quarta-feira, 29 de outubro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
AOS 105 ANOS, HOMEM QUE SALVOU MAIS DE 600 CRIANÇAS DO NAZISMO É PREMIADO
Um
inglês que salvou mais de 600 crianças dos nazistas no início da
Segunda Guerra Mundial foi condecorado na República Tcheca com a mais
alta honraria do país – a Ordem do Leão Branco.
Fontes – http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141028_homem_premio_nazismo_rmhttp://papodehomem.com.br/homens-que-voce-deveria-conhecer-10-nicholas-winton/
Nicholas Winton, nascido em 19 de maio de 1909, com bem vividos 105 anos, tinha apenas 29 anos em 1939 quando conseguiu oito trens para levar 669 crianças – a maioria delas judias – da Tchecoslováquia quando eclodiu a Guerra. Elas foram conduzidas para a Inglaterra e para a Suécia, onde ficaram livres das ações dos nazistas.
No ano de 1938, Nicholas teve seu plano de férias de fim de ano com seu amigo, Martin Blake, cancelado. Este mesmo amigo sugeriu uma outra opção: que eles viajassem até a Checoslováquia, pois queria lhe mostrar algo. Winton se interessou pela proposta do amigo e partiram para lá.

A paquistanesa Malala Yousafzai e Nicholas Winton em 2013 Fonte – http://www.themalaysianinsider.com
Na época, ele era um corretor de ações em Londres, e vinha de uma família judia alemã, então estava bem consciente da urgência da situação.
“Eu sabia do que estava acontecendo na Alemanha mais do que muita gente e, com certeza, mais do que os políticos”, disse à BBC.
“Nós tínhamos pessoas ficando conosco que eram refugiados da Alemanha naquela época. Alguns que sabiam que suas vidas estavam em perigo.”
Ao pisar na Checoslováquia, Winton sentiu o clima de horror e medo, compreendeu o que o amigo tanto lhe queria mostrar. O país estava sob o domínio da Alemanha nazista. Milhares de pessoas assustadas e perseguidas com um futuro nada promissor, podendo a qualquer momento ser mandadas para campos de extermínio.
Muitos sentiriam pena, achariam essa situação injusta, ficariam indignados, entretanto, apenas observariam a tragédia acontecer. Nicholas Winton, não. Sabia que poderia fazer algo por essa pessoas. Teve a ideia de mandar as crianças das famílias perseguidas para outros países. Apenas uma ideia, porém, não resolveria a situação. Winton precisaria ter muita disposição e colocar a mão na massa para realizar esse objetivo.
Nicholas pesquisou e coletou dados das crianças que precisavam de ajuda e escreveu cartas para vários países. Foi um trabalho árduo e burocrático, mas nada o fazia desanimar. Persistente, atendeu as exigências impostas pelas autoridades. As portas do mundo sempre se abrem para um guerreiro que não se intimida com os obstáculos. Com a ajuda de organizações cristãs e beneficentes, foi possível conseguir recursos para o transporte dos pequenos refugiados e arrumar famílias interessadas em adotá-los.
Winton conseguiu lotar oito trens com crianças que saíram da Tchecoslováquia, antes da eclosão da Guerra. Mas um nono trem, o que estava ainda mais cheio – com 250 crianças – não conseguiu cruzar a fronteira antes do conflito tomar conta do país.
Setenta e seis anos depois, o britânico participou de uma cerimônia no Castelo de Praga, onde recebeu o prêmio.
Em seu discurso, ele agradeceu aos britânicos que aceitaram receber as crianças em suas casas.
“Quero agradecer a todos vocês por essa tremenda expressão de agradecimento por algo que aconteceu comigo há quase 100 anos”, disse Winton. “Fico muito contente que algumas das crianças ainda estejam aqui para me agradecer.”
“Eu agradeço aos britânicos por dar uma casa para eles, por aceitá-los e, claro, a enorme ajuda dada por muitos tchecos que fizerem o que puderam para lutar contra os alemães e tentar tirar as crianças do país”, finalizou.
‘Sem medo’
A missão notável do homem apelidado de “Schindler britânico” veio à tona somente no final de 1980.
Mas ele ressaltou que não teve medo de ajudar. “Não houve nenhum medo pessoal envolvido.”
A atitude de Winton ficou ‘oculta’ por 50 anos – ele não contou a ninguém o que fez – até que sua mulher encontrou um livro de recordações e descobriu.
Winton preferiu não contar nada para outras pessoas sobre o que tinha feito. As crianças cresceram sem notícias de quem havia contribuído para o bem delas.
Muitos o consideravam um herói, mas ele não:
“Não me vejo como um herói. Para ser herói, alguém precisa fazer algo de perigoso. Não fiz. O que fiz foi algo que os outros achavam impossível. Mas eu tinha de tentar, para ver se era possível ou não.A mulher de Nicholas só descobriu quando foi arrumar o sótão da casa e encontrou um álbum velho com fotos de crianças, telegramas, cartas e uma lista. A história de Winton ficou guardada em segredo por quase meio século.
“Não é um ato heróico. Meu lema é: se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer.”
Quando questionado pela BBC sobre o que achava que tinha mudado daquela realidade de 70 anos atrás para a que vive hoje, o homem de 105 anos não foi muito optimista. “Acho que não aprendemos com os erros do passado”, disse.
“O mundo hoje está em uma situação mais perigosa do que jamais esteve e considerando que agora temos armas de destruição em massa que podem acabar com qualquer conflito, nada está seguro mais.
Winton Mora em Maidenhead, Inglaterra, com sua esposa. É casado desde 1948 e tem dois filhos.
Perguntaram para Winton se ele achava que tinha feito do mundo um local melhor:
“É preciso mais do que um Nicholas Winton para fazer do mundo um lugar melhor. Mas tudo é uma questão é uma visão. Quase todas as crianças que salvei estão envolvidas hoje em trabalhos de caridade. Estão fazendo o bem.
O importante não é chegar em casa de noite e dizer, passivamente: ‘Hoje, eu não fiz nada de mal’. O importante é chegar em casa e dizer: ‘Hoje eu fiz o bem’.”
Fonte:
TOK de HISTÓRIA, Rostand Medeiros
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Em rede social, vereadora de Natal define Norte e Nordeste como "nova Cuba"
Professora aposentada e defensora da Educação na Câmara Municipal do Natal, a vereadora Eleika Bezerra (PSDC) gerou polêmica com uma postagem em sua página no Facebook, na manhã desta segunda-feira (27). A vereadora publicou uma montagem em que o mapa do Brasil é dividido entre "Brasil" e "Nova Cuba", marcando o Norte e Nordeste, além de Espírito Santo e Rio de Janeiro, como separado do restante do país. Além disso, a imagem sugere a implosão do estado de Minas Gerais e construção de um lago.
Reprodução/Facebook
Eleika Bezerra sugere divisão do Brasil com uma nova Cuba.
Na eleição deste ano, o PSDC, partido da vereadora, teve Eymael como candidato à Presidência da República. No segundo turno, a legenda optou por apoiar o candidato Aécio Neves (PSDB), que foi derrotado por Dilma Rousseff (PT). A presidente venceu na maioria do Norte e em todo o Nordeste, além de vencer também em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Menos de uma hora após a postagem, a imagem já havia sido compartilhada por 35 pessoas e recebido 85 comentários - na maioria dos casos, negativos à postura da professora. "Vamos denunciar essa senhora", postou um internauta. "Vamos implodir o seu mandato de vereadora em 2016", postou outra pessoa.
Aos 71 anos de idade, Eleika Bezerra está em seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Natal. Ela foi eleita em 2012, com 2.210 votos e é integrante da comissão de Educação do Legislativo Municipal.
A reportagem da Tribuna do Norte tentou o contato com a vereadora para comentar o caso, mas a assessoria de comunicação disse que a vereadora estava em horário de almoço e poderia falar após as 14h.
http://www.tribunadonorte.com.br
O mais importante não é o que temos na vida
mas quem temos na vida.
Os verdadeiros amigos são a poesia da vida.
A verdadeira amizade chega quando o silêncio
entre duas pessoas parece ameno.
A amizade verdadeira dá uma saudade as vezes
tão profunda que doí na alma.
É um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida
isso é a saudade!
CONTRIBUIÇÃO INDÍGENA À FALA POTIGUAR:
CANGA

CANGA - Jugo de bois. Antigo instrumento de suplício usado no Brasil. (fig). Domínio; opressão. Do Tupi: acanga - cabeça.
Quando duas
pessoas andam juntas se diz que elas andam "encangadas", e quando alguém
quer mandar ou subjugar outrem é comum ouvir-se: "Nesse pescocinho não se bota canga".
