SOB A TREVA
Ontem de madrugada encontraram-se as duas,
A minha e a tu'alma.
Deserta rua entre as desertas ruas,
Era a hora mais calma.
Deserta rua entre as desertas ruas,
Era a hora mais calma.
Sem ver a minha que sozinha crava mãos trementes,
A tua ia de frente.
Súbito a minha súbito parava...
Ali passava gente.
A tua ia de frente.
Súbito a minha súbito parava...
Ali passava gente.
Parado o olhar nas orbitas dormentes,
A minha reparou
Tinhas na tua as alvas mão trementes...
Meu Deus! hoje o que eu sou.
A minha reparou
Tinhas na tua as alvas mão trementes...
Meu Deus! hoje o que eu sou.
A verdade tão longe do meu sonho,
Eu sonhava e te via
O teu olhar, tão doce, tão risonho,
Eu sonhava e te via
O teu olhar, tão doce, tão risonho,
Para mim que sorria.
Eu sonhava e te via
O teu olhar, tão doce, tão risonho,
Eu sonhava e te via
O teu olhar, tão doce, tão risonho,
Para mim que sorria.
E agora és longe, e longe eternamente,
Para mim és perdida.
Baldado o sonho deste amor fremente...
Baldada a minha vida.
Para mim és perdida.
Baldado o sonho deste amor fremente...
Baldada a minha vida.
Não me valeu por toda a natureza
Por tudo prourar,
Provado o fogo da imortal beleza
Quiz o fogo de amar.
Por tudo prourar,
Provado o fogo da imortal beleza
Quiz o fogo de amar.
E do mundo tão belo, tão perfeito,
- A terra prometida,
Vi o céu da minha vida.
- A terra prometida,
Vi o céu da minha vida.
E por tudo do tudo divisado
Que se foi, que cresceu,
Alguma cousa houve com meu brado...
Minha fé que morreu.
Que se foi, que cresceu,
Alguma cousa houve com meu brado...
Minha fé que morreu.
(João Lins Caldas)

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