quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Nasci para estar calada,
minha única vocação é o silêncio.
Tenho uma inclinação natural para não falar, 
um talento para apurar silêncios.
O inexprimível, causa-me doces vertigens.
Gosto de escrever os meus silêncios,
tecer os delicados fios
com que se fabrica a quietude.
Gosto de inflamar os meu sentimentos,
loucos, insanos, intensos.
Para num qualquer momento rele-los.
Como se saísse de súbito
uma fórmula verbal
capaz de explicar finalmente
todos os sentimentos do mundo.
Cristina Costa, poeta portuguesa

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