segunda-feira, 29 de outubro de 2018

EM DELÍRIO

Por que é que nós vivemos tão distantes,
Si estamos neste sonho todo incerto:
- Eu ao teu lado em pulsações vibrantes,
E tu, longe de mim, sempre tão perto?

E é isso como um lúgubre deserto
onde andem as chamas palpitantes
Deste amor, deste amor que vive aberto
para os teus cem mil beijos escaldantes!

Amo-te! E fui-te sempre à eterna esquiva...
Mata-me agora esta aflição tão viva
Que explode em mim, que no meu seio estua...

Que tu não sejas meu, pouco me importa...
Mas tira-me esta dor que me transporta
A este desejo eterno de ser tua!

Carolina Bertholo
___________em, revista Fon-Fon, Rio de Janeiro, 1924.






domingo, 28 de outubro de 2018

Eu sou aquele que acordou chorando,
O das horas amargas, imprudentes.
Vim num velho país de negras gente 
E deixei do mais duro, por mais brando.

Meu coração foi lágrima rolando
E deturpado corpo entre os mais dentes...
Vejo os dias de fogo, reluzentes,
E tudo as garras para o negro bando.

Gemendo no gemente deturpado,
A alma alastrada e para si ferida,
Toda a estrada a crescer e sempre abrolhos.

Vi-me no mundo e pelo mundo entrado;;;
- Coração com pavor dentro da vida,
E mocidade... com lágrimas nos olhos.


 João Lins Caldas

terça-feira, 23 de outubro de 2018

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

"O beijo na juventude é arrepio é desejo é vontade de começar... e nunca terminar... o beijo de quem se ama remédio... e até se ficar velhos há de se morrer beijando..."
Eu sei que a morte acaba e a vida é certa.

João Lins Caldas

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Como te amo? Elizabeth Barrett Browning
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Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo
e ao mais alto que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites
do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos
os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam
pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas
e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando
perdi os meus santos - amo-te com o fôlego, os
sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.
(tradução alternativa e mais comum):
Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do Sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,
Ainda mais te amarei depois da morte.
TRADUÇÃO DE LUÍS EUZÉBIO:

(Enviado por João Celso Neto).

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