sábado, 11 de janeiro de 2025


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RÁDIO AMADOR SALVOU O VALE DO ASSU
Um grito mudo. Seriam assim os pedidos de socorro das vítimas da enchente no Vale do Assu, em 1964, não fosse o trabalho da rádio amadora do aposentado Nilo Fonseca. As cidades ilhadas recebiam os serviços da Telern anos depois. Sem acesso rápido por terra ou mar, a comunicação era ainda mais essencial. E toda ela partiu de uma casa pequenina de número 605, situada à Rua Maxaranguape, no Tirol. De lá, Aluízio Alves e sua comitiva despachava as providências do dia. O que o governador sequer desconfiava era que todos as chamadas efetuadas eram monitoradas pelo corpo militar da ditadura.
Naquele tempo, Nilo Fonseca brincava com o rádio amador montado em sua casa como hoje os jovens usam as salas de bate-papo na internet. Desde 1961, discava uma chamada geral a espera de uma semana vinda de alguma parte do Brasil ou estrangeiro. Filho de Assu, durante a enchente Nilo procurou notícias de sua cidade. A resposta (ou câmbio) veio do primo assuense Tarcísio Amorim. Junto, o pedido alarmante de socorro. "Pediram-me para entrar em contato com o governador", lembra. Nos 20 dias seguintes, Aluízio Alves batia a porta da casa de Nilo Fonseca para comunicar o despacho do dia.
"Acordava cedo todo dia para arrumar a casa e preparar o cafezinho para o pessoal. Aluízio chegava acompanhado do Chefe da Casa Civil, Agnelo Alves e outros secretários". A comunicação direta de Aluízio em Assu era com o coronel Leão, então secretário de agricultura do governo. "O coronel pediu urgência da Sudene no envio de mantimentos. Aluízio disse que iria tentar. Quando avisei da possibilidade do contato pelo rádio amador ele ficou admirado. E quando o superintendente da Sudene, general Albuquerque Lima respondeu a chamada. Aluízio quase cai pra trás sem acreditar", recorda Nilo.
Estupefato com o alcance e importância do rádio amador, Aluízio Alves interligou o prefixo da rádio à transmissão da Rádio Cabugi. Diariamente grande parte do estado tomava conhecimento das providências tomadas pelo governo estadual. Essa ferramenta poderosa de comunicação logo despertou a atenção do alto comando militar. "O general da guarnição de Natal (situado onde hoje está o Museu Câmara Cascudo) chamou-me para entregar as conversações diárias feitas por Aluízio. Todos os dias às 17h entregava a fita ao general. Era a ditadura".
Nilo Fonseca lembra indignado da ira do general ao saber do envolvimento do arcebispo dom Eugênio Araújo Sales na ajuda às vítimas. Dom Eugênio havia conseguido um comboio para transportar toneladas de mantimentos até Angicos e de lá até Assu, por caminhões. "O general disse: "Até esse padre está metido nisso". O general dizia que tudo tinha de passar por ele". E concluiu: "Foi um período gratificante. Pude ajudar de alguma forma o povo de minha cidade. Um ano depois fui um dos ilustres da Festa das Personalidade, promovida por Paulo Macedo todos os anos no Aeroclube".
(Transcrito do jornal Diário de Natal, caderno Cidades, 13 de abril de 2008).
Do blog: Este Nilo Fonseca citado no texto acima é filho do médico assuense Ezequiel Fonseca Filho, que foi intendente do município do Assu, na década de trinta e depois deputado Estadual, chegando a presidir a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, bem como o governo do estado.

sábado, 4 de janeiro de 2025

O INTELIGENTE E O SABIDO



Há duas categorias de pessoas que, sobretudo no Rio Grande do Norte, merecem um debruçamento maior, uma atenção mais atenta, um enfoque mais aproximado: o inteligente e o sabido.

O inteligente é como o grão. Se não morrer, será infecundo. A fecundidade do sabido é feita na cotidianidade dos seus sonhos.

O inteligente é aritmético. Consegue sobreviver. O sabido é geométrico. Quase sempre vive sobre. O inteligente é polivalente na ordem do conhecimento. O sabido, na ordem do aproveitamento. O inteligente é grosseiro às vezes, mas humano, profundamente humano. O sabido se irrita, mas é sempre fino. Fino e aderente. Sobretudo ao poder. E quando eu falo em Poder, não me refiro pura e simplesmente ao Sistema. Me refiro ao poder, podendo. Feito de números. Sobretudo de números.
O inteligente pode ser desligado. O sabido, nunca. O inteligente gosta de se encontrar com velhos amigos. O sabido prefere localizar novos. Se vão lhe render dividendos. O inteligente é simples. O sabido é complexo.

Chegar a ele, às vezes não é fácil. O mundo é dos sabidos. A vida, dos inteligentes. Na sua intensidade. A ambição do inteligente é limitada. Porque limitada, nem consegue ser ambição. O sabido é, sobretudo, ambicioso, explicação maior do seu sucesso. O inteligente poderá ser sábio. O sabido, jamais. A fé do inteligente é escatológica.

Do sabido, circunstancial. O inteligente não consegue ser audaz. A ousadia, porém, é o oxigênio do sabido. O inteligente aguarda a morte como passagem; para o sabido, ela não é objetivo de cogitações.

O inteligente gosta de bibliotecas; o sabido, de computadores. O inteligente sonha com Paris, escreve maravilhosamente sobre Paris, mas suas notas são escritas em Tibau ou na Redinha. O sabido dorme em Lisboa, acorda em Hong-Kong e janta em Ponta Negra.

O inteligente sorri. E no sorriso se esboça a silhueta da paz. O sabido ri. E ri gostosamente. O inteligente tem saudades; o sabido, nostalgia. O inteligente mergulha no silêncio. O sabido vira taciturno. O inteligente fica só, para estar com os outros; o sabido, para libertar-se deles.

O inteligente cria; o sabido amplia. O inteligente ilumina; o sabido ofusca. O inteligente pensa em canteiros de flores; o sabido, em projetos de reflorestamento. O antônimo de inteligente é burro, de sabido é besta; às vezes (quem sabe) viram sinônimos.

Ser, para o inteligente é fundamental. Parecer, para o sabido é prioritário. E como vivemos no mundo das aparências, nele o inteligente não terá vez. Desde que mude os seus critérios. Aí então, aflora a crise do desencanto.

É quando a mediocridade se entroniza, o supérfluo se instala e a inteligência se rende. A não ser que o inteligente se chame Unamuno, reitor imortal. Por isso, ele foi magnífico. Do contrário não teria sido reitor, mas feitor. E de feitores o Brasil está cheio. Sabidos, por sinal.

Sabido é Diógenes da Cunha Lima. Inteligente é Jarbas Martins.

Cascudo é inteligente. Sabida é sua entourage.

Inteligentes são Zila Mamede e Otto Guerra.
Inteligente é Waldson Pinheiro. Inteligente foi Miriam Coeli. Inteligente é Padre Ônio (de Cerro Corá) e Dom Heitor (de Caicó). Inteligente foi Dom Costa (de Mossoró). Inteligente foi o pastor José Fernandes Machado.

Inteligente é Anchieta Fernandes. Inteligente é Vingt-un.
O inteligente compra livros. O sabido, ações.

Para o sabido, as letras que realmente valem são letras de câmbio. Inteligente é quem trabalha para viver razoavelmente. Sabido é quem consegue que outros trabalhem para que ele viva maravilhosamente. O inteligente sua. O sabido transpira.


O inteligente acorda cedo. Para ele, Deus ajuda a quem madruga. O sabido acorda tarde. Outros madrugam por ele. Sem o inteligente, o que seria do sabido?

Inteligentes são Manoel Rodrigues de Melo e Raimundo Nonato.

Sabido é Paulo Macedo. Também “imortal”.

Inteligente é Dorian Jorge Freire. Sabido é Canindé Queiróz.

inteligentes são Eulício e Inácio Magalhães. Inteligente era Hélio Galvão. Sabido é Valério Mesquita.
Inteligentes eram José Bezerra Gomes e João Lins Caldas. Inteligente foi Jorge Fernandes. Sabido, Sebastião.

Inteligente é Erasmo Carlos. Sabido é Roberto.

Inteligente foi Garrincha. Sua inteligência, porém, não foi além de suas pernas. Com elas, encantava. Sabido é Pelé. Transformou suas pernas em objeto de lucro. Não é a toa que a cidade de Garrincha se chama Pau Grande. E Pelé nasceu onde? Não foi em Três Corações?

Ao mesmo tempo pode amar Xuxa, o Cosmos ou as audiências na Casa Branca.

Há um campo, porém, onde o número de sabidos é pródigo. Mas pelo menos hoje, eu não quero pensar nos inteligentes e sabidos quando se trata de competição eleitoral.

