sábado, 30 de outubro de 2010

A DEMOCRACIA AGREDIDA

(Artigo do Min. Paulo Brossard na Zero Hora de ontem, 25-X-2010)


            Eu era estudante em 1945 e participei da campanha pela redemocratização do país e votei na eleição de 2 de dezembro daquele ano para presidente da República e para a constituinte que elaboraria a Constituição de 18 de setembro de 1946. Encerrava-se o longo e triste ciclo do Estado Novo, durante o qual houve de tudo, a começar pela destruição dos valores democráticos e pelo endeusamento do ditador, à semelhança do que se fizera nos países totalitários da Europa.
            E continuei a participar de campanhas e eleições até ser nomeado para o Ministério da Justiça e, posteriormente, para o Supremo Tribunal Federal.
            Sempre entendi que o ministro da Justiça não deveria ser parte da campanha, mais do que qualquer outro não podendo ser, ao mesmo tempo, autoridade e ator, pois a ele competiria a adoção de medidas que se fizessem necessárias no período eleitoral. Digo isto para salientar que em mais de 40 anos fui testemunha de muito “excesso” e “abuso”, mas nunca tinha visto o que passei a ver e continuo a assistir dia a dia se agravando.

            E isto é tanto mais significativo quando em quase todos os sentidos o país tem progredido e em muitos deles o progresso chega a ser notável; no que tange à instrumentalidade eleitoral, por exemplo, é quase inacreditável o aperfeiçoamento, mas no momento em que o chefe do Estado se despe da faixa presidencial e assume a chefia real e formal da campanha de um candidato e em cerimônia oficial insulta o candidato, por sinal, da oposição, chamando-o de mentiroso, ele se despe da magistratura presidencial, inerente à Presidência, e ingressa no mundo da ilicitude, que, para um presidente, é a mais grave das infrações às suas indisponíveis responsabilidades.
            De resto, isto é a porta aberta para a consumação de todas as truculências verbais e físicas. É preciso não esquecer que a violência é doença contagiosa, e com a publicidade que o governo dispõe ele pode incendiar o país.
            O presidente quer ganhar a eleição a qualquer custo e pode ganhar, mas a sua eleita pode não governar. Já vi coisa parecida e não terminou bem. O presidente alinhou o Brasil na maçaroca do coronel Chávez. A partir de agora alguém pode sair às ruas portando um cartaz, seja do que e de quem for, sem correr o risco de ser agredido pela guarda de choque do presidente. Foi assim na Itália fascista e na Alemanha nazista.

            O que aconteceu ontem instantaneamente ganhou uma versão cor-de-rosa na publicidade do governo. O agredido de ontem não foi o cidadão apontado de “mentiroso” pelo presidente da República, foi cada um de nós, foram as instituições democráticas. Para começar um incêndio basta um fósforo, para extingui-lo pode custar o incalculável.

            Não preciso dizer que estou profundamente impressionado com o rumo que o presidente está dando à sua incursão empreendida na orla da horda, ele fez um pacto com a fortuna, do qual o imprevisto é sempre possível.



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

TURISMO

Romildo Queiroz e Ivan Júnior.
Prefeito Ivan Júnior reafirma compromisso da gestão com o desenvolvimento do setor em Assu
Uma das prioridades é o projeto de criação do Santuário de Irmã Lindalva
O prefeito do Assu, Ivan Júnior, participou nesta quinta-feira, 28, da 1ª Amostra de Turismo do Vale do Açu, realizada no auditório do Campus Avançado Prefeito Walter de Sá Leitão, da UERN. Ele ressaltou o comprometimento de seu governo com o segmento, informando que existem vários empreendimentos realizados no município e outros projetados, que espera poder desenvolver durante seu mandato.

“O turismo pode ser uma importante porta de entrada para investimentos e geração de emprego e renda”, disse o prefeito. Uma das prioridades é o projeto de criação do Santuário de Irmã Lindalva, obra orçada em R$ 2 milhões. O projeto arquitetônico e a maquete eletrônica já estão prontos e Ivan Júnior tenta obter recursos junto aos governos estadual e federal.

