segunda-feira, 20 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Nos velhos tempos da Codeva
Direta para esquerda: Astério Tinôco
(presidente do Sindicato Rural de Açu), Joaquim de Carvalho (representando a
CERVAL), Edmilson Lins Calas (gerente da Cooperativa Agropecuária do Vale do
Açu Ltda - Coapeval) e o ministro da Agricultura Cyrne Lima (sentado).
A CODEVA - Comissão de Desenvolvimento do
Vale do Açu (constituída no início dos anos sessenta) era um órgão de
caráter consultivo e executivo, criada por Osvaldo Amorim, Dom Eliseu Simões
Mendes (os gigantes do vale), dentre outros. Era presidido por Edgard
Montenegro então deputado estadual e secretariada por Osvaldo. Aquele órgão
tinha o objetivo de retomar o desenvolvimento do Vale do Açu (sem politicagem
ou politicalha nenhuma), até porque o combativo deputado assuense Olavo
Montenegro, dentre outras pessoas do seu grupo político local de oposição ao
deputado udenista Edgard Montenegro, faziam parte daquela instituição. Pois
bem, corria o ano de 1969, os agricultores e pecuaristas daquela importante
terra varzeana foram surpreendidos por um decreto do presidente Garrastazu Médici,
no sentido de que 22 mil hectares de terras de aluvião daquela região, fossem
desapropriados. Fato este que ocasionou durante alguns anos, grandes
dificuldades para os proprietários e agricultares, que ficaram
impedidos de fazer empréstimos agrícolas no Banco do Brasil (única casa
bancária então existente no Assu. Foi então que Osvaldo Amorim na qualidade de
secretário da CODEVA, figura habilidosa, começou a se articular. Tomou
conhecimento da vinda do Ministro Cyrne
Lima ao Estado de Pernambuco (para incentivar já naquele tempo, a
caprinocultura no Nordeste), entrou em contato com os auxiliares daquele
simpático ministro e, consequentemente, a sua ida ao Vale do Açu, para tomar conhecimento
da realidade.
O que ocorreu: aquele ministro atendendo
aquele dramáticaapelo, através de Osvaldo, se comprometeu ir até a cidade de
Ipanguaçu onde foi realizada uma concentração pública, e aquela
situação fora resolvida ali mesmo, na praça pública da terra ipanguaçuense. Era
prefeito de Ipanguaçu Nelson Montenegro.
Terminado aquele ato público, Cyrne Lima
fora recebido com muita festa pelo Major Montenegro que ofereceu um jantar ao
ministro Lima e sua comitiva, bem aqueles que faziam parte da Codeva, na casa
da sua Fazenda Picada/Itu, onde também foi lido pelo poeta matuto Renato
Caldas, uma carta rimada reivindicatória intitulada de "Carta
Aberta ao Ministro Cyrne Lima", que muito agradou aquele simpático
ministro e aos demais circunstantes, que diz mais ou menos assim:
Senhor Ministro Cyrne Lima
Se é tão grande a nossa estima
Maior é a admiração.
O senhor veio decretado
Conhecer o nosso Estado
Vendo e sentindo o sertão.
Chegou na hora aprazada
De ver a terra molhada
E a triste situação.
Senhor Ministro, a hora é triste
O dinheiro não existe
E o banco não quer soltar.
Como pode a criatura
Trabalhar na agricultura
Sem semente pra plantar?
O sertanejo é um forte
Vive jogando com a sorte
Dando uma em cheia e outra em vão!
(...)
Leve na sua bagagem,
A lealdade e a coragem
Dos filhos deste sertão.
Fernando Caldas
Assim é Minha Vida
Meus deveres
caminham com meu canto.
Sou e não sou:
é esse meu destino.
Não sou,
se não acompanho as dores
dos que sofrem:
são dores minhas.
Porque não posso ser
sem ser de todos,
de todos os calados
e oprimidos.
Venho do povo
e canto para o povo.
Minha poesia
é cântico e castigo.
Me dizem:
"Pertences à sombra".
Talvez, talvez,
porém na luz caminho.
Sou o homem
do pão e do peixe,
e não me encontrarão
entre os livros,
mas com as mulheres
e os homens:
eles me ensinaram o infinito
Pablo Neruda
Meus deveres
caminham com meu canto.
Sou e não sou:
é esse meu destino.
Não sou,
se não acompanho as dores
dos que sofrem:
são dores minhas.
Porque não posso ser
sem ser de todos,
de todos os calados
e oprimidos.
Venho do povo
e canto para o povo.
Minha poesia
é cântico e castigo.
Me dizem:
"Pertences à sombra".
Talvez, talvez,
porém na luz caminho.
Sou o homem
do pão e do peixe,
e não me encontrarão
entre os livros,
mas com as mulheres
e os homens:
eles me ensinaram o infinito
Pablo Neruda
Ginásio Pedro Amorim
O Ginásio Pedro Amorim pertencia a CNEG - Campanha Nacional de Educandários Gratuitos, que depois veio a ser CNEC. Na cidade de Assu fora instalado ainda no início de sessenta. Padre Hélio, salvo engano, foi seu primeiro diretor. Aquele educancário funcionou no Instituto Padre Ibiapina, no colégio Jk e onde hoje está assentado o Campus Avançado do Assu, da UERN. A carteira de estudante acima é uma relíquia (peça de museu), data de 1971. Era seu diretor naquele tempo (1971), dr. Noé Rogério da Costa e o presidente do Grêmio era o Sr. Francisco de Medeiros Dias (Chico Dias). Além de padre Hélio e Noé Rogério foram seus diretores, João Marcolino de Vasconcelos, Adonias Bezerra de Araújo, dentre outros que não me vem na memória. Fica, portanto, mais um registro que estava no esquecimento.blogdofernandocaldas.blogspot.com
sábado, 18 de maio de 2013
SÁBADO, 18 DE MAIO DE 2013
AGEZANDRO - O MUSICO
AGEZANDRO AGENOR DE ALCANIZ - conhecido como "Agesano", é Filho de Evilásio Augusto de Alcaniz e de Dona Fausta Ezequiel da Silva. Agezandro com 65 anos de idade desde quando nasceu no sítio Pau-do Jucá no município de Ipanguaçu. Casou-se com a boemia, por esta razão permanece solteiro. Descobriu e começou o gosto pela música ainda criança. Aos 13 anos já tocava cavaquinho na Rádio Rural de Natal onde morou algum tempo para depois retornar a Ipanguaçu.
Em Assu, foi em 1968 que recebeu seus maiores impulsos, já morando por lá, passou a fazer parte, como guitarrista, do grupo musical ‘The Teacher’ – também conhecido como ‘Os Professores’ comandado por Cristovão Dantas – “Seu Cristovão”.
Agezandro não tem emprego fixo (nunca teve) por esta razão também ainda não se aposentou. Porém, devido ao seu talento, “os chamados” constantes para tocar em barzinhos, farras de tudo que é jeito, sempre se manteve. O ganho é quase invisível. A bebida e o tira-gosto são testemunhas.
As cordas que são trocadas por ele relatam a reciprocidade de tão perfeito acompanhamento linear e de harmonia denunciada pelos sons. Roda de Samba, Banda Terço, Brilho do Som, Pinguins (de Caraubas) são algumas das famílias musicais em seu imenso campo de plantação de sons.
Agezandro permanece em Assu – terra que adotou como berço pátrio. Como companheiro de algumas dezenas de farras, posso afirmar que poucos profissionais no Estado possuem as habilidades deste violonista. Toca porque sabe - como sempre gosta de dizer as pessoas que o observam. Quase não canta. Apesar de possui um bom timbre de voz. Já me confidenciou que acompanha tudo, mas só costuma cantar as músicas que gosta... Por isso se limita a tocar. E, aproveitando a deixa sempre peço para ele dar uma “palhinha”... Uma delícia!
Agezandro e como a carnaubeira: insígnia desse povo pacato e acolhedor. Dificilmente encontramos um assuense que não conheça Agezandro e sua fama de bom tocador de violão. Agezandro é sinônimo de bar, de farra, de bordel, de boa música... De Assu.
Sempre que me encontro com Agezandro ele lembra uma farra desmantelada que fizemos (eu, Sá, Wilton, Flávio e Agesandro) de Assu para Macau parando em tudo que era placa de Coca-Cola. Eu dirigia numa velocidade de aproximadamente 90 quilômetros quando, à altura da ponte entre o Alto do Rodrigues e Pendências, um pneu traseiro da Brasília (parece que o veículo era de Sá José) saltou... Só vi o vulto da roda passando pelo carro numa velocidade infernal. Depois de muita peleja consegui parar sem virar nem descer o barranco. Resultado: nunca encontramos o dito pneu. Tempos malucos.
Ao meu amigo Agezandro envio, deste espaço, o meu reconhecimento, a minha gratidão pelas vezes que precisei tomar emprestado seu talento para abrilhantar alguns momentos. Que Deus o proteja. Que lhe dê muita saúde para continuar no seio do Assu por muitos anos. Um forte abraço!
Fonte: Jornal O Rebuliço - 2007
Postado por Ivan Pinheiro Bezerra
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO









