segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O INTELIGENTE E O SABIDO

Há duas categorias de pessoas, que sobretudo no Rio Grande do Norte, merecem um debruçamento maior, uma atenção mais atenta, um enfoque mais aproximado: o inteligente e o sabido.
O inteligente é como grão. Se não morrer, será infecundado. A fecundidade do sabido é feita de cotidianidade dos seus sonhos.
O inteligente é aritmético. Consegue sobreviver. O sabido  é geométrico. Quase sempre vive sobre.
O inteligente é polivalente na ordem do conhecimento. O Sabido, na ordem do aproveitamento.
O inteligente é grosseiro às vezes, mais humano, profundamente humano. O sabido se irrita mas é sempre fino. Fino e aderente. Sobretudo ao poder. E quando eu falo em Poder, não me refiro pura e simplesmente ao sistema. Me refiro ao poder podendo. Feito de números. Sobretudo de números.
O inteligente pode ser desligado. O sabido nunca.
O inteligente gosta de se encontrar com velhos amigos. O sabido prefere localizar novos. Se vão lhe render dividendos.
P inteligente é simples. O sabido é complexo. Chegar a ele, às vezes não é fácil.
O mundo é dos sabidos. A vida, dos inteligentes é complexo. Chegar a ele, às vezes não é fácil.
O mundo é dos sabidos. À vida, dos inteligentes. Na sua intensidade.
A ambição do inteligente é limitada. Porque limitada, nem consegue ser ambição.
O sabido é sobretudo ambicioso, explicação maior do seu sucesso.
O inteligente poderá ser sábio. O sabido, nunca.
A fé do inteligente é escatológica. Do sabido, circunstancial.
O inteligente não consegue ser audaz. A ousadia porém, é o oxigênio do sabido.

___________Em Apesar de Tudo, 1987, José Luiz Silva.

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