimento de Koster sobre o Assu quando vila, conforme adiante:

"... Dormimos esta noite numa fazenda, onde várias casas reunidas formavam uma povoação, depois de ter atravessado grandes trechos de terras cobertos de árvores. Pela manhã subsequente ainda passamos arvoredos e, perto do meio dia, chegamos a Vila do Assu. Oh! Que alegria tive vendo uma igreja!... e a perspectiva regular de uma Vila, com pessoas civilizadas, se assim as posso chamar de "civilizadas", de acordo com as idéias europeias  Nesses lugares crescem plantas rapantes, iguais as que se vêem ao longo do mar da Inglaterra. As árvores são esparsas. O fruto do caju ou cajueiro (casou-tree) e o de mangaba são deliciosos e duplamente aceitáveis. Cheguei ao Assu a 1º de dezembro após ter feito cerca de 340 milhas em 19 dias... Do Assu ao Aracati registrei as denominações dos lugares que passava. A região é mais habitada e fomos mais próximo do litoral... A Vila do Assu é edificada em quadrado e consta de cerca de trezentos habitantes, tendo duas igrejas, a Câmara Municipal e a Prisão que então se construía  O Governador fora o promotor da obra. Está situada à margem do grande Rio Assu, no ponto em que este se divide em dois braços, a curta distância. Há uma ilha de areia entre os dois braços, e o chão estava em seu estado bruto... perguntei pela morada, a um negro de profissão, que meu guia conhecia. Estava como os outros, à porta, para ver os viajantes, e logo reconheceu o amigo e avançou para falar-lhe. Foi então procurar uma casa para nosso abrigo durante a estada. Logo que terminei a instalação e me arranjei, saí para visitar o vigário que residia na melhor, ou menos feia, habitação da Vila... Disse ao Vigário que ele era a primeira pessoa na Vila que tinha o prazer de visitar... A palestra pouco demorou e a não pude alongar por estar fatigadíssimo.. Soube existir nas embocaduras do Assu muitas salinas importantes e que várias barcas pequenas, vinham, de diversos pontos das costas, carregar produção... Na manhã seguinte Júlio regressou com cavalos e, entre três e quatro horas da tarde, deixamos o Assu.
Postado por Fernando Caldas

RECONHECIMENTO: COMUNICADOR JOSÉ REGIS SERÁ AGRACIADO COM MEDALHA DO MÉRITO LEGISLATIVO

projeto
CONVITE REGIS
Por intermédio de seu Cerimonial, a Assembleia Legislativa do RN, em Natal, anuncia para a próxima quinta-feira (27), às 9h30, no interior do Plenário Clóvis Motta, a realização de uma Sessão Solene na qual haverá a entrega da Medalha do Mérito Legislativo a várias personalidades com relevantes serviços reconhecidamente prestados ao Estado.

E, dentre os homenageados com a honraria especial está o comunicador assuense José Régis de Souza, titular do programa radiofônicoRegistrando, há 17 anos ocupando a faixa campeã de audiência de 12h às 13h, todos os sábados, na Rádio Princesa do Vale.

A homenagem ao comunicador assuense – e também responsável pelo blog doPrograma Registrando – foi uma deferência do deputado conterrâneo, George Soares (PR).

Os demais contemplados com idêntico merecimento são os desembargadores Aderson Silvino. Virgílio Macêdo Júnior e Eridson João Fernandes Medeiros; o coronel PM Francisco Canindé de Araújo Silva; os industriais Paulo de Tarso Rêgo de Lima, Vicente de Paula Rêgo de Lima e Pedro Alcântara Rêgo de Lima; Luiz Soares de Macedo Neto; Dr. João Francelino Filho; jornalista Francisco Canindé Queiroz; juíza Maria Neize de Andrade Fernandes; e, o médico Silvério Soares de Souza Neto

Postado por

Blog Pauta Aberta
O coração leve, a alma em paz,
as bagagens pesadas do passado
deixei-as lá atrás.
Não há dor, não há sofrimento.
Dormem em paz,
meus cômodos sonhos de outrora
enquanto meu âmago se lança
em estranhos passos.
O presente encontra um passado bem resolvido.
Entrancei a vida no hoje,
na alma serena,
trazendo a coragem de me encontrar.
Com sinceridade, sorrindo, recomeço,
no ondular do oceano e do vento.
Em terra firme, vivo intensamente o hoje,
o amanhã é navegar incerto.


Cristina Costa, poetisa portuguesa


✽❣──────────❀ღ✿────────•✤❥ 

O coração leve, a alma em paz,
as bagagens pesadas do passado 
deixei-as lá atrás.
Não há dor, não há sofrimento.
Dormem em paz,
meus cômodos sonhos de outrora
enquanto meu âmago se lança 
em estranhos passos.
O presente encontra um passado bem resolvido.
Entrancei a vida no hoje,
na alma serena,
trazendo a coragem de me encontrar.
Com sinceridade, sorrindo, recomeço,
no ondular do oceano e do vento.
Em terra firme, vivo intensamente o hoje,
o amanhã é navegar incerto.

✽❣──────────❀ღ✿────────•✤❥

sábado, 22 de novembro de 2014

COSTA LEITÃO - PORPINO - RENATO CALDAS

Luiz Antônio Porpino - Marechal Porpa como é mais conhecido, foi funcionário do Banco do Brasil, agência de Assu. Isso, nos idos de sessenta. Na terra assuense, Porpino também lecionou matemática, salvo engano, no Ginásio Pedro Amorim, bem como militou na política local a favor de Aluízio Alves. Pois bem, certo dia, numa conversa amistosa na calçada da prefeitura daquele município, o prefeito Costa Leitão se aproximou daquela turma de amigos (Seu Costa era natural de Umbuzeiro, interior do alto sertão da Paraíba) e saiu-se com essas palavras para com Porpino, a título de gozação: - "Mas, o Assu é muito bom! Porpino chegou hoje nesta cidade e já é professor!" - Renato Caldas presenciou o ocorrido e não deixou para depois, mandou chumbo grosso em defesa do amigo Porpino, dizendo assim:

Disse Costa, é um horror
Até falta de decência
Na terra da inteligência
Porpino ser professor.
Mas, Porpino tem Valor
Respondeu do meus jeito:
"É muita imbecilidade
Do povo desta cidade
Fazer de Costa prefeito."

Em tempo: Esta estória não tem o objetivo de denegrir absolutamente a memória de Costa Leitão, tem apenas o sentido humorístico, até porque Costa é considerado como um dos melhores prefeitos do Assu.

Fernando Caldas

O REPÓRTER POLÍTICO JOSÉ REGIS DE SOUZA VAI SER AGRACIADO COM "MEDALHA DO MÉRITO LEGISLATIVO"

Morre ‘Seu Lunga’, o personagem cearense de tolerância zero



O povo.com

Joaquim dos Santos Rodrigues, conhecido como “Seu Lunga”, morreu às 9h30 da manhã deste sábado, 22, na cidade de Barbalha, no interior do Ceará.

Seu Lunga foi internado na última quarta-feira, 19, por complicações no sistema digestivo.O quadro piorou na sexta-feira, levando ao falecimento do poeta.