Os matutos de hoje em dia estão abrindo os olhos politicamente, e já dizem também para o chefe político: "Doutô nesse pescoço ninguém mais bota canga. Eu sou livre".
Fonte: Contribuição Indígena à Fala Norte-Rio-Grandense - Protásio Pinheiro de Melo.
http://assunapontadalingua.blogspot.com.br/
AMENIDADE.
"Nos anos 80, um candidato a prefeito na cidade de Grossos, preparou um discurso para uma movimentação política que iria se realizar no centro da referida cidade. Ao sair de casa, colocou o "improviso" no bolso traseiro e se dirigiu ao local da movimentação. Lá chegando, ao se preparar para subir no palanque, um malandro percebeu uma pontinha do discurso saindo do bolso do candidato e pensando que era dinheiro, deu a "tesoura" e afanou o papel onde continha o discurso do candidato. Este subiu ao palanque e quando anunciaram sua vez de falar, ele se aproxima do microfone e começa a tatear os bolsos à procura do discurso e falando ao microfone, POVO DE GROSSOS! e procurando bolso a bolso e nada e, continua gritando, POVO DE GROSSOS! e cada vez mais aflito procurando o papel sem encontrar e ao mesmo tempo em que se dirigindo aos ouvintes, gritava POVO DE GROSSOS!, daí quando percebeu que não adiantava mais procurar o discurso, de microfone em punho resmunga: AH, POVIN LADRÃO..."
"Nos anos 80, um candidato a prefeito na cidade de Grossos, preparou um discurso para uma movimentação política que iria se realizar no centro da referida cidade. Ao sair de casa, colocou o "improviso" no bolso traseiro e se dirigiu ao local da movimentação. Lá chegando, ao se preparar para subir no palanque, um malandro percebeu uma pontinha do discurso saindo do bolso do candidato e pensando que era dinheiro, deu a "tesoura" e afanou o papel onde continha o discurso do candidato. Este subiu ao palanque e quando anunciaram sua vez de falar, ele se aproxima do microfone e começa a tatear os bolsos à procura do discurso e falando ao microfone, POVO DE GROSSOS! e procurando bolso a bolso e nada e, continua gritando, POVO DE GROSSOS! e cada vez mais aflito procurando o papel sem encontrar e ao mesmo tempo em que se dirigindo aos ouvintes, gritava POVO DE GROSSOS!, daí quando percebeu que não adiantava mais procurar o discurso, de microfone em punho resmunga: AH, POVIN LADRÃO..."
Nordestinos são alvo de preconceito na web após vitória de Dilma Rousseff
Reprodução Twitter
Uma enxurrada de comentários
preconceituosos contra nordestinos tomou conta das redes sociais –
sobretudo no Twitter – na noite deste domingo (26), logo após a
confirmação da reeleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da
República.
As respostas às provocações também
vieram rápido, algumas delas fazendo referência à falta de água de São
Paulo. “Povo nordestino tbm é burro para ****, bolsa família aumenta mas
(SIC) a inflação aumenta o dobro. Vão estudar, seus cangaceiros fdp”,
disparou um tuíte. “Esse mesmo povo que reclama de nordestino é o mesmo
estrume que reclama quando algum gringo diz que no Brasil só tem
macaco”, postou um internauta. “Ridículo vocês falando do povo
nordestino como se eles fossem monstros que vivem do bolsa-família”,
dispara outro. Até o momento, os termos mais usados no Twitter são
#EuvoteiAecio45, #RIPBrasil, #DilmaNovamente, ‘Mais 4′, todos referentes
às eleições.
Dilma Rousseff foi reeleita com 51,6 %
dos votos enquanto Aécio Neves teve 48,3%. Em Pernambuco, com 99,92% das
urnas apuradas, Dilma venceu com 70,20% (3.435.440 votos) contra 29,80%
de Aécio, que teve 1.458.163 de votos. Dilma Rousseff venceu a eleição
em todos os estados do Nordeste.
Durante a campanha, o candidato
derrotado Aécio Neves (PSDB), em desvantagem na região, chegou a pedir
ao Ministério Público Federal (MPF) para investigar a discriminação
através das redes sociais contra os nordestinos na internet. “Nossa
sociedade não aceita esta tentativa de divisão discriminatória de nossos
cidadãos, pois, acima de tudo, todos, juntos, temos um sentimento
comum, que é o orgulho de sermos brasileiros”, informou em nota o PSDB.
Como denunciar
No Brasil o discurso de ódio e
discriminação com relação à origem é crime. Calúnia (art. 138 do Código
Penal), Difamação (art. 139 do Código Penal) e Injúria (art. 140 do
Código Penal) dependem de queixa realizada pela própria vítima. Estes
crimes, mesmo cometidos pela Internet, devem ser denunciados pela vítima
na delegacia mais próxima da residência dela ou em uma delegacia
especializada em crimes cibernéticos. Já os casos de Racismo, Xenofobia,
Apologia e incitação a crimes contra a vida podem ser feitas na Central
Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos
UOL, via Mundo Bit
HANS STADEN E A HISTÓRIA DE UM DOS PRIMEIROS LIVROS SOBRE O BRASIL

Como um mercenário alemão da região de Hesse, prisioneiro entre índios canibais brasileiros conseguiu sobreviver para trazer ao público a sua grande aventura, que se tornou um best-seller na Europa
Logo, em 1502 e 1504, foram publicadas cartas do explorador e cartógrafo florentino Américo Vespúcio, onde ele apresentou curiosos e fantásticos relatos do “Mundus Novus”. Vespúcio descreveu tempestades, animais estranhos, mulheres sensuais, sexo indiscriminado e canibalismo. Este último fato presenciado pelo famoso navegador na costa potiguar, em 1501, na atual Praia do Marco.
“Mundus Novus” foi um dos maiores best-sellers em seu tempo. Em apenas três anos, 19 edições das cartas de Vespúcio foram publicadas somente em alemão, ajudando a denominar de Novo Mundo, tudo que estivesse do outro lado do Atlântico.
Certamente que os homens que faziam livros naquela época perceberam que ganhariam muito dinheiro com outras obras que trouxesse nas suas páginas os relatos dos navegantes e suas aventuras.
Mas quem poderia escrever algo assim?
Um Mercenário no Novo Mundo
Muito provavelmente o alemão Hans Staden, natural da cidade de Homberg, lutou como um mercenário na Guerra de Schmalkaldischen, uma das primeiras guerras religiosas entre protestantes e católicos. O nosso herói era um “Büchsenschütze”, um atirador de arma de fogo longa, um artilheiro, e, portanto, um especialista muito requisitado naquela época em que as armas de fogo ainda eram uma novidade. Consta que mercenários com esta função faziam um bom dinheiro, quase o dobro dos soldados comuns de infantaria.
Staden combateu por seus senhores protestantes, que derrotaram o imperador católico, mas não tinham dinheiro para pagar suas tropas. Além disso, na sequência destes acontecimentos, a região de Hesse foi ocupada pelos católicos, com tropas onde havia mercenários portugueses. Talvez nesta hora Staden tenha escutado pela primeira vez algo sobre o Brasil.
Provavelmente animado por relatos dos lusos, Staden deixou sua região e foi até a cidade de Bremen, de lá seguiu para o porto holandês de Kampen e ali subiu a bordo de um cargueiro que seguia para Península Ibérica em busca de sal. Em 29 de abril de 1547 chegou a Setúbal e depois foi para Lisboa.

Na capital de Portugal existia uma colônia alemã de tamanho considerável. Staden encontrou hospedagem junto a um anfitrião chamado Leuhr, que mediou sua entrada para uma expedição que seguia para as “Índias”. Embarcou em uma nau lusa para Pernambuco no dia 28 de janeiro de 1548, cujo capitão chamava-se Penteado. Colocaram Staden como artilheiro do navio e ele não era o único alemão a bordo, havia ainda Hans Hausen, de Westerwald, e Heinrich Prant, de Bremen. O futuro escritor e seus companheiros foram envolvidos no sequestro de navios mouros, viu peixes voando para dentro do convés próximo a costa marroquina. Chegou ao Brasil com a missão de transportar degredados portugueses remetidos para povoar a colônia, recolher pau-brasil e atacar corsários franceses que exploravam as nossas costas.

