terça-feira, 16 de junho de 2015

MARCAS QUE SE FORAM:

... E ASSIM SE PASSOU UM SÉCULO
1915 – 1º de Janeiro – Sendo Intendente o Dr. Pedro Amorim foi inaugurada a iluminação da rua Dr. Pedro Velho. Certamente que se trata de iluminação a querosene, pois a elétrica só chegaria ao Assú em 1925. (Silveira, 1995: 86).

          ­- Fevereiro – Foi fundada uma sociedade carnavalesca denominada “Fantoches”. A sua diretoria tinha como presidente Antonio Ferreira Borges; como secretário Manoel Soares Filho; como tesoureiro Aderbal Fonseca e como diretor José Severo de Oliveira.
            Esse clube, podemos dizer, foi o iniciador do Carnaval de Rua. Exibiu-se nesse ano com quatro carros alegóricos assim distribuídos: o primeiro – uma grande rosa tendo no centro uma figura feminina segurando um pequeno cartaz com dizeres alusivos às festividades momescas; o segundo, conduzindo o Monarca Alemão e o seu Secretário; o terceiro, uma reprodução do canhão CRUP, e o quarto, um avião, aqui cabendo a explicação de que o avião era quase desconhecido pela população da cidade, a não ser pelos cigarros VEADO, fabricados no Rio de Janeiro, que distribuía uma certa marca Avião que tinha na carteira a estampa de um desses aparelhos.
        José Severo de Oliveira, exímio artista, fotógrafo, ampliou, em seu Atelier Severo, a fotografia, conseguindo, desse modo, confeccionar um avião.
          Circulava ao lado desse carro, devidamente uniformizados com um modelo do Exercito alemão cerca de vinte figuras montadas a cavalo.(Amorim, 1982: 33, 34).
       - Seca - Neste ano ocorreu uma grande seca. O proprietário de terras na várzea do Assu, na região conhecida como “Poço da Lavagem” (atual Carnaubais), José Antonio da Fonseca perdeu todo o gado, sendo necessário vender suas propriedades. Seus filhos, tendo a frente Abel Alberto da Fonseca, muito dinâmico e trabalhador, não se intimidam com a decadência do pai e recomeçam a vida como tropeiros.  Abel e seus irmãos José Gregório da Fonseca e Antonio Gentil da Fonseca viajavam muito para Ceará-Mirim aonde iam em busca de mercadorias e especiarias, tecidos para serem vendidos em Assu, onde foi formando um povoado que logo passou a se chamar de Santa Luzia – Abel teve a iniciativa de ir construindo pequenos quartos que eram alugados a terceiros, formando assim, feiras onde se aglomeravam o pessoal para fazerem compras.
          A vila foi crescendo. Cada vez mais foram construídas casas. Abel construiu um sobrado que foi sua primeira residência quando se casou em primeiras núpcias com Julieta Câmara da Fonseca. Abel foi o pioneiro em povoar aquela região, por esta razão é considerado como fundador do atual município de Carnaubais.  

04 de maio – O Jornal A República informa, através de um artigo assinado pelo Dr. Moises Soares, que o município do Assú produziu 30 mil fardos de algodão; 375 mil quilos de cera de carnaúba; 10 mil alqueires de trigo; possuía 10 mil cabeças de gado vacum; 4.000 cavalares e muares; 26 mil lanígeros e caprinos e 100.000$000 de peixe só na lagoa do Piató. (Silveira, 1995: 120).
 
26 de novembro – O Jornal “A República” trouxe um artigo escrito por Dr. Pedro Amorim sobre A Carnaubeira, conhecida como O Boi Vegetal. A madeira serve para linhas, caibros e ripas; o talo, para portas, urupemas, jiraus, camas; a palha para cobertura; da fibra do olho faz-se esteira, corda, bolsa, chapéu, abano, sacos; a semente é ração para o gado; triturada dá um pó semelhante ao café e serve de alimento ao homem; da fécula do candú (carnaubeira nova) faz-se farinha e goma. As raízes são medicinais. Da cera, de inúmeros usos na indústria.
          “A Carnaubeira é chamada de O Boi Vegetal: das palmas, o pó; do caule, a goma e o amido; da semente, o café. Com propriedades medicinais e o alimento para animais; das raízes, bebidas usadas na medicina depurativas; do lenho, a linha, o caibro, a ripa, o esteio, móveis, bengala; da palha, esteira abano, chapéu, e muitos utensílios...”.
        Sobre batimento de palha: “A adoção das empanadas, espécie de barracões feitos com algodãozinho da Bahia acabou com a dependência de esperar pelas caladas para o batimento de palha. Hoje a palha é batida para a extração da cera, a qualquer hora, o que tem acabado com astocatas, danças e bebidas consideradas indispensáveis, a fim de esperar acalada sem dormir”. (Silveira, 1995: 75).
         
Nesse ano, o Ministro Tavares de Lyra, da Viação, autorizou estudo de um ramal de estrada de ferro Macau / Assu, o que foi feito pelo Dr. Abreu e Lima, que percorreu o Vale e achou viável ao escoamento de produtos do Vale e de integração com o transporte marítimo. O traçado recomendava a margem esquerda do rio Assu até esta cidade. (Silveira, 1995: 86). 
Fonte:" Marcas que se Foram" - Livro inédito de Ivan Pinheiro.

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