Seu Lunga tinha 87 anos e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, onde tratava de um câncer de esôfago.

A revista CONTEXTO fez reportagem com Seu Lunga em 2012, quando o personagem recebeu os jornalistas Higo Lima e Cézar Alves em sua residência no Ceará.

Veja:





“Alguma vez você já foi corrigido porque cumprimentou alguém com um simples “Ola!”? Caso sua resposta seja um não, aconselhamos que leia essa reportagem até o final para descobrir que durante toda sua vida você cometeu um dos maiores erros de relacionamento. Isso porque o personagem que nos ensina a forma correta de cumprimentar o próximo é também o interlocutor de vários outros “causos” que se espalharam pelo Brasil devido à sua fama de intolerante às perguntas bestas.

Certamente já deu pra deduzir que estamos nos referindo ao “Seu Lunga”, ou simplesmente o “homem mais bruto do mundo”, como ele popularmente ficou conhecido. Que a reputação de Padre Cícero reina em Juazeiro do Norte, cidade cearense localizada a 520 quilômetros da capital Fortaleza, disso ninguém tem dúvidas. No entanto, exatamente na Rua Santa Luzia, uma das principais vias do comércio daquela cidade, a principal atração dos turistas passa longe da devoção ao “Padim Ciço”.



Eles querem mesmo é encontrar o ponto comercial famoso na cidade por vender ferro velho, roupas usadas e todo tipo de quinquilharia que couber na sucata do comerciante Joaquim Santos Rodrigues, 83. Na grande maioria das vezes, o principal interesse não é fazer uma compra, mas atestar a real brutalidade de Seu Lunga e ainda aproveitar a oportunidade para, propositalmente, fazer uma pergunta idiota. “Ora, eu aqui na minha sucata e o cabra chega e me pergunta: Seu Lunga, essa antena [de televisão] é pra vender? Veja se tem cabimento uma coisa dessas! Se essas coisas fossem pra eu dar, aqui num era um comércio”, disse ele no primeiro exemplo para nos provar que o título de “homem bruto” é um equívoco.

Na verdade, justifica Seu Lunga, as pessoas é que insistem em fazer perguntas idiotas: “dizem que eu sou bruto, mas eu sou é esclarecido: sei escrever, sei as quatro operações de conta, converso com juiz, prefeito e ainda discurso em velório e aniversário”, aponta ele, como se essas fossem grandes competências capazes de explicar sua pouca paciência para a “ignorância” alheia. Então, de onde surgiu a fama de mal-humorado? As pessoas que trabalham nas proximidades do comércio de Lunga confirmam que, de fato, a simpatia dele é curta, porém a raiz de onde sua fama se espalhou tão rapidamente pelo Brasil é outra.

De acordo com Cícera Rodrigues Camilo, a segunda filha mais velha de Seu Lunga, a culpa pela disseminação é dos cordéis que começaram a circular pela cidade nos anos 80 trazendo histórias relacionadas a ele. Logo as publicações se multiplicaram e ganharam versões nos shows de piadas dos humoristas cearenses, parte deles oriundos da região do Cariri, onde está situada Juazeiro. Um dos primeiros cordelistas a transcrever os causos foi Abraão Batista, que por sinal está proibido pela Justiça do Ceará de mencionar Seu Lunga na narrativa dos seus cordéis. “Esse homem é um professor, uma pessoa esclarecida e mesmo assim fez isso com meu pai. Hoje todo mundo debocha dele por causa dessas mentiras que Batista começou a escrever”, desabafa Cícera.

Se os livretos de cordéis imortalizaram as respostas de Seu Lunga, na internet elas se disseminam numa velocidade imensurável. Uma busca no Google apresenta mais de 820 mil links relacionados a ele, além de quatro perfis (falsos, obviamente) no microblog Twitter (em um deles há mais de 23.300 seguidores) reproduzindo perguntas óbvias e respostas nada amigáveis.

Devido à idade avançada e ao abuso dos visitantes, a família composta por 14 filhos, sendo que 12 ainda estão vivos, sempre mantém um parente vistoriando o comércio de Seu Lunga. “A gente fica por aqui porque sempre aparece um engraçado pra curtir com a cara do meu pai. Só pra você ter uma ideia, os guias turísticos trazem comitivas de gente pra vê-lo. Enchem essa calçada e ainda acham engraçado essa pouca vergonha”, diz Cícera.

Temperamental, a filha de Seu Lunga não nega a genética e já denuncia seguir com a irritabilidade herdada do pai. Tanto que para esta reportagem o fotógrafo (César Alves) até conseguiu um diálogo com Seu Lunga, mas não obteve o mesmo sucesso com a filha, quando ela avistou os fleches da câmera. “O que você quer fazendo fotos do meu pai? Olhe, se isso for pra sair em revista de imoralidade, a história não vai dar certo”, ameaça ela, fazendo referência à reportagem publicada na edição de julho da Revista Playboy.

 
Cotidiano

Como um legítimo homem do sertão, Seu Lunga começa o dia antes do sol aparecer, mas só abre o ferro-velho por volta das 8h e permanece até o final do dia, às 17h. Isso de segunda a sexta-feira, porque aos sábados o expediente é reduzido pela metade (até meio-dia), já que no restante do final de semana a família se refugia num sítio na zona rural de Juazeiro.

Ele, a filha Cícera e a esposa Carmelita Rodrigues Camilo, 84 anos, com quem é casado há seis décadas, moram na principal rua da cidade (em frente à Praça do Memorial Padre Cícero), em uma casa com muro alto que os filhos mandaram construir para diminuir o assédio. No ferro-velho, Seu Lunga passa boa parte do tempo mexendo e mudando as quinquilharias de lugar, quando não está atendendo as tietagens.

Visitar Seu Lunga é apostar na sorte de encontrá-lo em dias de “bons amigos”, situação na qual ele ainda conversa, declama poesia, pousa para foto e até opina sobre tudo: política, economia, comportamento etc. Em contrapartida, quando o homem se irrita, não tem quem consiga um segundo de sua atenção. Quando questionado pela sua condição de celebridade, ele solta o verbo na resposta: “Olhe, isso é uma pouca vergonha! O cabra parece num ter o que fazer e vem pra cá com conversa de foto… Um dia desse a moça me perguntou se eu achava que era tão importante quanto meu ‘Padim Ciço’. Dá vontade do caba num responder um absurdo desse, a pessoa vem me comparar com Padre Cícero”.



Às vezes, brando 

O vulcão de grosserias de Seu Lunga sempre cessa quando lhe é pedido que declame uma poesia. Mulher e natureza são as temáticas mais comuns aos seus versos, que confessa não saber quantas obras já compôs. “Seu Lunga, o senhor já escreveu quantos poemas?”, perguntou um dos visitantes e ele respondeu: “você acha mesmo que eu vou contar?”, sem nem olhar para quem o questionou, ele começou:

“A mulher pra ser bonita
Precisa ser alta e bela
Tendo o corpo desenhado,
morena cor de canela,
Mas os rapazes da ribeira
Tão tudo louco por ela”

 A autoria das poesias até pode ser questionada. Não a sua arte, porque a prosa também é um trunfo para tirá-lo do mau humor. Detentor de uma oratória recheada de metáforas, Seu Lunga também, vez por outra, profere discursos em velórios e aniversários. “Há trinta anos fui ao enterro de Antônio Fininho (um de seus amigos), e lá comecei uns dizeres (o seu discurso), quando terminei de falar eu contei 15 pessoas chorando”, relembra ele com vaidade. Ele não aceita convite, só vai a essas solenidades por vontade própria. Antes do ferro-velho ele já atuou na agricultura, era proprietário de uma banca de cereais no mercado da cidade e até candidato a vereador. “Foi um louco que tem aqui que resolveu usar o nome do meu pai pra ver se conseguia votos”, diz a filha, sem deixar que Seu Lunga escute a conversa porque “ele chega a passar mal de tanta raiva quando falam nisso”, adverte.

Os vizinhos da rua desmentem o mito de brutalidade, mas não tergiversam de que a paciência de Seu Lunga realmente é frágil. “Ele é um grande conversador de causos, tem uma memória muito boa, mas a conversa não vai adiante se fizer uma pergunta ou um comentário besta”, diz um senhor que garante dividir o banco da praça nos dias em que Seu Lunga resolve sair de casa.



Antes de nos despedirmos da personalidade viva mais famosa de Juazeiro do Norte, apostamos numa última pergunta para fazer agrado a Seu Lunga: “O senhor conhece Mossoró, terra de Santa Luzia, Seu Lunga?” e a resposta veio depois de um intervalo silencioso (enquanto olhava fixo para uma prateleira cheia de ferro-velho) quando ele soltou: “meu filho, você não tinha nada mais importante pra fazer lá não? Pergunta besta essa sua!”. Cada intransigência de Seu Lunga é o suficiente para arrancar gargalhadas da pequena plateia que se aglomera na calçada do ferro-velho.

Como se ainda não estivesse sido o suficiente, um turista (e curioso) se despede de Seu Lunga com um simpático “Até mais, Seu Lunga”. Não teve jeito! Foi a deixa perfeita para ele soltar mais uma das suas explicações: “quem disse que eu vou ver esse sujeito de novo? Ora, a pessoa num sabe mais nem se direcionar ao outro porque num existe essa história de ‘Ola!’, ‘Até mais’ e agora ainda inventaram o ‘valeu’… O certo é “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”… e pronto!”

* Texto: Higo Lima
* Fotos: Cézar Alves

Morre 'Seu Lunga', o personagem cearense de tolerância zero com a burrice

 

Imagem da Web.

O sucateiro que se tornou um personagem da cultura popular nordestina, Joaquim Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", morreu hoje pela manhã, por volta de 9h30, aos 87 anos, em decorrência de um câncer no esôfago. Ele estava internado no hospital São Vicente, em Barbalha. Seu Lunga morava com a esposa Carmelita Rodrigues Camilo e foi desse matrimônio que nasceram 13 filhos.

Biografia

Joaquim dos Santos Rodrigues nasceu em 18 de agosto de 1927, no Sítio Gravatá no município de Caririaçu, e viveu a infância com os pais e sete irmãos no município de Assaré. Recebeu um apelido por uma senhora, que era vizinha, e passou a chamá-lo de Calunga, que mais adiante se reduziu para Lunga. Com 16 anos de idade foi morar no município de Juazeiro do Norte. Casou em 1951 e tornou-se pai de treze filhos. Lunga era dono de uma sucata em Juazeiro do Norte que vendia de tudo, desde aparelhos de televisão a frutas.

Processo

Em 2011, Seu Lunga venceu um processo contra o cordelista Abrahão Batista, que utilizava o apelido do sucateiro em suas publicações. "Eu não desejo nenhuma indenização. Quero somente que ele deixe de escrever mentiras em meu nome", disse, à época, ao Diário do Nordeste. Abrahão publicou o cordel com o título "As histórias de Seu Lunga, o homem mais zangado do mundo", que narra frases e respostas atribuídas ao comerciante.

A revista CONTEXTO, do grupo defato.com, fez reportagem especial com Seu Lunga em 2012. Leia clicando aqui.

 http://www.defato.com

QUANDO A POLÍTICA VALE A PENA

Desta plaquete (1996), feita de estórias pitorescas, bem como de alguns episódios da política potiguar, transcrevo:

A cor verde no Rio Grande do Norte representava o bloco político-partidário do ex-governador Aluízio Alves (PSD) e a cor vermelha o bloco do senador Dinarte Mariz (UDN). Isso no tempo em que a política potiguar vivia momentos de radicalismo tenso e intenso, entre Aluízio e Dinarte. Pois bem, Antônio Benevides foi em Santa Luzia, atual e próspero município de Carnaubais, grande agropecuarista. Naquele lugar, Benevides fazia política e, numa certa eleição para governador tivera insucesso nas urnas, o candidato que ele apoiou para prefeito perdera a eleição. Não gostando do resultado negativo, desabafou: - "Eu não entendo os meus eleitores. Quando eu vou pro verde, eles vão pro vermelho. Quando eu vou pro vermelho, eles vão pro verde!

O ex-deputado Edgard Montenegro, foi líder inconteste do vale do Açu durante décadas. Rdgard é veterano da política potiguar,com muitos quilômetros rodados na política do Rio Grande do Norte. Ainda vive com seus bons 94 anos, ainda lúcido. Herdou de Pedro Amorim, que foi prefeito do Assu, deputado estadual presidente da Assembleia Constituinte de 1945, o seu espólio político. Bom orador, a sua voz tem o timbre que a circunstância exige, os gestos das mãos e das pernas sempre em sintonia com as palavras. A sua voz em defesa do Vale do Açu ainda ecoam pela várzea adentro. Não existe uma importante obra naquela região que não tenha a sua participação. A Eletrificação Rural, o Canal do Pataxó, são exemplos. Financeiramente é equilibrado, 'seguro', um pão duro no dizer popular, nunca gostou de comprar o voto a ninguém. Certa vez chega um eleitor em sua casa da cidade de Assu, perguntando em voz alta: - "Edgard está? - (é de gastar?) - Conta-se  que sua mulher Maria Auxiliadora com aquele seu jeito aristocrático e pausado de falar, respondeu - "Nenhum tostão!" - Para decepção do eleitor que saiu de fininho.

José Luiz Silva na década de setenta candidatou-se a deputado federal pelo MDB, atual PMDB. No município de Pendências/RN onde foi pároco, decidiu ir buscar o voto. Lá, em Pendências, encontrou-se no Mercado Público com um velho amigo chamado Cícero que ao tomar conhecimento da sua candidatura, prometeu conseguir para ele, Zé Luiz, 10 votos. Cícero tinha um compadre chama Zé que necessitava de uma prótese dentária, o que de pronto Zé Luiz arranjou. Final da apuração Zé Luiz não obteve nenhum voto nas urnas da localidade onde votavam Seu Zé e família. Revoltado, Cícero ao encontrar seu compadre pela feira livre daquela cidade, não pensou duas vezes: - "Compadre Zé, abra a boca que eu quero ver se a dentadura ficou boa!" Zé, ao abrir a boca, Cícero retirou a dentadura e, indignado, soltou essa: - "Espere agora, filho da puta, quatro anos para sorrir outra vez!"

Em tempo: Cícero é irmão de doutor Uóston que recebeu um tiro no pescoço quando do último comício de Jessé Freire candidato ao senado, na época da "Paz Pública" em que Tarcísio Maia e Aluízio Alves se entenderam politicamente. Segundo comentários, aquele episódio não passara de mera simulação, para criar um fato novo, sensibilizar o eleitor rio-grandense e consequentemente assegurar a vitória de Jessé contra Radir Pereira. É que em política o feio é perder!

Fernando Caldas

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Celso da Silveira, Cheio de Graça

 

 "Merece também um lugar na imortalidade. Tem todos os méritos. Tem uma obra. Um trabalho digno de respeito. É um escritor, é um poeta, será o que quiser.".

Dorian Jorge Freire

"Confesso que não sei onde catalogá-lo como poeta ou como boêmio. Se é verdade que nem todo poeta é boêmio, mas todo boêmio é poeta, Celso da Silveira é um misto de poeta e boêmio.". 

Ezequiel Fonseca Filho 

"Iinquieto agitador cultural que tão bem soube encantar populares e intelectuais com suas histórias desconcertantes e hilárias.".

Yuno Silva



Celso Dantas da Silveira (1929-2004) era assuense de ótima qualidade, garboso, bonachão, eloquente, prosador dos melhores. Eu tinha por ele uma grande admiração e simpatia. Sorriso franco, glutão famoso, boêmio. Celso carregava no seu corpo de média estatura, pouco mais de cem quilos. Nasceu na cidade de Assu, no antigo sobrado denominado de Castelo, da então Rua Das Flores, que também já fora denominadas de Rua Pedro Amorim, Siqueira Campos, Floriano Peixoto, atual Manoel Montenegro, onde também nasceu o afamado poeta Renato Caldas . Celso viveu uma vida recheada de felicidades. Era um exímio contador de estórias pitorescas de sua criatividade e das figuras espirituosas da terra potiguar.

Menino irrequieto, cheio de peripécias próprias da idade. já metido a gente grande, Celso sempre acompanhava seus pais João Celso e dona Maria Leocádia, em noites de festas bailes realizadas no Assu. Pois bem, certa vez, num baile de carnaval num local improvisado, Celso deu uma escapulida, foi cheirar lança perfume num certo armazém de compra e venda de algodão, vizinho ao local onde se realizava a festança, da antiga Rua São João, centro de Assu. João Celso sentindo a falta do menino traquino, foi procurá-lo encontrando-o em porre, entre os fardos de algodão. Alucinado. soltou a frase denunciadora: "Não diga a papai, não!".

Certo dia, Celso fora a um centro espírita em Natal. O médium vidente dirigiu a palavra a Celso para lhe fazer  alusão a um espírito de luz que o acompanhava. E Celso então desejou saber daquele médium mais detalhes sobre o porque da predileção daquele espírito para com ele. O médium então descreveu o tipo do espírito: "O nome dele é Douglas, é padre, italiano, desencarnou em São Paulo". Celso não deixou para depois, dizendo assim: "Será que esse Douglas é aquele que dirige o meu carro quando estou bêbado?"

Celso teve o privilégio de estudar no Colégio Militar Castelo Branco, da Arquidiocese de Fortaleza, antes no Colégio das Freiras de Assu, e São João, da capital cearense. Tempos depois regressou a Natal com o objetivo de estudar no Atheneu, da Junqueira Aires, depois voltou a sua terra natal onde foi lecionar na Escola Normal Regional de Açu, trabalhando em cartório da Comarca do Assu. Herdou dos seus ancestrais a arte da prosa e do verso, produzindo uma obra que enriquece as letras, o folclore norte-riograndense.

Na terra assuense de tantas tradições, Celso foi escoteiro, vereador, professor, ator, fundou o Jornal Advertência, em parceria com João Marcolino de Vasconcelos, além de fundar o 1º Museu de Arte Popular, no Brasil, bem como o Clube do Copo, que tinha como objetivo realizar saraus, tertúlias literárias e serenatas.

Celso nos idos de cinquenta deixou a convivência harmoniosa da Fazenda Camelo e Limoeiro, dos
verdes carnaubais da sua terra, passando a residir na cidade do Natal, do "Potengi amado", como diz a canção de Othoniel. Naquela capital, bacharelou-se em jornalismo e comunicação Social pela Faculdade de Jornalismo Eloy de Souza, trabalhou e colaborou em diversos jornais de Natal , como Tribuna do Norte, repórter da sucursal do Jornal do Commercio, do Recife. na capital natalense foi chefe de gabinete do prefeito Djalma Maranhão.

Conviveu com grandes nomes das letras potiguares, como Como João Lins Caldas, Câmara Cascudo (que ele conheceu através do poeta Renato Caldas), Veríssimo de Melo, Manoel Rodrigues de Melo, Sandoval Wanderley, Newton Navarro, Luis Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Bosco Lopes, Myrian Coeli (com quem veio a se se casou), Andíère Abreu, dentre outros da velha e jovem guarda.

No dizer de Manoel Onofre Junior, Celso "vale por toda uma academia", pois, a sua obra é constituída de "26 Poemas de Um Menino Grande", 1952 (seu livro de estréia que mereceu elogio e a influência do grande poeta modernista João Lins Caldas ) , "Imagem Virtual", 1961, "Glosa Glosarum", 1979, "O Homem Ri de Graça", 1982, "Salvados do Assu", 1996 (que conta alguns fatos da história da terra assuense, seus casarões e aspectos do Vale do Açu), "Assu, gente, Natureza, História", 1996, (livro didático), "Peido, o Traque Pum" - O Valor que o Peido Tem", 1989, "Anjos Meus, Aonde Estais", 1996, (que relembra algumas figuras da terra assuense.


O peido de um general

não pode ser comparado com

O peido de um soldado

Que em tudo é desigual

Tem gente que peida mal,

Há outros que peidam bem

Eu não conheço ninguém

Que ainda não tenha peidado

Mas o povo não tem dado

o valor que o peido tem.



Afinal, suas "conversas" eram recheadas de muita ironia e humor... Ninguém ficava indiferente ``a sua presença.".

E numa manhã de domingo, 2 de janeiro de 2005 (ele nasceu no dia 25 de outubro de 1929) , partiu aos 75 anos de idade para fazer versos e graças lá no céu, deixando o Assu - a terra que ele tanto amou - sem a sua irreverência, sem o seu talento e sua arte de escrever, que lhe fez conhecido como "O Bocagiano Potiguar", pelas suas glosas irreverentes que sabia produzir.

Celso da Silveira está enterrado na cidade do Natal, terra que ele escolheu para viver até morrer aos 75 anos de idade. O seu sepultamento ocorreu conforme pedira aos seus familiares: "Sem choro nem vela, sem discursos, nem flores.".


Epitáfio é título de um dos seus poemas. Vejamos:

Aqui jaz o poeta
e não o canto
que dele foi deflagrado
como a flecha de um arco.
Em cada intercessão
do trajeto alcançado
inércia e movimento
ganham o mesmo compasso.
Paro e passo, paripassu
o canto e o silêncio
para sempre viajado.

Fernando Caldas
    Negra

    O teu avô Costa d’África, filhinha,
    Bárbaro, de uma negra irremediabilidade,
    O teu avô, de tanga, acostumado ao Brasil.
    Noites que despertou sob o chão do chicote!
    O chão... tudo era um chão de látegos rangendo,
    E ao longe o cafezal, a mata enorme se desbravando...

    Hoje tem sangue turco em cada veia,
    Um sangue português, a gemer gargalhada.
    Um índio chegou, de solto, as tuas velas que se brilharam...

    És muitos continentes, na verdade,
    Quase negra, nos olhos,
    Deixa ver-te os cabelos, enroscados,
    Vamos, meu timbre louro,
    Tu morrestes nas raças, diluída,
    E nas raças do teu corpo eu que adoro a verdade.

    Nota: Se Guilherme de Almeida escreveu “Raça”, em 1925, uma obra “que tem como tema a gênese da nação e da formação múltipla da raça brasileira”, João Lins Caldas (nascido no Rio Grande do Norte em 1888, ano da abolição da escravatura no Brasil), já teria produzido no seu tempo de Rio de Janeiro, 1921, o poema patriótico e de exaltação ao Brasil intitulado “Negra”, que para Augusto Frederico Shimidt (1906-1965), "o negra de Caldas vale por toda uma "Raça" de Guilherme de Almeida."


terça-feira, 18 de novembro de 2014

João Batista Machado lança livro com as memórias da época que atuava como repórter político

16/11/2014 - 14:35
Argemiro Lima/NJ
Machadinho, o nome afetivo do jornalista que durante trinta anos exerceu a função de repórter político e assessor de imprensa, conta que cansou do trabalho que é publicar uma obra
O jornalista João Batista Machado, 71, arquivo rico de informações e conhecedor profundo dos bastidores políticos do Rio Grande do Norte nas últimas sete décadas, vai parar de escrever livros.  “Bastidores do Poder – Memórias de um repórter” é a derradeira de um conjunto de onze obras.

“Bastidores do Poder”,  livro memorialista, será lançado na próxima terça-feira (18), às 18h, na Academia Norte-riograndense de Letras, onde João Batista Machado ocupa uma das cadeiras de imortais. Mostra a vivência do autor como repórter político com personalidades locais, regionais, nacionais e internacionais como foram os encontros com o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, e com o Papa João Paulo II, em Natal.  

Machadinho, o nome afetivo do jornalista que durante trinta anos exerceu a função de repórter político e assessor de imprensa, conta que cansou do trabalho que é publicar uma obra. “Livro agora só se for  na próxima encarnação, se Deus permitir que eu volte”, diz. 

“É muito estressante”, desabafa Machadinho sobre  processo de fazer um livro até seu lançamento. “O que eu já tinha de contar, eu já contei”, complementa ele, que nas suas memórias faz um sumário de  41 acontecimentos que marcaram sua vida profissional e pessoal. 

No primeiro capítulo de Bastidores do Poder, Machadinho conta com minúcias os acordos entre o governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, e o deputado federal Ulisses Guimarães, para a candidatura do primeiro à presidência da República em 1985.Revela detalhes das conversas de Tancredo Neves com os governadores do Nordeste do PDS, partido de sustentação do governo militar.

Os governadores da região eram  maioria no Colégio Eleitoral e  foram decisivos para a eleição do presidente da República, que marcaria dali em diante o fim do regime militar no país.O autor fala que depois dos entendimentos do mineiro Tancredo com jovens governadores como José Agripino (RN) e Hugo Napoleão (PI), o PDS dividiu-se em dois. A ala liberal do partido apoiava Tancredo e a conservadora, Paulo Maluf,  candidato a presidente também. 

A Nova República, que estabeleceu o fim da ditadura, nasceu do rompimento do PDS. Dos noves governadores do Nordeste, somente o paraibano Wilson Braga ficou com Maluf e os demais romperam com o presidente general João Batista de Figueiredo e criaram a Frente Liberal, a dissidência do PDS.Maluf, reporta Machadinho, veio várias vezes ao RN em busca de apoio. Ele era amigo de Lavoisier Maia. 

Aqui, conta o jornalista, o paulista ameaçou José Agripino dizendo que quem era do PDS tinha que votar no PDS. Se assim não fosse, ele iria invocar a  lealdade  partidária, o que não valia para o Colégio Eleitoral, uma brecha  que o regime autoritário deixou passar. Machado, na condição de assessor de imprensa de José Agripino, comparecia às reuniões da Sudene semanalmente e via Maluf tentar se aproximar dos governadores do Nordeste. 

Teotônio Vilela, senador por Alagoas, conhecido como menestrel por sua posição em favor da redemocratização do país, também veio a Natal visitar uma sobrinha. Era o rebelde da Arena, Vilela. Com Machadinho, ele deixou os assuntos políticos de lado e falou sobre boemia e contou um fato que aconteceu em Brasília. Com um grupo de amigos, acabou em dez dias o grande estoque de bebidas que tinha em seu apartamento, encerrando o capítulo da bebida em sua vida. 

Mas o primeiro contato que Machadinho teve com Petrônio Portela, foi em Brasília, acompanhado do senador da Arena, Dinarte Mariz, que fez grande pressão para os repórteres entrarem no gabinete dele, que estava mau humorado.  Mesmo assim, ressalta Machadinho, Portela era um homem habilidoso com as palavras.
http://www.novojornal.jor.br/

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não vemos a que se abriu."
__Helen Keller

Da linha do tempo/face de SP

O Gordo e o Magro - O Grande Negócio (1929) - Filme Completo Dublado

Estudante de Ipanguaçu RN é finalista da Olimpíada de Língua Portuguesa


O estudante Carlos Camilo Batista Vieira, aluno do 9º ano da Escola Municipal Francisco Florêncio Lopes, em Ipanguaçu, é um dos finalistas de todo o Brasil no gênero Crônica da Olímpiada de Língua Portuguesa (OLP) – Escrevendo o Futuro.

O jovem estudante concorreu a meio produções textuais de mais de cinco mil municípios de todo o país, segundo a informação vinda da assessoria de imprensa do Executivo ipanguaçuense.

O anuncio foi feito nesta última quarta-feira (12) em Porto Alegre (RS), onde estavam reunidos os 125 semifinalistas de todo o Brasil dentro do gênero.

Os semifinalistas já tinham sido vencedores das etapas escolares, municipais e estaduais dos respectivos estados, e concorriam à vaga para a grande final.
Carlos Camilo, morador da comunidade de Pataxó, é autor da crônica Só entra quem pode.

Ele é um dos 38 finalistas que agora participarão da final em Brasília, previsto para dezembro desse ano.

O cronista concorre agora como melhor produção textual dentro do gênero de todo o Brasil.

Camilo foi orientado pela professora de língua portuguesa, Diana Lopes Bezerra, que o acompanhou nas oficinas regionais no Estado do RS.

Foto: Assecom P. M. Ipanguaçu
Postado por Pauta Aberta.

Por Cristina Costa, poetisa portuguesa
Livre de amarras e cobranças
formato-me emoções sem sofrimentos.
São meras expressões da minha estranheza.
Nesta explosão de sentimentos tão insana
se desfazem todos os meus medos.
Não há como desvendar meus mistérios ou segredos.
Eufemismos de quem se perdeu quando se encontrou.
Amo convicta por acreditar,que em mim existe e não morreu, o verbo amar.

sábado, 15 de novembro de 2014

LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRA, A SANTA DO AÇU

Título do blog

"O livro conta a história da mártir Lindalva Justo de Oliveira, seu perfil biográfico e itinerário espiritual, com base em testemunhos das pessoas que a conheceram ou que com ela conviveram e em documentação original organizada sob a forma de biografia romanceada por Gaetano Passarelli - consultor histórico da Congregação da Causa dos Santos e escritor experiente e talentoso. Nordestina, nascida de uma família humilde na cidade de Açu, interior do Rio Grande do Norte, Lindalva foi uma criança muito sensível e ponderada, dedicada desde cedo aos cuidados de seus irmãos e à caridade aos mais necessitados. Os bons exemplos recebidos de seus pais, pessoas simples, mas corretas, afetuosas e de profunda espiritualidade, plantaram em seu coração a semente da vocação religiosa e o desejo de seguir os passos de Jesus, que ela só teve oportunidade de realizar aos 33 anos, quando entrou para a Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo."
Uma Didática da Invenção
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

Manoel de Barros
foto s/créditos

De: Yara Darin

ASSÚ – A ATENAS NORTE-RIO-GRANDENSE

  

Em tempos que já vão distantes, o Assú primou pelo seu amor às Letras e pela sua dedicação às Artes. Seu povo tinha em alta conta o desenvolvimento da Inteligência e o apogeu da Cultura. A sensibilidade era a sua constância. Dotados de um acentuado senso artístico, os seus filhos alinhavam os seus propósitos e as suas tendências no sentido do aperfeiçoamento e do evoluir cultural.
         Enamorados do Belo, tinham a percepção do seu encantamento, do seu êxtase e do seu predomínio na estrutura espiritual. Tamanha era essa desenvoltura, esse apego, esse apaixonamento, que, em última análise, se poderia pensar serem esses atributos um sentimentalismo congênito ou então seria uma predestinação atávica ou uma determinação biológica.
         O certo é que esse afeiçoamento ao gosto, esse querer à Estética tinha o poder mágico de contaminar o meio ambiental. A espontaneidade das revelações no domínio das belas-artes surpreendia. A disputa na conquista de uma escalada maior no aprimoramento do espírito, como que despertavam as energias telúricas, os entendimentos nativos, convergindo as idéias para o ponto centralizador que outro não era senão a ganância do Saber.
 Campo fértil às atividades do Pensamento, as culturas filosóficas eram assimiladas, aproveitadas para o encadeamento, o entrosamento de uma organização de feitio literário capaz de, pela sua objetividade, propiciar o granjeio de conhecimentos especializados. Havia, nessas épocas que já descambam para o esquecimento, uma sintonização mental criando uma mentalidade propiciatória aos elevados empreendimentos sociais e recreativos: Velhos e moços se aglutinavam, se harmonizavam e se entendiam na promoção de tertúlias literárias destinadas a acelerar, a desenvolver e a intelectualizar o meio ambiente.
         Daí, em nossa terra, ter tido a Imprensa, a poesia, o jornalismo, o teatro e a música relevante destaque em nível de Estado. Há na nova geração um fenômeno assustador. É o alheamento ao pretérito. É tão acentuado, que difícil se torna ao pesquisador concatenar acontecimentos, às vezes muito remotos, se tiver que confiar na veracidade do seu depoimento, não por mistificações, acreditamos, porém, por desapego, desinteresse às cousas do passado (*).
No ano de 1922 Ezequiel Wanderley - poeta, cronista e dramaturgo, planejou e editou um livro que recebeu o apoio de intelectuais e do governo do Estado. Este livro recebeu o título de “POETAS DO RIO GRANDE DO NORTE” reuniu trabalhos e biografias de 108 poetas nascidos no território potiguar. Sua publicação foi autorizada pelo então governador do Estado Sr. Antonio de Souza, fundamentado na Lei nº 145, de 06 de agosto de 1900.
A antologia em bem pouco tempo tornou-se obra rara. Dos 108 poetas do Rio Grande do Norte, da época, 28 eram assuenses e deste total, doze assuenses pertenciam à Academia Norte Rio Grandense de Letras.
Em decorrência desta presença, tanto no livro quanto na Academia, e levando em consideração o relevante destaque do município no que concerne a literatura (primeiro jornal do interior – O Assuense – foi lançado em Assú), primeiro Médico, primeiro poeta e primeiro romancista do Estado foi o assuense Dr. Luiz Carlos Lins Wanderley, primeiro carnaval de rua foi em Assú. E ainda, pela singular presença da cidade no ramo do teatro, na música e nas realizações de festas populares e folguedos como: São João, pastoril, lapinha, bumba meu boi, calungas, entre outras, fez com que os intelectuais do Estado atribuíssem ao Assú os seguintes epítetos culturais: “Terra dos Poetas” “A Atenas Norte-Riograndense”, esta última, comparando o Assú a capital da Grécia, Atenas - solo onde nasceram e viveram os maiores pensadores e artistas da antiguidade.
A partir desta publicação de 1922, até os dias atuais, o Assú tem mantido estes pseudônimos, diga-se de passagem com muitas dificuldades. No entanto, ainda encontramos na cidade, remanescentes destas tradições, sobretudo, na arte musical, na literatura e na poesia.
Muita coisa precisa ser feita e trabalhada para que nossos jovens despertem para manterem estas tradições. O governo (municipal, estadual e federal) precisa investir em cultura. A população precisa se movimentar e começar a produzir. Especialmente a classe jovem, estudantil.
Lá fora somos reconhecidos como: “Terra dos Poetas”, “A Atenas Norte-Riograndense”. E em Assú? será que fazemos por onde para permanecermos sendo reconhecidos culturalmente? Certamente, dependerá da ação de cada assuense nesta linha de conscientização... Só o tempo dirá.
        
(*) Esse relato é parte da crônica de apresentação do livro “História do Teatro no Assú”, de Francisco Amorim, publicado no ano de 1972, onde podemos claramente observar que depois de mais de 30 anos pouca coisa em Assú mudou. Infelizmente.
FONTE: Livro Poetas do Rio grande do Norte – Ezequiel Wanderley – 2ª Edição – 1993
Assú – “Atenas Norte-Riograndense” – João Carlos Wanderley - 1966.

