quarta-feira, 26 de junho de 2013

De JK


Imagem da linha do tempo/Facebook de Laélio Ferreira

Ou com ela ou comigo

Virgílio Caldas era negociante de carne de gado no lugar então denominado Sacramento, atual e próspero município de Ipanguaçu (RN). Pois bem, Virgílio era mulherengo, gostava de jogar cartas (baralho) e de tomar "umas e outras". Ele teve uma relação amorosa com certa moça daquela lugar e não quis continuar com o relacionamento, não deu muita importância. O pai daquela jovem procurou o Major Montenegro para resolver a questão, obrigar Virgílio a se casar com sua filha. O Major em Ipanguaçu além de grande fazendeiro era o chefe político, o padre, o juiz de direito, o juiz de paz, ouvido e procurado para resolver qualquer problema que por ventura existisse naquela localidade. Major Montenegro (ele foi o primeiro prefeito de Santana do Matos (RN) e deputado provincial) mandou alguém de sua confiança convidar Virgílio a comparecer até à sua casa. De pronto, Virgílio atendeu o seu chamamento. Ao chegar, o Major foi direto ao assunto: "Virgílio, prepare-se para se casar!"  Virgílio Caldas calado estava, calado ficou. O Major não gostando do silêncio de Virgílio, o advertiu novamente:  "Como é rapaz, resolva logo! Ou você se casa com ela ou comigo!"  Virgílio destemido que era, respondeu: "Major. Pra se casar com macho tem que pensar duas vezes!"

Fernando Caldas


Zelito Coringa

  • "Natural do Vale do Assú, da cidade de Carnaubais, estado do Rio Grande do Norte. É poeta, cantor, compositor e multi-instrumentista, e utiliza a tradição oral dos cordéis e seus personagens, histórias e autores para produzir sua música com pedais, violões, viola e rabeca , além de instrumentos que ele mesmo criou. Criando uma textura única e contemporânea do nordeste e sua beleza, contrastado pela seca, nossa realidade política. Zelito Coringa segue divulgando a nossa região pelos quatros cantos do Brasil. O mais cigano dos artistas potiguares, abridor de cancelas, e fazedor de belas canções."

terça-feira, 25 de junho de 2013

POESIA

SÃO JOÃO DO ASSU
Matriz de São João / Ornamentação festejos juninos (fotógrafo: Roberto Meira)
          I
Assu Terra da Poesia,
Dos verdes Carnaubais, 
Dos Janduís, ancestrais... 
Pátria da boemia, 
Berço da harmonia, 
Lar de um povo cristão, 
Seja assuense ou não, 
Senta no mesmo terreiro 
Neste Assu hospitaleiro, 
De Lindalva e São João. 
          
           II
Assu dos festejos juninos 
Religiosos e profanos 
Que Reúne todos os anos 
Turistas e peregrinos... 
Homens, mulheres, meninos,
Desta imensa nação, 
A cada um, com fé e oração, 
Acolhemos como romeiro... 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          III
Nesta festa tradicional 
De quase trezentos anos 
Nela sempre buscamos 
Seguir o seu ritual... 
E de forma fenomenal, 
Mantemos fogueira, balão, 
Dançamos forró, xote, baião, 
Quadrilha de beradeiro... 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 
          
          IV
Ao longo da nossa história 
A fé está acima de tudo, 
A devoção roda o mundo 
Nos rituais de oratória... 
E puxando pela memória, 
Rebuscando a tradição 
Registramos com emoção 
As promessas ao Padroeiro... 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          V
No largo da nossa Matriz 
A população festeira 
Agita a brincadeira, 
Vez por outra sobe o nariz... 
Num gesto puro... Feliz, 
Pra vê subindo o balão 
E o pipocar do rojão. 
Viva! - Grita o pipoqueiro... 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          VI
Destacando os paroquianos 
Donatila é nosso exemplo 
Cuida de tudo no Templo 
Evitando quaisquer danos... 
Lembra bem os lusitanos 
Seguindo sua devoção 
Concentrada em oração 
Durante o ano inteiro, 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          VII
Padre Canindé com sabedoria 
Celebra o novenário 
E como bom missionário 
Faz ecoar sua homilia... 
Momento que a família, 
Seja assuense ou não, 
Escuta com atenção 
A palavra do mensageiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          VIII
Padre Flávio aqui chegou 
Pra sacolejar nossa fé 
Bem cedo já tá de pé 
E a benção nunca negou... 
A noveninha implantou 
Incentivando a devoção 
E as crianças em ação 
Rezam ao Santo Padroeiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          IX
Das tradições habituais 
Mantidas como folguedo, 
O pau-de-sebo é o brinquedo 
Que conserva seus rituais... 
Anima as tardes culturais 
Da grande programação, 
A Princesa, por tradição, 
Monta o pau sempre altaneiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          X
Sanfoneiros, violeiros, 
Dançarinas, cantadores, 
Artesãos, animadores, 
Poetas, Mamulengueiros... 
Coordenados por noiteiros 
Com o aval da população 
Rezam com fé e emoção 
Novena e missa ao Obreiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          XI
A tradicional fogueira 
É acesa nos dias Santos 
E em todos os recantos 
Tal qual a carnaubeira, 
É como a nossa bandeira: 
Está em cada coração, 
Agitando a emoção
Deste povo forrozeiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          XII
Pra selar responsabilidade 
Com a festa do próximo ano 
Chamamos ao povo sano 
De fé, devoção, lealdade...
- Vamos apagar com saudade 
Nossa fogueira de tradição... 
Mas, deixaremos um tição, 
Para alimentar o braseiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João. 

          XIII
Às equipes empenhadas
Nossos agradecimentos
Vocês são os instrumentos
Das ações tão propagadas...
Das noites tão animadas,
De paz e de comunhão,
Neste grande encontrão
De povo bom e ordeiro, 
Neste Assu hospitaleiro
De Lindalva e São João

          XIV
Obrigado, devotos senhores! 
Obrigado, devotas senhoras! 
Daqui um ano, nestas horas, 
Retornamos nossos louvores... 
Que nestas terras de valores, 
De coragem, fé e oblação, 
A paz reine no sertão 
Deste povo brasileiro 
Neste Assu hospitaleiro 
De Lindalva e São João.


Poema de Ivan Pinheiro recitado pelo autor & Iza Caldas no dia 24 de junho de 2013, durante o cerimonial de encerramento dos festejos de São João Batista do Assu - Patrimônio Cultural, Imaterial e Histórico do Rio Grande do Norte.
Por detrás da Alegria e do Riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do Sofrimento, há sempre Sofrimento. Ao contrário do prazer , a dor não tem máscara.

Oscar Wilde

Do Face de Ana  Paula Santos




Van Gurgel é poeta glosador assuense.

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