quinta-feira, 26 de junho de 2014

Assu Antigo


"Fotografia tirada na procissão de São João Batista há exatos 80 anos, ou seja, em 24 de junho de 1934. O meu bisavô João Soares de Macêdo conduz a santa cruz, nessa data ele completava 75 anos de idade."

(Vale Do Açu. Foto e texto de Gregório Celso Macêdo.).

HISTÓRIA:

Do blog  http://assunapontadalingua.blogspot.com.br/


João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Professor da UFRN, membro do IHGRN e do INRG

Continuemos o relato de Francisco Othílio, iniciado no artigo anterior. Preparados que foram as cousas, partimos para a Vila do Príncipe (Caicó), chegando nós às 9 horas à fazenda São Paulo, do Sr. Rodrigo de Medeiros Rocha, onde passamos a força do sol.
Aquele lugar merece que eu faça dele especial menção, não só pela notável afabilidade com que fomos obsequiados, mas pelo indizível prazer que mostraram todas as pessoas da família do Sr. Rodrigo com a nossa chegada.
Com efeito, o Sr. Rodrigo, de quem tanto se não esperava, não pela falta de bons desejos, mas em razão de suas circunstâncias pouco lisonjeiras, obsequiou-nos a nada deixar a desejar.
A Vila do Príncipe não há dúvida que é hoje uma das melhores do sertão; e apesar de ser o seu solo nimiamente árido, todavia ali não faltam recursos; porque os seus habitantes empregam todos os seus esforços a fim de lhes serem menos difíceis e penosos os meios de subsistência.
O terreno sobre que se acha ela plantada nada tem de agradável, e ao contrário é feio e bastante pedregoso, porém muito nova e boa a sua edificação. A sua matriz é antiga, porém de boa construção; tem menos cômodos do que a de nossa capital, e é mesmo alguma coisa diferente em sua divisão interior, mas excede-a em asseio. Há um gosto extraordinário na festa da padroeira e tem ela tanta nomeada que muitas pessoas do centro do Ceará, Paraíba e até mesmo de Pernambuco vão ali passá-la com suas famílias. 
Um povo imenso assiste sempre às novenas e às missas cantadas, que ali celebram-se durante dez dias de festas. 

Calculou-se em quatro mil pessoas que acompanham a procissão, inclusive muitas senhoras, que por esse ato não são censuradas em razão de ser costume antigo.

O madamismo apresenta-se sempre com muito luxo, mas esse luxo pouco brilhava, porque muitos dos seus vestidos ainda são feitos por usos que por aqui vão sendo esquecidos.

O bom acolhimento, que prestaram os senhores Vigário Rafael Fernandes, e o Dr. Paulino Ferreira da Silva, é digno do maior elogio.

Depois de quatro dias de folganças passados entre o bulício de uma numerosa população, que igualmente gozava dos prazeres da festa, voltamos ao nosso primitivo estado de insipidez e de incômodos, sócios inseparáveis daqueles que viajam pelos sertões em épocas já um pouco inconvenientes.
E qual não foi a tristeza que infundiu em meu coração o dia 29, em que pela manhã muito cedo vi deixar aqueles lugares tantas famílias que haviam abrilhantado a festa com a sua assistência. A nossa viagem estava destinada para a tarde do dia acima referido. E de feito às 4 horas encetamos a jornada com destino à Serra do Martins, servindo-nos de guia até aquele ponto o Sr, José Bernardo de Medeiros, um excelente companheiro. Ao sairmos acompanharam-nos muitas pessoas, algumas das quais nos fizeram companhia até a – Saudade – Fazenda do comandante superior Mariz, onde pernoitamos e fomos recebidos cavalheiramente. Ali chegamos às 7 da noite.

No dia 30 pela manhã continuamos nossa marcha tocando na povoação de Jardim de Piranhas às 9 horas pouco mais ou menos. Demoramo-nos um pouco enquanto sua excelência examinava a Capela daquela povoação, e depois seguimos. Às 11 horas do dia estávamos na Fazenda Pilões (Distrito da Paraíba), fazenda de uma viúva cujo nome não tivemos a curiosidade de perguntar. Ali descansamos, recebendo-nos ela belissimamente. Às 5 horas da tarde tivemos de partir.

Ainda se viam perfeitamente no horizonte os coloridos raios de sol quando avistamos na eminência de um longo campo dois edifícios; eram a casa do major José Batista Saraiva e uma capelinha que acha-se ainda em obra. Estávamos na fazenda Cachoeira também na Paraíba, uma das mais bonitas que encontramos pelo Centro.

Naquele lugar passamos uma noite bem divertida. Depois de uma lauta ceia, que foi presidida por três filhas e sobrinhas do mesmo major, levamos até uma hora da noite ouvindo-as cantarem várias modinhas; dando eu também nessa ocasião uma prova de que não era muito hóspede no violão.

No dia 31 pela manhã muito cedo estávamos de marcha, passando às 7 horas na povoação de Belém (ainda na Paraíba) e chegando-se ao Patu de fora às nove e meia.

Tomamos a casa do capitão José Severino de Moura, que preventivamente havia mandado um próprio à Cachoeira com uma carta convidando ao Sr. Presidente para descansar lá, no caso de passar por aquele lugar. O Sr. José Severino tratou-nos como permitiam as suas circunstâncias, e convenço-me de que ninguém de nossa comitiva ficou descontente.

Antes de encerrar este artigo, alguns comentários: o dono da fazenda Saudade, citado por Othílio, não era o comandante superior das Legiões da Guarda Nacional da Vila do Príncipe e Acari, Antonio Álvares Mariz, como pensou Câmara Cascudo, pois faleceu em 1854, mas o filho dele, Manoel Monteiro Mariz, comandante superior da comarca do Seridó, que faleceu em 1864; José Bernardo de Medeiros era avô dos ex-governadores Dinarte Mariz e José Augusto; O vigário citado por Othílio devia ser Padre Francisco Rafael Fernandes, sobrinho do senador, Padre Francisco de Brito Guerra; Dr. Paulino Ferreira da Silva, bacharel, foi promotor e deputado da Assembleia Provincial; Havia um Rodrigo de Medeiros Rocha (Rodrigo Gordo), dono da Fazenda São Paulo, mas que em 1834 já era falecido. Talvez o Rodrigo, citado por Othílio, seja descendente daquele; O presidente Pedro Leão Velloso tinha 33 anos de idade, nessa época.
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Partidos que apoiam Henrique definem coligações

Os 17 partidos que integram a coligação majoritária do deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB), que amanhã será lançado candidato ao Governo, formarão três coligações para deputado estadual.
Depois de muitas articulações e negociações, a divisão das alianças ficou assim:
Coligação 1 – PMDB, PSB, PR, PROS, DEM,SDD,PDT E PRB
44 candidatos a deputado estadual
COLIGAÇÃO 2 – PPS, PHS,PTB E PV
16 candidatos
COLIGAÇÃO 3 – PSDB, PSC, PSDC, PMN, PRP
38 candidatos

Panorama Político

terça-feira, 24 de junho de 2014

NO DIA DE SÃO JOÃO
TUDO ISSO É A CARA DO MEU SERTÃO

Plantação de roçado
Milho e feijão
Melão e melancia
Rezar antes da refeição
Serra Aguda cinzenta
Caboclo sofrido
Caçuá e cambito
Alegria no inverno
Sofrimento no verão,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Fogão à lenha
Água longe pra buscar
Rezar pra chover
O bode e o chiqueiro
Formigueiro na roça
Um cachorrinho magro
Perseverança e esperança
Alpargata de couro de vaca
Quadrilha no São João,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Cuscuz e coalhada
Manteiga da terra e queijo
Canjica e pamonha
Buchada e cachaça
Água do açude
Barril de umburana
Rádio ABC
Feijão macassar com nata
Benção pai, benção irmão,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

A viola e a cantoria
A vaquejada e o forró
O xiquexique e o mandacaru
A jurema e o pereiro
Zabumba, sanfona e triângulo
Fumo de rolo e cigarro de palha
O jumento, a cangalha e o menino
Criar filho na caatinga
Café batido no pilão,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Beber água na cabaça
Lamparina e candeeiro
Enxada e picareta
Tomar água na cacimba
Mulher parindo todo ano
Matuto com chapéu de couro
Jumento na carroça
Garajal de rapadura
O voto é do patrão,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Cheiro de curral
Remédio caseiro
Zelito consulta o agricultor
Coração de Jesus na parede
Tamborete na sala
Paçoca e tripa assada
Berro da ovelha desgarrada
Chocalho e aboio
Caipora e assombração,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Pote de barro e quartinha
Boi de capinadeira
O pé de cajarana
A sombra do juazeiro
Quixó e fojo
Lagartixa e calango
A chuva no dia de São José
Urubu e gavião
O ouro branco é o algodão,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

A noite de lua prateada
As caçadas com cachorro
O canto com rolinha e nambu
O sodoro cozido
Poeira na estrada
Galinha na panela de barro
Rádio tocando Luiz Gonzaga
O galo a despertar
Caminhão de eleitor no dia da eleição,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Uma roupa remendada
Porteira e passadiço
A trilha é o caminho
Menino de baladeira
Espingarda e faca peixeira
João, José, Maria e Francisca
A cerca de avelós
Criança de pés no chão
Padre Antas homenageia irmão,
Tudo isso é a cara do meu sertão.

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)
 
Meu São João
 
Seis horas da tarde...
arde
em mim, a fogueira da ausência...
nostalgia!
A noite se debruça
nos escombros do dia.
- Evocação -
O sol vermelho cor de brasa,
desce, e a porta de sua casa,
acende uma fogueira de São João.
 
Renato Caldas 
(Fulô do  Mato, 1954, segunda edição. pag. 72).
 

http://bmail.uol.com.br/attachment?msg_id=NTIzOTc&ctype=photo.JPG&disposition=inline&content_id=%3C1.1151112033%40web161602.mail.bf1.yahoo.com%3E&folder=INBOX&attsize=196964

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sistema de divulgação de candidaturas já está disponível no site do TSE

O sistema responsável pela divulgação das candidaturas registradas em todo o Brasil para as Eleições Gerais 2014, o DivulgaCand, já pode ser acessado na parte central do portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na área “Destaques”.
A ferramenta eletrônica permite que cidadão interessado possa consultar a quantidade de candidaturas por município e cargo, possibilitando ao eleitor conhecer os candidatos de sua cidade.
Também estarão disponíveis informações detalhadas sobre a situação dos candidatos que pediram registro de candidatura, assim como todos os dados informados à Justiça Eleitoral.

Robson Pires

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO