quarta-feira, 1 de maio de 2013

                                          Assu-RN. Foto de Volney.


HISTÓRIA - ASSU X ABC

AOS NATALENSES, OS DESPORTISTAS ASSUENSES APRESENTAM SUA SAUDAÇÃO.
Foto Ilustrativa ASSU X ABC
Sede benvindos, desportistas do ABC Futebol Clube, para o abraço fraternal do Centro Esportivo Assuense!
Benvindos sejais, irmãos do ideal pebolístico, para, num intercâmbio amistoso, sentir o calor do nosso carinho e o contato da nossa afeição, nesse encontro que ficará indelével na constância de uma amizade que o próprio tempo se encarregará de tornar indestrutível!
Aconchegai-vos ao recesso dos nossos sentimentos mais sadios, pois aqui estamos para receber-vos de braços abertos, auspiciando-vos a feliz oportunidade do galardão da vitória comum – a conquista do coração da cidade em festa!

ÚLTIMA HORA ESPORTIVA

Segundo apurou a nossa reportagem, as duas equipes, isto é, Centro Esportivo Assuense e ABC Futebol Clube, pisarão o gramado do Estádio “Senador João Câmara”, com a seguinte constituição:

Centro Esportivo Assuense - C.E.A:
Zé Pretinho, Mimi, Dedito, Carlos, Edson, Melado, Lino, Petro, Nenem, Cachorrinho e Waldir.
Zé Pretinho - Goleiro do CEA.
Hoje, um octogenário residente em Assu
A.B.C:
- Washington, Toré, gajeiro, Dico, Zé Leão, Ozir, Caveirinha, Pajeú, Juarez, Albano e Tico.
A expectativa pela sensacional batalha, é intensa, prevendo-se, deste modo, que o Estádio “Senador João Câmara” receberá, hoje, a maior assistência já verificada depois de sua inauguração.

EMBAIXADA DO A.B.C FUTEBOL CLUBE

Conforme telegrama recebido pelo nosso diretor e Presidente do Centro Esportivo Assuense, a embaixada do esquadrão Natalense será integrada pelos seguintes elementos:
Presidente: Dr. Farache Neto; Secretário: Dr. Dourival Ferreira; Técnico: Antônio Farache.
Compõem, ainda, a referida embaixada: Dr. Murilo Aranha, Bianor Aranha e Felizardo Moura, além dos jogadores que constituem o team visitante, aos quais “ATUALIDADE”, apresenta os melhores votos de boas vindas.

BAILE
Às 21 horas, no salão nobre do Grupo Escolar “Tenente Coronel José Correia” (foto), como parte final do programa de homenagem à embaixada visitante, terá lugar um animado baile abrilhantado pela Jazz Flor de Lis, do Centro Regional de Escoteiros do Assu – CREA, desta cidade.

Fonte: Jornal ATUALIDADE – Semanário Independente – nº 01 de 29 de janeiro de 1950.

Ariano Suassuna falando do forró atual...

Foto: Ariano Suassuna falando do forró atual...

‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma plateia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando- se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo est tico. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na plateia’, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna

‘Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma plateia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando- se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo est tico. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem ‘rapariga na plateia’, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Ariano Suassuna

Sobre Ascenso Ferreira


Ascenso Ferreira (1895-1965), poeta pernambucano de Palmares, de temas regionais de sua terra, um dia numa feliz inspiração, produziu o poema sob o título "Filosofia", que está publicado na antologia intitulada de "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, página 83, organizada por Ítalo Moriconi, conforme adiante:

Hora de comer — comer!

Hora de dormir — dormir!

Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!
Ascenso Ferreira (1895-1965), poeta pernambucano de Palmares, de temas regionais de sua terra, um dia numa feliz inspiração, produziu o poema sob o título "Filosofia", que está publicado na antologia intitulada de "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, página 83, organizada por Ítalo Moriconi, conforme adiante:

Hora de comer — comer!

Hora de dormir — dormir!

Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Guardo a minha vida
Em poemas, cujos livros
Aguardam ser escritos…
Guardo a minha alma
Em pétalas de açucenas
Que lanço ao vento
Quando o vento silencia todos os gritos…
Talvez um dia a natureza dite
Que os frutos nasçam não de sementes
Mas de lembranças…
E as crianças
Do olhar de quem as deseja…
Talvez um dia
As palavras
Signifiquem
Não o que dizem
Mas o que esperamos delas…
E as estrelas
Brilhem
Não fora
Mas dentro de nós!
Talvez então
A voz
Seja o que deve ser
Uma luz ao anoitecer
Uma noz
De desejo
Irrompendo
Sem dor
E talvez, por fim,
O Amor
Sejamos nós…

Emílio Miranda
Guardo a minha vida
Em poemas, cujos livros
Aguardam ser escritos…
Guardo a minha alma
Em pétalas de açucenas
Que lanço ao vento
Quando o vento silencia todos os gritos…
Talvez um dia a natureza dite
Que os frutos nasçam não de sementes
Mas de lembranças…
E as crianças
Do olhar de quem as deseja…
Talvez um dia
As palavras
Signifiquem
Não o que dizem
Mas o que esperamos delas…
E as estrelas
Brilhem
Não fora
Mas dentro de nós!
Talvez então
A voz
Seja o que deve ser
Uma luz ao anoitecer
Uma noz
De desejo
Irrompendo
Sem dor
E talvez, por fim,
O Amor
Sejamos nós…

Emílio Miranda

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