sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
JORGE FERNANDES, POETA NATALENSE
PERNAMBUCANAS POBRE USAM CARTÕES POSTAIS PARA QUESTIONAR CANDIDATOS

"Assistente social trabalha no programa "Eu Decido o Meu Voto". Foto: Emma Lynch/BBC"
Mulheres negras e pobres não têm voz, afirma Edclea Santos
A assistente social Edclea Santos tem uma ideia genericamente negativa dos políticos. Ela diz que somente de quatro em quatro anos eles prestam um mínimo de atenção para a sua vizinhança, localizada nos arredores de Olinda (Pernambuco). "Aí, chove candidato".
as eleições gerais do próximo dia 3, as últimas semanas viraram um verdadeiro dilúvio político. "Tem aqueles que só aparecem, prometem coisas, oferecem dinheiro às pessoas, pegam o seu voto e aí você nunca mais os vê de novo", diz Edclea.
Mas, neste ano, ela faz parte de um projeto que busca valorizar os votos das mulheres, que representam mais da metade do eleitorado brasileiro.
Várias organizações se uniram para ensinar as mulheres de algumas das partes mais pobres de Recife e Olinda a como tirar fotos, escolher os melhores ângulos e cortar as suas imagens.
As melhores fotografias foram transformadas em cartões postais a serem enviados a candidatos, questionando os seus pontos de vista sobre os mais variados assuntos, incluindo aborto, saúde, racismo, crime e violência doméstica.
As mulheres também receberam câmeras descartáveis para retratar o seu dia a dia.
A próxima fase da sua campanha, intitulada "Eu Decido o Meu Voto", ocorre na internet, com a publicação das respostas dos candidatos em um blog.
Elas também têm monitorado as opiniões dos candidatos no Twitter e checando as suas promessas.
"A ideia era provocar os candidatos a falar sobre assuntos femininos e, ao mesmo tempo, criar uma cultura junto às mulheres de cobrar mais dos candidatos em relação às suas próprias vidas", diz Nataly Queiroz, do Grupo Curumim, uma organização de defesa dos direitos da mulher que está fortemente engajada na campanha.
"As fotos são uma maneira das mulheres mostrarem elas mesmas as suas vidas, sem serem fotografadas por outras pessoas ou falando por meio de outros".
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
FERNANDO CALDAS FANFA É CANDIDATÍSSIMO A DEPUTADO ESTADUAL
PORQUÊ ESQUECERAM DE FANFA?
Por Aluízio Lacerda
Que diabos fizeram da imagem do Fanfa? Assisti todo santo dia a programação gratuita da justiça eleitoral na TV, vi todo tipo de candidato, irreverentes , debochados, iludidos, enganadores, espertinhos e outros profissionais da atividade politica.
De Juscelino a Tocha, de Irineu Jaburu a Dagô do Forró, todos democraticamente mostraram a cara e algumas breves palavras pra sensibilizar o eleitor.
O que achamos estranho foi o esquecimento dado ao varzeano Fanfa, terminou o horário gratuito e a imagem de Fanfa, nem de forma paga, apareceu na telinha da TV contratada para veicular a programação gerada pelo stúdio da sua coligação.
Não verifiquei no site do TRE o seu registro de candidatura, mas tudo indica que o conterrâneo Fanfa não oficializou se pedido de candidatura...
Espero receber do amigo Fanfa alguma justificativa...
O vale não pode jogar na lixeira uma das suas capacidades humana, pra isso relembro o fato, para que o candidato, não fique relegado ao ostracismo das urnas por maldade ou esquecimento.
Nota aos meus conterrâneos do Rio Grande do Norte, especialmente de Natal e do Vale do Açu: Apenas foi feito a minha inserção nos veículos de comunicação, na mídia do nosso estado, na segunda feira pela manhã (duas inserções). Sabe por que? Porque fui verdadeiro, leal com o meu partido. E quem é leal em política, coerente, penso eu, leva desvantagem, sai perdendo. Mas o justo não perdoa meu caro amigo Aluízio Lacerda. Após as eleições, seja qual for o resultado, irei receber com muita honra e dignidade, como irei também aos tribunais civil do meu estado para que fato de discriminação não venha mais a ocorrer na política potiguar como ocorreram com muitos outros. Breve comentarei este fato mais detalhadamente. Pore´m,. sou candidatíssimo, legalmente registro no TRE do meu estado, com o número 23456.
Fernando Fanfa Caldas
Por Aluízio Lacerda
Que diabos fizeram da imagem do Fanfa? Assisti todo santo dia a programação gratuita da justiça eleitoral na TV, vi todo tipo de candidato, irreverentes , debochados, iludidos, enganadores, espertinhos e outros profissionais da atividade politica.
De Juscelino a Tocha, de Irineu Jaburu a Dagô do Forró, todos democraticamente mostraram a cara e algumas breves palavras pra sensibilizar o eleitor.
O que achamos estranho foi o esquecimento dado ao varzeano Fanfa, terminou o horário gratuito e a imagem de Fanfa, nem de forma paga, apareceu na telinha da TV contratada para veicular a programação gerada pelo stúdio da sua coligação.
Não verifiquei no site do TRE o seu registro de candidatura, mas tudo indica que o conterrâneo Fanfa não oficializou se pedido de candidatura...
Espero receber do amigo Fanfa alguma justificativa...
O vale não pode jogar na lixeira uma das suas capacidades humana, pra isso relembro o fato, para que o candidato, não fique relegado ao ostracismo das urnas por maldade ou esquecimento.
Nota aos meus conterrâneos do Rio Grande do Norte, especialmente de Natal e do Vale do Açu: Apenas foi feito a minha inserção nos veículos de comunicação, na mídia do nosso estado, na segunda feira pela manhã (duas inserções). Sabe por que? Porque fui verdadeiro, leal com o meu partido. E quem é leal em política, coerente, penso eu, leva desvantagem, sai perdendo. Mas o justo não perdoa meu caro amigo Aluízio Lacerda. Após as eleições, seja qual for o resultado, irei receber com muita honra e dignidade, como irei também aos tribunais civil do meu estado para que fato de discriminação não venha mais a ocorrer na política potiguar como ocorreram com muitos outros. Breve comentarei este fato mais detalhadamente. Pore´m,. sou candidatíssimo, legalmente registro no TRE do meu estado, com o número 23456.
Fernando Fanfa Caldas
O PRESIDENTE FIGUERÊDO NO AÇU
Esquerda para direita: O presidente João Batista de Figuerêdo, Corália de Sabóia Costa.
(Foto cedida por Carmém Délia).
(Foto cedida por Carmém Délia).
João Figuerêdo foi o segundo presidento do Brasil a visitar o município do Açu (antes, teria sido o estadista Getúlio Vargas que fora recebido pelo prefeito do Açu Ezequiel Fonseca Filho em sua casa onde hoje está instalado a Casa de Cultura - Sobrado da Baroneza), quando da inauguração da Barragem Armando Ribeiro Gonçalve (Barragem do Açu), em 1983. Aquele presidente fora recebido no Campo de Pouso do Açu, pelo presidente da Câmara dos Vereadores da terra açuense Domício Soares Filgueira filho (Domicito) que se dirigiram num ônibus, junto com o prefeito do Açu Ronaldo Soares e demis autoridades cívis e militares, até o local daquela barragem.
O por quê da fotografia: Corália (foto acima), que era comerciante no ramo de calçados, politiquiera ao extremo, admiradora daquele presidente, sabendo que ele, Figuerêdo, era torcedor do Fluminense (clube de futebol carioca), se vestil com a camisa daquela agremiação futebolística e compareceu a solenidade de inauguração da barragem citada acima. Ela, Corália, estando próxima do palanque oficial (cordão de isolamento), Figuerêdo logo que terminou a solenidade, seguiu em direção a Corália para abraçá-la e tirar a foto histórica. Fica mais este registro para a memória da terra açuense.
Fernando Caldas Fanfa
DILMA DIZ QUE PRETENDE AMPLIAR LINHA DE CRÉDITO DO BNDES PARA CULTURA
Rio de Janeiro – A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou hoje (26) que pretende ampliar a linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para abrir mais espaços culturais pelo país, principalmente salas de cinema. “Isso significa que a população brasileira tem o direito de ter acesso ao cinema, ao teatro, a bibliotecas e a todos os espetáculos de ópera clássica até as manifestações diversas dessa riqueza cultural imensa que nós temos”, disse.
De acordo com a candidata, o governo deve garantir a produção de bens culturais descentralizada, que respeite a diversidade cultural, garantindo o acesso da população a salas de espetáculos em todas as regiões do país. “Você não pode ter incentivos à cultura centralizados. Terá de ter essa diversificação para poder captar essa diferença. Essa diferença que dá também condições de mais democracia cultural no Brasil”, disse.
Dilma Rousseff defendeu que devem ser respeitados os locais onde a cultura se expressa com maior intensidade, como é o caso do Rio de Janeiro, que tem a capacidade de fomentar a cultura e torná-la um grande acontecimento para o país. “Muitas vezes o Rio de Janeiro vai ser o local que os outros estados vão utilizar para poder firmar a sua cultura. Porque o que acontece aqui nós todos brasileiros encaramos como sendo do Brasil”, afirmou.
A candidata disse ainda que para que o país estruture um projeto de Nação, são precisos, além de construir um país e uma sociedade desenvolvidas, dois elementos essenciais que, segundo ele, necessitam de incentivo. “Um é a educação de qualidade, o outro é o respeito mais absoluto a sua expressão cultural, que é o que você tem de identidade que mostra a alma desse povo, que é a nossa cultura. Por isso a questão da cultura pra mim é uma das questões mais estratégicas”.
Dilma Rousseff fez uma visita ao Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, na zona norte da cidade. Ela ficou 25 minutos no local, e não teve como circular devido à aglomeração que se formou.
Com informações da Agência Brasil.
De acordo com a candidata, o governo deve garantir a produção de bens culturais descentralizada, que respeite a diversidade cultural, garantindo o acesso da população a salas de espetáculos em todas as regiões do país. “Você não pode ter incentivos à cultura centralizados. Terá de ter essa diversificação para poder captar essa diferença. Essa diferença que dá também condições de mais democracia cultural no Brasil”, disse.
Dilma Rousseff defendeu que devem ser respeitados os locais onde a cultura se expressa com maior intensidade, como é o caso do Rio de Janeiro, que tem a capacidade de fomentar a cultura e torná-la um grande acontecimento para o país. “Muitas vezes o Rio de Janeiro vai ser o local que os outros estados vão utilizar para poder firmar a sua cultura. Porque o que acontece aqui nós todos brasileiros encaramos como sendo do Brasil”, afirmou.
A candidata disse ainda que para que o país estruture um projeto de Nação, são precisos, além de construir um país e uma sociedade desenvolvidas, dois elementos essenciais que, segundo ele, necessitam de incentivo. “Um é a educação de qualidade, o outro é o respeito mais absoluto a sua expressão cultural, que é o que você tem de identidade que mostra a alma desse povo, que é a nossa cultura. Por isso a questão da cultura pra mim é uma das questões mais estratégicas”.
Dilma Rousseff fez uma visita ao Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, na zona norte da cidade. Ela ficou 25 minutos no local, e não teve como circular devido à aglomeração que se formou.
Com informações da Agência Brasil.
domingo, 26 de setembro de 2010
ANA MARIA CASCUDO:SEMENTE, FRUTO E FLOR
“Adestrei-me com o vento e minha festa é a tempestade”
Cecília Meireles
“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”
Clarice Lispector
Há pelo menos duas personalidades que me surpreendem pela força de suas individualidades: Luís Fernando Veríssimo(1) e Ana Maria Cascudo. Ambos tiveram pais exponenciais, dedicaram-se ao ofício da escrituração literária e sobreviveram, ilesos, resistindo à sombra ocultável da paternidade, à implacável aguarrás com potencial para desvanecer qualquer figura de qualquer matiz, ou, pior que isso, de indiciar sugestiva oportunidade de auto-promoção às custas do sobrenome ilustre que lhes sovinasse os valores pessoais.
Em posição mais confortável, mas igualmente incômoda, situou-se Zélia Gattai, mulher do maior romancista brasileiro contemporâneo, Jorge Amado. Escritora que sempre teve uma identidade própria, mas esta se confundia com a do seu afamado companheiro. Mesmo quando produziu “Anarquistas graças a Deus”, ainda se tinha a impressão de que o dedo do notável escritor haveria passeado pelo teclado de sua máquina e produzido, senão a totalidade, alguns textos adjutórios. E também Clara Ramos, filha do notável Graciliano das Alagoas, que, bem a propósito, num gesto de ousada autoconfiança, tornou-se a mais autorizada especialista da obra paterna(2).
É certo que, cedo ou tarde a verdade subjacente ao mito aflora, confirmando a versão, ou a desautorizando, por mérito próprio dos herdeiros, ou pelo desfazimento da sombra protetora, com a paralisia criadora ou o óbito dos instituidores da herança.
Ocupo-me agora de Ana Maria, filha dileta do Mestre Luís da Câmara Cascudo e tão presente na vida desse extraordinário homem de letras norte-rio-grandense, quanto, só para citar como exemplo, minha amiga e colega de turma Vitória, filha do também valoroso intelectual potiguar Américo de Oliveira Costa e da culta e inteligente Helena Kazantzakis, esposa do excepcional pensador e escritor grego/cretense Nikos Kazantzakis(3).
A diferença entre as duas herdeiras intelectuais e Ana Maria é que esta última se impôs com identidade inconfundível, conservando a memória do seu famoso ancestral, e até fundindo-se a ele, todavia sem se diluir ou amalgamar-se, como curadora do seu acervo e difusora de sua memória, num gesto também marcante de extrema ousadia e auto-confiança, mas tendo o cuidado de demarcar o seu território, imprimindo a sua “griffe” e afirmando-se como legítima portadora do DNA paterno, sem contudo ser caudatária por graça ou beneplácito desse legado. Mesmo porque é impossível a clonagem desse espécime irreproduzível.
Ana Maria Cascudo é Ana Maria Cascudo, acidental e afortunadamente filha da maior expressão intelectual do Rio Grande do Norte, e das maiores do país, posição que não renega e que é motivo maior do seu orgulho, mas que não interfere nem pode ser dada como responsável pelas posições que conquistou – sobretudo em relação àquelas alcançadas após a morte do pai.
É uma mulher extraordinária, inteligente, decidida, culta e original naquilo que faz – fazendo bem tudo o que faz.
Graduou-se em Direito e foi uma das raras mulheres de sua turma. Foi promotora de justiça, a mais jovem do Brasil e a primeira do Rio Grande do Norte a participar de um júri. Jornalista dentre pouquíssimas do seu sexo. Foi uma mulher liberada, independente, bem à frente dos padrões de sua época de muito jovem, quando as mulheres eram preparadas para serem submissas e “guarda-costas” dos maridos (explico-me: aquela estória do `por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher´) como, exemplificativamente, e por vontade própria, muita renúncia, muito amor e a exata compreensão do destino do consorte, fez a sua mãe, dona Dahlia.
No caso de dona Dahlia, menos do que a sua formação tradicional e a cultura da época, pesou mais a madura percepção de que o seu marido fora destinado a outro consórcio, paralelo ao seu e, e, por mais paradoxal que fosse, a esta circunstância deveria se submeter: as leituras, as pesquisas e o apaixonante ofício de escrever.
Ana casou-se duas vezes, teve três filhos e três netos, e conseguiu manter-se funcional como dona de casa, doando-se como esposa, mãe e avó, mas conservando a sua identidade e independência. Nunca foi apêndice, nem metade ou anjo da guarda, sempre foi companheira, devotada, fiel, amante, mas companheira, parceira existencial. Assim foi com o major Newton Roberti Leite, primeiro marido, de quem se tornou viúva, e com a notável criatura humana com quem mantém uma relação estável, duradoura, amorosa e fraterna, Camilo Barreto.
Tenho a premonição de que o mesmo destino da mãe será o de Camila, jovem advogada e escritora talentosa e criativa, que se envaidece da condição de neta e filha de quem é, mas se conserva individualista por crença e determinação pessoal. É conselheira intelectual da mãe (sobretudo nos títulos e nas avaliações das suas obras) assim como assessorava a avó Dahlia nos raros e encantadores depoimentos pessoais. Geralmente sobre o marido ou a sua convivência com o gênio da cultura potiguar.
Recolhi, por obra e graça de Camila, sua filha, ainda no começo da sua adolescência, quando eu editava a Revista Exclusivo, um tocante depoimento de dona Dahlia sobre o seu namoro com um romântico Cascudo. Depois, Diógenes da Cunha Lima leu-me outro depoimento dessa encantadora criatura onde ela confessa e explica, com convicção e maturidade, sobretudo com muito amor e devoção ao marido, a sua decisão de secundá-lo e nunca disputá-lo com a sua obra, como já expus.
(Aos nove anos de idade Camila publicou um livro infantil, “O Reino das Joaninhas” e agora, premida pelo ofício profissional da advocacia e um curso de pós-graduação na Argentina, escreve artigos e monografias jurídicas. Mas, aguardem e verão o renascimento dessa mais nova matriz Cascudiana)
Por esses dois exemplos, creio mesmo que a estirpe do mestre Luís da Câmara Cascudo não conserva moldes que possam ser legados hereditariamente, ao invés, cria matrizes a cada geração, embora o gene responda fundamentalmente pelas características das matrizes. Assim sucedeu com o coronel Francisco Cascudo, político e jornalista, que criou a matriz de Luis, que, por sua vez se fez semente da matriz de Ana e esta, de sua filha Camila.
Todos são personagens Cascudianos: o coronel, dona Dahlia, Ana e Camila. Longe de ser uma fatalidade é uma benção, porque todos se energizaram com a aura do sábio da Junqueira Aires. E é tão poderosa essa energia, irradiante e luminosa, que alcança até os ancestrais, como em relação ao pai Francisco, maior admirador e incentivador do filho, um homem maior que a sua estatura e que se agigantou mais ainda pela gênese, formação e decidido apoio ao magnífico rebento. Expandiu-se no filho.
Diz Simone de Beauvoir(4) que não se nasce mulher: torna-se. Num primeiro momento se é tomado por duas linhas de reflexão coincidentes, mas não iguais. Aquela que nos conduz à singela constatação de que se nasce criança e que a natureza mulher revela a maturidade da espécie, e aquela, de mais difícil arquitetura, segundo a qual se nasce sexuado: masculino e feminino, macho e fêmea – condições biológicas. E que, ser mulher é condição humana.
Segundo magistério de Hannah Arendt(5), condição humana não é a mesma coisa que natureza humana. A condição humana diz respeito às formas de vida que o ser humano impõe a si mesmo para sobreviver. As condições variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual o ser humano é parte. Nesse sentido todos os seres são condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento de outros tornam-se condicionados pelo próprio movimento de condicionar. Sendo assim, somos condicionados por duas maneiras: Pelos nossos próprios atos, pelo que pensamos, por nossos sentimentos, em suma os aspectos internos do condicionamento, ou pelo contexto histórico que vivemos, a cultura, os amigos, a família; são os elementos externos do condicionamento.
Posto desta forma, apesar da tese indicar certa complexidade filosófica, a equação nos parece mais raciocinada, mais plena de sentido, mais lógica. Ser mulher é ato de conquista, atestado de maturidade, certificação, transcendência. Assim como ser homem.
Veja-se que a expressão “homem” já foi designação do próprio gênero, o ser humano, tal a sua proeminência numa cultura dominada por esta espécie. Gradativamente, como resultado de uma lenta mas obstinada luta pela igualação das condições, a mulher conquistou a posição de parceira nas elaborações sociais.
Mas são condições diferenciadas, do ponto de vista biológico e, em decorrência desta natureza, que também diz respeito ao aspecto funcional. Sempre foi assim. A diferença entre antigamente e o momento contemporâneo é que hoje essa distinção não é aceita como reducionista, em desfavor da condição de plenitude da mulher, mas no reconhecimento de que o seu potencial competitivo ultrapassa o que antes era tido como limitações.
Afinal, o homem também é limitado no seu contexto humano, tanto que expõe e amplia como vantagem, a sua condição física, antes dada como proeminente em relação à mulher. São biotípico e espiritualmente diferentes. Esta é lunar, aquele é solar. Esta é esquerda, aquele é destro. Passiva, ela, ativo, o homem. Ambos, seres animados pela mesma inteligência e aptidão.
Mas em favor da mulher milita a presunção de que ela é o mais importante ser em transição na natureza, porque é semente, é matriz e germinadora, tendo-se em mente que metade da população do universo é composta por pessoas de sexo feminino. E a outra metade de filhos dessa espécie.
Essas digressões, aparentemente dissociadas do contexto, na verdade ajusta-se como uma luva á nossa perfilada. Ana competiu, lutou e venceu. Tornou-se mulher, condição humana e alcançou o ponto de equilíbrio com a outra espécie, dita dominante. Tanto é verdade, que os preconceitos e as desconfianças que a cercavam em razão da digital do pai, desvaneceram-se diante da evidência do seu espírito livre de amarras e aguerrido e do seu talento pessoal.
Aos treze anos iniciou-se no jornalismo, quando muitas adolescentes ainda confidenciavam com suas bonecas ou suspiravam os primeiros sonhos sexuados. Manteve uma coluna sobre a Bossa Nova chamada “Cantinho Hi-Fi”. Prosseguindo no jornalismo, durante anos a fio manteve no jornal “A República” uma coluna em que escrevia sobre assuntos sócio-culturais reservando os domingos para a publicação de biografias femininas que lhe forneceu material para o primeiro livro – “Mulheres Especiais”.
Lembro que a jornalista Ana Maria foi convidada por mim, com a intermediadora cumplicidade de Camila, para integrar a equipe de colaboradores da já citada revista Exclusivo, e a matéria de sua estréia tratava de um assunto no mínimo intrigante, senão um tanto “gauche” para uma revista que se afirmava pelo bom gosto dos temas escolhidos: Unhas encravadas. Num primeiro momento, ficamos entre surpresos e constrangidos, mas depois que lemos o artigo pudemos comprovar a qualidade da jornalista, a capacidade de prestidigitadora, de manipuladora-aliciadora de textos banalizados, tal qual o fazia o Mestre Câmara Cascudo.
Depois de “Mulheres Especiais”, publicou “O colecionador de Crepúsculos”, foto-biografia do pai ilustre; “Neblina da Vidraça”, sobre a vida e obra da poeta Palmyra Wanderley (6) e aguarda a edição de “O Herói Oculto”, já no prelo, biografia do avô, coronel Francisco Cascudo(7).
Ocupa a cadeira número treze na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sucedendo ao mestre Cascudo e essa foi considerada por ela a maior distinção que recebeu ao longo de sua vida; é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e da União Brasileira de Escritores; uma das fundadoras da Academia Feminina de Letras do RN e da Academia de Letras Jurídicas do RN; sócia correspondente da Academia Paulista de Letras - onde o pai era membro – e da Academia de Letras, História, Cultura e Arte, também de São Paulo.
Vale considerar que valoriza com entusiasmo todas as homenagens prestadas ao seu pai-ídolo, mas registra com muito carinho a original manifestação popular de uma escola de samba de São Paulo que escolheu o Mestre do Folclore Brasileiro como tema do seu enredo carnavalesco. Nisso ela se assemelha ao pai, na devoção e valorização da cultura popular.
Atualmente, a jornalista Ana Maria Cascudo é tema de trabalho de conclusão de curso das turmas de jornalismo da Universidade Potiguar
Promove, patrocina, apóia, auxilia e estimula todas as iniciativas e eventos sobre a vida e a obra de Câmara Cascudo. Recentemente tomou sob seus cuidados o Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, fazendo doação dos direitos autorais da obra Cascudiana para esta entidade, objetivando a sua manutenção.
É esposa, mãe de três filhos – Daliana, Newton e Camila, e avó de Diogo, Alana e Cecília, com muito açúcar e muito afeto. Católica apostólica romana, tem um pezinho nos terreiros dos cultos afro-brasileiros, pelo fascínio e magia dessa manifestação religiosa, mas sobretudo por suas raízes, campo de pesquisa e de estudo do seu pai. Ano passado realizou conferência sobre a obra de Cascudo na Universidade Católica de Umbanda, em São Paulo.
Se me perguntassem quais os traços mais persistentes de Ana Maria,eu responderia, sem hesitar: a obstinação e a determinação, a inteligência aguda e a devoção filial.
É mulher de personalidade forte, capaz de endurecer-se mas sem perder a ternura jamais, como o revolucionário argentino emprestado a Cuba. Ou, como na observação de Clarice Lispector, no preâmbulo deste texto, surpreender aos que pensam que a conhecem, sendo “...leve como uma brisa ou forte como uma ventania...” dependendo de quando e como você a vê passar.
(1) Verissimo escreveu mais de cinqüenta livros, incursionando com desembaraço pela crônica, romance, poesia e literatura infantil
(2) “Mestre Graciliano: Confirmação humana de uma obra”, 1979, premiado pelo Instituto Nacional do Livro. Ainda escreveu cinco livros: A Estrela Pisca-pisca Nórdica 1990 Zé da Verdade Melhoramentos 1990 A Formigarra Memórias Futuras 1992 Cadeia José Olympio 1992 Memórias da Cachorra Baleia Mem 1992. Faleceu aos sessenta anos de idade.
(3) "Não tenho nenhuma esperança. Não tenho medo de nada. Sou livre." Este é o epitáfio do poeta, novelista, dramaturgo e filósofo Nikos Kazantzakis, gravado em seu túmulo em Heraclion, na Ilha de Creta. Entre as suas principais obras, traduzidas para o português, destacam-se “O Cristo Recrucificado”, “A Última Tentação de Cristo”, “Zorba, o grego”, “Testamento para El Greco”, “Os irmãos inimigos”, “Toda Raba” e “O Pobre de Deus”.
(4) Escreveu cerca de vinte livros, distribuídos em ensaios filosóficos, romances, novelas, escrituras autobiográficas e peças de teatro. Uma das mais expressivas teóricas do movimento feminista, viveu com Sartre, o grande filósofo existencialista francês, com quem dividiu, sempre em desvantagem, a efêmera glória literária e filosófica.
(5) Teórica política, tida também como filósofa, judia alemã que emigrou para os Estados Unidos fugindo do nazismo. Autora de diversos ensaios, entre outros, “As origens do totalitarismo” e “Sobre a Revolução”. O comentário refer-se a outro dos seus livros, “A condição Humana”, publicado no final da década dos anos cinqüenta.
(6) Poeta natalense. Em 1914 fundou, juntamente com sua prima Carolina e outras jovens, a Revista Via-Láctea que seria a primeira feita por mulheres e dirigida ao público feminino, no Rio Grande do Norte. Esta revista circulou até o final de 1915 e cumpriu o importante papel de incentivar e divulgar a produção feminina do Estado. Colaborou em diversos jornais e revistas de seu tempo, como A Imprensa, A República e A União, do Rio de Janeiro; Revista Feminina e Revista Moderna, de São Paulo; Paladina do Lar, da Bahia; e Estrela, do Ceará, entre outras. Em Natal colaborou em A República, A Cigarra, Diário do Natal e Tribuna do Norte. Escreveu dois livros de poesias: Esmeralda e Roseira Brava.
(7) Pai do ilustríssimo Luis da Câmara Cascudo, foi o seu maior incentivador. Coronel da Guarda Nacional, foi comerciante, político, fundador e mantenedor do jornal “A Imprensa”, um dos dois periódicos existentes à época em Natal. Era, no dizer de Ticiano Duarte, “...uma espécie de “dono da cidade”. As sessões do cinema Royal só começavam com a presença do casal Francisco Cascudo - Donana. O mesmo ocorria, no cinema Polyteama, na Ribeira...”
PEDRO SIMÕES – Professor de Direito (aposentado). Escritor e Advogado
sábado, 25 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
MONSENHOR LUCAS COMPLETA 40 ANOS DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Dentro das comemorações alusivas aos 40 anos de ordenação Sacerdotal de Monsenhor Lucas Batista Neto, festejados com várias atividades e eventos, na próxima sexta-feira (24) a Câmara Municipal de Natal realizará, às 18h, uma Sessão Solene na qual entregará o título de Cidadão Natalense ao Padre José Fernandes de Oliveira (Padre Zezinho) e fará Menção Honrosa pelos 40 anos de missão evangelizadora de Monsenhor Lucas.No sábado (25), haverá um Retiro para a Família, tendo como principal pregador Padre Zezinho, além das cantoras Lea e Sônia e as irmãs de Belém, das 8h às 18h, no Hotel Pirâmide, com inscrições, já esgotadas, de 700 amigos e fiéis. No domingo (26), Padre Zezinho fará um show, a partir das 17h, na comunidade de Uruaçu, encerrando a Festa dos Mártires, promovida pela Arquidiocese de Natal e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.Monsenhor Lucas encerrará suas comemorações com Missa Solene em Ação de Graças na segunda-feira (27), às 19h, na Catedral Metropolitana de Natal com participação de Padre Zezinho. Nesta data o Monsenhor completa os 40 anos de ordenação. Na missa, haverá a presença de 40 casais, cujos matrimônios foram celebrados por Monsenhor Lucas Batista Neto.
CONTRIBUIÇÕES
O religioso solicita a todo aquele que desejar lhe presentear que o faça, tão somente, através da doação de latas de leite ao GACC (Grupo de Apoio a Criança com Câncer), fraldas descartáveis ao Hospital Infantil Varela Santiago e papéis higiênico e toalha a APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais). Pessoas das referidas instituições receberão as doações durante a Missa, no dia 27 de setembro.
Comissão Central do Evento
Informações: (84) 9401- 3862 (Tânia Trigueiro)
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COMO VIVER 13 ANOS A MAIS E SEM DEMÊNCIA Rosangela Haydem Um estudo publicado em agosto de 2026 trouxe um dado que merece a nossa atenção:...



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