Aparentemente Staden lutou contra corsários franceses na Paraíba e não esteve onde hoje é o Rio Grande do Norte. Mas se houvesse ocorrido este confronte certamente não seria uma tarefa fácil para os mercenários alemães, pois os gauleses conheciam profundamente a costa nordestina e potiguar. Constam que estes estiveram na enseada de Itapitanga (atual Praia de Pititinga), também no Rio Pequeno, ou Baquipé (depois denominado Ceará-Mirim, onde penetravam os barcos francesas, que ali iam resgatar o pau-brasil aos indígenas), no Rio Grande, ou Potengi (aonde os franceses iam muitas vezes as suas margens carregar madeiras nobres e nesta área, em 1599, os portugueses fundariam uma comunidade que ficou conhecida como Natal), no porto dos Búzios (na foz do Rio Pirangi), na enseada de Tabatinga (entre o porto dos Búzios e Itacoatiara, ou Ponta da Pipa) e na enseada de Aratipicaba (atual Baía Formosa).
Pouco depois o grupo mercenário de Staden foi requisitado pelo Governador Geral Dom Duarte da Costa para defender uma fortaleza na região de Igaraçu, Pernambuco. O local era constantemente atacado por grupos que totalizavam cerca de 8.000 indígenas, sendo defendido por aproximadamente 120 pessoas, às quais se uniram os cerca de 40 recém-chegados, incluindo Hans Staden. Depois de uma renhida luta e de um cerco prolongado no qual vieram a faltar provisões, os defensores conseguiram, afinal, vencer os indígenas. Neste embate tão desigual, foi a tecnologia das armas de fogo que fez a diferença.
Após um ano e meio ele retornou para Lisboa, aonde chegou em 8 de outubro de 1548.
O que ele viu no Brasil já seria suficiente para um livro, entretanto estes primeiros momentos em terras tropicais ocuparam apenas cinco capítulos, de 53, do seu futuro trabalho literário.
Entre Canibais
Talvez decepcionado com a falta de perspectivas de um Brasil que só tinha os produtos das suas florestas a oferecer aos aventureiros europeus, Staden foi para a Espanha para depois seguir em busca de ouro na América Espanhola.

Em abril 1549 partiu em uma nave da armada de Diogo de Sanábria, que pretendia fundar um povoado na costa da Ilha de Santa Catarina e outro na embocadura do Rio de la Plata. Mas nesta segunda ocasião em terras tropicais ele não teve sorte, pois seu navio naufragou na costa catarinense. Os integrantes da expedição, depois de passarem dois anos na região, decidiram rumar para a cidade de Assunção, atual capital do Paraguai. Staden se juntou a um grupo que rumou para a cidade de São Vicente, no litoral paulista, onde tentaria fretar um navio capaz de chegar a Assunção. Existem informações que deste último ponto os europeus pretendiam alcançar a Bolívia e o Peru em busca de ouro.
Antes de chegar a São Vicente o navio de Staden naufragou nas imediações de Itanhaém, no litoral paulista, mas seus ocupantes conseguiram nadar até a praia. De lá, foram a pé até São Vicente, onde Staden foi contratado, inicialmente por quatro meses, como artilheiro (outras fontes apontam como comandante) do Forte de São Felipe da Bertioga.
Em 1553, ao realizar uma caçada sozinho, foi capturado por indígenas. Ele contou depois que os índios usavam pequenos gravetos no lábio inferior e nas bochechas, discos de conchas brancas no pescoço e estavam cobertos com penas. Tinham seus corpos nus e estavam com os braços pintados em vermelho e preto. Os seus captores lhe jogaram violentamente no chão, rasgaram suas roupas, lhe espancaram e o esfaquearam. Nu e sangrando, Staden foi levado para a aldeia de Ubatuba (Uwattibi, no texto original do relato de Staden), dos índios tupinambás, do chefe Cunhambebe. Segundo o historiador Capistrano de Abreu, este chefe guerreiro se encontrou com Staden na Serra de Ocaraçu, atual conjunto de morros do Cairuçu, ao Sul de Paraty, na região de Trindade, Rio de Janeiro. Ele seria pai de outro chefe chamado Cunhambebe, líder de maior autoridade dentro da coalizão indígena conhecida como Confederação dos Tamoios, que lutou bravamente contra os portugueses.

Após a captura, Staden percebeu que a intenção dos indígenas era devorá-lo. Certas fontes apontam que, passado algum tempo, índios tupiniquins atacaram a aldeia onde ele era mantido prisioneiro. Obrigado pelos tupinambás, Staden lutou ao lado destes. Seu desejo era tentar fugir para unir-se aos atacantes. Mas, estes, vendo que a resistência dos defensores era muito forte, desistiram da luta e se retiraram.
O alemão testemunhou o ritual do canibalismo praticado contra indígenas capturados e o descreveu com riqueza de detalhes no seu relato. Outras fontes apontam que o alemão não foi vítima de canibalismo dos tupinambás pelo fato dele não ser português, já que seus captores haviam se aliado aos franceses.
Independente desta questão o certo é que o alemão passou nove meses junto aos seus captores. Chegou a aprender a língua deles e seu livro contém 150 de suas expressões. Staden acompanhou os indígenas em suas campanhas guerreiras e chegou até mesmo a ter esposas, como era comum entre os brancos que tinha amizades com os índios. Mas Staden silenciou sobre isso mais tarde, provavelmente para não manchar a sua reputação como um cristão. Um dos costumes que o alemão vivenciou foi a participação nas festas em que bebera o cauim, uma bebida alucinógena produzida pelas mulheres da tribo para grandes rituais.
Durante seu cativeiro o alemão chegou pedir ajuda a um navio português e a outro francês. Ambos recusaram-se a ajudá-lo por não desejarem entrar em conflito com os índios. Um dia, em 1554, chegou à aldeia de Cunhambebe a tripulação do barco francês Catherine de Vatteville, comandado por Guillaume Moner, que manteve contato com o alemão. Consta que para libertar Staden o francês enganou os tupinambás, afirmando que “seus irmãos tinham vindo busca-lo” e ele foi trocado por facas, machados, espelhos e pentes de pouco valor. Essa troca talvez tenha sido apenas um ato de pura piedade e fé cristã, pois o tempo em que Staden passou ao lado dos tupinambás parece que pouco interessou aos marinheiros gauleses.
De Volta ao Velho Mundo
Staden viajou para Europa via o porto francês de Le Havre, depois esteve em Londres, logo após desembarcou na Antuérpia e finalmente chegou à região de Hesse. Ele estabeleceu-se na cidade de Wolfhagen e começou a trabalhar numa fábrica de pólvora.
Dois anos depois o alemão Hans Staden estava financeiramente quebrado, mas ele tinha visto coisas verdadeiramente inusitadas. Mais do que qualquer outra pessoa de sua região e tinha algo para vender; uma história para um livro.
Para sua época o que ele tinha para contar era algo tão inacreditável que poderia ser um problema para fazer os seus leitores acreditarem no que estava escrito. Mas era tudo verdade e ele tinha experimentado tudo sozinho. Já em 1556 ele teria terminado o manuscrito de seu livro.
O homem que aceitou produzir a sua obra foi Andreas Kolbe (ou Andres Colben), um respeitado gráfico que preparava principalmente folhetos religiosos. Kolbe trabalhava no ramo desde 1546, na cidade de Marburg, mas seu negócio não era particularmente lucrativo e ele precisava de um sucesso em seu programa. Como corresponsável pelo livro de Staden, Kolbe chamou Johann Eichmann, conhecido como Dr. Dryander, professor de matemática e anatomia da universidade de Marburg, considerado um dos principais médicos de seu tempo. O Dr. Dryander representava a reputação acadêmica, escreveu o prefácio, e explicou ao público alemão por que a história de Staden era “verdade”. O Dr. Dryander também afirmou que conhecia o pai de Hans Staden e atestou a reputação do escritor e aventureiro.

E assim foi publicado em março 1557, em Marburg, um livro sobre o Brasil. Um lugar cuja existência tinha apenas 50 anos entre os Europeus ditos civilizados e da qual se tinha uma vaga ideia do que ali existia.
Dúvidas e Sucesso
Desde então tem sido muito discutido sobre qual a parte que Staden realmente escreveu? Pois ele era um soldado, com presumivelmente pouca educação para escrever um texto com 53 capítulos. Para muitos quem escreveu o livro foi o Dr. Dryander. Outros chegaram até mesmo a questionar se Staden foi realmente uma testemunha ocular e se esteve entre canibais brasileiros?
Mas Staden foi muito detalhista no seu relato e consta que o Dr. Dryander nunca deixou a Alemanha em direção ao Novo Mundo. E os fatos verificáveis - na época havia muito mais, porque Staden apontou datas, nomes e eventos – levam os seus inúmeros defensores a mostrarem isso como prova da autenticidade de suas experiências.

Críticos apontam que no texto, pelo menos ocasionalmente, Staden deve ter exagerado em seus relatos para abrir ao seu livro melhores oportunidades de mercado.
