sábado, 25 de dezembro de 2010

PONTE NEWTON NAVARRO TERÁ QUEIMA DE FOGOS

Quando o relógio marcar meia-noite, entre o dia 31 de dezembro e o primeiro dia de 2011, o grande personagem da queima de fogos em Natal será a Ponte Newton Navarro. Recebendo pela primeira vez a queima de fogos tradicionalmente realizada na Ponta do Morcego, a Ponte Newton Navarro terá seguramente o show de fogos mais visto da noite em Natal. Ponta Negra, como é tradição todos os anos, terá também fogos de artifício, mas, pela localização geográfica, e pela altura, o espetáculo na Ponte poderá ser visto por boa parte da Zona Norte e Zona Sul da cidade.

A modificação implementada pela Prefeitura de Natal no réveillon deste ano foi motivada por dificuldades técnicas na Ponta do Morcego. Como hoje a área normalmente utilizada ganhou a vizinhança de um restaurante, ficaria inviável, até por recomendação do Corpo de Bombeiros, realizar um show pirotécnico naquela localidade. A proximidade do estacionamento e do próprio salão do restaurante representa um perigo. Ainda existe a possibilidade, não confirmada, de colocar fogos de artifício ao longo da orla, culminando com o espetáculo na Ponte Newton Navarro.

A exemplo de Ponta Negra, o show pirotécnico terá a duração de 12 minutos. A Secretaria Municipal de Turismo, responsável pela organização do final de ano, disse não saber exatamente a quantidade de fogos necessária, mas que a queima pode inclusive ultrapassar o tempo estimado inicialmente e chegar a 15 minutos. A promessa é utilizar formas bem coloridas e efeitos sonoros também, mas a definição final dos detalhes só será finalizada quando estiver mais próximo das festividades.

A grande vantagem de utilizar a Ponta Newton Navarro é a visibilidade. Com mais de 50 metros de altura, a Ponte possibilitará o colorido da queima de fogos alcançar uma altura de 200 metros, segundo estimativa dos organizadores. Dessa forma, tanto quem estiver na Redinha como na festa da Praia do Meio poderá assistir ao espetáculo, sem contar com várias localidades da Zona Norte. O Bairro Nordeste é um exemplo.

Postado por Dirk Wolter
(Natalguia)

Envie este artigo.

NOITE DE NATAL




*Por Bosco Lopes

As muitas outras cidades que me perdoem, mas Natal é fundamental. Não fosse pelo seu pôr do sol do Potengi, seria pelas pessoas que o contemplam, embriagas de poesia e que passeiam a beleza pelas suas ruas seculares.

Nasceste, Natal, entre o rio e o mar, com os teus alicerces ancorados nos arrecifes da Praia do Forte, estrela maior que guia a nau catarineta tripulada de poetas, que saem por tuas noites em busca de bares nunca dantes navegados. Caminhas ecologicamente banhada pelo rio e protegida pelas dunas. Foste a bem amada dos aventureiros gauleses, holandeses e lusitanos, para tempos depois servires de pilar de uma ponte de guerra que ia desta parte ao outro mundo.

Natal, admiro a ternura fotogênica dos teus becos: becos que não cantei num dístico. Mas que canto cotidianamente com a minha presença, pois num deles aconteceu, num acaso feliz, meu batismo de cachaça e poesia, apadrinhado por Berilo Wanderley e Celso da Silveira. Para citar apenas um, fico com o bar do beco de Nazi, que com suas alquimias prepara a melhor “ meladinha” deste mundo.

Nas tuas noites, vejo teu nome inscrito em gás neon: Maria Boa, educadora de várias gerações. Noites que varei violentando teu silêncio com violões, modinhas, amigos e tragos de aguardente. Noites inolvidáveis do Brizza Del Maré, do Cisne, do Granada Bar, do Acácia, tão distantes das tardes de minha infância, onde no patamar da Igraja do Galo meu velocípede azul pedalava esperanças. Mas é nas tuas manhãs ensolaradas que vejo tuas mulheres bonitas na passarela pública das praças, parques, praias e se perderem de vista.

Mas se é inverno, evito tuas praias e me agasalho no abrigo dos copos dos teus bares e no calor dos corpos de tuas mulheres. Tenho tudo para te agradecer, Natal, pois tudo me deste: poetas como Itajubá, Jorge Fernandes e Jaime Wanderley, cujos versos guardo de memória.

Eu, também etilírico poeta, de pé no chão aprendi o ofício da poesia para te dizer: muito obrigado, Natal, pelas dádivas que de ti recebo há 33 anos.

*Bosco Lopes, poeta boêmio natalense, já falecido.

