quinta-feira, 18 de maio de 2017

Cartão postal do então teatro Carlos Gomes 10 anos após reformado.
No canto inferior direito desse postal aparece o carimbo(em alto relevo) original do estúdio fotográfico Phot Chic, do fotógrafo mossoroense João de Miranda Galvão.
Sendo assim, todos os postais dessa série são do fotógrafo João Galvão.

Fotógrafo: João de Miranda Galvão
Ano: Cerca de 1922

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Ser Mulher ...

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...


Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Gilka Machado



Obra de Leonid Afremov

Azul é o sonho, azul é a cor
Da ilusão do teu consolo.
Do teu querer, do teu amor
Azul é o solo!
Eu poeta e sonhador,
Fibra por fibra hoje descolo
O beijo teu, do teu rigor...
O beijo colo!
O lírio d’alma no teu colo,
Descolo o lábio do rigor...
O beijo colo!
João Lins Caldas

terça-feira, 16 de maio de 2017

Sonhei em ser útil à humanidade. Não consegui, mas fiz versos. Estou convicta de que a poesia é tão indispensável à existência como a água, o ar, a luz, a crença, o pão e o amor.

Gilka Machado


segunda-feira, 15 de maio de 2017

MULHER NUA - Gilka Machado (1893-1980)

Alma de pomba - corpo de serpente,
enche de adejos e rastejos
teu ambiente,
caiam em torno a ti pedras ou flores
de uma contemplativa multidão:
de lisonjeiros e de malfeitores
cheias as sendas da existência estão.
 
Toda de risos tua boca enfeita
quando te surja um ser sincero, irmão;
e sejas sempre pura, espelhante e perfeita,
na verdade da tua imperfeição.
Musa satânica e divina
ó minha Musa sobrenatural,
em cujas emoções, igualmente, culmina
à indução do Bem, a tentação do Mal!
Em teus meneios lânguidos ou lestos
expõe ao Mundo que te espia
que assim como há na Dança a poesia dos gestos,
há nos versos a dança da Poesia.
 
Dança para esse gozo,
o grande gozo maternal da Terra,
que te fez sem igual,
e, envaidecida,
em seu amor te encerra,
amando em ti a sua própria vida,
sua vida carnal e espiritual.
Torce e destorce o ser flexuoso
ó Musa emocional!
 
Maneja os versos de maneira tal
que eles fiquem pelos séculos dispersos,
com os ritmos da existência universal.
E a dançar, a dançar,
num delicioso sacrifício,
patenteia a nudez desse teu ser ante o sereno altar
do deus que te domina.
 
Que importa a injúria hostil de quem te não compreenda?
dança, porém, não como a Salomé da lenda,
a lírica assassina: dança de um modo vivificador;
dança de todo nua,
mas que seja a nudez sensual da dança tua
a imortalização do teu glorioso Amor!

domingo, 14 de maio de 2017

A CANÇÃO DO CEGO

Pela vontade divina.
Tive a sina
de nascer na escuridão,
mas, se deus que eu não nego,
fez-me cego,
paz-me em sol no coração.

Quando ouço a tua fala,
que me embala,
que me faz em deus pensar,
sinto n'alma a claridade
da saudade
de uma noite de luar...

Si pelas mãos tu me levas,
eu nas trevas,
mais feliz do que os ateus
tendo a fé, que é a luz mais calma,
dentro d'alma
vejo a ti e vejo a Deus.

Esta noite, com o meu pranto,
roguei tanto
a piedade de Jesus
que depois de um sono brando,
vi, sonhando,
todo o céu, cheio de luz.

Catulo Da Paixão Cearense

 

sábado, 13 de maio de 2017

Av Sachet - 1939
André Madureira
·
Cartão Postal com vista parcial da então Av Sachet em fins da década de 1930.
Foi até 6 de maio de 1944 que a principal avenida desse bairro teve como patrono, Sachet, o inseparável mecânico do Pax de Augusto Severo. Nessa data, o então prefeito da capital, o dr José Varela, sanciona um decreto que modificava para Duque de Caxias a antiga Av Sachet. Houve um período em que, em homenagem a educadora, escritora e poetisa potiguar, Nisia Floresta Brasileira Augusta, essa avenida também se chamou "Nisia Floresta". Essa modificação no nome veio no final dos anos 20.
Cerca de 10 anos depois, em 23 de outubro de 1936, durante as comemorações ao dia do aviador, o dr. Luiz da Câmara Cascudo, ao pé do monumento de Augusto Severo, solicita ao prefeito da capital que voltasse a denominar-se Sachet a avenida ligada a praça Augusto Severo. A intensão era de deixar junto da praça Augusto Severo a avenida Sachet, "...não desunir quem a morte juntara", na frase do escritor.


Fotógrafo: Antonio Berbér
Ano: 1939

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mãe… São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras…
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer…
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

Mario Quintana

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.