É claro que na publicação desta obra Staden, Kolbe e o Dr. Dryander tiveram o público em mente. Pois dinheiro foi gasto na feitura de 50 xilogravuras que compõem a obra, produzidas conforme as descrições do autor. Isso certamente fez com que o livro ficasse mais atraente para leitores inseguros com a incrível história.

Independente destas questões, o sucesso da publicação dos relatos de Staden foi imediato. Tanto que ainda em 1557, Kolbe colocou a venda uma segunda edição, que segundo o historiador berlinense Wolfgang Neuber é estimado em 3.000 exemplares. Um número considerável para a época.
Sim, e vejam como era o título original – Wahrhaftige Historia und Beschreibung einer Landschaft der wilden, nackten, grimmigen Menschfresser Leuthen in der Newenwelt America gelegen (História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América). Na atualidade o título desta obra parece um tanto grandioso, mas na verdade era relativamente curto para os padrões da época. Nas edições posteriores as xilogravuras de Staden seriam reproduzidas pelo belga Theodore de Bry a partir de uma técnica mais sofisticada e dispendiosa que a anterior.
Legado de Quase 460 Anos
Embora no século XVI a impressão de um livro pudesse gerar uma renda decente, aparentemente para Hans Staden o que ele não viu foi o dinheiro dos direitos autorais. E para piorar a situação, no mesmo ano do lançamento oficial foram publicadas em Frankfurt duas cópias não autorizadas da sua obra. Ou seja, piratearam descaradamente o livro do mercenário alemão!

Entretanto historiadores germânicos apontam que o sucesso do livro ajudou a melhorar a situação do antigo prisioneiro dos tupinambás, pois o prestígio conseguido abriu as portas para um emprego na corte de um conde local. Estudos a partir de notas da época sugerem que ele se casou em Wolfhagen e desta união veio duas filhas e um filho, que morreu em decorrência de uma praga no ano de 1576.
Ao longo dos séculos a obra de Hans Staden se firmou como um importante relato da realidade dos primeiros anos de ocupação europeia do território brasileiro. A partir de sua leitura é possível ter uma ideia, mais ou menos bem acabada dos personagens importantes do período: corsários franceses, colonos portugueses, indígenas, aliados e inimigos dos colonos estabelecidos no litoral. Os costumes dos tupinambás estão ricamente descritos no livro
.

Hans Staden nunca mais escreveu nenhum livro. Mas sua única experiência literária é comentada há quase 460 anos, onde foram publicadas mais de 80 edições, em oito idiomas diferentes.
Nada mal para um simples artilheiro da província de Hesse.
FONTES - http://www.tagesspiegel.de/weltspiegel/sonntag/soeldner-hans-staden-bei-den-nackten-menschenfressern/8888754.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tamoios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%B5es_francesas_do_Brasil
http://www.infoescola.com/livros/duas-viagens-ao-brasil-hans-staden/
http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338394115_ARQUIVO_CanibalismoTupinamba.pdf
Do blog http://tokdehistoria.com.br, de Rostand Medeiros
Dilma vence em 15 estados, Aécio em 12; veja o mapa
Dilma venceu nos estados de Alagoas, do Amazonas, do Amapá, da Bahia, do Ceará, do Maranhão, de Minas Gerais, do Pará, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte, de Sergipe e do Tocantins. Os melhores resultados foram obtidos no Maranhão (78,76%), no Piauí (78,29%) e no Ceará (76,75%).
Aécio Neves ganhou a disputa no Distrito Federal e nos estados do Espirito Santo, de Goiás, de Mato Grosso do Sul, de Mato Grosso, do Paraná, de Rondônia, de Roraima, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de São Paulo. Os estados que mais deram vantagem ao tucano foram Santa Catarina (64,59%), São Paulo (64,31%) e Acre (63,86%, com resultado parcial).
Arte/Agência Brasil
Dilma ganhou em 15 estados, enquanto Aécio venceu em 11 e no Distrito Federal
Embora nascida em Minas, Dilma começou a carreira política no Rio Grande do Sul. No estado, onde tem domicílio eleitoral, a presidenta obteve 46,47% dos votos, contra 53,53% do adversário. Em um colégio de 8,4 milhões de eleitores, Aécio venceu Dilma por 455 mil votos de diferença.
Com informações da Agência Brasil.
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