Acompanhado pelo secretário de Turismo, Romildo Queiroz, Ivan Júnior fez um relato do que já foi feito. “Temos ações relevantes, como os terminais turísticos de Mendubim II e Porto Piató e diversas outras instalações turísticas como praças e espaços públicos, mas nosso desejo é o de progredir mais ainda”, reiterou.

Amostra
A 1ª amostra de Turismo do Vale do Açu foi uma realização dos professores e estudantes do curso técnico em Guia de Turismo do Pólo da Escola Técnica Aberta do Brasil (ETEC), vinculada ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). O órgão é mantido em parceria com a Prefeitura do Assu, ocupando as instalações do Centro Educacional Doutor Pedro Amorim (CEPA), no bairro Frutilândia. Somente quatro cidades do Estado ofertam tal oportunidade de capacitação técnica federal: Assu, Lajes, Currais Novos e Parnamirim.

Fotos – Amostra de Turismo (Tibério Guedes)

Com informações de Lúcio Flávio Medeiros da Fonseca
(84) 9106-1440


AGÊNCIA ECO DE NOTÍCIAS

AMIGOS DO TIROL

Programação da décima edição do evento começa com missa de agradecimento e ação de graças

O coquetel de lançamento do livro memorialista “Amigos do Tirol” será no dia 18 de novembro

A programação das comemorações dos dez anos da festa “Amigos do Tirol” será extensa e variada. Começa no dia 13 de novembro com o “Ensaio Geral”, a partir das 12h na AABB, com a Banda Balaio de Gatos. No dia 18 haverá o coquetel de lançamento do livro homônimo e no dia 20, missa às 08h na Igreja Santa Terezinha e a Deca-festa, a partir das 12h, com a Banda dos Anos Sessenta, seguida da Banda Balaio de Gatos, que no final da festa acompanhará os foliões até o Restaurante Bela Napole, onda tocará ainda por sessenta minutos.

As camisetas de acesso a festa, ao preço de R$ 20 reais começaram a ser vendidas durante o Ensaio Geral, no dia 06 de novembro. Elas também estarão à disposição até o dia da festa na secretaria da AABB. O livro memorialista “Amigos do Tirol” também custará R$ 20,00.

Os autores da antologia, Fernando Mousinho, Petit das Virgens, Maurício Baíto, Roberto Rabello, José Guedes da Fonseca, Áureo Borges, Leonardo Sodré, Roberto Viana, José Ariston Neto (coordenadores do evento), além de Jahyr Navarro, Raimundo Barata, Lenilson Carvalho, Franca Trigueiro, Leda Barbosa Gonçalves, Sérgio Freire, Evandro Freire, Dalton Melo de Andrade, Eduardo Alexandre de Amorim Garcia, Flávio Aguiar, Sérgio Dias, Roberto Monte, Fernando Nesi, Rilke Santos, Rita de Cássia Medeiros, Otávio Garcia, Augusto Leal, Amaro Jordão, Francisco Lira, Alderico Leandro, Isaías Costa, Sílvia Mota, Leonardo Cavalcanti, Edilberto Cavalcanti, Carlos Gurgel e Juarez Chagas estarão presentes numa longa mesa para que os compradores da obra escolham quem vai autografar.

Resgate

“A festa Amigos do Tirol nasceu da iniciativa de amigos que viveram a infância e a juventude em Natal entre os anos de 1960/1970. O objetivo é resgatar e atualizar relações de amizade dessa época entre seus participantes”, disse Roberto Rabello, um dos organizadores. “A denominação não significa nenhuma referência restrita ao bairro ou a seus moradores. Deve-se ao papel aglutinador que o Tirol representa para essa geração, tanto do ponto de vista social como cultural e desportivo”, completou Rabello.

De acordo com o organizador, o bairro acolhia os moradores do próprio bairro, além de outros, como Petrópolis, Cidade Alta, Rocas, Alecrim, Morro Branco, Barro Vermelho e Praça Augusto Leite e os frequentadores da Assen, América Futebol Clube, Associação Atlética Banco do Brasil, ABC Futebol Clube, Aero Clube, Clube dos Oficiais da Polícia, Clube de Rádio Amadores e Lagoa Manoel Felipe, sem esquecer que foi o berço de grandes blocos carnavalescos que durante décadas alegraram o carnaval da cidade, como Bacurinhas, Xafurdo, Jardineiros, Cacareco, Saca-Rolha, Simbora, Puxa-Saco, Xumbrêgo e Carcará, fonte onde posteriormente o bloco Apaches também bebeu água.

Colaboração

Este ano estamos contando também com a colaboração da bem sucedida DB’D Publicidade, instalada em Recife (PE), do natalense e tirolense Doryan Bessa, que doou toda a campanha do evento, com material para Outdoor, rádio, TV, logomarca, cartaz A3, convites e e-mail marketing. Somou-se a DBD o braço de imprensa da ECO propaganda & Marketing, por meio da Agência ECO de Notícias, do publicitário e jornalista João Maria Medeiros, que tem feito toda a divulgação do evento. (LS).

 
 
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16 DE OUTUBRO, ANIVERSÁRIO DO AÇU

Dê dois cliques na imagem para visualisar melhor.


A primeira comemoração do aniversário de emancipação política do municipio do Açu ocorreu no ano de 1969, governo do prefeito João Batista Montenegro. A respeito daquela data de aniversário daquele importante município potiguar escreveu o jornalista açuense Osvaldo Amorim, conforme escrito no documento acima.

Fernando Caldas

VALE DO AÇU DO PASSADO

Dê um clique na imagem para melhor visualizar.

As imagens acima são do ato das primeiras discussões, dos primeiros passos rumo a retomada do desenvolvimento do Vale do Açu (início da década de sessenta). Nas fotografias podemos (os mais antigos) identificarmos Francisco Amorim, Dom Eliseu, Ving Rosado, Edgard Montenegro, Osvaldo Amorim, Agnaldo Gurgel, dentre outros.

Fernando Caldas

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CARTA RESPOSTA DO EX-PRESIDENTE FERNANDO COLLOR, DATA DE 1993

Carta resposta a minha pessoa (Fernando Caldas) pela solidariedade que eu prestei aquele presidente logo ap´s ter sido deposto da presidência da  república.

SOBRE RENATO CALDAS


Clique na imagem para visualizar melhor.Na fotografia, direita para esquerda: Padre Zé Luiz, jornalista mossoroense José Rodrigues e o poeta matuto Renato Caldas.



AINDA SOBRE AS "DELÍCIAS DO ASSU E DO VALE"

Natal recebe loja com delícias do Assu e do Vale

Natal já pode saborear os mais gostosos e tradicionais produtos do Assu e do Vale. A loja Delícias do Assu e do Vale, instalada na rua Potengi, 521 – Flat Potengi – loja 14,  nas proximidades da Pça. Cívica, em Petropólis, abriu na manhã do último sábado (23), recheada com filé de peixe de Tucunaré, Tilápia e Traíra, feijão verde, queijo de coalho, camarão, castanha de caju, banana passas, biscoito Flor do Assu – com venda acima da expectativa e estoque esgotado logo na manhã do sábado –, bolachas Casquinha, Praeira e Sete Capas, alfinin, artesanato e muito mais. Na ocasião, o historiador Ivan Pinheiro autografou o livro Assu - dos Janduís ao Sesquicentenário.
O espaço idealizado pelo odontólogo Francisco das Chagas Pinheiro, mais conhecido como Doutor Chaguinha, foi bastante prestigiado na sua inaguração.
(Do Blog de Alderi Dantas).
Artigo
Um promotor envergonhado
Alexandre Gonçalves Frazão, 3º Promotor de Justiça da comarca de Assu/RN
Hoje (15/07/2010) estou profundamente envergonhado. Costumo assim encerrar minhas quintas-feiras, dia das audiências dos processos da Meta 2 perante a Vara Criminal de Assu/Rn.
A Meta 2, para quem não sabe, foi instituída pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ para que os órgãos jurisdicionais de todo o país julgassem em 2009 todas as ações ajuizadas até 2005 e que aguardavam prestação jurisdicional.
Pois bem. Sou titular da 3ª Promotoria de Justiça de Assu, e, enquanto promotor com atribuições criminais naquela comarca, realizo audiências todas as quintas-feiras com o objetivo de tentar, juntamente com a Juíza daquela comarca, encerrrar os processos criminais ajuizados até 2005.
A rotina desses dias da Meta 2 revela cruelmente a ineficiência da Vara Criminal de Assu no processamento dos crimes ocorridos naquela cidade de 2005 para trás. Revela também muito da precariedade das investigações (quando há alguma coisa similar a investigação) da Polícia Civil em relação aos crimes que são objetos desses processos, não se podendo esquecer a pouca vigilância que o Ministério Público devotou a muitos desses casos, por não haver, na maioria dos autos, qualquer reclamação de sua parte em relação à demora para a instrução e julgamento dos mesmos.
Tudo isso me deixa, ao final do dia, muito cansado, perplexo e desanimado, pela avalanche de impunidade que presencio, juntamente com a competente Juíza com quem trabalho (Drª Suzana Paula), sem nada podermos fazer para mudar o destino (inutilidade) da mioria dos feitos, restando os culpados impunes pela prescrição das penas ou pela absolvição pela falta de provas colhidas.
Mas hoje foi dose, como si diz. É que, pela primeira vez após doze anos do oferecimento da denúncia, foi ouvida a vítima de um caso que seria simples, facílimo de resolver. Ela foi esfaqueada por um filho de um então companheiro seu, atingida no olho, no tórax e no braço com uma faca de cozinha, além de levar inúmeras pauladas na cabeça. Não morreu, mas chegou perto. O agressor restou induvidosamente conhecido, pois era filho  do companheiro da vítima e foi por ela logo identificado como o responsável pelo ato.
E então estava lá aquela velhinha, sem um olho, visivelmente ressentida por ter carregado no peito aquela situação até hoje impune. Seu choro contido, choro de quem olha para cima antes de desabar, choro represado por uma força interior enormente realizada por ela para manter a dignidade, comoveu-me. O agressor estava ali na sua frente e, segundo ela, nunca pedira desculpa pelo que fizera, inobstante o conhecimento entre ambos.
E pior, o provável futuro do processo é a prescrição de eventual condenação. Passaram já 12 anos do processo, sem que a vítima sequer fosse ouvida. A Polícia, além disso, não juntou um único boletim médico ou exame de corpo delito que materializasse as lesões, o que protelou ainda mais o feito. Tudo errado, tudo falho.
 Para mim, apenas escrever tira um pouco do peso desse dia, em que fiquei mais triste do que de costume após as audiências da Meta 2, tudo porr causa da Maria das Dores (vejam que nome!). Ressentido. Fiz essa singela poesia:
Maria das Dores,
Nunca me esquecerei de você.
Com um olho só, você chorou,
Ressentida quando se lembrou
De que não trazia em si o perdão...
Perguntei-lhe, estupidamente, se havia esquecido tamanha dor.
Notei, então, o quanto de negação
Tudo ali para você representava.
Sua afetada visão,
Vítima de facadas,
Presenciava a desilusão da situação inacabada.
Após 12 anos de solidão,
Você era ouvida pela primeira vez,
Magoada, desprezada, maltratada,
Sem direito à menor e última das esperanças
De quem anseia por Justiça:
Sem direito a uma decisão,
Sem direito a uma condenação,
Totalmente esquecida.
* * *
Do Blog de Alderi Dantas: Há circuntâncias em que a indignação não é apenas um direito. É um dever do cidadão ante fatos deploráveis, que denigrem e estiolam a alma de uma nação. Ao promotor de Justiça Alexandre Gonçalves Frazão, suscitamos nossos aplausos por não “lavar as mãos” no exercício de sua missão .
A rigor, é importante explicar que o artigo foi publicado originalmente no Jornal de Hoje (Natal/RN), edição de 17/07/2010.
Agradecemos ainda a amiga, de quem o blog recebeu a cópia do artigo.