Postado por Fernando Caldas

Compartilhe este artigo!

FÉRIAS QUE BIN LADEN PASSOU EM NATAL

Neste meu pequeno verso
Narro um fato colossal,
Um caso recém passado
Numa grande capital
Pois Bin Laden na noitada
Achou uma namorada
Lá pras bandas de Natal.

Pois ele entrou num site
Cá do ocidente oriundo,
Na sala de bate-papo,
Teclando c' um tal Raimundo
E também com Marinete,
"uma gata na Internet"
Perdição de todo mundo,

Essa gata Marinete,
Raimundo lhe apresentou,
Bin Laden abestalhado
Por ela se interessou
O grande mal do Ocidente
Que corrompe lentamente
Ao terrorista atacou.

Bin Laden conectado
Com Nete ficou teclando
Passando noites no Messenger
Por ela se declarando.
Bom! Gosto não se discute,
Mas num é que pelo Orkut
Um romance foi rolando.

Neste mandou várias fotos
Dela na Praia do Meio,
Lindas fotos sensuais
"Do sorvete e do recheio"
Deixando apaixonado
O Árabe véi tarado
Qu entrou em aperreio.

Ela mandou outras fotos
Lá do Morro do Careca,
E do grande cajueiro,
Com ela toda sapeca
E fotos dela no Forte
O Rio Grande do Norte,
Lhe apresentou a moleca.

Nete dizia pro velho:
- Quero ser o seu tesão,
Estou cheia de vigor,
Pra matá-lo de paixão,
Meu gostoso barbudinho
Quero te dá meu carinho
Vem curtir nosso verão.

Bin Laden apaixonado,
Quis ir logo pra Natal,
Seus assessores disseram:
- Não vá, pode ser fatal.
- Quero jogar futebol,
Na bela Terra do Sol,
Respondeu o maioral.

Osama arrumou as malas,
Um jato, logo fretou.
Direto do Caribe
Pra Natal ele acunhou.
Veio vê nossa colônia,
Entrando pela Amazônia,
E em Natal logo chegou.

Levou consigo uns capangas,
Com armas e munições,
Umas três metralhadoras,
Seis fuzis e dois canhões,
No meio dessas morombas
Levou quinze homens bombas,
Pra arrasas os corações.

Chegando lá em Natal,
Esse bando tenebroso,
Hospedou-se num hotel,
O mais caro e luxuoso,
Perto da Via costeira.
Um frango com macacheira,
Bin Jantou apetitoso.

Antes e ligar pra Nete,
Aquela loura paixão,
Bin foi pra um forrobodó,
E gostou da animação,
Curtiu com uma rapariga,
Caindo bêbo no chão.

No outro dia, ressacado,
Com seu bem ele teclou
Dizendo: - Tô em Natal.
Aí Nete estuporou
Ela ficou com a gota,
Bin disse: - O que foi garota
Não diga que amarelou?

As fotos que ela mandava
Eram duma amiga sua,
Uma mulher bem vistosa,
Dessas que encantam a lua,
Mas essa talMarinete,
Era um caboclo gilete,
A bicha era uma perua.

Ela era um travesti
Desses que roda a bolsinha
Na estrada de Ponta Negra
Ou às vezes de odalisca
Marinete, essa bisca
Era um marmanjo flozinha.

Nete desconectou-se
Fechando logo o e-mail,
Porém Bin localizou-a
Com um contato do correio;
Indo lá na casa dela,
Quando viu quem era ela,
O cacete comeu feio.

Pois Bin descobriu que Nete
Era o Raimundo também,
Horrorizado pensou:
- Isso na àrabia não tem.
Bem longe do seu redil
Osama cá no Brasil
Se lascou, não se deu bem.

Nisso Bin se retirou,
Com ódio da capital
Indo à praia de Pipa
E naquele litoral;
Pegou ele uns baseados
Por sinal muito pesados
Com seus capangas do mal.

Bin virou rei das baladas,
Piolho de cabaré,
Mas numa dessas noitadas,
Ele bêbo nem deu fé
Sendo de novo enrolado,
Dormindo com um viado,
Entrando na marcha-ré.

Quando Osma descobriu
Que ele estava lascado,
Disse: - Eita gota jabá!
Só com gay tenho topado,
Veja só que desengano,
Vou executar um plano
Pra acabar com esse estado.

Regressando pra Natal
Com seus homens endiabrados
Quis Bin Laden tocar fogo
No bosque dos namorados
Vendo a impossibilidade
Rodou por toda cidade
Vendo pontos variados.

Foi à Estrela de Natal,
Já perturbado da mente
Foi ao Forte dos Reis Magos,
Mas era mui resistente,
Procurou pela Ribeira,
No Alecrin pensou na feira,
Porque dava muita gente.

Viu Machadão lotado,
Disse: - Esse boto no chão,
Quando se aproximou
Avistou o vermelhão,
E vendo os americanos,
Ele adiou os seus planos,
Temendo retaliação.

Bin bolou um plano e foi
Num táxi com a cambada
Pra Ponta Negra Pegando
Lá na beira da estrada,
Um garoto de programa,
E olha só o que fez Osama,
Com aquele camarada:

O amarrou num cinto bomba,
E pra um shopping o levou
Estando o prédio lotado
Bin Laden assim pensou:
Vamos explodí-lo ali
Porém esse travesti
Daquele carro pulou,

Correndo se requebrando,
Entrou no mato e sumiu
Naquele cinto amarrado
O traveco escapuliu,
E quando os cabras apertaram
O botão e detonaram
Ben longe ele explodiu,

O gay foi pro paraíso,
Pra ele foi grande vitória,
Morrendo pela fé árabe,
Essa morte lhe deu glória,
E talvez o derradeiro,
Viado-bomba da história.

Isso causou forte impactp
E a polícia ali chegou,
Mas o bando das Arábias,
Do local se evaporou.
E naquela mesma hora,
Da capital foi embora,
E pro Sertão se danou.

Foram lá pro Seridó,
Passaram por Currais Novos,
E acunharam pra Caicó.
Noutro verso irei contar
O que foram aprontar
Nas terras de Mossoró.

Aqui eu findo a história
Que parece ficção,
Mas tudo isso foi verídico,
Testemunhas de montão
Viram tudo das janelas
Meu avô é uma delas
Finado Manel Romão.

Além do meu velho avô,
Importante testemunhas,
Cinco loucos também viram
E o finado Chico Cunha,
Também o cego Tião
Me contou sua versão
Sem aumentar uma unha.

Postado por Fernando Caldas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

UMA TROVINHA DE NATAL

Dos Natais da minha infância,
é doce a recordação;
mesmo tão grande a distância,
alegra meu coração.

Aldemar Tavares

AQUELE


O filho de Deus tinha tudo de todas as plenitudes.
Fazia suavemente os milagres todos de Sua graça.
Viam os cegos, os mortos ressiscitavam, curavam-se todos os emfermos.
E os passos sobre as aguas, a Sua voz o domínio de todas as ondas e de todas as tempestades.
Dobravam-se todos os ventos, sossegadas e mansas todas as águas.
Mas o filho do homem nao tinha onde repousar a cabeça.

João Lins Caldas, poeta potiguar

Feliz Natal!

Fernando Caldas

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

MARINHO CHAGAS SE RECUPERA EM SAO PAULO

O grande ídolo do ABC e melhor lateral-esquerdo da Copa do Mundo de 1974, Marinho Chagas, segue hospitalizado na cidade de São Paulo (SP), onde foi submetido a uma série de exames no hospital da USP para se tratar de uma hepatite. As últimas notícias sobre sua recuperação são animadoras.

Segundo o publicitário Tertuliano Pinheiro, conselheiro do alvinegro, responsável pela articulação com o jornalista Milton Neves, a Prefeitura de Natal e o ABC para levar Marinho à capital paulista, "ele recupera-se bem, não pára de falar no ABC e já ganhou inclusive 4 quilos".

A equipe da USP que acompanha o ídolo abecedista é coordenada pelo renomado Dr. José Osmar Medina, que aparece abraçado com Marinho nas fotos ao lado. O tratamento vem sendo tão positivo, que já existe a possibilidade de não ser necessária nenhuma intervenção cirúrgica.

Com informações do site do ABC
(Fonte: Natalpress.com)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NINGUÉM COMO ELE

Ilustração do blog: Jesus meditando na montanha.

Ninguém NASCEU como Ele...

Seu nascimento há centenas de anos foi fartamente anunciado
Pois o Espírito de Deus a homens santos inspirados
Anunciou local, condições, ascendência, nomes e sua missão
Sem falhas ou mesmo erros, mas com fantástica exatidão.

Ninguém VIVEU como Ele...

Nada tendo como seu
No entanto, para servir aos outros Ele viveu.
Embora de humilde ofício de sua carpintaria
Para multidões que a Ele acorreram discursaria
Nos caminhos e cidades da Judéia
Ou mesmo por montes e mares da Galiléia
Não foram poucos os que queriam ao menos vê-Lo
E ouvi-Lo falar do Pai com tanto zelo.
E o evangelista relatando descrevia
Somente “Fazendo o bem, ele vivia”.

