quarta-feira, 21 de setembro de 2016

CARNAUBEIRA, UMA ÁRVORE RICA E BELA


A imagem pode conter: céu, árvore, planta, atividades ao ar livre e natureza


A carnaubeira é uma árvore nativa, tipo palmeira, originária do semiárido do Nordeste brasileiro, muito comum em solos argilosos e de aluvião (beiras de rios e lagos). O município do Assu, no Rio Grande do Norte possuía 17 mil hectares daquela planta, pena que hoje está reduzido a 30 por cento, além do Ceará e Piauí, com maior intensidade. A carnaubeira existe ainda no Ceilão, África Equatorial, Uruguai, mas somente a palmeira. “Devido à irregularidade da estação chuvosa não desenvolve o seu mecanismo defensor do vegetal, não havendo assim o pó cerífero, servindo apenas para adorno.”.

Há informações que a carnaubeira foi vista primeiramente pelo naturalista alemão chamado Alexander Von Humboldt que deu a carnaubeira o apodo de Árvore da Vida, fato este contestado por Câmara Cascudo que “considera improvável que Humboldt tenha pelo menos visto uma carnaubeira para descrevê-la como a Árvore da Vida. A carnaubeira foi descrita pela primeira vez por Jorje Marcgrav, informa Cascudo. “O que Humboldt deve ter visto foi a palmeira carandá, muito semelhante, até na riqueza da cera natural, e não a nossa carnaubeira. Por isso desautoriza a afirmação antiga. Humboldt nunca viu a carnaubeira e sim a palmeira carandá, descrita por Klare S. Markley, um estudioso paraguaio, apesar do nome.” (Vicente Cerejo, O Poti).

Mas, a carnaubeira ficou mesmo chamada cientificamente de Copernícia Cerífera (Miller). Copernícia que quer dizer gênero de altas palmeiras-leques da América tropical, com flores caliciformes, seguidas de uma drupa monosperma. Inclui a carnaubeira. Palmeira desse gênero.
A carnaubeira, também chamada carnaúba que em tupi-guarani quer dizer “arvore que arranha,” é conhecida popularmente como ‘O boi vegetal’ porque, dizia os mais antigos que do boi tudo se aproveita, da carnaúba não se perde nada.

O seu descobrimento é data de 1790. Em 1857, o norte-rio-grandense chamado Manoel Antônio de Macedo foi quem descobriu o processo de extração do pó daquela árvore e, por ele, Macedo provavelmente feito às primeiras experiências de beneficiamento do pó encontrado nas palhas da carnaubeira.

A extração das suas palhas é feito por meio de grandes varas de aproximadamente dez metros de cumprimento, tamanho maior da carnaubeira, podendo excepcionalmente chegar a 15 metros, com tronco (esquife) perfeitamente reto e cilíndrico de 15-25 cm de diametro, com uma foice na extremidade, sem causar danos ao meio ambiente.

A colheita é feita entre os meses de agosto a dezembro e, após a extração da palha da carnaubeira, bota-se para secar em estaleiros, exposta ao sol, para depois proceder ao batimento e extrair o pó. Tempos atrás, extraia-se o pó, na calada da noite, hora em que o vento está brando. Nos anos sessenta, a extração do pó cerifico é extraído por meio de maquinas semelhante à forrageira, máquina de triturar ração animal.

Extraído o pó dar-se o seu cozimento em grandes tachos de ferro fundido, revestido de tijolo (alvenaria), em alta temperatura, com adicionamento de produtos químicos para dá melhor qualidade a cera (principal produto da carnaubeira).

Das suas palhas faz-se chapéu, bolsa, esteira, entre outras peças artesanais. A sua madeira (tronco), serve para cobertura de casas, galpões, currais (Celso da Silveira depõe que “o emprego na confecção de currais de gado teve influência decisiva não desenvolvimento do ciclo da pecuária determinante das primeiras charqueadas no Brasil”) linhas, ripas e serve também para confeccionar utensílios domésticos, bem como porteiras para fazendas e pontes, por acreditar que a sua durabilidade é eterna se utilizado de troco completamente maduro. As coberturas dos casarões seculares do Assu são feitas da madeira da carnaubeira. O escritor memorialista e poeta assuense Francisco Augusto Caldas de Amorim depõe que a semente da carnaúba serve para ração animal bovino e se triturada dá um pó semelhante ao café, servindo de alimento ao homem com inúmeras propriedades medicinais. Das suas raízes dá uma bebida muito usada na medicina depurativa que, quando queimada e pulverizadas substituem o sal de cozinha, sendo também indicado popularmente contra o reumatismo e artrite. O seu fruto é de cor preto e tem um gosto adocicado. A sua polpa quando processada produz farinha.

Era a principal economia o Vale do Açu. A Cooperativa Agropecuária dirigida por Edmilson Lins Caldas, além de Carvalho & Cia, Inácio Bezerra de Gouveia, Pimentel & Cia, Sebastião Alves Martins, Martins Irmãos (Sandoval Martins, Celso Martins) comprava toda a produção que, beneficiada ainda de forma artezanal (na década de setenta a firma Mercantil Martins Irmãos implantou uma usina moderna que transformava a cera tipo escama de peixe, por exigência do mercado importadosr) vendia a grandes exportadores de cera como Johson, Pontes, entre outros de Fortaleza/CE que exportava para Alemanha, Grã-Bretanha e Estados unidos.

Com a exploração da fruticultura irrigada mais de 70 por cento da carnaubeira fora erradicada.
Por fim, a carnaubeira além de ser uma planta nativa, também se planta e implanta. Se plantada leva aproximadamente dez anos para chegar ao ponto da colheita.

Fernando Caldas

Desconheço o autor da fotografia.


 

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