Do blo: http://assunapontadalingua.blogspot.com.br/

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O preço

Certa vez, um sábio perguntou:
- qual o preço de um homem?
O discípulo respondeu:
- depende do tamanho de sua covardia.

Anchieta Rolim

Esmeraldo Homem Siqueira

A pena aguçada do escritor e crítico contumaz – Esmeraldo Siqueira

II – Ensaios
“Mais um dia … E é o mês de Agosto,
Mês de Itajubá e o meu
Conquanto irmãos no desgosto
Foi mais feliz: já morreu”
(Esmeraldo: Mês de Agosto)
Introdução
A sede de conhecimento do homem é ilimitada. Esmeraldo Homem Siqueira era um desses curiosos insaciáveis. Um homem de um saber amplo e profundo. A limitação da vida faz dessa busca de conhecimento uma dolorosa e angustiante contingência. Esmeraldo quer saber tudo, e ver na vida e obra do outro uma forma de aprendizado e lição. O livro é a sua matéria. Em “ Modus Vivendi”, o poeta faz a sua profissão de fé: Para o meu tédio curar ( mal que, aliás, não tem cura), / Ponho-me a ler e a estudar, / Cultivo a literatura.
Esmeraldo tem pressa e escreve tudo que sabe e leu em sua vasta e diversificada biblioteca de um médico de província. Felizmente, para a cidade de Natal, parte dessa rica biblioteca que leva o nome de seu famoso proprietário encontra-se atualmente na Capitania das Artes, ali na rua onde morava o escritor Câmara Cascudo. Esmeraldo Siqueira escreveu em torno de duas dezenas de livros. Neles convivem o homem de ciências e o poeta lírico. Escreveu entre outros livros: Caminhos Sonoros, Trovas Pretéritas, Taine e Renan, Variações em Prosa, Gregos e Latinos na literatura, Sugestões da Vida e dos Livros, etc.
Esmeraldo é um homem irascível e muitas vezes impiedoso na sua crítica ferina a alguns escritores locais e estrangeiros. Sua pena é afiada e não faz concessões.
“Se eu respeitasse o jumento/ Mesmo o bravio e coiceiro, / Adeus meu divertimento / Alegre humor galhofeiro…”
Um Agrippino Grieco potiguar, com algumas limitações. Um poeta que sabe escrever bem. Nem sempre um bom prosador é um bom poeta, observa Esmeraldo. De minha parte, prefiro o Esmeraldo prosador e aguçado leitor dos clássicos. Um Esmeraldo que tem necessidade de mostrar toda a sua erudição e faz uma babel de suas citações e comentários. A Teoria da Evolução se une com a economia. A biologia com as ciências naturais. O escritor comenta sobre o papel da Universidade e do ensino Básico.
São compilações com comentários e análises bibliográficas relevantes sobre a vida e a obra dos escritores. Informações curiosas e instigantes são reveladas, muitas vezes de forma aleatória e sem a profundidade e sistematização de um erudito. Esmeraldo é um Spenceriano que tudo quer saber. Sinto falta das referencias bibliográficas e justificativas das fontes referidas. Alguns autores citados são poucos conhecidos e, isso, pode ser um mérito, ou desinformação. O autor é um poliglota e faz citações abusivas (sem traduções) em latim, francês, italiano, Inglês e outros idiomas.
Esmeraldo foi professor de Francês e um dos fundadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Esmeraldo dá palestras, aula da saudade e escreve para uma terra de poucos interlocutores. Homem de poucos amigos e um exemplo de escritor sagaz que não faz concessões.
Os prefácios são geralmente inúteis e supérfluos, diz Esmeraldo no prefácio ao livro “A Canção da Montanha”, do grande poeta Othoniel Meneses. Sem uma crítica consistente a literatura não avança. A literatura potiguar se ressente do elogio fácil de amigos, ou do silencio sepulcral da maioria. O crítico e escritor Esmeraldo ajuda e desvelar o tênue tecido da hipocrisia de algumas carcaças e pérolas literárias. Em Bem- aventurados …, ele destila o veneno:
Os asnos são divertidos,
Asnos bípedes, é claro,
Todos se julgam sabidos,
Dotados de senso raro.
A melhor forma de homenagear um poeta e escritor é lê-lo criticamente. Em 2008 comemoramos o centenário do poeta Esmeraldo Siqueira, nascido a 16 de agosto de 1908 (Vila Nova, atual Pedro Velho-RN), escrevendo esse artigo que enfatiza uma faceta menos conhecida do poeta e escritor Esmeraldo: o crítico literário. Uma forma de lembrar essa grande figura que conheci flanando e poetando na urbe potiguar, e agora o tenho na companhia dos livros. Um poeta saudoso da bucólica cidade; “Nesta hoje terra de cimento armado / já fui um venturoso potentado” (Romancete).
Esmeraldo pertence àquela classe de escritores que lêem muito. Um escritor que conhecia profundamente a literatura local e universal. Um homem plural que não via sentido na separação entre o saber científico e literário. Opinou sobre tudo e todos. Nesse artigo fazemos uma breve antologia das opiniões do crítico literário Esmeraldo sobre alguns escritores e poetas locais, e outros temas relacionados com a literatura. Uma forma de tornar mais conhecida a rica literatura norte-riograndense. São florilégios pinçados da obra multi-facetada desse profícuo escritor. Um autêntico Esmeraldo a iluminar e realçar com sua lente aguda o vasto e pouco conhecido oceano da literatura potiguar e universal. Um convite para a leitura dos nossos poetas e escritores
A poesia Esmeraldina é ferina com a humanidade e suas fraquezas, vícios e hipocrisia.
“A mediocridade infesta / Os arraiais literários. / Asnos exibem na testa / Triunfos extraordinários.
Dão-se prêmios repetidos / A livros que valem nada, / De versos desenxabidos / Ou prosa vazia e aguada (Áurea Mediocritas).
Poesia é verdade e “jurar que é fingimento tudo que o poeta diz / Não tem nenhum fundamento, / É afirmação infeliz”.
Terminamos o artigo com um poema do Esmeraldo “Brasilae Jumentorum” que faz um cumprimento irônico a todos os jumentos do Brasil. Aliás; os burros, asnos, muares e jumentos participam com muita freqüência da fauna poética do poeta. Esmeraldo não espera recompensa por sua poesia. É um solitário que escreve para viver. E vive porque escreve. O poeta Esmeraldo não finge, e toda a sua poesia toca na solidão de sua existência já descrente do amor dos homens e dos guizos fáceis da mediocridade.
O POETA DAS QUADRINHAS FERINAS, para o bem e para o mal.
Brasilae Jumentorum
In Poemas do Bem e do Mal – inéditos e recentes 1984
Mais uma vez quero cumprimentar
Os jumentos de sorte no Brasil,
Celeiro mundial, hoje sem par,
Dessa garbosa espécie tão gentil.
Por toda parte, em todos os setores.
Da vida nacional, ei-los felizes:
São médicos, dentistas, professores,
Boticários, agrônomos, juizes.
Na militar carreira ou na política,
Gozam de imunidades, valem ouro,
E ai de quem, arriscando qualquer crítica,