Ninguém AMOU como Ele...

Cercado por discípulos, crianças, jovens e anciãos
Pessoas ricas, pobres, doentes e também os sãos
A todos igualmente Ele tratava
Declarando a quem quer que O procurava
Com autoridade de que domina a situação
Sua identidade, seu propósito, sua missão.
Sendo de Deus, o Enviado
O Amor encarnado
Jamais limitou do sentimento a extensão
Amando sem medidas, foi assim
Que os discípulos “amou-os até o fim”.

Ninguém MORREU como Ele...

De seus trinta e três anos de vida que aqui se registrou
Em pouco mais de três seu ministério concretizou
Não lhe esperava, no entanto, uma morte honrosa
Para cumprir a profecia e salvar o homem
Estava destinado a si a cruz ignominiosa.
Sofreu a dor da rejeição, do escárnio e do desprezo
Nada alegou e não reagiu quando foi preso.
De seus discípulos, outrora inseparáveis do meigo e bom Pastor,
Exceto João, se foram todos, vendo de longe padecer o Salvador.
Expirou com um brado de vitória
Suportando os pecados da humanidade
Ao Pai Seu espírito entregou
Respondendo aos algozes Ele provou
Com Sua Vida, o sentido da Verdade.

Ninguém RESSUSCITOU como Ele...

Foi no alvorecer do terceiro dia
Que o maior milagre de toda história se realizou
As três Marias, indo ao túmulo, entristecidas
Estupefatas, descobriram que a pedra alguém rolou.
Não tinha sido o jardineiro
E muito menos a escolta do poder romano
Certamente o que ali se passara
Acima estava do entender do ser humano.
Entre lágrimas de singela dor e de saudade
Foi do anjo que ouviram a novidade:
“Não está mais aqui Aquele
Que a morte venceu e a profecia cumpriu.
Anunciai a todo mundo que o Rei dos Reis,
Príncipe da Paz, Conselheiro,
Pai da Eternidade, Maravilhoso, ressurgiu!”

Ninguém VIRÁ como Ele...

Quase dois mil anos se passaram
Desde aquela manhã tão gloriosa.
Decorreram vinte séculos que neste mundo
A presença do Santo Espírito o homem goza
Mas o tempo do fim não tarda a se cumprir
E ao homem pouco tempo lhe resta prá se decidir
Eis que vindo o Filho do Homem lá nas nuvens
Como havia antes sido profetizado
Da Salvação a porta será fechada
E da decisão a oportunidade estará encerrada.
É sua hoje a escolha, leitor amigo
Não desprezes nem rejeites este convite
Salve sua vida e viva seus dias descansado
Tenha certeza de que Ele nunca o deixará
Suas promessas fielmente cumprirá
E para sempre ao seu lado Ele estará!

Ninguém É como Ele...

Nosso amado Redentor Onipotente
Nosso Salvador suficiente
Supremo Pastor, Sol da Justiça, SENHOR JESUS!!!

Clênio Falcão Lins Caldas

[Nota do blog: Clênio Lins Caldas é filho do açuense João Moacir Lins Caldas e sobrinho do grande bardo das letras brasileiras chamado João Lins Caldas. Nesta oportunidade dedico o texto acima a todos os meus familiares, amigos, amigos em Orkut, Facebook e outros sites de relacionamentos, bem como a todos os meus seguidore e leitores deste blog, votos de Boas Festas].

Fernando Caldas

O PRIMEIRO BARDO POTIGUAR

O natalense Joaquim Edivirges de Melo Açucena, Lourival Açucena, ou Lorênio - [1827-1907] é o primeiro poeta Norte-riograndense. Ator, seresteiro, "cantador de modinhas", no dizer de Câmara Cascudo. Conta-se que o nome Lourival se deu após ele representar o papel do Capitão Lourival, na peça "O Desertor Francês [1846], de Antônio Xavier Ferreira de Azevedo.

Lourival foi funcionário público, delegado de polícia, amigo de influentes políticos de sua época, chegando a exercer o cargo de chefe de gabinete do presidente da província. Primeiramente colaborou com seus escritos literarios em "O Recreio", 1861, de Natal, dentre outros daquela capital potiguar. Pena que não se organizou para publicar-se. Cascudo no seu livro intitulado de "Versos", 1927, reúne grande parte da poética açuceniana, bem como seus amigos publicaram postumamente uma antologia intitulada de "Poliantéia", que reúne tudo ou quase tudo daquele lírico potiguar. O referenciado livro de Cascudo a UFRN reeditou em 1987.

