terça-feira, 3 de junho de 2014

ECONOMIA

O TEMPO E O VENTO

QUASE 20 ANOS ANTES DO RN VIRAR UM GRANDE PRODUTOR DE ENERGIA EÓLICA, EMPRESÁRIO E EX-DEPUTADO ESTADUAL MANUCA MONTENEGRO FALA DE COMO DESCOBRIU O POTENCIAL DO ESTADO E DA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA COM AEROGERADORES NO MUNICÍPIO DE ASSÚ.

DO NOVO JORNAL
Um dínamo em uma bicicleta fez ele se interessar pela geração de energia ainda criança. As torres da Barreira do Inferno o deixaram curioso por conhecer a energia eólica, também ainda menino. Já adulto, nos anos 1990, a necessidade de energia para abastecer as fazendas no Vale do Açu fez Manoel Montenegro Neto, o “Manuca” defender ferrenhamente o uso da energia gerada pelos ventos, que hoje consolidou-se como uma indústria no Rio Grande do Norte, colocando o estado no topo dos estados em capacidade instalada das usinas e batendo recorde de geração.

Em um Natal da infância de Manuca, ele ganhou de presente uma bicicleta Mercswiss azul (hoje, o modelo é considerado uma raridade e pode ser encontrada na internet por R$ 700,00). Ele e um colega compraram um pequeno dínamo para instalarem nos pneus dianteiros de suas respectivas bikes. A ideia dos dois era “apostar” quem ficava mais tempo com uma lanterna acesa a partir da geração de energia pelo dínamo. “O dínamo pesava tanto que quando ele batia no pneu, ‘amarrava’ a roda”, conta o hoje empresário Manuca, que recebeu a equipe do NOVO JORNAL em sua pequena, organizada e charmosa propriedade rural, em Parnamirim.

E foram várias voltas de bicicleta. O ‘pega’ acontecia em uma curta distância, que parecia bem mais longe na época. Manuca e seu amigo – Zé Grilo – corriam do Batalhão 16 RI até a AABB. Subiam e desciam a ladeira indefinidamente. Além de gastar a sua própria energia, o menino ficava lapidando os pensamentos com aquela luzinha da bicicleta provocada por um pequeno motor.

Manuca tinha 14 anos quando os militares estavam às voltas com um equipamento chamado Nike Apache. Tal coisa foi o primeiro foguete a ser lançado pela estação Barreira do Inferno, prestes a ser inaugurada no dia 15 de dezembro de 1965. Ele foi para a estação acompanhando o seu pai, o então deputado estadual Olavo Montenegro, que fez pequeno discurso representando a Assembleia Legislativa.

Somente os militares e poucos convidados estavam autorizados a acompanhar, de um pouco mais perto, o Nike Apache, um foguete de baixo custo (em torno de seis mil dólares, valores nominais da época). “Tudo no entorno da Barreira do Inferno tava interditado. Nem os carros chegavam perto”, diz Manuca, em pé, apontando para a própria estação, que fica próxima de sua casa, dando para a luz de uma das torres.

Na divisão dos trabalhos na estação, a tecnologia de informática ficava a cargo dos franceses; a dos foguetes, dos americanos; e as torres eram fabricadas e instaladas pelos alemães. Ali, pela primeira vez no estado se gerou energia pela força dos ventos e pequenos cata-ventos girando a mil sinalizavam a força da natureza aqui da região. Quase trinta anos depois, outros alemães iriam se encontrar com Manuca.
Matéria completa no Novo Jornal (Domingo, 1º de junho de 2014).

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