segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
terça-feira, 6 de dezembro de 2022
Marcos Calaça
PRA QUEM NUNCA VIU TUDO ISSO
NÃO SABE O QUE É SERTÃO.
Banheiro numa palhoça
Lata para assar castanha
Um burro cheio de manha
Um matuto de mão grossa
Um pote velho e gibão
Galinha e pau de galão
Umbuzada e passadiço
Pra quem nunca viu tudo isso
Não sabe o que é sertão.
Quem nunca comeu buchada
Feita num fogo de lenha
Nunca apartou vaca prenha
Desmamando a bezerrada
Quem nunca tomou coalhada
Quem nunca fez oração
Não andou em procissão
Quem nunca comeu chouriço
Pra quem nunca viu tudo isso
Não sabe o que é sertão.
Marcos Calaça é poeta e cordelista.
O poeta Calaça declamando o velho torrão pedavelinense no Palco Chico Traíra, na Estação do Cordel-Natal RN.
domingo, 4 de dezembro de 2022
RENATO CALDAS CHEIO DE GRAÇA
Certo dia, Renato Caldas, de manhã cedinho se encontrava na praça Getúlio Vargas, da cidade de Assu quando é surpreendido por certo cidadão embriagado: "Seu" Renato, eu sou macho de família de gente braba do Piató (distrito do município
assuense), que não abre pra homem nenhum! Diga aí uma pessoa da minha
família ‘arrochada’ que o senhor conhece?" Renato sem nem pestanejar, respondeu: "Sua mãe!”
Renato ao chegar à cidade de Rio de Janeiro, logo procurou um hotel. O proprietário daquela hospedaria logo advertiu: “Moço, fique logo sabendo que aqui só tem um banheiro.”
Renato pegou a chave e, logo que deixou sua bagagem no quarto saiu para
comprar um pinico (aparelho usado em substituição ao vaso sanitário).
No primeiro comércio que chegou encontrou a mercadoria que desejava
comprar. Chamou o balconista e com o dedo indicador apontou para o aparelho, dizendo pro vendedor de tal modo: "Eu quero comprar aquele 'pinico' que está alí pendurado." “O nome daquilo ali não é pinico, não. É Nordestino! Disse o balconista" “Pois eu quero. Disse Renato que, ao pagar e receber aquele objeto, soltou essa: "Amigo. Hoje à noite eu vou encher este ‘nordestino’ de carioca!”.
Renato nos idos
de trinta, numa certa viagem de trem que fizera, salvo engano, de
Angicos, interior potiguar, com destino à cidade do Natal, fumava
compulsivamente. Naquele transporte, sentado de frente para ele,
certa jovem que se encontrava grávida, com as pernas abertas e em dia de parir. Se dirigiu a Renato com a
seguinte advertência: "O senhor tá fumando muito. Dá pra apagar o cigarro! Não é por mim, não! É por conta desse inocente!" Disse aquela mulher alisando a barriga. Renato afagou a genitália e respondeu da mesma forma: "A senhora dá pra fechar as pernas. Não é por mim, não. É por conta desse inocente."
Renato, na
época da construção da Ponte Felipe Guerra, sobre o rio Piranhas/Açu .
(Renato trabalhava DNOCS, órgão responsável por aquela construção. Pois
bem, certa pessoa que morava a margem daquele rio convidou Renato para o
seu casamento. Lá pras tantas, um dos convivas pediu a Renato que fizesse uma saudação aos noivos. Dito e feito. Renato ao
terminar a sua saudação aos noivos, saiu-se com essa: “Tomara que o noivo não encontre um solo explorado!”
Fernando Caldas
Como nascem as doenças...
- Engole o choro!
- Engole sapo!
- Cala a boca!
- Cala o peito...
Fala a ponta dos dedos batendo na mesa...
Falam os pés inquietos na cama...
Fala a dor de cabeça.
Fala a gastrite, o refluxo, a ansiedade.
Fala o nó na garganta atravessado.
Fala a angústia, fala a ruga na testa.
Fala a insônia, o sono demasiado..
Você se cala, mas o falatório interno começa.
As pessoas adoecem porque cultivam e guardam as coisas não digeridas dentro de seus corações...
Expressar-se tranquiliza a dor!
Dor não é pra sentir pra sempre...
Dor é vírgula! Então faz uma carta, um poema, um livro.
Canta uma música.
Pega as sapatilhas, sapateia.
Faz piada, faz texto, faz quadro, faz encontro com amigos, nem que seja virtual...
Faz corrida no parque.
Fala pro seu analista, fala para Deus... Se pinta de artista!
Conversa sozinho, papeia com seu cachorro, solta um grito pro céu, mas não se cale!!! Pois “se você engolir tudo que sente, no final, você se afoga!”
Medite ,leia ,estude ,ore mais não interiorize!
CORAÇÃO NÃO É GAVETA!
O corpo fala!
Ruth Borges
Da Linha do Tempo/Facebook de CC.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
ARREBOLO
Parodiando Renato Caldas
Ao jovem Nilton Navarro, com um abraço do autor.
Mulata me arresponda,
Me arresponda num arranco
Porqui é qui tu te arrebola
quando vê um home branco?
Fica toda arrebolando,
Arebolando...
Pensa tarvez qui os branco
Vão ficá te desejano?
Se eu fosse oturidade,
Oturidade de tamanco
Eu botava na cadeia
Teu arrebolo...te sou franco.
Adispois dele tá preso
Numa cadeia sem jinela
Eu dizia: agora Mulata
Arrebola por Zé-Gamela.
(Este poema é da autoria de Zé-Gamela, cordelista, artista circense e de rádio que fez sucesso no Brasil nas décadas de 40 a 60. A paródia acima faz parte do livro: Caçoadas - versos e disparates de Zé Gamela, editado pela Tipografia Galhardo, em Natal, agosto de 1954.)
Ao jovem Nilton Navarro, com um abraço do autor.
Mulata me arresponda,
Me arresponda num arranco
Porqui é qui tu te arrebola
quando vê um home branco?
Fica toda arrebolando,
Arebolando...
Pensa tarvez qui os branco
Vão ficá te desejano?
Se eu fosse oturidade,
Oturidade de tamanco
Eu botava na cadeia
Teu arrebolo...te sou franco.
Adispois dele tá preso
Numa cadeia sem jinela
Eu dizia: agora Mulata
Arrebola por Zé-Gamela.
(Este poema é da autoria de Zé-Gamela, cordelista, artista circense e de rádio que fez sucesso no Brasil nas décadas de 40 a 60. A paródia acima faz parte do livro: Caçoadas - versos e disparates de Zé Gamela, editado pela Tipografia Galhardo, em Natal, agosto de 1954.)
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franciscomartinsescritor
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO







