domingo, 1 de setembro de 2013

Antiquário Época

De Sinhazinha Wanderley para seu aluno João Batista Ferreira. 

João Batista o meu abraço,
muito amigo, cordial,
Eu lhe envio neste dia,
Do seu ditoso natal.

O seu nome neste dia,
Muito relembra de certo, 
João Batista, grande Santo,
O Pregador do deserto.

Que ele o Santo Profeta,
Que é da virtude o troféu,
Sobre você chova bênçãos,
Do seu trono, além do céu.

Seja bom, estudioso,
Deus de amor o acompanhe,
Seja na vida o conforto,
Da sua extremosa mãe.

Receba pois, amiguinho,
Meu sincero parabéns,
Lhe desejo mil venturas, 
Pois lhe quero muito bem.

O seu prazer é bem justo,
Sua data é promissora,
E a Virgem do Rosário,
Zele o seu aniversário,
Pede à Deus a professora.

Sinhazinha Wanderley, 24/10/1942
Fonte: Nena Tereza Ferreira (filha do homenageado).



Sinhazinha Wanderley


Vida:
Seu nome era Maria Carolina Caldas Wanderley. Nasceu em 30 de janeiro de 1876, em Açu (RN), e faleceu em 20 de setembro de
1954, nessa mesma cidade. Foi tia das conhecidas poetisas Palmyra e Carolina Wanderley. Durante muitos anos manteve uma escola para crianças em sua casa, sendo considerada uma precursora do ensino moderno, pois intuitivamente adotava procedimentos educativos que mais tarde seriam introduzidos no ensino pela chamada "escola nova".
Seus poemas encontram-se dispersos em praticamente todos os jornais e revistas literárias do Estado de seu tempo, como Revista Oásis, Jornal A Cidade, Jornal do Sertão, Atualidade, de Açu,Almanaque Literário do Município de Assu, Jornal Rio do Grande do Norte, Gazeta do Natal Via-Láctea. O tom irônico que perpassa alguns de seus poemas, como "Auto-Retrato", "O meu aniversário" e "Despedida", por exemplo, contribui para distingui-la das demais poetisas de seu tempo.
Apesar de ter organizado os volumes "Musa sertaneja", "Trovas Infantis", "Lira das Selvas", "Palestras Infantis" e "Dramas Escolares", sua obra ficou inédita. Apenas uma pequena parte foi publicada com o título de Paisagem da Minha Terra, por ocasião do 145o ano de Emancipação Política do Assu.

Verbete organizado por: Constância Lima Duarte e Diva Cunha

sábado, 31 de agosto de 2013

Arnóbio Abreu, uma figura



José Arnóbio de Abreu (1948-2000) era um amigo leal, admirável, influente, de bem e do bem, estatura mediana, voz rouca, andar curto e ligeiro. Lembro-me dele (eu era ainda menino) adolescente, já metido a gente grande, discursando nas praças publicas do Assu, sua terra natal querida, nas eleições de 1962 quando disputava a prefeitura da terra assuense Walter de Sá Leitão e Maria Olímpia Neves de Oliveira/Maroquinhas.

No Assu viveu a sua infância, adolescência. A sua juventude entre Assu, Natal, Manaus (onde formou-se em medicina), Rio de Janeiro onde fez amizades com renomados médicos do Brasil como Lídio Toledo que foi médico da Seleção Brasileira.

Ele, Arnóbio, conviveu na intimidade com grandes figuras da política potiguar e conheceu muitas outras do Brasil, participando das Diretas Já, ao lado de Geraldo Melo, Henrique Eduardo, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves.

O seu nome singelo e sonoro estampa em letras vivas nas páginas da história do Rio Grande do Norte, estado que ele representou na qualidade de deputado estadual constituinte de 1989 chegando a ser o seu presidente e promulgar a sua Carta Magna. Antes, porém, teria sido candidato a prefeito do Assu nas eleições de 1982 pelo PMDB, perdendo para Ronaldo Soares do PDS. Naquele parlamento potiguar foi líder do governo Garibaldi Alves.

Arnóbio foi também diretor do Hospital Walfredo Gurgel, empresário sócio fundador do Instituto de Traumatologia do Rio Grande do Norte – ITORN, presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado – IPE.

Para defini-lo melhor, era “um festeiro permanente, tempo integral, sem perda da seriedade”, assim depõe Agnelo Alves.

Já , sobre Arnóbio,Valério Mesquita escreveu: "Qual pássaro estrangulado no canto desapareceu Arnóbio do nosso convívio, ainda jovem e ávido de vôos inspirativos. Menino alegre do Açu revelado líder estudantil, logo atendeu ao impulso político, disputando a Prefeitura de sua terra, para chegar a parlamentar estaduano.

De presidente da Constituinte Estadual no primeiro mandato, embora não logrando êxito nas eleições seguintes, a angústia e o sofrimento não abateram o ânimo desse anjo irrequieto, mas terno, esgrimidor de pelejas que não se fez de exilado da política, na gaiola de si próprio. Perseverou na lide tanto política quanto profissional.

Arnóbio teve uma carreira política meteórica. Viveu o transitório e transitoriamente viveu, mas deixou marcas de eternidades na efetividade dos seus gestos. Soube, melhor como ninguém, de forma forte e intensa, nos descompassos da política, ser o capataz dos silêncios e das longas esperas.

Todos sentimos a falta que ele hoje nos faz, quando penetrou na longa e interminável noite que não lhe reservará mais auroras nem mais lhe oferecerá o sol de novas manhãs da visão milagrosa do Vale do Açu.
Conforta-nos o dizer do poeta "que ao seu encontro virão um dia despedaçadas estrelas e astros da noite dos boêmios sem ostentação e com ela a saudade como uma certeza do nosso sofrimento".

Afinal, José Arnóbio de Abreu empresta o seu nome (decreto do governador em exercício Fernando Freire), a Adutora Médio Oeste, um reconhecimento pelos seus serviços prestados a terra potiguar, além do Ginásio Esportivo do Assu com muita justiça. O seu nome honra e dignifica a terra assuense. Com ele, Arnóbio, tive o prazer da boa convivência.

Fernando Caldas


Refrigerante Crush. Quem se lembra?



"Dentro dos meus sonhos mora uma borboleta que voa durante a noite buscando cor pro meu dia seguinte Ela viaja muito e nunca se cansa De dia ela dorme, depois que me entrega o arco-íris."

Vanessa Leonardi
I
Gosto de ti apaixonadamente,
De ti que és a vitória, a salvação,
De ti que me trouxeste pela mão
Até o brilho desta chama quente.

A tua linda voz de água corrente
Ensinou-me a cantar…e essa canção
Foi ritmo nos meus versos de paixão,
Foi graça no meu peito de descrente.

Bordão a amparar minha cegueira,
Da noite negra o mágico farol,
Cravos rubros a arder numa fogueira!

E eu, que era neste mundo uma vencida,
Ergo a cabeça ao alto, encaro o Sol!
– Águia real, apontas-me a subida!

Florbela Espanca - Charneca em Flor 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

"Boa noite a todos que estiveram aqui comigo até agora. Durmam com os anjos e bons sonhos."


"Buraco do Prefeito"

Buraco do Prefeito, fotografia abaixo, é uma denominação dada pelo povo irreverente do Assu, interior potiguar, a um anfiteatro que leva o nome oficial de Arcelino Costa Leitão que foi prefeito daquele município (1958-62), da praça Getúlio Vargas, servindo para realizações de festas populares e até mesmo de quadra de futsal e outros eventos da cidade, desde 1985. Era prefeito Ronaldo Soares. 

Fernando Caldas

Foto da web

Chove em Assu...

Foto de Jeová Liberato.


Soneto



SEGREDOS

(Gilmar Rodrigues de Lima*)

Ah se pudesse desvendar o peito,
Abrir os olhos, descrever a mente,
Tudo o que faz, que fala e que sente,
Fosse escrito do modo mais perfeito.

Sim, um jeito, quem me dera um jeito,
De transformar num todo convergente,
A insensatez, hipócrita indolente,
Apenas uma ilusão que eu tenha direito.

Sei, no amor seria o pior dos réus,
Sentir o tempo parar o meu desejo,
Sentir o tempo jogando-me ao espaço.

Erguer os olhos alcançando os céus,
Lábios vazios implorando um beijo,
Braços abertos mendigando um abraço.


* Gilmar faz parte do cenário humano do Assu.



Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...Que já têm a forma do nosso corpo ...E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares ...É o tempo da travessia ...E se não ousarmos fazê-la ...Teremos ficado ... para sempre ...À margem de nós mesmos...

Fernando Pessoa

  COMO VIVER 13 ANOS A MAIS E SEM DEMÊNCIA Rosangela Haydem Um estudo publicado em agosto de 2026 trouxe um dado que merece a nossa atenção:...