Açucena está na primeira antologia dos poetas potiguares sob o título de "Poetas do Rio Grande do Norte", 1922, de Ezequiel Wanderley. Ele é patrono da cadeira número 4, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Algumas modinhas de sua autoria estão no livro de Cláudio Galvão intulado de "A Modinha Norte-Rio-grandense", bem como está na antologia de Rômulo Wanderley sob o título de "Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense", 1965, entre outras como "Informações da Literatura Potiguar", 2001, de Tarcísio Gurgel. Na antologia de Rômulo está transcrito o poema daquele boêmio e romântico poeta clássico, conforme transcrito adiante:

Eu não sei pintar o amor
Amor é brando é zangado
É faceiro e vive nu,
Tem vistas de cururu,
E vive sempre vendado:
É sincero, é refolhado,
Causa prazer; causa dor.
Tem carinhos, tem rigor,
Amor... pinte-o quem quiser,
Eu não sei pintar o amor.

Amor é loquaz, é mudo.
É moderado, é garrido,
É covarde, é destemido,
É vida, é morte de tudo,
É brioso, é sem pudor.
Traz doçura, dá travor,
Amor... pinte-o quem quiser,
Retrate o amor quem souber,
Eu não sei pintar o amor.

Amor é grave, é truão,
É furacão, é galerno,
É paraíso, é inferno,
É cordeirinho, é leão;
É anjo, é Nume, é dragão,
Tem asas, tem passador,
Dá esforços, traz tremor.
Enfim, pinte-o quem quiser.
Retrate o amor quem souber,
Eu não sei pintar o amor.

Afinal, a propósito da morte de Lourival Açucena, o igualmente poeta Ferreira Itajubá escreveu:

No campo santo

[...]

Morreste e não soubeste, ó grande veterano,
Que, quando, por Natal, a rosa todo ano
Floresce alegremente, entre as demais roseiras,
O prado embalsamando, ao lado das primeiras,
esta alma não rebenta em rosas de ilusão
Como quando cantaste ao som do violão.

[...]

Fernando Caldas

LUAR


Chagas Lourenço


A lua surgiu imensa
Cor de fogo
Longínqua, arredia
Temerosa e bela.
O amor apareceu
Ardente e forte
Queimando como fogo
Corajoso e belo.
A beleza do luar
O calor do amor
O medo
De tudo acabar.

Por Alma do Beco

Posrado por Fernando Caldas

SE LAMPIÃO FOSSE VIVO...

Minervino Wanderley*

Folheando a revista IstoÉ, de 10.11.2010, p. 72, uma matéria chamou-me a atenção. Assinada por Wilson Aquino, tem o seguinte título: “A influência estética de Lampião”. No texto, Aquino quase que chega chamar Capitão Virgulino de gay. Vejamos alguns trechos:

l “Mas quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, lindamente, roupas e lenços que usava ao estilo Jacques Leclair.”

l “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também um estilista.”

l “FRESCURAS NO CANGAÇO. O lenço dos cangaceiros era feito de seda inglesa ou de tafetá francês. A jabiraca de Lampião era em seda vermelha e contava com 30 alianças de ouro.”

l “Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje constantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.”

Durma-se com um barulho desses. Esse camarada não sabe que Lampião era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tantos tiros consecutivos que clareavam a noite. Por isso, Lampião.

Se essa figura dissesse essas coisas há 80 anos ele iria ver que o Capitão Virgulino costurava mesmo era com uma 44 Papo Amarelo.

Aquino com certeza não conhece a história da quadrilha junina que o Capitão organizou numa fazenda e que seu bisavô (De Aquino) participou. Só que esse fuzuê, além de ter Lampião como marcador, era diferente num aspecto: todo mundo nuzinho. Agora, quem conta a história é um dos participantes dessa “festa”:

- O Capitão mandou fazer as fileiras e mandou todo mundo tirar a roupa. Ordem rapidamente obedecida. No meio da quadrilha, Lampião gritou:

- Todo mundo com um dedo na boca e outro “lá” (vocês sabem aonde). Ordem imediatamente obedecida. - Daqui a pouco ele disse:
- Trocar de dedo! O dedo que tava na boca vai pra “lá” e o outro vai pra boca.
Foi aí que o bisavô de Aquino caiu na besteira de dizer:
- Mas isso, Capitão?
O Capitão deu um olhar de matar cobra venenosa e gritou:
- Isso o quê, cabra?
O camarada afroxou e, gemendo, disse:
- Isso é bom demais, Capitão!

Esse recado é pra você, Wilson Aquino.

*Jornalista

(Do blog de Leonardo Sodré)

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO