quarta-feira, 25 de dezembro de 2019


A ALMA

Por Augusto Frederico Schomidt

Às vezes eu sinto – minha alma
Bem viva.
Outras vezes porém ando erradio,
Perdido na bruma, atraído por todas as distâncias.

Às vezes entro na posse absoluta de mim mesmo
E a minha essência é alguma coisa de palpável
E de real.
Outras vezes porém ouço vozes chamando por mim,
Vozes vindas de longe, vozes distantes que o vento traz nas tardes mansas.

Sou o que fui …
Sou o que serei …

Às vezes me abandono inteiramente a saudades estranhas
E viajo por terras incríveis, incríveis.
Outras vezes porém qualquer coisa à-toa –
O uivo de um cão na noite morta,
O apito de um trem cortando o silêncio,
Uma paisagem matinal,
Uma canção qualquer surpreendida na rua –
Qualquer coisa acorda em mim coisas perdidas no tempo
E há no meu ser uma unidade tão perfeita
Que perco a noção da hora presente, e então

Sou o que fui.
E sou o que serei.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

*Os magos que visitaram Jesus*

Neste próximo dia seis de janeiro, em alguns países que tradicionalmente não comemoram o Natal,  é celebrado o Dia de Reis, dedicado justamente àqueles homens que visitaram Jesus em Belém, quando seguiram o rumo de uma estrela especial que avistaram em seu país de origem e que os guiou justamente até a Cidade de Davi.
De acordo com a Bíblia, _“E tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém.” (Mateus 2:1)_ . Aliás, Mateus não fala de reis. Julga-se que terá sido Tertuliano de Cartago quem no início do sec. III D.C. teria escrito que os Magos do Oriente eram reis. Mais uma vez, o motivo pode vir de algumas referências do Antigo Testamento, como é o caso do Salmo (68:29): _“Por amor do teu templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes.”_ Foram mencionados apenas no Evangelho segundo Mateus, onde se afirma que teriam vindo "do leste" para visitar Cristo.
Nem Mateus ou qualquer outro evangelista cita literalmente que eram três os homens que foram oferecer os presentes à criança nascida em Belém. Deduz-se que poderiam ser três diante das três dádivas que trouxeram (ouro, incenso e mirra). Muito menos que seus nomes eram Melchior, Baltasar e Gaspar, atribuído esse fato à tradição.
Não seriam reis nem necessariamente três mas sim, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros. Como não diz quantos eram, diz-se três pela quantia dos presentes oferecidos. A exegese vê na chegada dos magos o cumprimento da profecia contida no livro dos Salmos (Sl. 71, 11): _“Os reis de toda a terra hão de adorá-Lo”._
Talvez fossem astrônomos, pois, segundo consta, viram uma estrela e foram, por isso, até a região onde nascera Jesus. Assim os magos sabendo que se tratava do nascimento de um rei, foram ao palácio do cruel rei Herodes em Jerusalém na Judeia. Perguntaram eles ao rei sobre a criança. Este disse nada saber.
Herodes alarmou-se e sentiu-se ameaçado, e pediu aos magos que, se o encontrassem, falassem a ele, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções fossem a de matá-lo. Até que os magos chegassem ao local onde estava o menino, já havia se passado algum tempo, por causa da distância percorrida, assim a tradição atribuiu à visitação dos Magos o dia 6 de janeiro.
Atente bem para esta passagem bíblica: "Entrando na casa"(grifo nosso),  viram o menino (Jesus), com Maria sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11)._
A tradicional crença de que Jesus foi visitado quando do seu nascimento não é consensual entre todas as pessoas. Há pessoas que acreditam que Jesus já possuía uma certa idade. Segundo seus defensores há quatro linhas de evidência para acreditar que Jesus já não era mais um bebé quando recebeu a visita: a) a tradução para o texto de Mat. 2.11 usa a expressão "uma criancinha", "um menino", e não um bebê em diversas traduções de respeito, como a Almeida; b) Mat 2.11 também cita que quando Jesus foi encontrado estava em uma casa e não em uma manjedoura; c) o fato de Herodes mandar matar as crianças de até dois anos e, por último, d) o fato de Maria ter dado apenas dois pássaros no templo como contribuição pelo nascimento do menino, o que a identificava como muito pobre, e não parte dos presentes que supostamente já teria ganho, já que na visita ela, através de seu filho, ganhou ouro e outros itens valiosos.
O ouro representa a realeza além da providência divina para sua futura fuga ao Egito. O incenso representa a fé, pois era usado nos templos para simbolizar a oração que chega a Deus assim como a fumaça sobe ao céu (Salmos 141:2). A mirra, resina antisséptica usada em embalsamamentos desde o Egito antigo, nos remete ao gênero da morte de Jesus, o martírio, sendo que um composto de mirra e aloés foi usado no embalsamamento de Jesus (João 19: 39 e 40).
Devemos aos Magos a tradição de trocar presentes no Natal. Dos seus presentes surgiu essa tradição em celebração do nascimento de Jesus. Em diversos países, como por exemplo os de língua espanhola, a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de janeiro.

Clênio Falcão Lins Caldas (baseado em pesquisas extraídas de vários sites da internet e consultas à Bíblia)
"Deixo minha visão ao homem que jamais viu o amanhecer....
Deixo minha visão ao homem que jamais viu o amanhecer nos braços da mulher amada. Deixo meu coração à mulher que vive exclusivamente para fazer o coração de seu filho feliz. Deixo meus rins às pessoas que tiveram seus sonhos interrompidos, mas que ainda os cultivam. Deixo meu pulmão ao adolescente que quer gritar ao mundo mais uma vez ‘eu te amo'. Deixo meu fígado para aqueles que não tinham esperança na recuperação. Deixo ossos, pele, cada tecido meu, à criança que ainda não descobriu o que é viver por inteiro. Deixo a você o meu exemplo. Deixo à minha família o desejo de ser um doador. Deixo para a vida, enfim, um recado: nós vencemos! Seja um doador de órgãos."
AOS OLHOS DELE

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.


Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

(Florbela Espanca)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

QUATRO SONETOS DE VIRGÍNIA VITORINO

DESPEITO


Digo o que noutro tempo não diria:
Foi tudo um grande sonho enganador...
Nego o passado, e juro que este amor
Só existiu na tua fantasia...


Sinto a volúpia da mentira! A dor
Não transparece. Nego... Que alegria!
Fiz crer ao mundo inteiro, por magia,
Que és de todos os homens o pior...


Nunca me entonteceu esse sorriso...
E, vê lá tu, se tanto for preciso,
Nego também as cartas que escrevi!

Quero humilhar-te, enfim... Mas não entendo
Porque me exalto e choro e te defendo,
Se alguém, a não ser eu, diz mal de ti...


ORGULHO


És orgulhoso e altivo, também eu...
Nem sei bem qual de nós o será mais...
As nossas duas forças são rivais:
Se é grande o teu poder, maior é o meu...


Tão alto anda esse orgulho!... Toca o céu.
Nem eu quebro, nem tu. Somos iguais.
Cremo-nos inimigos... Como tais,
Nenhum de nós ainda se rendeu...


Ontem, quando nos vimos, frente a frente,
Fingiste bem esse ar indiferente,
E eu, desdenhosa, ri sem descorar...

Mas, que lágrimas devo àquele riso,
E quanto, quanto esforço foi preciso,
Para, na tua frente, não chorar...


TRISTEZA


Nos dias de tristeza, quando alguém
Nos pergunta, baixinho, o que é que temos,
Às vezes, nem sequer nós respondemos:
Faz-nos mal a pergunta, em vez de bem.


Nos dias dolorosos e supremos,
Sabe-se lá donde a tristeza vem?!...
Calamo-nos. Pedimos que ninguém
Pergunte pelo mal de que sofremos...


Mas, quem é livre de contradições?!
Quem pode ler em nossos corações?!...
Ó mistério, que em toda parte existes...

Pois, haverá desgosto mais profundo
Do que este de não se ter alguém no mundo
Que nos pergunte por que estamos tristes?!


RENÚNCIA


Fui nova, mas fui triste... Só eu sei
Como passou por mim a mocidade...
Cantar era o dever da minha idade,
Devia ter cantado e não cantei...


Fui bela... Fui amada e desprezei...
Não quis beber o filtro da ansiedade.
Amar era o destino, a claridade...
Devia ter amado e não amei...


Ai de mim!... Nem saudades, nem desejos...
Nem cinzas mortas... Nem calor de beijos...
Eu nada soube, eu nada quis prender...


E o que me resta?! Uma amargura infinda...
Ver que é, para morrer, tão cedo ainda...
E que é tão tarde já, para viver!...

Por Vivianne Caldas
No palanque fazem a festa
Embaixo os jovens homenageiam
Com faixas representam a história
De um povo
Dos primeiros povos
Da ilha entre dois rios
Da grande Ipanguaçu

Os jovens, embaixo, representam as famílias
Felizes por trazerem os laços da história da grande ilha
E uma família não é citada, quando um jovem
Abaixo traz na faixa, o nome da família Caldas.
Família que tem história
Marca desde dos primórdios deste chão
Família donas de terra, de escritores
Poetas e tradição
Família que esqueceu de ser dita no palanque da gestão
Família que doou terras para órgãos públicos
Família de Renato Caldas,
João Lins Caldas e Elisa Ribeiro de Oliveira
Família de nome e sobrenome
Que deste torrão ninguém apaga
E que nos escritos da região
É tão homenageada
Que fez de Açu
A terra dos poetas
Por meio de Renato Caldas.
Escrevo neste poema,
Uma pequena homenagem
A família de escritores, poetas
E doutores
Que ajudou a construir esta cidade.

domingo, 22 de dezembro de 2019

VIDA CANSADA

Cansado.
Pergunto quem me cansou.
- A vida.
Pergunto quem me descansará.
- A vida, a vida.
Tudo é a vida, vida cansada.

(Caldas)

Eu a gemer,
Eu feito dor,
Não meu amor,
Eu só a ver
Meu dissabor...

Mas há quem o chame de meu amor.

(João Lins Caldas

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A alma da mulher está no beijo.

(Vargas Vila, poeta colombiano)

 

A casa da festa perdeu, cansada, a sua alegria.
Eu sou a casa da festa.
Eu sou a festa cansada, alegria.

A voz tumultuária do homem teve a sua agressividade diante do destino
Mas parou, era a voz do homem.
Ele, o outro, era o destino.

(João Lins Caldas)

O NOSSO LIVRO “LUGARES DE MEMÓRIA” ENTRE OS MAIS VENDIDOS NA UFRN

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.