Mostre em seus atos o menor desdouro.
O clero é outro exemplo edificante
Dessa prosperidade jumental.
Mas, no mesmo sentido, o protestante.
Não fica atrás como valor rival.
E o populacho, o anônimo rebanho.
Que se esfalfa no campo ou na oficina,
Estranho ao bem-estar, ao gozo estranho,
Incapaz de entender a própria sina?
O povo é isto, a plebe, a populaça,
A ralé, a gentalha, o João Ninguém
Pratica o futebol, ama a cachaça,
Crê no padre Romão como convém.
Epitáfio
Amou o belo e a verdade
Sem crer no Céu nem no Inferno
Do mundo, em vez de saudade.
Sente agora alívio eterno
Antologia crítica do ESMERALDO DEL SITU IN NATAL
Nesse breve ensaio fazemos uma breve antologia das opiniões do crítico literário Esmeraldo sobre alguns escritores e poetas locais, e outros temas relacionados com a literatura. Uma forma de tornar mais conhecida a rica literatura norte-riograndense. São florilégios pinçados da obra multi-facetada desse profícuo escritor. Um autêntico Esmeraldo a iluminar e realçar com sua lente aguda o vasto e pouco conhecido oceano da literatura potiguar e universal. Um convite para a leitura dos nossos poetas e escritores
Polycarpo Feitosa
Os contos e romances são de leitura amena. Ele não gaguejava escrevendo. Sua pena era ágil, corria sem esforço.
Segundo Wanderley
Foi, no Brasil, o maior imitador de Castro Alves.
Lourival Açucena
O livrinho que o instituto histórico publicou reúne 46 composições do poeta perfeitamente legíveis todas elas, embora nenhuma capaz de entusiasmar-nos. Esses versos valiam e valem mais na voz dos cantadores.
Obs: Lourival foi um grande modinheiro e algumas de suas letras foram musicadas em belas canções.
Auta de Souza
A poetisa teria sido amada em qualquer parte civilizada do mundo, tal a encantadora pureza dos seus versos. Ela havia lido os românticos brasileiros e, da França, seu ídolo era Alphonse de Lamartine.
Manoel Virgílio Ferreira Itajubá
Natalense da beira do Potengi, foi também, apesar de semi-analfabeto, um lídimo poeta.
João Lins Caldas
Adotou as formas tradicionais de poetar. Depois tornou-se modernista. Sobressaiu nas duas maneiras, porque a natureza o dotara de imaginação e sensibilidade excepcionais.
Juvenal Antunes de Oliveira
Nascido em Ceará Mirim, compôs hinos e canções que tiveram consagração popular.
Abner de Brito
Caicoense Talentoso. Tremendamente desorganizado, o poeta só nos legou um livro, de título “Ossário”, cujos versos ninguém sabe por onde andam, pois nunca foram publicados. (Esmeraldo em “Do meu reduto Provinciano”)
Henrique Castriciano
A franqueza nos obriga a elogiar mais a sua prosa. Os versos nos parecem guindados, desprovidos de espontaneidade quase sempre, sem belas imagens nem delicadezas poéticas.
Othoniel Meneses
(In prefácio à primeira ed. de “A Canção da Montanha”)
A que escola poderá ser filiado este novo livro de Othoniel Meneses?
Não importa a discussão das escolas literárias.
Classificar o poeta nesta ou naquela escola é questão de segunda ordem.
– Othoniel é passadista? É modernista? É futurista?
Só interessa saber se ele é de fato um poeta, desses que trazem do berço a estrela da predestinação, a vivencia que os torna capazes de romper os véus das aparências e revelar segredos do ser, como os grandes inspirados, cujo canto reproduz os esplendores do universo visível e invisível. Só interessa saber se, de acordo com o pensamento de Platão, ele foi tocado do desejo das Musas e pôde aproximar-se do santuário da poesia, porque o verdadeiro poeta ultrapassa a arte e o seu canto é a expressão de uma “divina loucura”, e não o que os sábios mais esforçados poderiam realizar.
Os versos de Othoniel, sejam da adolescência, da juventude, ou da maturidade, atestam esse destino privilegiado.
….
“A glória poética de Othoniel Meneses é tão sagrada para o RN como a de Auta de Souza e Ferreira Itajubá”.
ANTOLOGIAS
Ezequiel Wanderley
Perpetrou bons versos na mocidade, e em toda a sua existência amou profundamente a literatura. Teve em 1922 a feliz idéia de publicar a coletânea “ Poetas do Rio Grande do Norte”.
Rômulo Wanderley
Querendo ampliar e melhorar o plano do livro do Ezequiel, deu a lume o “Panorama da poesia Norte-Riograndense”. Apesar dos encômios do prefaciador, o livro padece de mil faltas e defeitos: nenhum rigor na seleção dos autores e dos poemas, erros de datas, de nomes, etc. A obra assim, recomenda mal as nossas letras.
O ESMERALDO ERUDITO
Idioma
Um povo que se preza e deseja continuar como nação unida e soberana deve cuidar carinhosamente do seu idioma, defendendo-o sem descanso de deformações e deturpações perigosas que o transformem num instrumento bárbaro a serviço do estrangeiro, em detrimento da alma e do espírito da pátria. A língua é uma herança que deve passar mais ampla e aperfeiçoada de geração em geração, rica no seu vocabulário e nas suas expressões, dotada de clareza e propriedade sempre maiores, capazes de refletir meridianamente o grau de civilização e de cultura daqueles que a falaram.
Estilo
O estilo, nas letras, não depende somente da cultura lingüística. Da educação, e do estudo dos melhores modelos. Quantos que temos conhecido percorrem longamente esses caminhos e não lograram aprender o segredo do estilo! Notória é a incapacidade de escrever ou falar bem da quase totalidade dos que se diplomam nos cursos superiores.
Ensino (o lombrosiano)
Não se deve esperar muito do valor moral do ensino. A educação poderia ter um valor absoluto? Devemos pensar nas taras, nas predisposições congênitas, nas faculdades positivas ou negativas trazidas do berço. Tanto é impossível a educação fazer milagre, como em botânica obter, por exemplo, que um cajueiro produza mangas.
Literatura (na ANL discursando sobre Castro Alves, uma de suas paixões)
Uma literatura é organismo vivo que se nutre e precisa assimilar elementos estranhos, tanto mais quanto for capaz de bem digeri-los. Caso esteja decrépita, terá o dilema: indigestão ou inanição. Mas, noutra hipótese, terá de rejuvenescer à custa de sangue novo.
Veja-se a França do começo do século XVII. Corneille teve de superar as bagatelas do Hotel de Rambouillet ao influxo das letras da Espanha e Molière, sob a influência da Itália. No século XVIII, que teria sido da França sem os escritores ingleses?
João Da Mata
Professor de física da UFRN. Amante da Literatura, dos Livros e das Artes
Para referencia no caso de citação do artigo
Fonte: www.substantivoplural.com.br





João Da Mata

Professor de Física da UFRN. Amante da Literatura, dos Livrose das Artes
Para referenciar no caso de citação do artigo
Costa, J. M.