Em, Apesar de Tudo,  1983, Natal

domingo, 22 de dezembro de 2024

MANOEL CALIXTO CHEIO DE GRAÇA
E quem não se lembra de Manoel Calixto Dantas também chamado de "Manoel do Lanche?" Era um dos nossos poetas tipo populares. Ele tinha um local (box) no Mercado Público do Assu. Pois bem, na década de setenta, Calixto candidatou-se disputando uma vaga no legislativo assuense, pelo MDB. Ele era natural de Carnaúba dos Dantas e assuense por opção e escolha, terra onde viveu durante mais de cinquenta anos e fez boas amizades). Como não podia ser diferente, por ter convivido com os poetas do Assu, Manoel começou a escrever versoss. Sua predileção para versejar era a glosa (décima) e a trova.. Tempos atrás, os poetas da terra assuense aproveitavam os momentos de campanhas políticas para satirizar os candidatos e pedir o voto em forma de versos. E Manoel Calixto era um deles. Candidato a vereador, escreveu:
Negue o soldado ao Tenente,
Negue esmola ao aleijado,
Negue ao faminto o bocado,
Negue ao Major a patente,
Negue ao seu filho a benção,
Negue o direito ao patrão,
Negue tudo, isto eu suporto
Só não me negue o seu voto
No dia da eleição.
E essa outra:
Falte uma noite a seresta,
Falte ao garoto inocente,
Falte o remédio ao doente,
Falte uma noite de festa.
Numa fase como esta,
Falte tudo ao seu irmão,
Falte a festa de São João,
Todas as faltas suporto
Só não me falte esse voto
No dia da eleição.
Postado por Fernando Caldas

terça-feira, 17 de dezembro de 2024


E QUEM SE LEMBRA DA FORMAÇÃO DO GRUPO DOS 11, DO ASSU
Era 1963, tempo efervescebte no Brasil, o presidente João Goulart (Jango) para ser deposto, o político gaúcho, à época deputado federal pelo Rio de Janeiro, agitava, incentivava e orientava a criação do Grupos dos 11 (era um grupo de guerrilha) nas cidades brasileiras. Eram formado por onze pessoas de esquerda que tinha o objetivo de apoiar e dar sustentação as reformas de Base que o presidente Jango queria implantar no Brasil, inclusive a reforma agráparia.
Pois bem, onze pessoas incluindo nove jovens estudantes do curso ginasilal do Ginásio Pedro Amorim (da CNEG - Campanha Nacional de Educandários Gratuitos), e mais dois profissionais autônomos se movimentaram para a criação do Clube dos 11, conforme orientava Brizola.
Aquele grupocheio de entusiasmas foram incetivados por Gilberto Freire de Melo, Horácio Cunha, Edson Queiroz de Albuquerque e Joca Magalhães que eram no Assu, Funcionário dos Correios, Farmacêutico, funcionário do Banco do Brasil e comerciante, respectivamente.
Fundado no Assu o Grupo dos 11, foi dado notícia a Rádio Mayrinque Veiga, do Rio de Janeiro, aliada de Jango e Brizola, através de telegrama que dizia assim: "Estamos prontos! Só faltam as armas! Tanto a leitura através daquela emissora de rádio e a publicação dos nomes dos membros do citado clube em O Cruzeiro, importante periódico carioca, para serem taxados como comunistas e subversivos. Poucos dias depois, os membros daquele grupo foram notificados e intimados a comparecer ao Quartel General em Natal, para interrogatório e abertura de inqueritos militares.
Eram membros do Grupo dos 11 do Assu, Nuremberg Borja de Brito, Alzair Roberto Pessoa, Pedro Airton de Lima, José Wellington Germano, Francisco Eupídio da Silva, João leônidas de Medeiros Júnior, Demóstenes Amorim, Elian Cosme de Lima, Francisco Antônio Felix, Francisco Antônio Cosme Júnior (Chico Lamparina) e Demócrito Amorim (Teté).
Afinal, todos os integrantes do Gr-11, como era também chamado, da terra assuense tiveram como consequencias de responderem a inquérito militares e enquadrados como subversivos, obrigados a prestarem diversos depoimentos no Quartel General em Natal.
Alzair, já funcionário do Banco do Brasil, fora o mais penalizado, pois levou anos a fio prestando depoimento no QG. Todos foram ouvidos por certo Capitão do Exército que teria feito curso de tortura na Escola de Las Americas, na Guatemala, e Nuremberg, tempos depois, preso e torturado no Recife, onde participou de várias movimentos, inclusive queimando canaviais na terra pernambucana.
Por fim, Gilberto Freire, Horácio Cunha e Djalma Magalhães não fora envolvidos, porém, Edson Queiroz que também era funcionário do Banco do Brasil, teve seu nome envolvido. Ocorre que, quando o Inspetor do BB à época, se dirigia a cidade de Assu para ouvir e demitir Edson, o automóvel que ele conduzia teria virado nas proximidades de Lages e, as provas que carregava numa mala, fora extraviadas ou roubada por populares que presenciaram o desastre, para sorte de Edson Queiroz que continuou funcionário de carreira do Banco do Brasil. Fica o registro de um fato que enriquece a História da terra assuense, que participou de tantos conflitos ocorridos no Nordeste e no Brasil.
Fernando Caldas

Um poema do eclético poeta Renato Caldas nominado o imortal. Vejamos abaixo: Eu não irei morrer, Não. Irei sempre viver, Como tenho vivido. ...