Escrito por Alderi Dantas às 16h04

DOUTOR CHAGUINHA RECEBE TÍTULO DE SÓCIO BENEMÉRITO DA ABO/RN


 Doutor Chaguina é homenageado pelos relevantes serviços prestados a odontologia do RN
A Associação Brasileira de Odontologia do RN está com uma série de eventos para comemorar seus 80 anos de atividades, apresentando nos dias 29 e 30 próximos, a 4ª Jornada de odontologia Estética.
O dia 29 também vai ser histórico para a ABO/RN, pois vai marcar a inauguração às 20h da nova sede científica e cultural da entidade, sendo o acontecimento muito esperado pela categoria, pela estrutura do prédio e o avanço que vai significar para toda a classe odontológica potiguar. Na ocasião, o odontológo assuense Francisco das Chagas Pinheiro, “Doutor Chaguinha”, recebe o título de sócio benemérito da Associação Brasileira de Odontologia – seção do Rio Grande do Norte, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados a Odontologia do RN.
(Do Blog de Alderi Dantas).



Por Francisco Martins, encarnado no personagem "Mané Beradeiro".


Cheguei ao Tribunal do Cristão esperei ansioso o meu nome escutar.
Um anjo de alpercatas e gibão diz em nordestinês: "-Se aprochegue Manezim, venha prá cá meu bichim. Seus fatos eu vou narrar".

A alegria foi tamanha, não tem comparação. Nem os oceanos juntos, nem as redes do sertão, nem os arreios de ouro, nem misses, nem nobel, nada pode superar. O que João disse foi pouco, vocês podem acreditar.

Ergui os olhos e vi a coisa mais linda do mundo, o Filho de Deus encarnado, ressureto e Rei do Universo. Suas mãos têm as chagas que o homem mal escreveu, com tinta de todos os pecados que a humanidade cometeu.

Eu disse ispiando Jesus: "-Senhor, eu posso falar?" O mestre tocou-me a face e disse: "-Quero escutar". "-Senhor, tu sabes tudo não carece eu explicar. Mas me deixe derramar estas poucas palavras que quero externar".

Os anjos fizeram silêncio, não se ouvia um batido de asas. No trono do firmamento, a Trindade me escutava. A minh'alma exultava. Estava no céu agora, não por merecimento, nem tão pouco por vã glória.

"-Meu pai eu quero agradecer, este céu que o Senhor me deu. Nem eu sei por que tanto amor para comigo, um miserável pecador". Foi neste momento então, que um anjo pretim, escurim da cor de breu, chegou perto de mim. Senti cheiro de incenso, rapadura e alfinim.

Jesus, Rei dos reis, que comanda a situação, vestindo uma roupa alva, feita do melhor algodão, autorizou o anjo preto abrir logo o matolão. Lá dentro tinha uma cruz, uma coroa de espinhos, uma vara de açoitar, uma lança prá perfurar, três pregos grandes, eu vi, por isso posso atestar. Além dos dois malvados chicotes que o fizeram sangrar.

Olhando aquele inventário de dor e grande aflição, o anjo do matolão, subiu três metros do chão, abriu suas oitos asas, mais belas que o pavão e começou a locução: "-Mané, preste atenção ao que vou lhe dizer. Foi com este sacrifício que Cristo salvou você!".

Fiquei todo arrepiado, sem saber o que falar. Botei as mãos no bolso procurando com quê pagar. O anjo continuava: "-Brocoió, não seja tolo. Sua dívida era impagável. Seu destino era o inferno. Foi por graça, não por obras - esqueça toda manobra".

Voltei os olhos a Jesus, meu semblante estava quente. Naquele instante passou um filme na minha mente. Eu vi tudo que fiz de bom e também de indecente. O anjo voltou ao chão. Ouvi sinos, louvação, e num imenso salão, havia no Livro da Vida, escrito em letras de sangue, meu registro e salvação.

Tudo isto aconteceu porque eu reconheci que precisava de meu Deus. O seu nome eu invoquei. Meus pecados confessei, do Satanás escapei. Se você também quiser ao Tribunal de Cristo ir, não perca tempo amigo, convide-o logo a entrar. Não almeje o Trono Branco, pois lá é pra se lascar.

FIM

Mané Beradeiro
Folheto a venda nas principais bancas e livrarias do Rio Grande do Norte - Brasil
Preço R$ 1,00
Pedidos podem ser feitos au autor através do e-mail: maneberadeiro@hotmail.com

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.